Partido no poder vence legislativas na Argélia com abstenção recorde de 77%

Argel - A Frente de Libertação Nacional (FLN), o partido no poder na Argélia, venceu as eleições legislativas de sábado, num contexto de uma abstenção histórica e crise política, anunciou hoje a Autoridade Nacional Independente das Eleições (ANIE), noticiou a Lusa.

De acordo com os dados da ANIE, a taxa de participação não ultrapassou os 23%, inferior à registada nos mais recentes escrutínios, um resultado muito fraco mas que diversos analistas consideram como “real”, ao contrário das taxas de participação da era do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika.
Em mais de 24 milhões de eleitores, a ANIE contabilizou 5,6 milhões de votantes, e mais de um milhão de votos nulos. No referendo de Novembro passado, a abstenção tinha atingido os 70%, tendo agora aumentado para os 77%.


Apesar deste alheamento da população, a vitória da FLN constitui uma surpresa, pelo facto de ser considerado como “moribundo” devido ao seu compromisso com o Presidente deposto Bouteflika, forçado a demitir-se em 2019 pelo ‘Hirak’ — um inédito movimento de contestação que apelou ao boicote eleitoral com algumas forças da oposição –, mesmo que o partido mantenha uma longa tradição e implantação.


Ex-partido único e principal formação do anterior parlamento, a FLN registou, no entanto, um importante recuo em número de lugares, indicam os primeiros números oficiais.


Esta formação garantiu 105 dos 407 lugares de deputados, seguido pelos candidatos independentes com 78 assentos.
A principal formação islamita do país legalizada, o Movimento da Sociedade para a Paz (MSP, conservador), alcançou a terceira posição com 64 lugares, segundo a mesma fonte.


A União Nacional Democrática (RND, na sigla em francês), com quem a FNL se alia tradicionalmente, terá garantido 57 lugares (14%).
Nas últimas legislativas de 2017 a taxa de participação atingiu 35,70%, e 42,90% em 2012, segundo os números oficiais. Desde há vários anos que os analistas qualificam a abstenção como “o maior partido na Argélia”.


“Para mim, a taxa de participação não tem importância. O que me importa é que aqueles em quem o povo votou tenham uma suficiente legitimidade”, argumentou no passado sábado o Presidente Abdelmadjid Tebboune.


Cerca de 24 milhões de argelinos foram convocados para eleger os 407 deputados da Assembleia popular nacional. Deveriam optar por 2.288 listas, com mais de 1.200 a declararem-se “independente”, uma situação inédita no país magrebino. Estas listas foram abertamente encorajadas por um poder que procura uma nova legitimidade após dois escrutínios (presidenciais e referendo) assinalados por uma abstenção recorde, mas que agora atingiu cerca de 70%.


Estas foram as primeiras legislativas desde o inédito levantamento popular antissistema do ‘Hirak’, que implicou a demissão de Bouteflika em Abril de 2019 após 20 anos no poder.


No entanto, e com a aproximação do escrutínio, o governo decidiu terminar com o ‘Hirak’, agora acusado de ser constituir um “magma contrarrevolucionário” instrumentalizado por “setores estrangeiros” hostis à Argélia.


O ‘Hirak’, que iniciou os seus protestos de massas semanais em Fevereiro de 2019 e registou uma pausa de cerca de um ano devido à pandemia, tem exigido uma alteração radical do sistema instalado no país na sequência da independência em 1962, com largo predomínio da hierarquia militar, acusada de ter renunciado aos valores originais da revolução argelina e sinónimo de autoritarismo e corrupção.


O Governo garante ter respondido às principais reivindicações do movimento de contestação “num prazo recorde”. Mas segundo organizações de defesa dos direitos humanos, mais de 200 pessoas estão actualmente detidas por envolvimento no movimento de protesto ou por factos relacionadas com a liberdade individual.

 

De acordo com os dados da ANIE, a taxa de participação não ultrapassou os 23%, inferior à registada nos mais recentes escrutínios, um resultado muito fraco mas que diversos analistas consideram como “real”, ao contrário das taxas de participação da era do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika.
Em mais de 24 milhões de eleitores, a ANIE contabilizou 5,6 milhões de votantes, e mais de um milhão de votos nulos. No referendo de Novembro passado, a abstenção tinha atingido os 70%, tendo agora aumentado para os 77%.


Apesar deste alheamento da população, a vitória da FLN constitui uma surpresa, pelo facto de ser considerado como “moribundo” devido ao seu compromisso com o Presidente deposto Bouteflika, forçado a demitir-se em 2019 pelo ‘Hirak’ — um inédito movimento de contestação que apelou ao boicote eleitoral com algumas forças da oposição –, mesmo que o partido mantenha uma longa tradição e implantação.


Ex-partido único e principal formação do anterior parlamento, a FLN registou, no entanto, um importante recuo em número de lugares, indicam os primeiros números oficiais.


Esta formação garantiu 105 dos 407 lugares de deputados, seguido pelos candidatos independentes com 78 assentos.
A principal formação islamita do país legalizada, o Movimento da Sociedade para a Paz (MSP, conservador), alcançou a terceira posição com 64 lugares, segundo a mesma fonte.


A União Nacional Democrática (RND, na sigla em francês), com quem a FNL se alia tradicionalmente, terá garantido 57 lugares (14%).
Nas últimas legislativas de 2017 a taxa de participação atingiu 35,70%, e 42,90% em 2012, segundo os números oficiais. Desde há vários anos que os analistas qualificam a abstenção como “o maior partido na Argélia”.


“Para mim, a taxa de participação não tem importância. O que me importa é que aqueles em quem o povo votou tenham uma suficiente legitimidade”, argumentou no passado sábado o Presidente Abdelmadjid Tebboune.


Cerca de 24 milhões de argelinos foram convocados para eleger os 407 deputados da Assembleia popular nacional. Deveriam optar por 2.288 listas, com mais de 1.200 a declararem-se “independente”, uma situação inédita no país magrebino. Estas listas foram abertamente encorajadas por um poder que procura uma nova legitimidade após dois escrutínios (presidenciais e referendo) assinalados por uma abstenção recorde, mas que agora atingiu cerca de 70%.


Estas foram as primeiras legislativas desde o inédito levantamento popular antissistema do ‘Hirak’, que implicou a demissão de Bouteflika em Abril de 2019 após 20 anos no poder.


No entanto, e com a aproximação do escrutínio, o governo decidiu terminar com o ‘Hirak’, agora acusado de ser constituir um “magma contrarrevolucionário” instrumentalizado por “setores estrangeiros” hostis à Argélia.


O ‘Hirak’, que iniciou os seus protestos de massas semanais em Fevereiro de 2019 e registou uma pausa de cerca de um ano devido à pandemia, tem exigido uma alteração radical do sistema instalado no país na sequência da independência em 1962, com largo predomínio da hierarquia militar, acusada de ter renunciado aos valores originais da revolução argelina e sinónimo de autoritarismo e corrupção.


O Governo garante ter respondido às principais reivindicações do movimento de contestação “num prazo recorde”. Mas segundo organizações de defesa dos direitos humanos, mais de 200 pessoas estão actualmente detidas por envolvimento no movimento de protesto ou por factos relacionadas com a liberdade individual.