Mandioca ganha terreno em Malanje

  • Mandioca (Foto ilustração)
Malanje – A mandioca está a ganhar cada vez mais “peso” a nível da agricultura familiar em Malanje, desde 2018, altura em que se iniciou a produção deste tubérculo em grande escala, para aumentar a oferta do mercado nacional e gerar renda às famílias locais.

Por Aurélio Cua

Outrora tida como cultura de subsistência e de "quinto plano" em algumas regiões do país, a mandioca está hoje na prioridade dos produtores locais, fruto do financiamento que tem sido feito pelo MOSAP II (Projecto de Agricultura Familiar e Comercialização).

A iniciativa do MOSAP II consubstancia-se na cedência de áreas mecanizadas, estacas de mandioca melhoradas e ensino de novas técnicas de produção, saindo da rudimentar para a moderna, o que contribuiu para o aumento da produtividade.

Só no ano agrícola 2018/2019, por exemplo, a iniciativa apoiou o cultivo de mil e 373 hectares de mandioca, resultando na colheita de 30 mil toneladas desta cultura, cifras superiores às dos anos anteriores, em que a produção era, essencialmente, virada para o consumo das famílias e para pequenas vendas.

Na campanha 2019/2020, o projecto contribuiu para o cultivo de mil e 133 hectares.

Apesar dos hectares serem inferiores aos do ano anterior, a produtividade foi maior, tendo em conta a introdução de estacas melhoradas e de novas técnicas de produção, pelo que se prevê atingir 35 mil toneladas, a partir do próximo mês de Julho.

Em concreto, um milhão, 722 mil e 959 toneladas de mandiocas foram produzidas pelo sector familiar e empresarial, em Malanje, em 2020, numa área de 114 mil 778 hectares, contra 1 milhão 627 mil e 70 toneladas resultantes da colheita do ano agrícola 2018/2019.


Segundo dados do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, grande parte da produção foi transformada em fuba de bombó e o resto vendido no seu estado natural em diversas partes do país, sendo o município de Calandula o maior produtor desta cultura na região.

Para o presente ano agrícola (2020/2021), Malanje cultivou cerca de 166 mil 200 hectares e prevê colher um milhão 862 mil 423 toneladas.   

Enquanto isso, no presente ano agrícola (2020/2021), o MOSAP II financiou a produção de mil e 677 hectares e almeja superar a produção das duas últimas campanhas agrícolas.

Para tal, estão engajadas cerca de 15 mil famílias, afectas a mil e 109 escolas de campo ao nível dos 14 municípios de Malanje, província que acolheu, sábado, o primeiro Congresso Internacional da Mandioca, com a recomendação de mais investimentos na cadeia de valor do tubérculo e a promoção de parcerias público-privadas favoráveis ao agro-negócio.

A propósito do novo quadro de produção em Malanje, o engenheiro agrónomo do MOSAP II, Ernesto Cafele, justificou a dinamização da mandioca com o facto de ser a cultura o século XXI - segundo as Nações Unidas -, bem como pela sua capacidade de resistência à seca e outras adversidades climáticas, contrariamente a outros produtos.

Por isso, disse o agricultor, é urgente apostar-se cada vez mais neste segmento, a nível das 18 províncias do país, de modo a travar a fome nas comunidades e incentivar o incremento dessa produção para o aumento da geração de renda e melhoria das condições de vida dos produtores.

Cooperativas incrementam produção

Uma das cooperativas apoiadas pelo MOSAP II é a Marimba, localizada na comuna de Caxinga, município de Mucari, que conta com 49 hectares de campos cultivados desse tubérculo, e estima arrecadar, a partir de Agosto, KZ 24 milhões e 411 mil kwanzas.

Segundo o chefe de produção da cooperativa, Alfredo Gomes, a criação das escolas de campo e de cooperativas impulsionou a actividade agrícola na circunscrição, que antes  estava centrada na produção individual para auto-consumo ou cultivo e benefício familiar.

Criada em 2019, a cooperativa Marimba dispõe, actualmente, de 75 membros, que, a par da mandioca, começaram a direccionar os investimentos para outros 22 hectares para a produção de outros bens agrícolas, depois de apoiados com novos meios afins.

Com esse investimento, pretende-se, essencialmente, elevar os níveis de produção e contribuir nos esforços de combate à fome e à pobreza no meio rural.

