Exploração mineira privilegia novos recursos

  • Diamante cor de rosa
Luanda - O sector mineiro em Angola mostra-se, nos últimos três anos, mais competitivo e atraente, devido à ousadia do Executivo de redireccionar a exploração para novos recursos, a fim de atrair investimento estrangeiro e alavancar a economia.

Por Custódia Sinela

Actualmente, o país tem pelo menos 38 dos 50 mineiros mais procurados no Mundo, tornando-se um "palco" de oportunidades de negócios cada vez mais atractivo e aberto a novas descobertas, facto que tem permitido a prospecção e exploração de “campos virgens” dissociados do petróleo e do diamante.    

Entre os 30 recursos minerais mais privilegiados do país constam o ferro, chumbo, titânio, alumínio, cobalto, lítio, terras raras, elementos da platina, manganês, cobre, ouro, fosfatos, granito, mármore, urânio, quartzo, chumbo, zinco, tungstênio, estanho, flúor, enxofre, feldspato, caulim, mica, asfalto, gesso, níquel, nióbio e o talco.

Por forma a potenciar e valorizar esses importantes recursos, está em implementação o Plano Nacional de Geologia (Planageo), que assenta no levantamento científico do potencial mineral e geológico, bem como no relançamento do sector e das novas modalidades de comercialização, sobretudo de diamantes.

De igual modo, o Novo Código Mineiro, já em vigor, serve de “chamariz” para potenciais investidores nacionais e estrangeiros "disputarem" os mais variados concursos de concessão de Outorga de Direito Mineiro lançados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (Mirempet).

É neste quadro que multinacionais tradicionais como a Anglo América, a de Beers e Alrosa actuam no mercado, enquanto decorrem negociações, já avançadas, com outras, como a Rio Tinto, numa altura em que o MIREMPET trabalha para impor ordem no sector, através da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM).

Entretanto, Angola, que celebra hoje 46 anos de exploração mineira, continua a trabalhar para intensificar a experimentação de “novos ventos mineralógicos”, movido pelo lema “O Papel do Trabalhador Mineiro no Desenvolvimento Sustentável do país”.

Prova desse trabalho é o anúncio da entrada em funcionamento, este mês, da primeira mina de manganês de Angola, localizada em Quizenga, município de Cacuso, em Malanje, que vai produzir 240 mil toneladas desse mineiro por ano, depois  da primeira tentativa de exploração do mineiro feita  em 1975.

Enquanto isso, aguarda-se pelos "frutos" dos concursos públicos de 2020, de outorga de direitos mineiros de diamantes, ferro e fosfato, cujos vencedores  já estão a operar nas províncias de Cabinda, Lunda Norte, Lunda Sul e Zaire.

Mais minas e actores

Outras regiões estão, de igual modo, em fase avançada de prospecção, como a  província de Cabinda, onde trabalhos de pesquisa e prospecção para 706,72 quilómetros quadrados de área identificada com o mineiro (ouro) iniciaram há cerca de três anos, nas localidades de Nzaca-Belize e Buco-Zau.

O fomento da produção de ouro é um dos objectivos constantes do PDN 2018-2022, também com a integração das  minas de Samboto (Huambo) e Chipindo (Huila), onde já se deu início à produção experimental, em 2020.

A Sociedade Mineira de Cobres de Angola  também está a dar passos na revitalização da antiga  Empresa de Cobre de Angola (ECA).

É factual que a prospecção geológica, iniciada em 2009, decorre  e há perspectivas para a implantação nos próximos dois anos, recuperando a antiga mina de Mavoio, que inclui as de Tetelo e Bembe (Maquela do Zombo), província do Uíge, onde já foram feitos 125 furos que resultaram em 60 mil metros lineares de sondagens.

Nesta fase de prospecção (2021),   a sociedade exploradora criou 110 postos de trabalho, sendo 68 ocupados por cidadãos locais e sete por expatriados.

Com foco na diversificação da actividade mineira e maior penetração territorial, o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás aprovou a licença a favor da empresa Minbos Resources (ASX-listed) de exploração mineira de fosfatos, renovável até 35 anos, no depósito de Cacáta, em Cabinda.

Um estudo de prospecção, realizado em 2020, estimou que o projecto custaria entre 22,4 milhões e 27,9 milhões de dólares, a desenvolver com base numa capacidade inicial de 150 000 t/ano de rocha fosfática. Numa fase inicial, o projecto prevê  arrancar com a produção de 50 000 t/ano.

Avanços nos diamantes

Outra  prova do potencial de Angola é o contributo em sete (7) por cento em quilates de diamantes para o mercado Mundial, em 2019, e outros 9 por cento  em valores, o que posicionou o país entre as primeiras cinco (5) nações produtoras, e nas quatro (4) em termos de valores.

Até 2019, o país tinha uma produção média anual de nove (9) milhões de quilates, volume que viu reduzir, em 2020, em cerca de oito (8) milhões de quilates, por conta da Covid-19, que obrigou a diminuição das operações em 20 por cento.

