Desporto – um factor de unidade nacional

  • Partida de basquetebol entre a formação do Petro De Luanda e o 1º de Agosto(arquivo)
  • Selecção Nacional de Honras de futebol
  • Andebol Equipas do Primeiro de Agosto e Petro de Luanda em Masculino durante uma Competição
Luanda – Desde os primórdios da independência, conquistada a 11 de Novembro de 1975, o desporto angolano assumiu-se como factor de unidade nacional, registando crescimento galopante, mesmo ao longo do conflito armado.

(Por Marcelino Camões, Editor da Angop)

Efectivamente, após a concretização do sonho da liberdade, em 1975, foram criadas as primeiras políticas voltadas para o desporto de recreação e de alto rendimento, com o futebol a ser disputado por todo o território nacional.

É certo que o chamado “desporto-rei” não é, claramente, a modalidade mais titulada do país, mas é, sem dúvida, a que mais arrasta multidões, como ficou provado, a título ilustrativo, aquando da participação de Angola no Campeonato do Mundo “Alemanha2006”, e da organização da Taça das Nações Africanas “Angola2010”.

Ao longo das quatro décadas e meia de independência nacional, o futebol revelou centenas de grandes talentos, exultou o orgulho da Nação, exibiu-se ao mais alto nível,  e permitiu mostrar à África e ao Mundo que Angola não viveu só de guerra.

Três grandes momentos marcaram a história da modalidade até à data. O primeiro foi a qualificação para Mundial da Alemanha, deixando para trás a então poderosa Nigéria.

Um golo de cabeça do capitão Akwá, na sequência de um cruzamento de Zé Calanga, proporcionou o momento mais importante da história do futebol nacional.

Com apenas quatro anos de paz efectiva, na Alemanha, a selecção nacional contrariou os prognósticos e impôs-se num grupo onde figurava a forte congénere portuguesa, com quem perdeu por escasso 0-1.

Com o seleccionador Oliveira Gonçalves no comando, os Palancas Negras empataram sem golos com o México e voltaram a repartir pontos com o Irão (1-1), com Flávio Amado a marcar o primeiro e único golo de Angola na maior prova mundial de futebol. 

Outro momento relevante foi a conquista do primeiro e único troféu continental. De facto, a selecção nacional tem títulos regionais, mas de âmbito africano apenas uma vez aconteceu, em 2001, na Etiópia, qualificativo ao mundial do mesmo ano, na Argentina, também com Oliveira Gonçalves como treinador.

Os angolanos voltaram a viver emoções fortes quando o país albergou, pela primeira vez, uma edição do Campeonato Africano das Nações (CAN2010).

Com a construção de estádios de raiz e outras várias infra-estruturas e uma organização considerada ao mais alto nível como exemplar, inclusive pela Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA), o país escreveu mais uma página na sua história dos anos de independência, sendo que, actualmente, a modalidade está numa curva descendente.

Em termos globais, Angola produziu, em 45 anos de liberdade, uma imensidão de estrelas, que se afirmaram no país e na Europa, entre as quais Joaquim Dinis “Brinca na Areia”, Vata, Malucas, Ndunguidi, Jesus, Abel Campos, Sarmento Esperança, Fusu Nkosi, André Nzuzi, Vicy, Nejó, Quim Sebastião, Napoleão Brandão, Chico Afonso, Santo António, Mendinho, Tubia, Akwa, Paulão e Mantorras.  

Andebol - a mais titulada 

Apesar da paixão pelo futebol, o andebol assume-se como a modalidade mais titulada do país, ao longo dos 45 anos de independência nacional, período em que a selecção nacional se tornou, de forma inequívoca, desde a década de 80, a principal referência em África.  

Entretanto, os títulos nesta modalidade não se circunscrevem à selecção nacional. 

O andebol, desde a sua primeira conquista, em 1987, pelo Ferroviário de Angola, vem somando triunfos, tendo atingido o topo da modalidade em África no escalão feminino.

Os 11 títulos de campeã de África que Angola ostenta e que a colocam em primeiro lugar no ranking são apenas os mais proeminentes, pois a Supertaça Babacar Fall e a Taça das Taças africanas também fazem morada nas galerias da Federação Angolana da modalidade, do 1.º de Agosto e do Petro de Luanda.

