Violência sexual sobrevive à guerra na RDC

  • Bandeira da República Democrática do Congo
Kananga - A violência sexual afecta mulheres solteiras, casadas, grávidas e até os homens em Kasai, no centro da República Democrática do Congo (RDC), apesar da pacificação, informa a AFP.

Nesta região rica em diamantes e teoricamente em paz desde meados de 2017, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma que tratou 1.373 vítimas entre Janeiro e Março, o que chama de "situação muito preocupante".

"Recebemos pacientes que sofreram violência com penetração, ou não. As vítimas estão traumatizadas em qualquer caso", disse à AFP o doutor Kourouma Facely, director da MSF para cuidados médicos e saúde mental das vítimas em Kananga, a capital da província de Kasai central.

Entre Setembro de 2016 e Março de 2017, a região foi cenário de uma explosão da violência entre as forças de segurança e uma milícia comunitária após a morte de um líder tradicional, Kamuina Nsapu, vítima de uma operação militar.

Mais de 3.000 pessoas morreram, 1,5 milhões foram deslocadas e muitas mulheres foram violadas.

Quase quatro anos após o fim do conflito, a violência sexual perdura na região, o que desmente a ideia de que as vioações sexuais seriam consequência dos conflitos e dos grupos armados, como no leste do país.

Os Kivus continuam a ser o epicentro da violência sexual no ex-Zaire, uma agressão contra a qual o médico Denis Mukwege, vencedor do prémio Nobel da Paz, luta de maneira incansável.

Em Kasai, as milícias e os grupos armados não estão mais presentes, mas os abusos sexuais prosseguem em níveis alarmantes. O conflito parece ter actuado como um catalisador e atraiu a atenção internacional sobre o tema.

"A violência sexual existia mesmo antes do conflito", afirma uma enfermeira de Kananga, Marthe Tshiela.

Segundo a MSF, a faixa etária mais afectada é a de 18-45 anos. Há 3% de homens entre as vítimas.

E mesmo grávidas, como Marinette, de 39 anos, mãe de oito filhos, que está a receber tratamento após ter sido violada por ladrões em casa.

Entre as pessoas que recebem atendimento médico, apenas 40% chegam 72 horas depois da agressão, o prazo para os tratamentos preventivos contra doenças sexualmente transmissíveis.


Profundamente traumatizadas, as vítimas temem a dupla condenação da rejeição social dentro da sua comunidade, da sua família, ou do seu parceiro.

"Quase 60% das mulheres vítimas de vilação são rejeitadas pelos maridos e têm que assumir o cuidado dos filhos", relata Marthe Tshiela.

Segundo a enfermeira, às vezes tem recebido "casais, com homens que acompanham as esposas durante às consultas psicológicas" pós-violação. Mas é algo pouco frequente.

Como acontece em outras regiões da RDC, o flagelo da impunidade também pesa sobre as vítimas, das quais apenas 40% recorrem à Justiça.

Quando comparecem aos tribunais, a maioria das vítimas não recebe indemnização, afirma a presidente da ONG Mulheres Unamos Nossas Mãos para o Desenvolvimento de Kasai (FMMDK), Nathalie Kambala.

Os familiares das vítimas "preferem resolver o caso amistosamente para conseguir roupas, ou cabras, em detrimento dos menores, porque a Justiça não faz o seu trabalho", completa.

Kasai é uma das regiões da RDC onde 46% das mulheres se casam antes dos 18 anos.

Nesta região rica em diamantes e teoricamente em paz desde meados de 2017, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma que tratou 1.373 vítimas entre Janeiro e Março, o que chama de "situação muito preocupante".

"Recebemos pacientes que sofreram violência com penetração, ou não. As vítimas estão traumatizadas em qualquer caso", disse à AFP o doutor Kourouma Facely, director da MSF para cuidados médicos e saúde mental das vítimas em Kananga, a capital da província de Kasai central.

Entre Setembro de 2016 e Março de 2017, a região foi cenário de uma explosão da violência entre as forças de segurança e uma milícia comunitária após a morte de um líder tradicional, Kamuina Nsapu, vítima de uma operação militar.

Mais de 3.000 pessoas morreram, 1,5 milhões foram deslocadas e muitas mulheres foram violadas.

Quase quatro anos após o fim do conflito, a violência sexual perdura na região, o que desmente a ideia de que as vioações sexuais seriam consequência dos conflitos e dos grupos armados, como no leste do país.

Os Kivus continuam a ser o epicentro da violência sexual no ex-Zaire, uma agressão contra a qual o médico Denis Mukwege, vencedor do prémio Nobel da Paz, luta de maneira incansável.

Em Kasai, as milícias e os grupos armados não estão mais presentes, mas os abusos sexuais prosseguem em níveis alarmantes. O conflito parece ter actuado como um catalisador e atraiu a atenção internacional sobre o tema.

"A violência sexual existia mesmo antes do conflito", afirma uma enfermeira de Kananga, Marthe Tshiela.

Segundo a MSF, a faixa etária mais afectada é a de 18-45 anos. Há 3% de homens entre as vítimas.

E mesmo grávidas, como Marinette, de 39 anos, mãe de oito filhos, que está a receber tratamento após ter sido violada por ladrões em casa.

Entre as pessoas que recebem atendimento médico, apenas 40% chegam 72 horas depois da agressão, o prazo para os tratamentos preventivos contra doenças sexualmente transmissíveis.


Profundamente traumatizadas, as vítimas temem a dupla condenação da rejeição social dentro da sua comunidade, da sua família, ou do seu parceiro.

"Quase 60% das mulheres vítimas de vilação são rejeitadas pelos maridos e têm que assumir o cuidado dos filhos", relata Marthe Tshiela.

Segundo a enfermeira, às vezes tem recebido "casais, com homens que acompanham as esposas durante às consultas psicológicas" pós-violação. Mas é algo pouco frequente.

Como acontece em outras regiões da RDC, o flagelo da impunidade também pesa sobre as vítimas, das quais apenas 40% recorrem à Justiça.

Quando comparecem aos tribunais, a maioria das vítimas não recebe indemnização, afirma a presidente da ONG Mulheres Unamos Nossas Mãos para o Desenvolvimento de Kasai (FMMDK), Nathalie Kambala.

Os familiares das vítimas "preferem resolver o caso amistosamente para conseguir roupas, ou cabras, em detrimento dos menores, porque a Justiça não faz o seu trabalho", completa.

Kasai é uma das regiões da RDC onde 46% das mulheres se casam antes dos 18 anos.