Já a associação Gando Tembo Velho, na comuna de Caxinga, no município de Mucari, também tem se afirmado na produção de mandioca, dispondo, actualmente, de uma produção de 57 hectares, nos quais espera conseguir uma colheita de mil e 767 toneladas.

Além de mandioca, a associação esteve engajada na produção de outras culturas, cuja colheita foi comercializada e os valores aplicados noutras acções, para atender as necessidades dos membros, como a remodelação de residências e aquisição de mobílias.

Com 124 membros, a cooperativa dedica-se à transformação da mandioca em fuba e farinha torrada, e vende o saco de 50 quilogramas a KZ 20 e 35 mil, respectivamente.

Em virtude destas iniciativas, a associação contabiliza já um milhão e 200 mil kwanzas na caixa comunitária, uma espécie de fundo de maneio que serve para aplicação em projectos futuros, mediante a auscultação dos associados.

Há também divisão equitativa de alguma parte dos lucros entre os membros.

Face a isso, o secretário da cooperativa, Paulo Castro, diz que o apoio prestado pelo MOSAP II tem sido imprescindível para o alcance da auto-suficiência alimentar e para a redução da pobreza na população camponesa de Malanje.

“Considerando que onde há fome, abunda a queixa e o murmúrio, e não há paz, a enxada afigura-se como arma eficaz para combater à fome”, salienta o ancião, apelando para a necessidade de se relançar o sector agrícola no país.

Quintinha Manuel é membro da mesma cooperativa e destaca o impacto do MOSAP II na vida da comunidade, assinalando que o dinheiro arrecadado na venda da produção tem servido para reduzir as dificuldades com que os agregados se debatem.

À semelhança das duas cooperativas descritas, Kudy Kuatekessa, localizada na comuna do Lombe, é outra referência na produção de mandioca a nível da província.

Fundada em 2018, tem 108 associados e, em breve, deverá iniciar a colheita da mandioca em 80 hectares, segundo o seu presidente, João Sebastião.

Estima-se, entretanto, para este ano, uma colheita na ordem das mil e 760 toneladas de mandioca e um encaixe de 30 milhões de kwanzas.

Na última campanha agrícola, 2019/2020, a associação arrecadou seis milhões e 80 mil kwanzas na venda de 6 toneladas de milho, cultura também financiada pelo MOSAP II.

Resistência à inovação

Conforme o técnico do referido projecto dinamizador, houve resistência dos camponeses em aderir ao projecto, pois pensavam tratar-se de uma iniciativa que visava se apropriar das terras e eventualmente explorar “mão-de-obra barata”, mas o tempo encarregou-se de demonstrar os benefícios da iniciativa, cujos resultados são hoje visíveis.

“A mudança das técnicas de produção tradicional para metodologia moderna, assim como a cedência de espaço para as próprias cooperativas, foram inicialmente encaradas pelas comunidades com desconfiança, como consequências de más experiências, explica o extensionista rural do MOSAP II”, Mário Paciência.

Dentre as grandes mudanças operadas nas técnicas de produção agrícola no segmento familiar, citou a passagem do cultivo da estaca de mandioca na vertical para a horizontal, metodologia que aumentou, em grande medida, os níveis de produção desta cultura.

Referiu-se, por outro lado, à necessidade de se corrigir a forma de manipulação de outras sementes, numa altura esse Projecto de Agricultura Familiar e Comercialização prepara-se para lançar, ainda este ano, marcas de fuba de bombo e farinha torrada de produção local, com vista a valorização de toda a cadeia de valor da mandioca.

Essa experiência será da responsabilidade inicial da cooperativa Marimba, localizada na comuna de Caxinga, no município de Mucari, que elegeu a fuba de bombó e a farinha torrada como produtos piloto, pelo que as marcas em causa serão submetidas, nos próximos dias, ao Ministério da Indústria e Indústria para avaliação.

Sobre o assunto, o gestor de comunicação do MOSAP II, Lázaro Bula, diz que esta iniciativa, que surge em função dos actuais níveis de produção das organizações, vai ser replicada em outras cooperativas e abrangerá mais culturas.

Precisou, sem avançar valores, que, a par da componente de assistência técnica dos agricultores, o IDA (Instituto de Desenvolvimento Agrário) em Malanje conta com um grupo de técnicos formados na área de transformação de produtos do campo.

Isso, diz, constituirá mais-valia para as cooperativas, porque vai reduzir os desperdícios.

