Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Covid-19: TAAG volta a voar para Benguela


18 Setembro de 2020 | 19h48 - Actualizado em 18 Setembro de 2020 | 19h54

Benguela: Aeroporto Internacional da Catumbela (arquivo) Foto: FRANCISCO MIúDO

Catumbela - Com o novo avião Dash 8-400, Kwanza A, a TAAG (Linhas Aéreas de Angola) voltou, esta sexta-feira, a operar no Aeroporto Internacional da Catumbela, retomando a ponte aérea entre a capital Luanda e a província de Benguela, interrompida em Março pela pandemia da Covid-19.


Entregue em finais de Junho, esta nova “coqueluche” da TAAG é a primeira das seis aeronaves do tipo Dash 8-400, adquiridas pelo Governo Angolano a fabricante De Havilland of Canada Limited, tendo em vista a modernização e reestruturação das Linhas Aéreas de Angola.

Com capacidade para 74 ocupantes, entre passageiros e tripulação, a Dash 8-400 é uma aeronave moderna e de fácil desdobramento em manobras, com baixo consumo de combustível. Tem uma autonomia de voo de cerca de seis horas e voa até dois mil e quinhentos metros de altitude, podendo atingir a velocidade dos 700 quilómetros por hora.

Angola retomou, no passado dia 14 de Setembro, os voos domésticos que, por decisão do Governo, tinham sido suspensos desde meados de Março, para conter a propagação do novo coronavírus. Cabinda, a província mais a Norte do país, foi o primeiro destino da TAAG a partir do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda.

Esta sexta-feira, o avião Kwanza A, com destino a Catumbela onde devia chegar pelas 13 horas, aterrou apenas às 15:05 minutos, com 74 ocupantes a bordo, sendo 10 passageiros na classe executiva e 64 na económica. De regresso, levou 57 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros.

Fernando Andrade, general na reserva das Forças Armadas Angolanas (FAA), é um dos 57 passageiros que, num misto de expectativa e ansiedade, embarcou, pela primeira vez, no Dash 8-400, rumo a Luanda, num trajecto de 670 quilómetros.

À ANGOP, o cidadão, em companhia de familiares, resumiu a sua satisfação da seguinte forma: “É um afogado que sai debaixo de água. É uma sensação de liberdade”.

Para Fernando Andrade, que viaja por motivos de saúde, independentemente de embarcar num novo avião, o mais importante é a percepção de que “podemos estar à vontade”.

Retido em Benguela por seis meses, o passageiro Hélder Rafael prefere falar de ansiedade e “incerteza”, mas diz-se tranquilo por notar que no Aeroporto da Catumbela há condições de biossegurança, nomeadamente a testagem dos passageiros, antes do embarque e a desinfecção com álcool em gel.

“Não podia voltar a Luanda de outro jeito”, ressalta, encarando a possibilidade de rever a família em Luanda como algo inexprimível, ainda mais a bordo de uma nova aeronave da companhia aérea de bandeira nacional.

De volta a Benguela, sua terra natal, Janine de Pina, acompanhada da filha de quatro anos, considera que a alegria do regresso a casa supera a tristeza de ter ficado retida em Luanda por mais de 180 dias, por culpa da pandemia da Covid-19.

“Não existe nada melhor do que a sensação de voltar a casa”, acentua, garantindo que, apesar do atraso de duas horas antes da decolagem da aeronave, a partir do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, a viagem foi tranquila e até pensa que muitos passageiros irão gostar de voar a bordo do novo Dash 8-400, tendo em conta o conforto e a segurança que oferece.

Ponte área normalizada

Eugénio Salvador, chefe de escala da TAAG em Benguela, olha para a retoma dos voos domésticos para Catumbela como um passo em frente do “novo normal” em Angola e explica que o processo preparativo correu normalmente, desde a aquisição dos bilhetes de passagem nas agências de viagem ao embarque dos passageiros.

Ainda acrescenta que todos os 57 passageiros foram sujeitos a testes de despiste da Covid-19, a maioria no Aeroporto da Catumbela, e os resultados foram negativos, razão pela qual foram autorizados pelas autoridades sanitárias a seguirem viagem por motivos plausíveis.

“Para verificarmos se o passageiro está apto para o embarque, ele deve apresentar resultado negativo do teste à Covid-19”, notou Eugénio Salvador, segundo o qual os passageiros estavam ansiosos, devido, por um lado, a uma falha no sistema que atrasou o check-in e, por outro, a chegada tardia do voo ao Aeroporto da Catumbela.

O Dash Kwanza A levantou voo pelas 16h20. A próxima ligação entre Luanda e Catumbela acontece apenas a 25 de Setembro (uma vez por semana).

Antes da Covid-19, a TAAG voava para 15 destinos, entre domésticos e internacionais, em África, na América do Sul, do Caribe, na Europa e na Ásia, com uma frota de dez aviões, sendo 4 do tipo 737-700, seis 777-300 e 777-200.