Ainda assim, a previsão para este ano de 2021 é atingir os cerca de 11 milhões de quilates, com tendência de aumento, em 2022, para uma produção próxima dos 14 milhões de quilates, com a entrada em funcionamento de novas minas em algumas regiões do país, muitas nunca antes exploradas.

Na Lunda Norte, por exemplo, existem 19 projectos/campos em prospecção, 11 em produção e 18 cooperativas, enquanto em Malanje estão controlados três projectos diamantíferos. Todos esses têm fomentado o emprego e o desenvolvimento das comunidades circunvizinhas às respectivas Minas.

Com cinco empresas em prospecção, a Lunda Sul é a região onde se extrai mais diamantes, através da Sociedade Mineira de Catoca, onde também estão controladas igual número de cooperativas, cinco.

As províncias do Bié, Cuanza Sul e Cuanza Norte também constam da lista das regiões com este mineiro em extracção, mas com défice de lapidação localmente.

A propósito, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, disse no Dundo, província da Lunda Norte, que o país pretende lapidar 20 por cento da produção de diamantes, com a expansão de fábricas especializadas nas zonas de exploração do mineral estratégico.

Actualmente, 99,5 por cento da produção de diamantes em Angola é exportada a bruto, pelo que as autoridades angolanas estão empenhadas na reversão do quadro, a médio e longo  prazos, para maior arrecadação de receitas a favor do Estado.

Para o efeito, nos últimos quatro anos foram instaladas três fábricas de lapidação, em Luanda, enquanto se concluem as obras do pólo de desenvolvimento diamantífero em Saurimo (Lunda Sul), com capacidade para albergar, no futuro, 26 fábricas de lapidação, através de investimentos privados.

A aposta na indústria de joalharia é o que se pretende, uma iniciativa que se prevê reforçar com a construção, ainda este ano, de uma fábrica de lapidação no município de Chitato, Lunda Norte, de responsabilidade privada, orçada em USD 20 milhões.

Entretanto, pretende-se, nas comunidades, que a riqueza produzida se traduza no desenvolvimento sócio-económico das localidades onde a prospecção e extracção de recursos minerais é realidade, para combater, igualmente, a fome e a miséria.

Apesar das estratégias, políticas e investimentos do Executivo para diversificar a actividade mineira em Angola, passados 46 anos desde o alcance da independência nacional (11 de Novembro de 1975) o diamante e o petróleo continuam a ser o “escudo mineralógico” do país, que tem na Região Sul um verdadeiro manto rochoso.
 

Por Custódia Sinela

Actualmente, o país tem pelo menos 38 dos 50 mineiros mais procurados no Mundo, tornando-se um "palco" de oportunidades de negócios cada vez mais atractivo e aberto a novas descobertas, facto que tem permitido a prospecção e exploração de “campos virgens” dissociados do petróleo e do diamante.    

Entre os 30 recursos minerais mais privilegiados do país constam o ferro, chumbo, titânio, alumínio, cobalto, lítio, terras raras, elementos da platina, manganês, cobre, ouro, fosfatos, granito, mármore, urânio, quartzo, chumbo, zinco, tungstênio, estanho, flúor, enxofre, feldspato, caulim, mica, asfalto, gesso, níquel, nióbio e o talco.

Por forma a potenciar e valorizar esses importantes recursos, está em implementação o Plano Nacional de Geologia (Planageo), que assenta no levantamento científico do potencial mineral e geológico, bem como no relançamento do sector e das novas modalidades de comercialização, sobretudo de diamantes.

De igual modo, o Novo Código Mineiro, já em vigor, serve de “chamariz” para potenciais investidores nacionais e estrangeiros "disputarem" os mais variados concursos de concessão de Outorga de Direito Mineiro lançados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (Mirempet).

É neste quadro que multinacionais tradicionais como a Anglo América, a de Beers e Alrosa actuam no mercado, enquanto decorrem negociações, já avançadas, com outras, como a Rio Tinto, numa altura em que o MIREMPET trabalha para impor ordem no sector, através da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM).

Entretanto, Angola, que celebra hoje 46 anos de exploração mineira, continua a trabalhar para intensificar a experimentação de “novos ventos mineralógicos”, movido pelo lema “O Papel do Trabalhador Mineiro no Desenvolvimento Sustentável do país”.

Prova desse trabalho é o anúncio da entrada em funcionamento, este mês, da primeira mina de manganês de Angola, localizada em Quizenga, município de Cacuso, em Malanje, que vai produzir 240 mil toneladas desse mineiro por ano, depois  da primeira tentativa de exploração do mineiro feita  em 1975.

Enquanto isso, aguarda-se pelos "frutos" dos concursos públicos de 2020, de outorga de direitos mineiros de diamantes, ferro e fosfato, cujos vencedores  já estão a operar nas províncias de Cabinda, Lunda Norte, Lunda Sul e Zaire.

