ONU e a Etiópia vão investigar abusos na região de Tigray

Addis Abeba - A Organização das Nações Unidas (ONU) e uma agência de direitos humanos da Etiópia afirmaram hoje que concordaram em realizar uma investigação conjunta sobre abusos em Tigray, onde persistem combates.

Uma investigação de todas as partes do conflito é "parte do tão necessário processo de responsabilização" para as vítimas do conflito, afirmou numa declaração a Comissão Etíope de Direitos Humanos, estabelecida pelo Governo, e o gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

"Com múltiplos actores envolvidos no conflito e a gravidade das violações denunciadas, é urgentemente necessária uma investigação objectiva e independente", prosseguiu a declaração, acrescentando que o destacamento de investigadores começará o mais rapidamente possível por um período inicial de três meses.

O anúncio veio um dia após pessoal do grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) ter visto tropas governamentais etíopes matarem pelo menos quatro civis em Tigray. Três funcionários dos MSF alegaram ter testemunhado as mortes extrajudiciais quando viajavam à frente de dois mini-autocarros públicos que foram parados por soldados na estrada de Mekele, a capital regional, para a cidade de Adigrat.

"Os soldados obrigaram então os passageiros a abandonar os mini-autocarros. Os homens foram separados das mulheres, que foram autorizadas a sair a pé. Pouco depois, os homens foram fuzilados", segundo a organização MSF, que disse, numa declaração, no final da quarta-feira, que o "horrível acontecimento sublinha ainda mais a necessidade de proteção dos civis durante este conflito em curso".

As autoridades etíopes não responderam às alegações dos MSF sobre as mortes após uma aparente emboscada de um comboio militar por um grupo armado. A declaração dos MSF dizia que os veículos militares etíopes estavam em chamas no local das execuções.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, disse, no início da semana, que foram noticiadas atrocidades em Tigray, o seu primeiro reconhecimento público de possíveis crimes de guerra na região norte do país.

Abiy admitiu também, após repetidas negações por parte das autoridades, que tropas da vizinha Eritreia foram para Tigray, onde a sua presença infligiu "danos" aos residentes da região.

A preocupação continua a aumentar com a situação humanitária na região, onde vivem seis milhões dos mais de 110 milhões de habitantes da Etiópia. As autoridades não citaram um número de mortos na guerra.

O conflito do Tigray começou em Novembro quando Abiy enviou tropas governamentais para a região, após um ataque a instalações militares federais.

Os Estados Unidos da América (EUA) caracterizaram alguns abusos em Tigray como "limpeza étnica", acusações consideradas infundadas pelas autoridades etíopes. Os EUA também instaram as tropas eritreias, que lutam do lado das forças governamentais etíopes, a retirarem-se de Tigray.

O primeiro-ministro etíope, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2019 pelos seus esforços para fazer a paz com a Eritreia, tem estado sob pressão para pôr fim ao conflito em Tigray, bem como para instituir uma investigação internacional sobre alegados crimes de guerra, idealmente conduzida pela ONU.

 

Uma investigação de todas as partes do conflito é "parte do tão necessário processo de responsabilização" para as vítimas do conflito, afirmou numa declaração a Comissão Etíope de Direitos Humanos, estabelecida pelo Governo, e o gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

"Com múltiplos actores envolvidos no conflito e a gravidade das violações denunciadas, é urgentemente necessária uma investigação objectiva e independente", prosseguiu a declaração, acrescentando que o destacamento de investigadores começará o mais rapidamente possível por um período inicial de três meses.

O anúncio veio um dia após pessoal do grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) ter visto tropas governamentais etíopes matarem pelo menos quatro civis em Tigray. Três funcionários dos MSF alegaram ter testemunhado as mortes extrajudiciais quando viajavam à frente de dois mini-autocarros públicos que foram parados por soldados na estrada de Mekele, a capital regional, para a cidade de Adigrat.

"Os soldados obrigaram então os passageiros a abandonar os mini-autocarros. Os homens foram separados das mulheres, que foram autorizadas a sair a pé. Pouco depois, os homens foram fuzilados", segundo a organização MSF, que disse, numa declaração, no final da quarta-feira, que o "horrível acontecimento sublinha ainda mais a necessidade de proteção dos civis durante este conflito em curso".

As autoridades etíopes não responderam às alegações dos MSF sobre as mortes após uma aparente emboscada de um comboio militar por um grupo armado. A declaração dos MSF dizia que os veículos militares etíopes estavam em chamas no local das execuções.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, disse, no início da semana, que foram noticiadas atrocidades em Tigray, o seu primeiro reconhecimento público de possíveis crimes de guerra na região norte do país.

Abiy admitiu também, após repetidas negações por parte das autoridades, que tropas da vizinha Eritreia foram para Tigray, onde a sua presença infligiu "danos" aos residentes da região.

A preocupação continua a aumentar com a situação humanitária na região, onde vivem seis milhões dos mais de 110 milhões de habitantes da Etiópia. As autoridades não citaram um número de mortos na guerra.

O conflito do Tigray começou em Novembro quando Abiy enviou tropas governamentais para a região, após um ataque a instalações militares federais.

Os Estados Unidos da América (EUA) caracterizaram alguns abusos em Tigray como "limpeza étnica", acusações consideradas infundadas pelas autoridades etíopes. Os EUA também instaram as tropas eritreias, que lutam do lado das forças governamentais etíopes, a retirarem-se de Tigray.

O primeiro-ministro etíope, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2019 pelos seus esforços para fazer a paz com a Eritreia, tem estado sob pressão para pôr fim ao conflito em Tigray, bem como para instituir uma investigação internacional sobre alegados crimes de guerra, idealmente conduzida pela ONU.