Capital económica da Nigéria enfrenta nova vaga mais mortal

  • Bandeira da Nigéria
Lagos - A capital económica da Nigéria, Lagos, enfrenta uma segunda vaga de covid-19, "mais contagiosa" e "mais mortal" que a anterior, com grande parte dos habitantes a ignorarem as recomendações das autoridades de saúde e os hospitais sobrecarregados.

De dia, nas praias apinhadas da cidade mais populosa de África, milhares de pessoas reúnem-se para a época festiva, sem máscaras ou respeito por medidas de barreira.

À noite, nas discotecas, que não estão autorizadas a abrir, os êxitos 'afrobeat' continuam a fazer os jovens dançar, pouco preocupados com o toque de recolher obrigatório em vigor e sabendo que uma simples gorjeta, nos bloqueios de estrada da polícia, pode facilmente contornar a regra.

Aos fins de semana, os casamentos reúnem centenas de convidados, apesar de limitados a 50 pessoas pelas autoridades de saúde e realizam-se à vista de todos, por vezes sob a proteção de polícias pagos para a ocasião, relata a agência de notícias francesa AFP.

Por outro lado, mesmo com a melhor das intenções das pessoas, seria impossível respeitar as medidas de distanciamento social nos transportes e bairros superlotados da cidade, em expansão, e já com 20 milhões de habitantes, onde a grande maioria vive dia a dia a tentar assegurar a sua sobrevivência.

Em Lagos, após meses de restrições e de contenção extremamente rigorosos, implementados nos primeiros meses de pandemia e que mergulharam o país na recessão, muitas pessoas vivem agora como se o coronavírus não existisse.

Alguns, porque não acreditam nisso. Outros, porque o vírus assusta-os pouco face à pobreza extrema que já enfrentam.

"Se me sentir mal, vou apenas fazer um teste à malária, não ao covid-19, isso não nos mata", diz Ali, um taxista de 27 anos de idade.

No entanto, o número de novos casos de infeção está a progredir rapidamente.

"Entramos em força na segunda vaga da pandemia. Ontem, Lagos registou um número assustadoramente elevado de infeções num dia", disse o governador de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, na terça-feira.

"Esta segunda vaga é acompanhada por sintomas mais graves, e um número mais elevado de casos positivos detetados", afirmou.

Desde o início da pandemia, a cidade registou 33.329 casos, incluindo 250 mortes por coronavírus. A Nigéria, o país mais populoso de África, teve um total de 94.369 casos, incluindo 1.324 mortes, registados.

Embora o número de infeções comunicadas continue baixo, estes dados são subestimados: o número de testes é muito inferior ao da Europa, ou mesmo da África do Sul, que tem mais de um milhão de casos positivos. Além disso, na Nigéria, menos de 10% das mortes pela doença são normalmente comunicadas às autoridades.

No entanto, os profissionais de saúde estão a fazer soar o alarme.

No Paelon Memorial Hospital, no distrito comercial da Ilha de Victoria, "já não é uma segunda vaga, mas um tsunami", diz a sua diretora, Ngozi Onyia.

"Os meus telefones estão sempre a tocar, há muitos pacientes positivos a entrar, tenho de tomar decisões difíceis", afirma. "Quem aceitar no nosso centro hospitalar, quem colocar num dos nossos quatro ventiladores, estas são decisões éticas, que não tomava há 38 anos", continua.

O mesmo se aplica no hospital público. "O ressurgimento da covid-19 está a devastar as nossas terras e a fazer muitas vítimas", adverte o diretor do Hospital Universitário de Lagos (Luth), Professor Chris Bode.

"Ao contrário da primeira vaga, esta é muito mais contagiosa e mortal", acrescentou, apelando às autoridades para que respeitem as medidas tomadas.

Aquele responsável atribui a aceleração dos contágios a uma nova variante do coronavírus descoberta em meados de dezembro.

O professor Christian Happi, que está por detrás da sequenciação desta variante, apela, no entanto, à prudência. Os resultados do seu estudo serão conhecidos no final do mês, e é impossível de momento dizer se esta variante é mais transmissível e perigosa.

Ao mesmo tempo, as autoridades estão a alertar que podem impor novo confinamento.

"Não queremos declarar um novo confinamento. Devem usar as vossas máscaras e evitar lugares apinhados", apelou o governador de Lagos.

Por agora, "a melhor cura são as mensagens de prevenção", segundo Yap Boum, o representante para África do Epicentre, o braço de investigação da organização Médicos Sem Fronteiras.