Pesquisas de novas variedades de mandioca

Apesar de existirem, em Malanje, inúmeras variedades de mandioca, os camponeses têm cultivado apenas 7, nomeadamente Maria Cudianeca, Tms-42,025, Calawenda, Fumo Comboio, Maria Cota, Matari e Chico dia Combe, o que tem garantido o sustento da população e, ao mesmo tempo, novas pesquisas da Estação Agrícola dessa província.

De acordo com a responsável da referida unidade de estudos, Elizeth Sita, está em curso uma pesquisa, no Banco de Germoplasma desta, 70 variedades de mandioca, que posteriormente serão seleccionadas e caracterizadas para fins agrícolas, tendo em conta que há variedades que não se adaptam a um determinado clima ou região.

“Apesar de nos últimos anos a província ter-se debatido com problemas de praga nesse tubérculo, concretamente nos municípios de Luquembo, Quirima e Marimba”, Malanje tem um solo e clima adaptáveis para a produção de mandioca.

Em face disso, informou que a estação, para além de melhorar algumas variedades, produziu há 2 anos, em parceria com o projecto MOSAP II, cerca de 1 milhão e 500 mil estacas de mandioca, distribuídas às províncias de Malanje, Bié, Huambo e Cabinda.

Elizeth Sita considerou a mandioca “Rainha das culturas pouco exigentes", pelo facto de ser um produto que resiste à seca e que se adapta melhor às condições edafoclimáticas.

Por este motivo, defendeu a necessidade de se disseminar o uso das tecnologias agrícolas junto dos camponeses, para ajudá-los na selecção de estacas e descobertas de pragas e viroses da mandioca, bem como apoiá-los na mecanização e processamento dessa cultura, que alimenta mais de 95 por cento da população angolana.

Embora tratar-se de um produto de fácil cultivo e adaptável em todo o território nacional, a província do Uíge lidera a produção com 2 milhões 228 mil e 722 toneladas (20%), Malanje (um milhão 627 mil toneladas), Cuanza Sul (um milhão e 17 mil toneladas), Moxico (972 mil) e Lunda Sul (753 mil toneladas).

Angola tem uma taxa de crescimento de produção de 2,4 por cento e esforça-se para atingir 25 milhões de toneladas, nos próximos 5 anos, com a introdução de novas variedades, prevenção de doenças e pragas, como a cegueira, através da massificação de variedades biofortificadas, com taxa de crescimento médio por hectare de 11,9 toneladas.

Em média, a produção da mandioca no país é de 10 toneladas por hectare, enquanto na Tailândia e Indonésia há variedades a atingir as 22 e 23 toneladas por hectare.

Em África, o maior produtor de mandioca é a Nigéria. Enquanto isso, a demanda por farinha de mandioca de alta qualidade em pães, biscoitos e salgadinhos está acima de 500 mil toneladas/ano. O fornecimento com a indústria local é inferior a 15 mil toneladas.

A produção de amido de mandioca está acima de 300 mil toneladas, mas a oferta está abaixo de 10 mil toneladas e o potencial de etanol para combustível para cozinha e para veículos movidos a energia (E10) e outros usos industriais excede a mil milhão de litros.

Dado o potencial agrícola da província e a propensão dos agricultores locais pelo cultivo desse abundante tubérculo, aliado a inúmeros projectos do Executivo para a suster a sua cadeia de produção e valores, Malanje acolheu, de 25 a 27 deste mês, o 1º Congresso Internacional da Mandioca, designada pelas Nações Unidas como alimento do século XXI.

 

Por Aurélio Cua

Outrora tida como cultura de subsistência e de "quinto plano" em algumas regiões do país, a mandioca está hoje na prioridade dos produtores locais, fruto do financiamento que tem sido feito pelo MOSAP II (Projecto de Agricultura Familiar e Comercialização).

A iniciativa do MOSAP II consubstancia-se na cedência de áreas mecanizadas, estacas de mandioca melhoradas e ensino de novas técnicas de produção, saindo da rudimentar para a moderna, o que contribuiu para o aumento da produtividade.

Só no ano agrícola 2018/2019, por exemplo, a iniciativa apoiou o cultivo de mil e 373 hectares de mandioca, resultando na colheita de 30 mil toneladas desta cultura, cifras superiores às dos anos anteriores, em que a produção era, essencialmente, virada para o consumo das famílias e para pequenas vendas.

Na campanha 2019/2020, o projecto contribuiu para o cultivo de mil e 133 hectares.

