Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Ravina ameaça engolir parte do bairro Sassonde 2


23 Setembro de 2020 | 15h18 - Actualizado em 23 Setembro de 2020 | 16h19

Huambo - Uma ravina com dois quilómetros de extensão e 12 metros de profundidade, em progressão no rio Kamaningã, ameaça engolir diversas infra-estruturas sociais do bairro Sassonde 2, arredores da cidade do Huambo.


Segundo apurou a ANGOP no local, a erosão, que ameaça engolir ainda parte do perímetro do aeroporto Albano Machado, está a escassos metros de destruir, com o início das chuvas, perto de 22 residências.

Em entrevista no local, o coordenador da comissão de moradores do bairro Sassonde 2, Carlos Andrade, disse que parte dos moradores perdeu “o sono”, desde 2016, com a progressão da ravina, resultante da exploração anárquica de inertes, como areia, a partir do rio Kamaningã.

Acrescentou que a exploração de areia, porém já paralisada desde 2017, uma vez que os camiões deixaram de poder entrar na zona com o surgimento da ravina, promoveu a aceleração do fenómeno erosivo, que, além das residências particulares, ameaça destruir igualmente o perímetro do aeroporto Albano Machado e a linha de transportação de energia de média tensão à centralidade do Lossambo.

Deste modo, o responsável, que solicitou a intervenção urgente das autoridades para a contenção da ravina, desencorajou a construção em zonas de risco, tal como o caso de um cidadão que insiste em construir a sensivelmente oito metros de um dos extremos da zona erosiva.

Apesar desta situação preocupante, Carlos Andrade informou que o bairro Sassonde 2, surgido em 2009, conta com três mil e 512 residências, habitadas por mais de 15 mil pessoas, que usufruem do abastecimento de água potável e de energia eléctrica 24 horas ao dia.

Disse que a preocupação, além do fenómeno erosivo, consiste na falta de infra-estruturas escolares e sanitárias, sendo que a localidade conta apenas com uma de ensino primário, com sete salas de aula, numa altura em que a comunidade uniu-se para erguer uma outra de cinco salas, ao passo que, em termos de assistência sanitária, os habitantes percorrerem diariamente, em média, cinco quilómetros até ao posto médico do bairro vizinho da Fátima..

Por outro lado, o responsável destacou o empenho das forças da ordem no reforço das acções de patrulhamento e policiamento de proximidade, não obstante o mau estado das vias do interior do bairro, que carecem de trabalhos profundos de terraplenagem e abertura de esgotos.

Em reposta, o director do Gabinete de Infra-estruturas e Serviços Técnicos da província do Huambo, Francisco Neto, disse que existe um plano de contenção de ravinas identificadas na região, com o objectivo de devolver a tranquilidade às famílias, cujas acções estão a ser desenvolvidas paulatinamente.

Acrescentou que a intervenção nas ravinas em progressão em várias localidades, com destaque para as dos bairros Sassonde I, II e III, Chitutula, Sacaála, área da Cuca, São João e Calobringo tornou-se difícil, por inexistência de terra para a construção do talude, que serve para garantir a estabilidade da zona erosiva, devido as construções que estão a menos dos 70 metros exigidos.

“Além da falta de terras para a edificação do talude, a outra dificuldade está na circulação dos equipamentos, pelo facto de as casas estarem muito próximas, daí o apelo para os cidadãos evitarem construir em zonas de risco, como em nascentes de rios, para impedir que coisas do género aconteçam”, referiu.

O nome Sassonde, subdividido em três áreas (Sassonde 1, surgido em 1940, enquanto a 2 e a 3 a partir de 2009), provém do facto de, no passado, existir naquela área muitas formigas gigantes, conhecidas por bissonde, que na língua nacional umbundo chamam-se issonde, vocábulo que evoluiu para Sassonde.

Situada no Planalto Central de Angola, com uma área de 35.771 quilómetros quadros, vivem na província do Huambo, cujo período chuvoso do ano dura, aproximadamente nove meses, de 15 de Agosto a 15 de Maio, dois milhões, 519 mil e 309 habitantes, distribuídos em 11 municípios.