Quanto às vacinas, o governo anunciou que espera receber 100.000 doses até ao final do mês e ser capaz de vacinar 40% da população em 2021. Mas os desafios do transporte, armazenamento e vacinação de uma população de 200 milhões de pessoas são imensos.

De dia, nas praias apinhadas da cidade mais populosa de África, milhares de pessoas reúnem-se para a época festiva, sem máscaras ou respeito por medidas de barreira.

À noite, nas discotecas, que não estão autorizadas a abrir, os êxitos 'afrobeat' continuam a fazer os jovens dançar, pouco preocupados com o toque de recolher obrigatório em vigor e sabendo que uma simples gorjeta, nos bloqueios de estrada da polícia, pode facilmente contornar a regra.

Aos fins de semana, os casamentos reúnem centenas de convidados, apesar de limitados a 50 pessoas pelas autoridades de saúde e realizam-se à vista de todos, por vezes sob a proteção de polícias pagos para a ocasião, relata a agência de notícias francesa AFP.

Por outro lado, mesmo com a melhor das intenções das pessoas, seria impossível respeitar as medidas de distanciamento social nos transportes e bairros superlotados da cidade, em expansão, e já com 20 milhões de habitantes, onde a grande maioria vive dia a dia a tentar assegurar a sua sobrevivência.

Em Lagos, após meses de restrições e de contenção extremamente rigorosos, implementados nos primeiros meses de pandemia e que mergulharam o país na recessão, muitas pessoas vivem agora como se o coronavírus não existisse.

Alguns, porque não acreditam nisso. Outros, porque o vírus assusta-os pouco face à pobreza extrema que já enfrentam.

"Se me sentir mal, vou apenas fazer um teste à malária, não ao covid-19, isso não nos mata", diz Ali, um taxista de 27 anos de idade.

No entanto, o número de novos casos de infeção está a progredir rapidamente.

"Entramos em força na segunda vaga da pandemia. Ontem, Lagos registou um número assustadoramente elevado de infeções num dia", disse o governador de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, na terça-feira.

"Esta segunda vaga é acompanhada por sintomas mais graves, e um número mais elevado de casos positivos detetados", afirmou.

Desde o início da pandemia, a cidade registou 33.329 casos, incluindo 250 mortes por coronavírus. A Nigéria, o país mais populoso de África, teve um total de 94.369 casos, incluindo 1.324 mortes, registados.

Embora o número de infeções comunicadas continue baixo, estes dados são subestimados: o número de testes é muito inferior ao da Europa, ou mesmo da África do Sul, que tem mais de um milhão de casos positivos. Além disso, na Nigéria, menos de 10% das mortes pela doença são normalmente comunicadas às autoridades.

No entanto, os profissionais de saúde estão a fazer soar o alarme.

No Paelon Memorial Hospital, no distrito comercial da Ilha de Victoria, "já não é uma segunda vaga, mas um tsunami", diz a sua diretora, Ngozi Onyia.

"Os meus telefones estão sempre a tocar, há muitos pacientes positivos a entrar, tenho de tomar decisões difíceis", afirma. "Quem aceitar no nosso centro hospitalar, quem colocar num dos nossos quatro ventiladores, estas são decisões éticas, que não tomava há 38 anos", continua.

O mesmo se aplica no hospital público. "O ressurgimento da covid-19 está a devastar as nossas terras e a fazer muitas vítimas", adverte o diretor do Hospital Universitário de Lagos (Luth), Professor Chris Bode.

"Ao contrário da primeira vaga, esta é muito mais contagiosa e mortal", acrescentou, apelando às autoridades para que respeitem as medidas tomadas.

Aquele responsável atribui a aceleração dos contágios a uma nova variante do coronavírus descoberta em meados de dezembro.

O professor Christian Happi, que está por detrás da sequenciação desta variante, apela, no entanto, à prudência. Os resultados do seu estudo serão conhecidos no final do mês, e é impossível de momento dizer se esta variante é mais transmissível e perigosa.

Ao mesmo tempo, as autoridades estão a alertar que podem impor novo confinamento.

"Não queremos declarar um novo confinamento. Devem usar as vossas máscaras e evitar lugares apinhados", apelou o governador de Lagos.

Por agora, "a melhor cura são as mensagens de prevenção", segundo Yap Boum, o representante para África do Epicentre, o braço de investigação da organização Médicos Sem Fronteiras.

Quanto às vacinas, o governo anunciou que espera receber 100.000 doses até ao final do mês e ser capaz de vacinar 40% da população em 2021. Mas os desafios do transporte, armazenamento e vacinação de uma população de 200 milhões de pessoas são imensos.