Etiópia: Tigray denuncia destruição de fábricas e universidades

Adis Abeba - Um funcionário da administração interina da região etíope de Tigray denunciou hoje a destruição de fábricas e universidades por tropas de um "país vizinho", durante o conflito que tem afectado a região nos últimos meses.

A declaração pública aos órgãos de comunicação social estatais etíopes por Alula Habteab, que dirige o departamento de construção, estradas e transportes da administração de transição de Tigray, não especifica a nacionalidade destas tropas, mas surge depois de uma crescente preocupação com os alegados actos do Exército da vizinha Eritreia no território, assinala a agência France-Presse.

Em 04 de Novembro, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Nobel da Paz em 2019, lançou uma operação militar na região de Tigray após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Ahmed declarou vitória em 28 de Novembro, depois da recaptura da capital regional, Mekele, embora a TPLF se tenha comprometido a continuar a lutar.

A presença de tropas eritreias, em apoio às forças federais etíopes, tem sido relatada por residentes, trabalhadores de ajuda humanitária e funcionários locais, mas é algo que é negado por Asmara e Adis Abeba.

Na sua declaração, Alula Habteab não se refere às forças da Eritreia, mas a indicação foi feita de forma implícita, assim como de tropas da região etíope vizinha de Amhara.

"Havia exércitos de um país vizinho e de uma região vizinha que queriam tirar partido desta guerra. Estas forças infligiram mais danos que a própria guerra", assinalou o responsável etíope.

Habteab acrescentou que "as universidades e as fábricas criadas em Tigray nos últimos 30 anos foram todas destruídas".

Na quarta-feira, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a situação dos direitos humanos no país, o sudanês Mohamed Abdelsalam Babiker, solicitou, junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, uma investigação às alegações de abusos cometidos por soldados eritreus em Tigray.

"Estou preocupado com as alegações de envolvimento de forças eritreias em graves violações dos direitos humanos, tais como raptos ou regresso forçado de refugiados e requerentes de asilo eritreus, que são posteriormente aprisionados na Eritreia", afirmou então Babiker, citado pela agência noticiosa francesa.

Junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, Babiker sublinhou que "tais alegações devem ser rápida e exaustivamente investigadas por mecanismos independentes".

A ONU manifestou já preocupação sobre possíveis assassinatos e raptos por parte de soldados eritreus.

Residentes em Tigray afirmaram que há várias tropas eritreias na região, que acusaram de abusos e pilhagens.

"Estou particularmente preocupado com dois campos de refugiados, que acolheram mais de 25 mil refugiados eritreus na região de Tigray - Hitsats e Shememlba - e que foram, alegadamente, destruídos durante os ataques das tropas eritreias e etíopes entre Novembro de 2020 e Janeiro de 2021", assinalou Babiker.

O sudanês apontou que enviou também uma carta, em 28 de Janeiro, ao Governo da Etiópia na qual exortou o executivo a proteger os refugiados e requerentes de asilo da eritreia.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mais de 60 mil pessoas fugiram da violência em Tigray, tendo procurado refúgio no vizinho Sudão.

A declaração pública aos órgãos de comunicação social estatais etíopes por Alula Habteab, que dirige o departamento de construção, estradas e transportes da administração de transição de Tigray, não especifica a nacionalidade destas tropas, mas surge depois de uma crescente preocupação com os alegados actos do Exército da vizinha Eritreia no território, assinala a agência France-Presse.

Em 04 de Novembro, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Nobel da Paz em 2019, lançou uma operação militar na região de Tigray após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Ahmed declarou vitória em 28 de Novembro, depois da recaptura da capital regional, Mekele, embora a TPLF se tenha comprometido a continuar a lutar.

A presença de tropas eritreias, em apoio às forças federais etíopes, tem sido relatada por residentes, trabalhadores de ajuda humanitária e funcionários locais, mas é algo que é negado por Asmara e Adis Abeba.

Na sua declaração, Alula Habteab não se refere às forças da Eritreia, mas a indicação foi feita de forma implícita, assim como de tropas da região etíope vizinha de Amhara.

"Havia exércitos de um país vizinho e de uma região vizinha que queriam tirar partido desta guerra. Estas forças infligiram mais danos que a própria guerra", assinalou o responsável etíope.

Habteab acrescentou que "as universidades e as fábricas criadas em Tigray nos últimos 30 anos foram todas destruídas".

Na quarta-feira, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a situação dos direitos humanos no país, o sudanês Mohamed Abdelsalam Babiker, solicitou, junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, uma investigação às alegações de abusos cometidos por soldados eritreus em Tigray.

"Estou preocupado com as alegações de envolvimento de forças eritreias em graves violações dos direitos humanos, tais como raptos ou regresso forçado de refugiados e requerentes de asilo eritreus, que são posteriormente aprisionados na Eritreia", afirmou então Babiker, citado pela agência noticiosa francesa.

Junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, Babiker sublinhou que "tais alegações devem ser rápida e exaustivamente investigadas por mecanismos independentes".

A ONU manifestou já preocupação sobre possíveis assassinatos e raptos por parte de soldados eritreus.

Residentes em Tigray afirmaram que há várias tropas eritreias na região, que acusaram de abusos e pilhagens.

"Estou particularmente preocupado com dois campos de refugiados, que acolheram mais de 25 mil refugiados eritreus na região de Tigray - Hitsats e Shememlba - e que foram, alegadamente, destruídos durante os ataques das tropas eritreias e etíopes entre Novembro de 2020 e Janeiro de 2021", assinalou Babiker.

O sudanês apontou que enviou também uma carta, em 28 de Janeiro, ao Governo da Etiópia na qual exortou o executivo a proteger os refugiados e requerentes de asilo da eritreia.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mais de 60 mil pessoas fugiram da violência em Tigray, tendo procurado refúgio no vizinho Sudão.