Dakar palco de protestos contra recolher obrigatório no Senegal

Dakar - A cidade de Dakar foi palco, na noite da passada quarta-feira, de protestos contra o recolher obrigatório no Senegal, entretanto reposto para travar o avanço da covid-19, que alarmou as autoridades, segundo a agência AFP.

No distrito de Ngor, grupos de jovens queimaram pneus, montaram barricadas e atiraram projécteis contra as forças da lei e da ordem, que responderam com gás lacrimogéneo.

Foram relatados incidentes em outros bairros da capital senegalesa, tais como Medina ou Yoff, e nos seus subúrbios, em Pikine, Guédiawaye ou Thiaroye.

"Muitos de nós trabalhamos à noite", disse Jean-Paul Mendy no distrito de Parcelles Assainies, onde os residentes de Dakar também se rebelaram contra o recolher obrigatório.

E acrescentou: "Estamos a tentar ganhar a vida, dia após dia. E agora estão a impedir-nos de trabalhar à noite".

Para um trabalhador na área das entregas, como Jean-Paul Mendy, é mais fácil trabalhar até tarde devido ao congestionamento na capital durante o dia.

Desde a noite de quarta-feira passada que está em vigor um recolher obrigatório, que vigorará entre as 21h00 e as 05h00 nas regiões de Dakar e Thies, as quais concentram quase 90% dos casos de covid-19, de acordo com as autoridades.

O Conselho de Ministros justificou estas medidas na quarta-feira à noite com "um aumento fulgurante de contaminações, casos severos, casos graves e o número de mortes".

O Senegal enfrenta uma segunda vaga da doença e, tal como em outras regiões africanas, os números estão longe de atingir os anunciados em outros continentes. Ainda assim, a doença está a colocar uma pressão no sistema de saúde deste país pobre.

A pandemia afectou gravemente a economia deste país, que tem registado um crescimento nos últimos anos.

O restabelecimento do recolher obrigatório é particularmente preocupante para a esmagadora maioria da população que trabalha na chamada economia informal.

Os restauradores de rua ou vendedores ambulantes, por exemplo, são susceptíveis de sofrer um novo golpe com as restrições.

Para Modou Niang, o período do recolher obrigatório é aquele em que normalmente inicia o seu trabalho como motorista de táxi: "Sou pai e não estou autorizado a trabalhar. Esta decisão tomada por (o Presidente) Macky Sall não faz sentido. Ele pensa que é um rei".

Babacar Seck, um dos manifestantes, citava o facto de que os mercados ainda estavam a decorrer durante o dia e que as pessoas ainda se aglomeravam nos transportes públicos, especialmente nas horas antes do recolher obrigatório para chegar a casa a tempo. "Não é o recolher obrigatório que vai fazer desaparecer o vírus", disse.

O primeiro recolher obrigatório foi introduzido em Março de 2020, após a ocorrência do primeiro caso. Na altura, foi o motivo de manifestações violentas, tendo sido levantado em Junho.

O Senegal comunicou mais de 20 mil casos e 433 mortes devido à covid-19.

No distrito de Ngor, grupos de jovens queimaram pneus, montaram barricadas e atiraram projécteis contra as forças da lei e da ordem, que responderam com gás lacrimogéneo.

Foram relatados incidentes em outros bairros da capital senegalesa, tais como Medina ou Yoff, e nos seus subúrbios, em Pikine, Guédiawaye ou Thiaroye.

"Muitos de nós trabalhamos à noite", disse Jean-Paul Mendy no distrito de Parcelles Assainies, onde os residentes de Dakar também se rebelaram contra o recolher obrigatório.

E acrescentou: "Estamos a tentar ganhar a vida, dia após dia. E agora estão a impedir-nos de trabalhar à noite".

Para um trabalhador na área das entregas, como Jean-Paul Mendy, é mais fácil trabalhar até tarde devido ao congestionamento na capital durante o dia.

Desde a noite de quarta-feira passada que está em vigor um recolher obrigatório, que vigorará entre as 21h00 e as 05h00 nas regiões de Dakar e Thies, as quais concentram quase 90% dos casos de covid-19, de acordo com as autoridades.

O Conselho de Ministros justificou estas medidas na quarta-feira à noite com "um aumento fulgurante de contaminações, casos severos, casos graves e o número de mortes".

O Senegal enfrenta uma segunda vaga da doença e, tal como em outras regiões africanas, os números estão longe de atingir os anunciados em outros continentes. Ainda assim, a doença está a colocar uma pressão no sistema de saúde deste país pobre.

A pandemia afectou gravemente a economia deste país, que tem registado um crescimento nos últimos anos.

O restabelecimento do recolher obrigatório é particularmente preocupante para a esmagadora maioria da população que trabalha na chamada economia informal.

Os restauradores de rua ou vendedores ambulantes, por exemplo, são susceptíveis de sofrer um novo golpe com as restrições.

Para Modou Niang, o período do recolher obrigatório é aquele em que normalmente inicia o seu trabalho como motorista de táxi: "Sou pai e não estou autorizado a trabalhar. Esta decisão tomada por (o Presidente) Macky Sall não faz sentido. Ele pensa que é um rei".

Babacar Seck, um dos manifestantes, citava o facto de que os mercados ainda estavam a decorrer durante o dia e que as pessoas ainda se aglomeravam nos transportes públicos, especialmente nas horas antes do recolher obrigatório para chegar a casa a tempo. "Não é o recolher obrigatório que vai fazer desaparecer o vírus", disse.

O primeiro recolher obrigatório foi introduzido em Março de 2020, após a ocorrência do primeiro caso. Na altura, foi o motivo de manifestações violentas, tendo sido levantado em Junho.

O Senegal comunicou mais de 20 mil casos e 433 mortes devido à covid-19.