A nível dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, as angolanas são as mais proeminentes do continente, tendo, inclusive, ocupado a sétima posição no Mundial de França, em 2007, enquanto o país se enchia de orgulho por conseguir colocar a meia-distância Marcelina Kiala como a sexta melhor jogadora do mundo.

Palmira Barbosa é um nome incontornável da modalidade, tendo merecido da Confederação Africana de Andebol o título de melhor andebolista africana de sempre.

Os números traduzirão fielmente o “peso específico” delas: 11 vezes campeãs de África, 12 participações em campeonatos do mundo e sete presenças em olimpíadas.

Angola venceu a Taça das Nações de andebol feminino em Argel (1989), Yamoussoukro (1992), Túnis (1994), Joanesburgo (1998), Argel (2000), Casablanca (2002), Cairo (2004), Túnis (2006), Luanda (2008), Cairo (2010) e Rabat (2012).

Participou, ainda, nos mundiais da Coreia do Sul (1990), Noruega (1993), Áustria (1995), Alemanha (1997), Noruega (1999), Itália (2001), Croácia (2003), Rússia (2005), França (2007 - melhor participação 7º lugar), China (2009), Brasil (2011) e Sérvia (2013).

Foi aos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016).

Nas competições de clubes, o Petro de Luanda é estratosférico, com 18 títulos de campeão africano, 17 dos quais consecutivos. A Supertaça Babacar Fall também foi ganha 17 vezes pelas petrolíferas.

Palmira Barbosa, Maria dos Prazeres, Maura Faial, Elisa Weba, Ilda, Chinha, Ivone, Fábia Raposo, Filomena Trindade, Marcelina Quiala, Justina Praça e Odete Tavares são, entre outras, mulheres que orgulharam as cores nacionais pelo mundo. 

Entre os técnicos que pautaram a linha de conquistas das angolanas estão Beto Ferreira, Jerónimo Neto “Jojó”, Vivaldo Eduardo e Pina de Almeida, para citar apenas estes. 

Basquetebol desenvolvido em tempo de guerra

Desenvolvido em tempo de guerra, o basquetebol foi a modalidade colectiva com maior visibilidade na história do país, rivalizando com o andebol e o hóquei em patins, porém com vantagem a nível de prestações nos eventos mundiais (nos Jogos Olímpicos).

A história de conquistas angolanas em África nesta disciplina remeteu já especialistas a uma séria investigação e a outros países a adoptarem o mesmo modelo de treinamento.

Os números em provas continentais foram gradualmente sedimentados com o tempo. Na verdade, Angola começou a vencer em África cinco anos após a independência.

Arrebatou, em 1980, o título júnior em Luanda, que depois revalidou em Maputo. Mas foi 1989 que tudo começou “a sério”. Na altura, o líder continental era o Egipto, já com cinco troféus conquistados.

Desde então, apenas em três ocasiões o título não foi para a galeria da sede da Federação Angolana de Basquetebol, em 1997 (Senegal), ganho pelos senegaleses, 2011 (Tunísia) e 2015 (Nigéria).

Desde o primeiro troféu de seniores conquistado, no pavilhão da Cidadela, em Luanda, a selecção nacional somou 11 triunfos (1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009, 2013).

Destes, apenas três campeonatos (1989, 1999, 2007) foram disputados em território nacional, o que aumenta o grau de dificuldade.

A supremacia é tão evidente que, desde que Angola começou a ganhar, tornou-se líder do ranking continental, seguido do Senegal e Egipto.

Em femininos, Angola conquistou o Afrobasket, consecutivamente, em 2011 e 2013.

Todo este sucesso justifica-se com a entrada inédita de um jogador angolano na Liga norte-americana de basquetebol (NBA), Bruno Fernando, dos Atlanta Hawk .

No percurso de 45 anos de país independente, mesmo em tempo de guerra, o mundo do basquetebol sentiu o “peso” dos angolanos, onde se destaca os Jogos Olímpicos de “Barcelona 92”.

Esta edição da manifestação desportiva mundial ficou na história de Angola, num ano em que se celebravam as primeiras eleições pluripartidárias no país, sob forte tensão político-militar.

A selecção nacional foi a primeira Nação a defrontar o “Dream Team I”, equipa com jogadores da NBA que evoluíam pela primeira vez no evento, como Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson, Scote Pipen, Charles Barkley e outros.

Nesta prova, o nome do país africano inscreveu-se na história do basquetebol, também, ao derrotar, por 20 pontos, uma selecção europeia em sua própria casa.

Victorino Cunha orientava um grupo onde pontificavam, entre outros, Jean Jacques, José Carlos Guimarães, Aníbal Moreira, Paulo Macedo, Necas, Benjamim Avô, Ângelo Vitoriano e Herlânder Coimbra e David Dias, que participaram na vitória sobre a anfitriã Espanha, por 83-63, considerada escândalo nacional no país ibérico.   

Os registos FIBA têm ainda Angola como a formação que “forçou” a Alemanha a três inéditos prolongamentos no Mundial do Japão2006, em que a selecção nacional obteve a melhor classificação africana, ao ocupar, ao lado da Itália, o nono posto.

Mais recentemente, a homenagem merecida ao basquetebol angolano chegou quando a instituição continental (Fiba-África) considerou Jean Jacques da Conceição o maior basquetebolista de todos os tempos em África.

Em seguida, foi a vez da Fiba-Mundo “estender o tapete vermelho” para o extremo-poste que se iniciou no 1.º de Agosto e actuou também em Portugal, Espanha e França.

Jean Jacques torna-se membro do Hall da Fama, um patamar destinado aos agentes que deram contribuição relevante para a modalidade a nível mundial.   

A saga de vitória do basquetebol angolano manteve-se em alta até 2013, com uma geração de novos talentos, em que pontificavam, entre outros, Victor de Carvalho, Miguel Lutonda, Edmar Vitoriano “Baduna”, Carlos Almeida, Joaquim Gomes Kikas, Carlos Morais, Olímpio Cipriano, Victor Muzade e Abdel Boukar.

Desporto adaptado – orgulho da nação

Fundada em 1994 e, num dia como hoje, 10 de Novembro, o desporto adaptado tornou-se no orgulho da Nação, por força de conquistas inéditas.

O expoente máximo nesta vertente do desporto é, sem dúvida, José Armando Sayovo, atleta deficiente visual total, que se notabilizou pelas diversas conquistas em campeonatos africanos, mundiais e Jogos Paralímpicos.

O actual membro de direcção do Comité Paralímpico Angolano possui três participações em competições paralímpicas.

Ao longo de 15 anos de carreira, o velocista acumulou uma soma de 49 medalhas, entre as quais oito (ouro, prata e bronze) nos Jogos Paralímpicos de Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012).

Angola é Campeã do Mundo em futebol para amputados (México2018), sendo que, quatro anos antes, no mesmo país, havia se sagrado vice-campeã.

Em 2019, a Selecção Nacional conquistou o Campeonato Africano da modalidade, disputado em Benguela.

A Natação acumula seis medalhas, das quais metade é de ouro, seguindo-se o basquetebol em cadeira de rodas, vice-campeã do torneio internacional “Lwini2018” com a presença da África do Sul e Suíça.

Contribuição de outras modalidades

O hóquei em patins, apesar de não ter ainda conquistado provas além fronteira, é das modalidades mais mundialistas do país.

No total, contam-se 19 presenças em campeonatos do mundo, incluindo uma na condição de anfitriã.

Esboçada nos primórdios da independência nacional, resultando daí a construção do Pavilhão da Cidadela, a prova teve lugar apenas em 2013, nas províncias de Luanda e Namibe.

Seguem-se o judo, cujo expoente máximo é a atleta Antónia de Fátima “Faia”, uma das líderes do ranking africano e com presença em jogos olímpicos, a última das quais em 2016, no Rio de Janeiro.

A Vela, bicampeã mundial e com vários títulos continentais, o Jiu-jitsu, modalidade com várias conquistas mundiais, uma das quais por via da atleta de sete anos de idade, Kiriana Neto, em Agosto do ano passado, em Las Vegas, Estados Unidos da América.

Em termos de personalidades com proeminência internacional, o topo no andebol está reflectido no anterior presidente de direcção da federação, Pedro Godinho, que é membro da Federação Internacional (IHF) e responsável pela comissão de competições no continente.

O actual presidente do Comité Olímpico Angolano, Gustavo da Conceição, ocupou o cargo de secretário-geral das Associações dos Comités Olímpicos Africanos. 

Leonel da Rocha Pinto, presidente do Comité Paralímpico Angolano, lidera também o Comité Paralímpico Africano e é membro executivo do Comité Paralímpico Internacional, numa lista de muito mais figuras nacionais que emprestam o seu saber além fronteiras.

Considerada actividade das mais sociais, o desporto teve igualmente presença na Assembleia Nacional, com nomes como Armando Machado, Osvaldo Saturnino de Oliveira “Jesus”, Gustavo da Conceição e Palmira Borbosa.

Seguiu-se a outra geração de talentos, como é o caso do antigo futebolista Fabrice Maieco “Akwá” e, actualmente, a antiga andebolista Odete Tavares.

Em termos de infra-estruturas desportivas, apesar do muito que ainda falta por fazer, Angola deu passos importantes.

Desde a construção do mítico estádio da Cidadela e do Pavilhão principal de basquetebol, em véspera da independência, no mesmo complexo, o crescimento neste segmento é visível ao longo dos anos.

Na última década, registou-se o erguer de vários recintos desportivos e a reabilitação de outros, com destaque para os estádios construídos por ocasião do Campeonato Africano das Nações, em 2010, e do Mundial de Hóquei, em 2013.

Foram contempladas as províncias de Luanda, Benguela, Cabinda, Huíla e Malanje.

Pandemia da Covid-19 dificulta actividade desportiva

Ao longo dos anos, nunca um elemento foi capaz de travar a prática desportiva até o mundo ser afectado pela pandemia da Covid -19, levando o país a adoptar medidas de biossegurança para a protecção do bem vida.

Nem mesmo em período de conflito Angola se viu diminuída de fazer desporto, a tal ponto que se optou pela anulação de boa parte das provas nacionais, relegando a massa desportiva a uma letargia quase que total.

Em face deste problema de saúde mundial, o Governo tem adoptado medidas tendentes à retoma gradual das competições federadas, mediante o cumprimento de uma série de medidas para evitar contágios.

Uma prova de Futebol, de iniciativa privada, denominada “Torneio Fora de Época”, foi disputada recentemente, em Luanda, com a participação das quatro equipas que vão participar nas Afrotaças, abrindo caminho para a generalização das competições em todo o território nacional.   

(Por Marcelino Camões, Editor da Angop)

Efectivamente, após a concretização do sonho da liberdade, em 1975, foram criadas as primeiras políticas voltadas para o desporto de recreação e de alto rendimento, com o futebol a ser disputado por todo o território nacional.

É certo que o chamado “desporto-rei” não é, claramente, a modalidade mais titulada do país, mas é, sem dúvida, a que mais arrasta multidões, como ficou provado, a título ilustrativo, aquando da participação de Angola no Campeonato do Mundo “Alemanha2006”, e da organização da Taça das Nações Africanas “Angola2010”.

Ao longo das quatro décadas e meia de independência nacional, o futebol revelou centenas de grandes talentos, exultou o orgulho da Nação, exibiu-se ao mais alto nível,  e permitiu mostrar à África e ao Mundo que Angola não viveu só de guerra.

Três grandes momentos marcaram a história da modalidade até à data. O primeiro foi a qualificação para Mundial da Alemanha, deixando para trás a então poderosa Nigéria.

Um golo de cabeça do capitão Akwá, na sequência de um cruzamento de Zé Calanga, proporcionou o momento mais importante da história do futebol nacional.

Com apenas quatro anos de paz efectiva, na Alemanha, a selecção nacional contrariou os prognósticos e impôs-se num grupo onde figurava a forte congénere portuguesa, com quem perdeu por escasso 0-1.

Com o seleccionador Oliveira Gonçalves no comando, os Palancas Negras empataram sem golos com o México e voltaram a repartir pontos com o Irão (1-1), com Flávio Amado a marcar o primeiro e único golo de Angola na maior prova mundial de futebol. 

Outro momento relevante foi a conquista do primeiro e único troféu continental. De facto, a selecção nacional tem títulos regionais, mas de âmbito africano apenas uma vez aconteceu, em 2001, na Etiópia, qualificativo ao mundial do mesmo ano, na Argentina, também com Oliveira Gonçalves como treinador.

Os angolanos voltaram a viver emoções fortes quando o país albergou, pela primeira vez, uma edição do Campeonato Africano das Nações (CAN2010).

Com a construção de estádios de raiz e outras várias infra-estruturas e uma organização considerada ao mais alto nível como exemplar, inclusive pela Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA), o país escreveu mais uma página na sua história dos anos de independência, sendo que, actualmente, a modalidade está numa curva descendente.

Em termos globais, Angola produziu, em 45 anos de liberdade, uma imensidão de estrelas, que se afirmaram no país e na Europa, entre as quais Joaquim Dinis “Brinca na Areia”, Vata, Malucas, Ndunguidi, Jesus, Abel Campos, Sarmento Esperança, Fusu Nkosi, André Nzuzi, Vicy, Nejó, Quim Sebastião, Napoleão Brandão, Chico Afonso, Santo António, Mendinho, Tubia, Akwa, Paulão e Mantorras.  

Andebol - a mais titulada 

Apesar da paixão pelo futebol, o andebol assume-se como a modalidade mais titulada do país, ao longo dos 45 anos de independência nacional, período em que a selecção nacional se tornou, de forma inequívoca, desde a década de 80, a principal referência em África.  

Entretanto, os títulos nesta modalidade não se circunscrevem à selecção nacional. 

O andebol, desde a sua primeira conquista, em 1987, pelo Ferroviário de Angola, vem somando triunfos, tendo atingido o topo da modalidade em África no escalão feminino.

Os 11 títulos de campeã de África que Angola ostenta e que a colocam em primeiro lugar no ranking são apenas os mais proeminentes, pois a Supertaça Babacar Fall e a Taça das Taças africanas também fazem morada nas galerias da Federação Angolana da modalidade, do 1.º de Agosto e do Petro de Luanda.

A nível dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, as angolanas são as mais proeminentes do continente, tendo, inclusive, ocupado a sétima posição no Mundial de França, em 2007, enquanto o país se enchia de orgulho por conseguir colocar a meia-distância Marcelina Kiala como a sexta melhor jogadora do mundo.

Palmira Barbosa é um nome incontornável da modalidade, tendo merecido da Confederação Africana de Andebol o título de melhor andebolista africana de sempre.

Os números traduzirão fielmente o “peso específico” delas: 11 vezes campeãs de África, 12 participações em campeonatos do mundo e sete presenças em olimpíadas.

Angola venceu a Taça das Nações de andebol feminino em Argel (1989), Yamoussoukro (1992), Túnis (1994), Joanesburgo (1998), Argel (2000), Casablanca (2002), Cairo (2004), Túnis (2006), Luanda (2008), Cairo (2010) e Rabat (2012).

Participou, ainda, nos mundiais da Coreia do Sul (1990), Noruega (1993), Áustria (1995), Alemanha (1997), Noruega (1999), Itália (2001), Croácia (2003), Rússia (2005), França (2007 - melhor participação 7º lugar), China (2009), Brasil (2011) e Sérvia (2013).

Foi aos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016).

Nas competições de clubes, o Petro de Luanda é estratosférico, com 18 títulos de campeão africano, 17 dos quais consecutivos. A Supertaça Babacar Fall também foi ganha 17 vezes pelas petrolíferas.

Palmira Barbosa, Maria dos Prazeres, Maura Faial, Elisa Weba, Ilda, Chinha, Ivone, Fábia Raposo, Filomena Trindade, Marcelina Quiala, Justina Praça e Odete Tavares são, entre outras, mulheres que orgulharam as cores nacionais pelo mundo. 

Entre os técnicos que pautaram a linha de conquistas das angolanas estão Beto Ferreira, Jerónimo Neto “Jojó”, Vivaldo Eduardo e Pina de Almeida, para citar apenas estes. 

Basquetebol desenvolvido em tempo de guerra

Desenvolvido em tempo de guerra, o basquetebol foi a modalidade colectiva com maior visibilidade na história do país, rivalizando com o andebol e o hóquei em patins, porém com vantagem a nível de prestações nos eventos mundiais (nos Jogos Olímpicos).

A história de conquistas angolanas em África nesta disciplina remeteu já especialistas a uma séria investigação e a outros países a adoptarem o mesmo modelo de treinamento.

Os números em provas continentais foram gradualmente sedimentados com o tempo. Na verdade, Angola começou a vencer em África cinco anos após a independência.

Arrebatou, em 1980, o título júnior em Luanda, que depois revalidou em Maputo. Mas foi 1989 que tudo começou “a sério”. Na altura, o líder continental era o Egipto, já com cinco troféus conquistados.

Desde então, apenas em três ocasiões o título não foi para a galeria da sede da Federação Angolana de Basquetebol, em 1997 (Senegal), ganho pelos senegaleses, 2011 (Tunísia) e 2015 (Nigéria).

Desde o primeiro troféu de seniores conquistado, no pavilhão da Cidadela, em Luanda, a selecção nacional somou 11 triunfos (1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009, 2013).

Destes, apenas três campeonatos (1989, 1999, 2007) foram disputados em território nacional, o que aumenta o grau de dificuldade.

A supremacia é tão evidente que, desde que Angola começou a ganhar, tornou-se líder do ranking continental, seguido do Senegal e Egipto.

Em femininos, Angola conquistou o Afrobasket, consecutivamente, em 2011 e 2013.

Todo este sucesso justifica-se com a entrada inédita de um jogador angolano na Liga norte-americana de basquetebol (NBA), Bruno Fernando, dos Atlanta Hawk .

No percurso de 45 anos de país independente, mesmo em tempo de guerra, o mundo do basquetebol sentiu o “peso” dos angolanos, onde se destaca os Jogos Olímpicos de “Barcelona 92”.

Esta edição da manifestação desportiva mundial ficou na história de Angola, num ano em que se celebravam as primeiras eleições pluripartidárias no país, sob forte tensão político-militar.

A selecção nacional foi a primeira Nação a defrontar o “Dream Team I”, equipa com jogadores da NBA que evoluíam pela primeira vez no evento, como Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson, Scote Pipen, Charles Barkley e outros.

Nesta prova, o nome do país africano inscreveu-se na história do basquetebol, também, ao derrotar, por 20 pontos, uma selecção europeia em sua própria casa.

Victorino Cunha orientava um grupo onde pontificavam, entre outros, Jean Jacques, José Carlos Guimarães, Aníbal Moreira, Paulo Macedo, Necas, Benjamim Avô, Ângelo Vitoriano e Herlânder Coimbra e David Dias, que participaram na vitória sobre a anfitriã Espanha, por 83-63, considerada escândalo nacional no país ibérico.   

Os registos FIBA têm ainda Angola como a formação que “forçou” a Alemanha a três inéditos prolongamentos no Mundial do Japão2006, em que a selecção nacional obteve a melhor classificação africana, ao ocupar, ao lado da Itália, o nono posto.

Mais recentemente, a homenagem merecida ao basquetebol angolano chegou quando a instituição continental (Fiba-África) considerou Jean Jacques da Conceição o maior basquetebolista de todos os tempos em África.

Em seguida, foi a vez da Fiba-Mundo “estender o tapete vermelho” para o extremo-poste que se iniciou no 1.º de Agosto e actuou também em Portugal, Espanha e França.

Jean Jacques torna-se membro do Hall da Fama, um patamar destinado aos agentes que deram contribuição relevante para a modalidade a nível mundial.   

A saga de vitória do basquetebol angolano manteve-se em alta até 2013, com uma geração de novos talentos, em que pontificavam, entre outros, Victor de Carvalho, Miguel Lutonda, Edmar Vitoriano “Baduna”, Carlos Almeida, Joaquim Gomes Kikas, Carlos Morais, Olímpio Cipriano, Victor Muzade e Abdel Boukar.

Desporto adaptado – orgulho da nação

Fundada em 1994 e, num dia como hoje, 10 de Novembro, o desporto adaptado tornou-se no orgulho da Nação, por força de conquistas inéditas.

O expoente máximo nesta vertente do desporto é, sem dúvida, José Armando Sayovo, atleta deficiente visual total, que se notabilizou pelas diversas conquistas em campeonatos africanos, mundiais e Jogos Paralímpicos.

O actual membro de direcção do Comité Paralímpico Angolano possui três participações em competições paralímpicas.

Ao longo de 15 anos de carreira, o velocista acumulou uma soma de 49 medalhas, entre as quais oito (ouro, prata e bronze) nos Jogos Paralímpicos de Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012).

Angola é Campeã do Mundo em futebol para amputados (México2018), sendo que, quatro anos antes, no mesmo país, havia se sagrado vice-campeã.

Em 2019, a Selecção Nacional conquistou o Campeonato Africano da modalidade, disputado em Benguela.

A Natação acumula seis medalhas, das quais metade é de ouro, seguindo-se o basquetebol em cadeira de rodas, vice-campeã do torneio internacional “Lwini2018” com a presença da África do Sul e Suíça.

Contribuição de outras modalidades

O hóquei em patins, apesar de não ter ainda conquistado provas além fronteira, é das modalidades mais mundialistas do país.

No total, contam-se 19 presenças em campeonatos do mundo, incluindo uma na condição de anfitriã.

Esboçada nos primórdios da independência nacional, resultando daí a construção do Pavilhão da Cidadela, a prova teve lugar apenas em 2013, nas províncias de Luanda e Namibe.

Seguem-se o judo, cujo expoente máximo é a atleta Antónia de Fátima “Faia”, uma das líderes do ranking africano e com presença em jogos olímpicos, a última das quais em 2016, no Rio de Janeiro.

A Vela, bicampeã mundial e com vários títulos continentais, o Jiu-jitsu, modalidade com várias conquistas mundiais, uma das quais por via da atleta de sete anos de idade, Kiriana Neto, em Agosto do ano passado, em Las Vegas, Estados Unidos da América.

Em termos de personalidades com proeminência internacional, o topo no andebol está reflectido no anterior presidente de direcção da federação, Pedro Godinho, que é membro da Federação Internacional (IHF) e responsável pela comissão de competições no continente.

O actual presidente do Comité Olímpico Angolano, Gustavo da Conceição, ocupou o cargo de secretário-geral das Associações dos Comités Olímpicos Africanos. 

Leonel da Rocha Pinto, presidente do Comité Paralímpico Angolano, lidera também o Comité Paralímpico Africano e é membro executivo do Comité Paralímpico Internacional, numa lista de muito mais figuras nacionais que emprestam o seu saber além fronteiras.

Considerada actividade das mais sociais, o desporto teve igualmente presença na Assembleia Nacional, com nomes como Armando Machado, Osvaldo Saturnino de Oliveira “Jesus”, Gustavo da Conceição e Palmira Borbosa.

Seguiu-se a outra geração de talentos, como é o caso do antigo futebolista Fabrice Maieco “Akwá” e, actualmente, a antiga andebolista Odete Tavares.

Em termos de infra-estruturas desportivas, apesar do muito que ainda falta por fazer, Angola deu passos importantes.

Desde a construção do mítico estádio da Cidadela e do Pavilhão principal de basquetebol, em véspera da independência, no mesmo complexo, o crescimento neste segmento é visível ao longo dos anos.

Na última década, registou-se o erguer de vários recintos desportivos e a reabilitação de outros, com destaque para os estádios construídos por ocasião do Campeonato Africano das Nações, em 2010, e do Mundial de Hóquei, em 2013.

Foram contempladas as províncias de Luanda, Benguela, Cabinda, Huíla e Malanje.

Pandemia da Covid-19 dificulta actividade desportiva

Ao longo dos anos, nunca um elemento foi capaz de travar a prática desportiva até o mundo ser afectado pela pandemia da Covid -19, levando o país a adoptar medidas de biossegurança para a protecção do bem vida.

Nem mesmo em período de conflito Angola se viu diminuída de fazer desporto, a tal ponto que se optou pela anulação de boa parte das provas nacionais, relegando a massa desportiva a uma letargia quase que total.

Em face deste problema de saúde mundial, o Governo tem adoptado medidas tendentes à retoma gradual das competições federadas, mediante o cumprimento de uma série de medidas para evitar contágios.

Uma prova de Futebol, de iniciativa privada, denominada “Torneio Fora de Época”, foi disputada recentemente, em Luanda, com a participação das quatro equipas que vão participar nas Afrotaças, abrindo caminho para a generalização das competições em todo o território nacional.