Enviado da ONU e UA ao Darfur diz que desconfiança ainda é profunda

Cartum - O enviado conjunto das Nações Unidas e da União Africana para o conflito no Darfur alertou hoje que a desconfiança ainda é profunda na região tumultuosa do Sudão onde se encontram centenas de deslocados.

O representante da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Africana (UA) instou o Governo de transição em Cartum a abraçar a "enorme tarefa" de ganhar a confiança da população local.

As observações de Jeremiah Mamabolo surgem enquanto os membros do Conselho de Segurança da ONU continuam divididos quanto ao momento de pôr fim ao mandato da missão conjunta, a Missão das Nações Unidas no Darfur (UNAMID).

O povo de Darfur "foi traído", considerou Mamabolo, em declarações à Associated Press, alertando para a "situação delicada". "Muitos crimes e injustiças foram cometidos contra eles, por isso sentem-se inseguros", acrescentou Mamabolo.

O Sudão está num caminho frágil para a democracia na sequência de uma revolta popular que levou os militares a derrubar o Presidente autocrático Omar al-Bashir, em Abril de 2019, após quase três décadas no poder. Desde então, o país tem sido liderado por um Governo conjunto de civis e militares, que tem procurado pôr fim às longas décadas de guerras civis no Sudão e superar as condições económicas desastrosas do país.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) acusou al-Bashir de crimes de guerra e genocídio por causa do conflito em Darfur. As autoridades de transição inicialmente hesitaram em entregar os procurados pelo TPI mas, posteriormente, informaram que seriam entregues para enfrentar a justiça em Haia, Holanda.

O mandato da UNAMID expira no final do mês. Os membros do Conselho de Segurança da ONU afirmaram na terça-feira o seu compromisso de terminar a missão, mas estavam divididos quanto ao calendário, com a Rússia e as nações africanas a pedirem um termo a 31 de Dezembro, enquanto várias nações ocidentais requereram mais tempo antes da saída do território.

A UNAMID, criada em 2007, foi a primeira operação conjunta de manutenção da paz da ONU e da UA. Conta agora com mais de 6.000 militares e polícias e mais de 1.500 civis. Em Junho, o Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a sua substituição por uma missão de menor dimensão e exclusivamente política, que será conhecida como Missão Integrada de Assistência à Transição das Nações Unidas no Sudão (UNITAMS).

Embora os grandes combates no Darfur tenham parado, os confrontos inter-comunitários esporádicos na região aumentaram este ano, frisou Mamabolo.

Centenas de manifestantes, na sua maioria crianças e mulheres deslocadas, montaram um acampamento no exterior da sede da missão na província de Darfur do Sul, para protestar contra o fim iminente da UNAMID.

A activista sudanesa Nazek Awad salienta não existirem condições para um partido independente monitorizar a situação no terreno após a saída das tropas da ONU-UA. "A insegurança das pessoas deslocadas vai continuar e aumentar", alertou.

O representante da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Africana (UA) instou o Governo de transição em Cartum a abraçar a "enorme tarefa" de ganhar a confiança da população local.

As observações de Jeremiah Mamabolo surgem enquanto os membros do Conselho de Segurança da ONU continuam divididos quanto ao momento de pôr fim ao mandato da missão conjunta, a Missão das Nações Unidas no Darfur (UNAMID).

O povo de Darfur "foi traído", considerou Mamabolo, em declarações à Associated Press, alertando para a "situação delicada". "Muitos crimes e injustiças foram cometidos contra eles, por isso sentem-se inseguros", acrescentou Mamabolo.

O Sudão está num caminho frágil para a democracia na sequência de uma revolta popular que levou os militares a derrubar o Presidente autocrático Omar al-Bashir, em Abril de 2019, após quase três décadas no poder. Desde então, o país tem sido liderado por um Governo conjunto de civis e militares, que tem procurado pôr fim às longas décadas de guerras civis no Sudão e superar as condições económicas desastrosas do país.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) acusou al-Bashir de crimes de guerra e genocídio por causa do conflito em Darfur. As autoridades de transição inicialmente hesitaram em entregar os procurados pelo TPI mas, posteriormente, informaram que seriam entregues para enfrentar a justiça em Haia, Holanda.

O mandato da UNAMID expira no final do mês. Os membros do Conselho de Segurança da ONU afirmaram na terça-feira o seu compromisso de terminar a missão, mas estavam divididos quanto ao calendário, com a Rússia e as nações africanas a pedirem um termo a 31 de Dezembro, enquanto várias nações ocidentais requereram mais tempo antes da saída do território.

A UNAMID, criada em 2007, foi a primeira operação conjunta de manutenção da paz da ONU e da UA. Conta agora com mais de 6.000 militares e polícias e mais de 1.500 civis. Em Junho, o Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a sua substituição por uma missão de menor dimensão e exclusivamente política, que será conhecida como Missão Integrada de Assistência à Transição das Nações Unidas no Sudão (UNITAMS).

Embora os grandes combates no Darfur tenham parado, os confrontos inter-comunitários esporádicos na região aumentaram este ano, frisou Mamabolo.

Centenas de manifestantes, na sua maioria crianças e mulheres deslocadas, montaram um acampamento no exterior da sede da missão na província de Darfur do Sul, para protestar contra o fim iminente da UNAMID.

A activista sudanesa Nazek Awad salienta não existirem condições para um partido independente monitorizar a situação no terreno após a saída das tropas da ONU-UA. "A insegurança das pessoas deslocadas vai continuar e aumentar", alertou.