Mais minas e actores

Outras regiões estão, de igual modo, em fase avançada de prospecção, como a  província de Cabinda, onde trabalhos de pesquisa e prospecção para 706,72 quilómetros quadrados de área identificada com o mineiro (ouro) iniciaram há cerca de três anos, nas localidades de Nzaca-Belize e Buco-Zau.

O fomento da produção de ouro é um dos objectivos constantes do PDN 2018-2022, também com a integração das  minas de Samboto (Huambo) e Chipindo (Huila), onde já se deu início à produção experimental, em 2020.

A Sociedade Mineira de Cobres de Angola  também está a dar passos na revitalização da antiga  Empresa de Cobre de Angola (ECA).

É factual que a prospecção geológica, iniciada em 2009, decorre  e há perspectivas para a implantação nos próximos dois anos, recuperando a antiga mina de Mavoio, que inclui as de Tetelo e Bembe (Maquela do Zombo), província do Uíge, onde já foram feitos 125 furos que resultaram em 60 mil metros lineares de sondagens.

Nesta fase de prospecção (2021),   a sociedade exploradora criou 110 postos de trabalho, sendo 68 ocupados por cidadãos locais e sete por expatriados.

Com foco na diversificação da actividade mineira e maior penetração territorial, o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás aprovou a licença a favor da empresa Minbos Resources (ASX-listed) de exploração mineira de fosfatos, renovável até 35 anos, no depósito de Cacáta, em Cabinda.

Um estudo de prospecção, realizado em 2020, estimou que o projecto custaria entre 22,4 milhões e 27,9 milhões de dólares, a desenvolver com base numa capacidade inicial de 150 000 t/ano de rocha fosfática. Numa fase inicial, o projecto prevê  arrancar com a produção de 50 000 t/ano.

Avanços nos diamantes

Outra  prova do potencial de Angola é o contributo em sete (7) por cento em quilates de diamantes para o mercado Mundial, em 2019, e outros 9 por cento  em valores, o que posicionou o país entre as primeiras cinco (5) nações produtoras, e nas quatro (4) em termos de valores.

Até 2019, o país tinha uma produção média anual de nove (9) milhões de quilates, volume que viu reduzir, em 2020, em cerca de oito (8) milhões de quilates, por conta da Covid-19, que obrigou a diminuição das operações em 20 por cento.

Ainda assim, a previsão para este ano de 2021 é atingir os cerca de 11 milhões de quilates, com tendência de aumento, em 2022, para uma produção próxima dos 14 milhões de quilates, com a entrada em funcionamento de novas minas em algumas regiões do país, muitas nunca antes exploradas.

Na Lunda Norte, por exemplo, existem 19 projectos/campos em prospecção, 11 em produção e 18 cooperativas, enquanto em Malanje estão controlados três projectos diamantíferos. Todos esses têm fomentado o emprego e o desenvolvimento das comunidades circunvizinhas às respectivas Minas.

Com cinco empresas em prospecção, a Lunda Sul é a região onde se extrai mais diamantes, através da Sociedade Mineira de Catoca, onde também estão controladas igual número de cooperativas, cinco.

As províncias do Bié, Cuanza Sul e Cuanza Norte também constam da lista das regiões com este mineiro em extracção, mas com défice de lapidação localmente.

A propósito, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, disse no Dundo, província da Lunda Norte, que o país pretende lapidar 20 por cento da produção de diamantes, com a expansão de fábricas especializadas nas zonas de exploração do mineral estratégico.

Actualmente, 99,5 por cento da produção de diamantes em Angola é exportada a bruto, pelo que as autoridades angolanas estão empenhadas na reversão do quadro, a médio e longo  prazos, para maior arrecadação de receitas a favor do Estado.

Para o efeito, nos últimos quatro anos foram instaladas três fábricas de lapidação, em Luanda, enquanto se concluem as obras do pólo de desenvolvimento diamantífero em Saurimo (Lunda Sul), com capacidade para albergar, no futuro, 26 fábricas de lapidação, através de investimentos privados.

A aposta na indústria de joalharia é o que se pretende, uma iniciativa que se prevê reforçar com a construção, ainda este ano, de uma fábrica de lapidação no município de Chitato, Lunda Norte, de responsabilidade privada, orçada em USD 20 milhões.

Entretanto, pretende-se, nas comunidades, que a riqueza produzida se traduza no desenvolvimento sócio-económico das localidades onde a prospecção e extracção de recursos minerais é realidade, para combater, igualmente, a fome e a miséria.

Apesar das estratégias, políticas e investimentos do Executivo para diversificar a actividade mineira em Angola, passados 46 anos desde o alcance da independência nacional (11 de Novembro de 1975) o diamante e o petróleo continuam a ser o “escudo mineralógico” do país, que tem na Região Sul um verdadeiro manto rochoso.