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Adolescentes voltam ao convívio familiar oito anos depois


24 Outubro de 2020 | 11h14 - Actualizado em 24 Outubro de 2020 | 11h13

Mbanza Kongo - Quatro adolescentes do sexo masculino, que se encontravam acolhidos no centro Giorgio Zulianello, em Mbanza Kongo, província do Zaire, voltaram, sexta-feira, ao convívio familiar, oito anos depois.


Com idades compreendidas entre os 12 e 14 anos, os rapazes, um dos quais de nacionalidade congolesa democrática permaneceram no centro após terem sido abandonados pelos próprios parentes ou escapado de eventual tráfico de seres humanos.

De acordo com o responsável do Instituto Nacional da Criança (INAC) no Zaire, Rafael Kidiwa, em declarações à ANGOP, o adolescente do Congo Democrático (14 anos), tinha sido resgatado em 2012, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) no posto fronteiriço do Luvo, quando um adulto se preparava para o levar à RDC.

A fonte esclareceu que a criança, na altura com seis anos de idade, tinha sido abandonada pelo suposto pai, em Luanda, que encarregou um alegado tio para o levar de regresso à RDC, onde até ao momento reside a mãe biológica.

Explicou que a reunificação ocorreu no posto fronteiriço do Luvo, na presença das autoridades migratórios da RDC e da mãe biológica, para quem este processo de localização familiar resulta de um trabalho desenvolvido pelas redes de protecção à criança na região.

Outros três rapazes de 12 e 14 anos, disse, foram devolvidos ao convívio das suas famílias residentes nos municípios de Mbanza Kongo e Soyo (Zaire), assim como em Viana, província de Luanda.

A responsável do INAC no Zaire destacou o facto de o menino de Viana, 12 anos de idade, ter sido entregue à sua tia, por ser órfão de pai e mãe, frisando que o mesmo escapou também de tráfico de seres humanos no posto fronteiriço do Luvo, que dista a 60 quilómetros a norte da cidade de Mbanza Kongo.

Lembrou que o último caso de reunificação de crianças naquele centro de acolhimento aconteceu em Fevereiro deste ano, mas sem precisar o número.

Com a saída destes quatro adolescentes, o centro Giorgio Zulianello passa a colher 86 crianças dos dois meses aos 18 anos de idade com necessidades especiais de protecção, sendo 28 do sexo feminino e 58 do sexo masculino.

A destacar ainda a presença de seis menores da República Democrática do Congo (RDC,) vítimas de eventual tentativa de tráfico de seres humanos.

A instituição funciona sob tutela do governo local, através do gabinete provincial da Acção Social, Família e Igualdade do Género, e sob gestão da igreja católica.

O centro conta com 19 trabalhadores, entre educadores sociais, vigilantes, cozinheiros, enfermeiros, auxiliares de limpeza e pessoal administrativo.