África do Sul: Revolta do Soweto completa 45 anos

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Pretória - O dia 16 de Junho é feriado na África do Sul, em homenagem à revolta dos estudantes do bairro do Soweto, em Joanesburgo, contra o uso obrigatório da língua Afrikaans, em pé de igualdade com o Inglês como meio de instrução curricular nas escolas secundárias.

Por: Raquel Betlehem / ANGOP

Em 1974, os estudantes começaram a mobilizar-se e, um ano depois, tiveram início os protestos nas escolas africanas, na sequência de uma directiva do então Departamento de Educação Bantu, segundo a qual a língua Afrikaans seria introduzida.

A palavra "Bantu", na acepção da expressão Educação Bantu, é altamente pesada e tem conotações depreciativas, politicamente falando. O sistema educativo Bantu foi concebido para "formar e adaptar" os africanos negros ao seu papel na nova sociedade do Apartheid (1948).

A educação foi vista como parte deste sistema global do Apartheid, incluindo o não acesso a titularidade de terras, restrições urbanas, leis de aprovação e reservas de emprego. Aos cidadãos negros era reservado o papel de operário, trabalhador e servo.

O levantamento de 16 de Junho de 1976, que começou no Soweto – denominado  bairro negro pelo sistema governativo – e se espalhou por todo o país, alterou profundamente o panorama sócio-político na África do Sul.

Os acontecimentos que desencadearam a revolta podem ser atribuídos às políticas do governo do Apartheid, que resultaram na introdução da Lei da Educação Bantu, no ano de 1953.

A ascensão do Movimento de Consciência Negra (BCM- na sigla em Inglês) e a formação da Organização Sul-Africana de Estudantes (SASO) elevaram a mentalidade política de muitos estudantes, enquanto outros se juntaram à onda de sentimento anti-apartheid no seio da comunidade estudantil.

A 16 de Junho de 1976, entre três mil e 10.000 estudantes, mobilizados pelo Comité de Acção e apoiados pelo BCM, marcharam pacificamente para se manifestarem e protestar contra a directiva do governo. A marcha deveria culminar num comício no Estádio de Futebol de Orlando (Soweto).

Contudo, no seu percurso, foram recebidos pela polícia do regime, fortemente armada, que disparou gás lacrimogêneo e mais tarde munições reais sobre os estudantes. Isto resultou numa revolta generalizada contra o governo de segregação racial. Os acontecimentos do Soweto espalharam-se pelo país inteiro e prosseguiram até ao dia seguinte.

Como bem escreve o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO), na sua mensagem por ocasião da data, o rescaldo do 16 de Junho de 1976 teve consequências terríveis para o governo do Apartheid. Imagens dos disparos da polícia contra estudantes, que se manifestavam pacificamente, levaram a uma revolta internacional contra a África do Sul, a medida que a sua brutalidade era exposta.

Entretanto, prossegue o DIRCO, "os movimentos de libertação enfraquecidos e exilados receberam novos recrutas em fuga da perseguição política em casa, dando um impulso à luta contra o Apartheid".

A política de discriminação racial ressaltava, entre muitos pontos negativos, o seguinte: "Não há lugar para [o africano] na comunidade europeia acima do nível de certas formas de trabalho. Não lhe serve de nada receber uma formação que tenha como objectivo a absorção na comunidade europeia", sublinha o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul.

Por: Raquel Betlehem / ANGOP

Em 1974, os estudantes começaram a mobilizar-se e, um ano depois, tiveram início os protestos nas escolas africanas, na sequência de uma directiva do então Departamento de Educação Bantu, segundo a qual a língua Afrikaans seria introduzida.

A palavra "Bantu", na acepção da expressão Educação Bantu, é altamente pesada e tem conotações depreciativas, politicamente falando. O sistema educativo Bantu foi concebido para "formar e adaptar" os africanos negros ao seu papel na nova sociedade do Apartheid (1948).

A educação foi vista como parte deste sistema global do Apartheid, incluindo o não acesso a titularidade de terras, restrições urbanas, leis de aprovação e reservas de emprego. Aos cidadãos negros era reservado o papel de operário, trabalhador e servo.

O levantamento de 16 de Junho de 1976, que começou no Soweto – denominado  bairro negro pelo sistema governativo – e se espalhou por todo o país, alterou profundamente o panorama sócio-político na África do Sul.

Os acontecimentos que desencadearam a revolta podem ser atribuídos às políticas do governo do Apartheid, que resultaram na introdução da Lei da Educação Bantu, no ano de 1953.

A ascensão do Movimento de Consciência Negra (BCM- na sigla em Inglês) e a formação da Organização Sul-Africana de Estudantes (SASO) elevaram a mentalidade política de muitos estudantes, enquanto outros se juntaram à onda de sentimento anti-apartheid no seio da comunidade estudantil.

A 16 de Junho de 1976, entre três mil e 10.000 estudantes, mobilizados pelo Comité de Acção e apoiados pelo BCM, marcharam pacificamente para se manifestarem e protestar contra a directiva do governo. A marcha deveria culminar num comício no Estádio de Futebol de Orlando (Soweto).

Contudo, no seu percurso, foram recebidos pela polícia do regime, fortemente armada, que disparou gás lacrimogêneo e mais tarde munições reais sobre os estudantes. Isto resultou numa revolta generalizada contra o governo de segregação racial. Os acontecimentos do Soweto espalharam-se pelo país inteiro e prosseguiram até ao dia seguinte.

Como bem escreve o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO), na sua mensagem por ocasião da data, o rescaldo do 16 de Junho de 1976 teve consequências terríveis para o governo do Apartheid. Imagens dos disparos da polícia contra estudantes, que se manifestavam pacificamente, levaram a uma revolta internacional contra a África do Sul, a medida que a sua brutalidade era exposta.

Entretanto, prossegue o DIRCO, "os movimentos de libertação enfraquecidos e exilados receberam novos recrutas em fuga da perseguição política em casa, dando um impulso à luta contra o Apartheid".

A política de discriminação racial ressaltava, entre muitos pontos negativos, o seguinte: "Não há lugar para [o africano] na comunidade europeia acima do nível de certas formas de trabalho. Não lhe serve de nada receber uma formação que tenha como objectivo a absorção na comunidade europeia", sublinha o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul.