ASA comemora aniversário cercado de grave crise financeira

  • Campo Joaquim Diniz
Luanda – O Atlético Sport Aviação (ASA), lendário clube luandense, celebra nesta quinta-feira o seu 67º aniversário, envolto numa grave crise financeira, com um passivo de Akz 800 milhões.

Por Marcelino Camões e José Donga

Fundado em 1953, o clube acumula dívidas decorrentes de contratos com atletas, ex-jogadores e treinadores desde 2018, na sequência da qual  está sob auditoria e reestruturação administrativa e financeira.

Esta agremiação de que fizeram parte ilustres figuras do desporto, mormente do futebol, como Joaquim Dinis, Domingos Inguila, Justino Fernandes, Cardona, Geovetty, José Luis Prata e Prado, só para citar algumas da velha geração, deixou de ser notável no panorama nacional onde rivalizava com outros grandes como 1.º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube.

Em declarações à ANGOP, a propósito da efeméride, o presidente de direcção, José Luís Prata, disse que a situação agravou-se em 2020 com a crise financeira mundial e à Covid-19, com consequências na companhia aérea TAAG e nas empresas de navegação aérea INAVIC e ENNA, principais patrocinadoras da agremiação.

No entanto, apesar da crise, revelou que a colectividade campeã nacional de futebol em 2002, 2003 e 2004 tem contactos adiantados com algumas empresas, visando a recuperação da relva sintética do campo de treino ”Joaquim Diniz" , que está totalmente deteriorada.

Prevê-se ainda a requalificação do pavilhão multiusos e da sede social, esta última com um formato que não difere da obra erguida na década de 60, por orientação do presidente fundador, o cabo-verdiano Jacinto da Silva Medina.

A nível competitivo, o presidente eleito em Junho último, sublinhou que a aposta vai para a equipa de futebol em Sub-20, tendo em vista a sua participação no campeonato nacional de juniores e provincial sénior da segunda divisão, que teve ínicio quarta-feira.

Adiantou que o projecto envolvendo os Sub - 20 levará dois anos, altura em que se perspectiva o regresso à competição ao nível dos séniores, após descida de divisão em 2017.

Além do futebol, que envolve 200 atletas e 16 treinadores, a formação do Aeroporto movimenta as modalidades de basquetebol (70 jogadores e 8 técnicos), andebol (80 jogadores e oito treinadores) e xadrez (15 atletas).

Em período de crise, o objectivo é trabalhar e municiar a formação, visando preparar conjuntos sólidos para o futuro, com menor custo.

OUTRAS MODALIDADES

O basquetebol assume-se como a modalidade de grande expressão com três títulos nacionais, o primeiro em 1980 com o técnico búlgaro Kujo Carov.

Dezassete anos depois o angolano Nuno Teixeira quebrou o enguiço conduzindo a equipa a dois troféus consecutivos em 1997 e 1998.

O ASA obteve ainda dois terceiros lugares na Taça dos Clubes Campeões, o primeiro na década de 80 em Bamako (Mali), com o técnico português residente, Victor Rosado.

Na altura pontificavam atletas como António Guimarães, Hilário de Sousa, Victor Almeida, Agostinho, Paulo Fonseca “Duglas”, Rui Gourgel, Francisco Patrício e Gustavo da Conceição, actual presidente do Comité Olímpico Angolano.

Novo terceiro lugar na mesma competição continental em 2001 com o treinador Carlos Dinis, em Túnis (Tunísia).

O andebol feminino também marca presença na galeria de troféus. O primeiro título nacional foi conquistado em 1999 com o treinador Jerónimo Neto. Antes o conjunto venceu a Taça de Angola em 1998, sob a liderança de Cuco Velasco.

O Hóquei em patins, modalidade extinta, foi campeão nacional em juvenis e júniores em 1980.

MEMÓRIAS 

As memórias do clube são contadas por Lino Manuel, conhecido nas lides desportivas por “tio Lino”, figura emblemática que personifica a grandeza de um ASA que procura sair deste período considerado dos mais difíceis da sua história.

Tio Lino revelou à ANGOP que ingressou na colectividade dez anos após a sua criação, transferido da então Direcção dos Transportes Aéreos (DTA), actual TAAG, e que foi por sua proposta que se construiu o campo de futebol e os balneários que evoluíram para a sede social.

Contou que o futebol foi sempre a bandeira do ASA, cuja equipa sénior sagrou-se campeã de Angola de 1965 a 1968 com referências como o guarda-redes Cerqueira, os centrais Chico Ventura e José Maria Maventa, o defesa direito Justino Fernandes, os médios Fraude e Leonel, além dos atacantes Abílio, Benje e Gaspar.

A figura lendária afirma não ser esta a primeira crise que afecta o ASA, lembrando que três anos antes da proclamação da Independência Nacional, em 1975, registou-se uma queda de resultados no futebol até então a única modalidade existente.

A independência nacional trouxe também a mudança no nome do clube, adoptando a designação de Grupo Desportivo da TAAG, numa alternância que durou até 1990, altura em que passou novamante para ASA.

O interlocutor da ANGOP não tem dúvida de que os três títulos no futebol, designadamente, em 2002, 2003 e 2004 marcaram os períodos áureos do clube com o técnico português, Bernardino Pedroto, no comando, seguindo-se a actual fase menos boa, por indisponibilidade financeira, aliada a crises de direcção. 

A HISTÓRIA DO ASA EM SUAS MÃOS  

Decorria o período que antecedeu a Independência Nacional, nos anos de 1973 e 1974, o clube ficou abandonado com a retirada dos gestores, na sua maioria portugueses.

Foi por via do tio Lino que foram salvos os documentos da colectividade, tendo assumido também a responsabilidade da manutenção do clube, a conservação da documentação, dos equipamentos e dos troféus.

O sócio número 365 diz que conservou parte do acervo em sua casa e que era a sua família que cuidava dos imóveis. 

“Na altura encontrei e conservei documentos importantes, sem os quais o clube teria acabado ou ficaria sem história”, reiterou, acrescentando que após a sua revitalização entregou o acervo aos gestores pós independência.

RECONHECIMENTO

Nascido no dia 28 de Agosto de 1935, no Maquela do Zombo, município da província do Uíge, Lino Manuel, nome imposto pelas autoridades coloniais em substituição de Ndisso Manuel, reclama por maior reconhecimento por tudo que fez e representa para o Atlético Sport Aviação – ASA.

Sem sinais de descontentamento e deixando bem claro a sua paixão pelo clube, o membro honorário espera por melhores dias depois de ter sido homenageado em 2020, pela actual direcção dirigida por José Luís Prata.

 

Por Marcelino Camões e José Donga

Fundado em 1953, o clube acumula dívidas decorrentes de contratos com atletas, ex-jogadores e treinadores desde 2018, na sequência da qual  está sob auditoria e reestruturação administrativa e financeira.

Esta agremiação de que fizeram parte ilustres figuras do desporto, mormente do futebol, como Joaquim Dinis, Domingos Inguila, Justino Fernandes, Cardona, Geovetty, José Luis Prata e Prado, só para citar algumas da velha geração, deixou de ser notável no panorama nacional onde rivalizava com outros grandes como 1.º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube.

Em declarações à ANGOP, a propósito da efeméride, o presidente de direcção, José Luís Prata, disse que a situação agravou-se em 2020 com a crise financeira mundial e à Covid-19, com consequências na companhia aérea TAAG e nas empresas de navegação aérea INAVIC e ENNA, principais patrocinadoras da agremiação.

No entanto, apesar da crise, revelou que a colectividade campeã nacional de futebol em 2002, 2003 e 2004 tem contactos adiantados com algumas empresas, visando a recuperação da relva sintética do campo de treino ”Joaquim Diniz" , que está totalmente deteriorada.

Prevê-se ainda a requalificação do pavilhão multiusos e da sede social, esta última com um formato que não difere da obra erguida na década de 60, por orientação do presidente fundador, o cabo-verdiano Jacinto da Silva Medina.

A nível competitivo, o presidente eleito em Junho último, sublinhou que a aposta vai para a equipa de futebol em Sub-20, tendo em vista a sua participação no campeonato nacional de juniores e provincial sénior da segunda divisão, que teve ínicio quarta-feira.

Adiantou que o projecto envolvendo os Sub - 20 levará dois anos, altura em que se perspectiva o regresso à competição ao nível dos séniores, após descida de divisão em 2017.

Além do futebol, que envolve 200 atletas e 16 treinadores, a formação do Aeroporto movimenta as modalidades de basquetebol (70 jogadores e 8 técnicos), andebol (80 jogadores e oito treinadores) e xadrez (15 atletas).

Em período de crise, o objectivo é trabalhar e municiar a formação, visando preparar conjuntos sólidos para o futuro, com menor custo.

OUTRAS MODALIDADES

O basquetebol assume-se como a modalidade de grande expressão com três títulos nacionais, o primeiro em 1980 com o técnico búlgaro Kujo Carov.

Dezassete anos depois o angolano Nuno Teixeira quebrou o enguiço conduzindo a equipa a dois troféus consecutivos em 1997 e 1998.

O ASA obteve ainda dois terceiros lugares na Taça dos Clubes Campeões, o primeiro na década de 80 em Bamako (Mali), com o técnico português residente, Victor Rosado.

Na altura pontificavam atletas como António Guimarães, Hilário de Sousa, Victor Almeida, Agostinho, Paulo Fonseca “Duglas”, Rui Gourgel, Francisco Patrício e Gustavo da Conceição, actual presidente do Comité Olímpico Angolano.

Novo terceiro lugar na mesma competição continental em 2001 com o treinador Carlos Dinis, em Túnis (Tunísia).

O andebol feminino também marca presença na galeria de troféus. O primeiro título nacional foi conquistado em 1999 com o treinador Jerónimo Neto. Antes o conjunto venceu a Taça de Angola em 1998, sob a liderança de Cuco Velasco.

O Hóquei em patins, modalidade extinta, foi campeão nacional em juvenis e júniores em 1980.

MEMÓRIAS 

As memórias do clube são contadas por Lino Manuel, conhecido nas lides desportivas por “tio Lino”, figura emblemática que personifica a grandeza de um ASA que procura sair deste período considerado dos mais difíceis da sua história.

Tio Lino revelou à ANGOP que ingressou na colectividade dez anos após a sua criação, transferido da então Direcção dos Transportes Aéreos (DTA), actual TAAG, e que foi por sua proposta que se construiu o campo de futebol e os balneários que evoluíram para a sede social.

Contou que o futebol foi sempre a bandeira do ASA, cuja equipa sénior sagrou-se campeã de Angola de 1965 a 1968 com referências como o guarda-redes Cerqueira, os centrais Chico Ventura e José Maria Maventa, o defesa direito Justino Fernandes, os médios Fraude e Leonel, além dos atacantes Abílio, Benje e Gaspar.

A figura lendária afirma não ser esta a primeira crise que afecta o ASA, lembrando que três anos antes da proclamação da Independência Nacional, em 1975, registou-se uma queda de resultados no futebol até então a única modalidade existente.

A independência nacional trouxe também a mudança no nome do clube, adoptando a designação de Grupo Desportivo da TAAG, numa alternância que durou até 1990, altura em que passou novamante para ASA.

O interlocutor da ANGOP não tem dúvida de que os três títulos no futebol, designadamente, em 2002, 2003 e 2004 marcaram os períodos áureos do clube com o técnico português, Bernardino Pedroto, no comando, seguindo-se a actual fase menos boa, por indisponibilidade financeira, aliada a crises de direcção. 

A HISTÓRIA DO ASA EM SUAS MÃOS  

Decorria o período que antecedeu a Independência Nacional, nos anos de 1973 e 1974, o clube ficou abandonado com a retirada dos gestores, na sua maioria portugueses.

Foi por via do tio Lino que foram salvos os documentos da colectividade, tendo assumido também a responsabilidade da manutenção do clube, a conservação da documentação, dos equipamentos e dos troféus.

O sócio número 365 diz que conservou parte do acervo em sua casa e que era a sua família que cuidava dos imóveis. 

“Na altura encontrei e conservei documentos importantes, sem os quais o clube teria acabado ou ficaria sem história”, reiterou, acrescentando que após a sua revitalização entregou o acervo aos gestores pós independência.

RECONHECIMENTO

Nascido no dia 28 de Agosto de 1935, no Maquela do Zombo, município da província do Uíge, Lino Manuel, nome imposto pelas autoridades coloniais em substituição de Ndisso Manuel, reclama por maior reconhecimento por tudo que fez e representa para o Atlético Sport Aviação – ASA.

Sem sinais de descontentamento e deixando bem claro a sua paixão pelo clube, o membro honorário espera por melhores dias depois de ter sido homenageado em 2020, pela actual direcção dirigida por José Luís Prata.