Ébola: Investigação identifica 80 alegados crimes sexuais na RDC

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Genebra - Uma investigação solicitada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou mais de 80 alegados casos de abuso sexual durante a resposta da agência da ONU a um surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), implicando 20 funcionários.

As conclusões da comissão foram hoje divulgadas, meses após uma investigação da agência Associated Press (AP) ter noticiado que a direcção da OMS tinha sido informada de múltiplas alegações de abuso em 2019.

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, criou a comissão em Outubro, após terem surgido notícias sobre abusos sexuais, durante os esforços da OMS para conter a epidemia de Ébola na RDC, de 2018 a 2020. Na altura, o director-geral disse que estava "indignado" e que iria agir rapidamente para punir os responsáveis.

Fontes diplomáticas citadas pela agência noticiosa norte-americana afirmaram que quatro pessoas foram despedidas e duas foram suspensas, baseando-se num 'briefing' à porta fechada distribuído a funcionários diplomáticos em Genebra.

A comissão obteve a identidade de 83 alegados perpetradores, congoleses e estrangeiros, tendo, em 21 casos, estabelecido com certeza que os alegados perpetradores eram funcionários da OMS durante a resposta ao Ébola.

A maioria dos alegados perpetradores, de acordo com as conclusões, eram funcionários congoleses contratados de forma temporária que tiraram partido da sua aparente autoridade para obterem favores sexuais.

Em Maio, a AP publicou provas de que o médico Michel Yao, um alto funcionário da OMS que supervisionou a resposta ao surto na RDC, foi informado de múltiplas alegações de abuso sexual. O médico foi mais tarde promovido e liderou a resposta da OMS ao surto de Ébola na Guiné-Conacri, que terminou em Junho.

Também o médico da OMS Jean-Paul Ngandu e outros dois funcionários da agência da ONU assinaram um contrato em que prometiam a compra de terras para uma jovem que Ngandu teria, alegadamente, engravidado. Ngandu disse que tinha sido pressionado a fazê-lo para proteger a reputação da OMS.

Outro médico, Boubacar Diallo, gabou-se da sua relação com o chefe Tedros, da OMS, e ofereceu às mulheres empregos em troca de sexo, disseram três mulheres à AP.

Nas conclusões, a comissão destacou também a entrevista com o líder da OMS, que disse ter sido informado das alegações de abuso apenas após a sua publicação na comunicação social e que desconhecia o caso de Ngandu.

O painel criticou a tendência da OMS para "rejeitar todas as denúncias de exploração e abusos sexual, a menos que sejam feitas por escrito".

Cerca de 50 países, entre os quais Reino Unido, Estados Unidos da América, Canadá e Países Baixos, emitiram, mais tarde, uma declaração em que expressaram a sua "profunda preocupação" sobre a forma como a OMS tem lidado com o abuso sexual.

Em Maio, a OMS reconheceu que a sua resposta às suspeitas de abusos sexuais envolvendo funcionários na RDC foi "lenta".

Alguns funcionários da OMS mostraram-se insatisfeitos com a forma como a agência lidou com as reclamações.

"Não podemos dar-nos ao luxo de ignorar os sinais de fracasso sistemático e repetido da nossa organização para evitar tais alegados comportamentos e para os abordar de forma justa e atempada", escreveu o comité de pessoal da OMS num 'email' ao pessoal e aos quadros superiores, no mesmo mês.

As conclusões da comissão foram hoje divulgadas, meses após uma investigação da agência Associated Press (AP) ter noticiado que a direcção da OMS tinha sido informada de múltiplas alegações de abuso em 2019.

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, criou a comissão em Outubro, após terem surgido notícias sobre abusos sexuais, durante os esforços da OMS para conter a epidemia de Ébola na RDC, de 2018 a 2020. Na altura, o director-geral disse que estava "indignado" e que iria agir rapidamente para punir os responsáveis.

Fontes diplomáticas citadas pela agência noticiosa norte-americana afirmaram que quatro pessoas foram despedidas e duas foram suspensas, baseando-se num 'briefing' à porta fechada distribuído a funcionários diplomáticos em Genebra.

A comissão obteve a identidade de 83 alegados perpetradores, congoleses e estrangeiros, tendo, em 21 casos, estabelecido com certeza que os alegados perpetradores eram funcionários da OMS durante a resposta ao Ébola.

A maioria dos alegados perpetradores, de acordo com as conclusões, eram funcionários congoleses contratados de forma temporária que tiraram partido da sua aparente autoridade para obterem favores sexuais.

Em Maio, a AP publicou provas de que o médico Michel Yao, um alto funcionário da OMS que supervisionou a resposta ao surto na RDC, foi informado de múltiplas alegações de abuso sexual. O médico foi mais tarde promovido e liderou a resposta da OMS ao surto de Ébola na Guiné-Conacri, que terminou em Junho.

Também o médico da OMS Jean-Paul Ngandu e outros dois funcionários da agência da ONU assinaram um contrato em que prometiam a compra de terras para uma jovem que Ngandu teria, alegadamente, engravidado. Ngandu disse que tinha sido pressionado a fazê-lo para proteger a reputação da OMS.

Outro médico, Boubacar Diallo, gabou-se da sua relação com o chefe Tedros, da OMS, e ofereceu às mulheres empregos em troca de sexo, disseram três mulheres à AP.

Nas conclusões, a comissão destacou também a entrevista com o líder da OMS, que disse ter sido informado das alegações de abuso apenas após a sua publicação na comunicação social e que desconhecia o caso de Ngandu.

O painel criticou a tendência da OMS para "rejeitar todas as denúncias de exploração e abusos sexual, a menos que sejam feitas por escrito".

Cerca de 50 países, entre os quais Reino Unido, Estados Unidos da América, Canadá e Países Baixos, emitiram, mais tarde, uma declaração em que expressaram a sua "profunda preocupação" sobre a forma como a OMS tem lidado com o abuso sexual.

Em Maio, a OMS reconheceu que a sua resposta às suspeitas de abusos sexuais envolvendo funcionários na RDC foi "lenta".

Alguns funcionários da OMS mostraram-se insatisfeitos com a forma como a agência lidou com as reclamações.

"Não podemos dar-nos ao luxo de ignorar os sinais de fracasso sistemático e repetido da nossa organização para evitar tais alegados comportamentos e para os abordar de forma justa e atempada", escreveu o comité de pessoal da OMS num 'email' ao pessoal e aos quadros superiores, no mesmo mês.