Combates continuam na região de Tigray

Nova Iorque - Os combates continuam em várias zonas da região etíope de Tigray apesar da reivindicação de vitória do Governo federal, disseram hoje as Nações Unidas, sublinhando as dificuldades de levar ajuda humanitária à região.

Os fornecimentos à região de Tigray, no norte, foram cortados a quatro de Novembro quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, lançou uma operação militar após meses de tensão com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Na quarta-feira, as Nações Unidas assinaram um acordo com o Governo etíope para o acesso humanitário "sem restrições" à região, que vinha a exigir há várias semanas, alertando para uma potencial catástrofe em Tigray.

"Temos relatórios de combates em curso em várias partes do Tigray. Esta é uma situação preocupante e complexa para nós", disse Saviano Abreu, porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), citado pela agência France-Presse (AFP).

Abiy reclamou vitória no conflito há quase uma semana, afirmando que a operação militar tinha sido "levada a cabo com sucesso" e que os combates tinham terminado, depois de as tropas governamentais terem tomado a capital regional, Mekelle.

As avaliações de segurança na região estão ainda em curso e três funcionários da ONU disseram à AFP que não esperam que a ajuda chegue a Tigray antes da próxima semana.

O governo federal "concedeu-nos o acesso, mas devemos ter o mesmo tipo de acordo com todas as partes em conflito para garantir o acesso livre e incondicional ao Tigray", disse um dos funcionários sob condição de anonimato.

Antes do conflito, cerca de 600.000 pessoas - incluindo 96.000 refugiados eritreus que viviam em quatro campos - estavam totalmente dependentes da ajuda para se alimentarem em Tigray, e um milhão de outros beneficiavam de uma "rede de segurança" alimentar, de acordo com Ocha.

Quatro semanas de luta forçaram cerca de 45.500 pessoas a fugirem para o vizinho Sudão, mas também deslocaram um número desconhecido de homens, mulheres e crianças dentro de Tigray.

Fonte do governo regional de Tigray adiantou, entretanto, que milhares de combatentes foram mortos.

Getachew Reda, um conselheiro superior do líder das TPLF, numa entrevista à Tigray TV, exortou os jovens a "levantarem-se e posicionarem-se para a batalha".

Com os líderes da Frente Popular de Libertação do Tigray em fuga, os receios de um conflito prolongado ganham força, mas com as comunicações e as ligações de transporte ainda em grande parte cortadas à região de seis milhões de pessoas, é difícil conhecer a situação no terreno, incluindo a extensão do apoio popular à TPLF e o número de pessoas mortas.

"A nossa capacidade de resistir depende, em última análise, do apoio que recebemos do nosso povo", disse Getachew.

"É possível ter um cenário em que paramos tudo e transformamos todas as pessoas em soldados", acrescentou.

Sem avançar o número de combatentes, afirmou que o exército de Tigray "está a fazer coisas espantosas com números limitados", assegurando que há "dezenas de milhares de mortes entre as forças etíopes e as da vizinha Eritreia, que a TPLF insiste que também está envolvida.

Getachew também reconheceu as baixas do lado da TPLF, mas não disse quantas.

O Governo da Etiópia nega as alegações das autoridades regionais de Tigray e não avançou ainda o número estimado de mortos no conflito.

Entre os mortos encontram-se pelo menos cinco trabalhadores humanitários e as Nações Unidas dizem que mais de 100 trabalhadores humanitários continuam por localizar.

"Estamos extremamente preocupados com os relatos" dos trabalhadores humanitários mortos, disse Saviano Abreu.

"Temos centenas de colegas ainda no terreno", acrescentou.

 

Os fornecimentos à região de Tigray, no norte, foram cortados a quatro de Novembro quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, lançou uma operação militar após meses de tensão com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Na quarta-feira, as Nações Unidas assinaram um acordo com o Governo etíope para o acesso humanitário "sem restrições" à região, que vinha a exigir há várias semanas, alertando para uma potencial catástrofe em Tigray.

"Temos relatórios de combates em curso em várias partes do Tigray. Esta é uma situação preocupante e complexa para nós", disse Saviano Abreu, porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), citado pela agência France-Presse (AFP).

Abiy reclamou vitória no conflito há quase uma semana, afirmando que a operação militar tinha sido "levada a cabo com sucesso" e que os combates tinham terminado, depois de as tropas governamentais terem tomado a capital regional, Mekelle.

As avaliações de segurança na região estão ainda em curso e três funcionários da ONU disseram à AFP que não esperam que a ajuda chegue a Tigray antes da próxima semana.

O governo federal "concedeu-nos o acesso, mas devemos ter o mesmo tipo de acordo com todas as partes em conflito para garantir o acesso livre e incondicional ao Tigray", disse um dos funcionários sob condição de anonimato.

Antes do conflito, cerca de 600.000 pessoas - incluindo 96.000 refugiados eritreus que viviam em quatro campos - estavam totalmente dependentes da ajuda para se alimentarem em Tigray, e um milhão de outros beneficiavam de uma "rede de segurança" alimentar, de acordo com Ocha.

Quatro semanas de luta forçaram cerca de 45.500 pessoas a fugirem para o vizinho Sudão, mas também deslocaram um número desconhecido de homens, mulheres e crianças dentro de Tigray.

Fonte do governo regional de Tigray adiantou, entretanto, que milhares de combatentes foram mortos.

Getachew Reda, um conselheiro superior do líder das TPLF, numa entrevista à Tigray TV, exortou os jovens a "levantarem-se e posicionarem-se para a batalha".

Com os líderes da Frente Popular de Libertação do Tigray em fuga, os receios de um conflito prolongado ganham força, mas com as comunicações e as ligações de transporte ainda em grande parte cortadas à região de seis milhões de pessoas, é difícil conhecer a situação no terreno, incluindo a extensão do apoio popular à TPLF e o número de pessoas mortas.

"A nossa capacidade de resistir depende, em última análise, do apoio que recebemos do nosso povo", disse Getachew.

"É possível ter um cenário em que paramos tudo e transformamos todas as pessoas em soldados", acrescentou.

Sem avançar o número de combatentes, afirmou que o exército de Tigray "está a fazer coisas espantosas com números limitados", assegurando que há "dezenas de milhares de mortes entre as forças etíopes e as da vizinha Eritreia, que a TPLF insiste que também está envolvida.

Getachew também reconheceu as baixas do lado da TPLF, mas não disse quantas.

O Governo da Etiópia nega as alegações das autoridades regionais de Tigray e não avançou ainda o número estimado de mortos no conflito.

Entre os mortos encontram-se pelo menos cinco trabalhadores humanitários e as Nações Unidas dizem que mais de 100 trabalhadores humanitários continuam por localizar.

"Estamos extremamente preocupados com os relatos" dos trabalhadores humanitários mortos, disse Saviano Abreu.

"Temos centenas de colegas ainda no terreno", acrescentou.