Apesar dos hectares serem inferiores aos do ano anterior, a produtividade foi maior, tendo em conta a introdução de estacas melhoradas e de novas técnicas de produção, pelo que se prevê atingir 35 mil toneladas, a partir do próximo mês de Julho.

Em concreto, um milhão, 722 mil e 959 toneladas de mandiocas foram produzidas pelo sector familiar e empresarial, em Malanje, em 2020, numa área de 114 mil 778 hectares, contra 1 milhão 627 mil e 70 toneladas resultantes da colheita do ano agrícola 2018/2019.


Segundo dados do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, grande parte da produção foi transformada em fuba de bombó e o resto vendido no seu estado natural em diversas partes do país, sendo o município de Calandula o maior produtor desta cultura na região.

Para o presente ano agrícola (2020/2021), Malanje cultivou cerca de 166 mil 200 hectares e prevê colher um milhão 862 mil 423 toneladas.   

Enquanto isso, no presente ano agrícola (2020/2021), o MOSAP II financiou a produção de mil e 677 hectares e almeja superar a produção das duas últimas campanhas agrícolas.

Para tal, estão engajadas cerca de 15 mil famílias, afectas a mil e 109 escolas de campo ao nível dos 14 municípios de Malanje, província que acolheu, sábado, o primeiro Congresso Internacional da Mandioca, com a recomendação de mais investimentos na cadeia de valor do tubérculo e a promoção de parcerias público-privadas favoráveis ao agro-negócio.

A propósito do novo quadro de produção em Malanje, o engenheiro agrónomo do MOSAP II, Ernesto Cafele, justificou a dinamização da mandioca com o facto de ser a cultura o século XXI - segundo as Nações Unidas -, bem como pela sua capacidade de resistência à seca e outras adversidades climáticas, contrariamente a outros produtos.

Por isso, disse o agricultor, é urgente apostar-se cada vez mais neste segmento, a nível das 18 províncias do país, de modo a travar a fome nas comunidades e incentivar o incremento dessa produção para o aumento da geração de renda e melhoria das condições de vida dos produtores.

Cooperativas incrementam produção

Uma das cooperativas apoiadas pelo MOSAP II é a Marimba, localizada na comuna de Caxinga, município de Mucari, que conta com 49 hectares de campos cultivados desse tubérculo, e estima arrecadar, a partir de Agosto, KZ 24 milhões e 411 mil kwanzas.

Segundo o chefe de produção da cooperativa, Alfredo Gomes, a criação das escolas de campo e de cooperativas impulsionou a actividade agrícola na circunscrição, que antes  estava centrada na produção individual para auto-consumo ou cultivo e benefício familiar.

Criada em 2019, a cooperativa Marimba dispõe, actualmente, de 75 membros, que, a par da mandioca, começaram a direccionar os investimentos para outros 22 hectares para a produção de outros bens agrícolas, depois de apoiados com novos meios afins.

Com esse investimento, pretende-se, essencialmente, elevar os níveis de produção e contribuir nos esforços de combate à fome e à pobreza no meio rural.

Já a associação Gando Tembo Velho, na comuna de Caxinga, no município de Mucari, também tem se afirmado na produção de mandioca, dispondo, actualmente, de uma produção de 57 hectares, nos quais espera conseguir uma colheita de mil e 767 toneladas.

Além de mandioca, a associação esteve engajada na produção de outras culturas, cuja colheita foi comercializada e os valores aplicados noutras acções, para atender as necessidades dos membros, como a remodelação de residências e aquisição de mobílias.

Com 124 membros, a cooperativa dedica-se à transformação da mandioca em fuba e farinha torrada, e vende o saco de 50 quilogramas a KZ 20 e 35 mil, respectivamente.

Em virtude destas iniciativas, a associação contabiliza já um milhão e 200 mil kwanzas na caixa comunitária, uma espécie de fundo de maneio que serve para aplicação em projectos futuros, mediante a auscultação dos associados.

Há também divisão equitativa de alguma parte dos lucros entre os membros.

Face a isso, o secretário da cooperativa, Paulo Castro, diz que o apoio prestado pelo MOSAP II tem sido imprescindível para o alcance da auto-suficiência alimentar e para a redução da pobreza na população camponesa de Malanje.

“Considerando que onde há fome, abunda a queixa e o murmúrio, e não há paz, a enxada afigura-se como arma eficaz para combater à fome”, salienta o ancião, apelando para a necessidade de se relançar o sector agrícola no país.

Quintinha Manuel é membro da mesma cooperativa e destaca o impacto do MOSAP II na vida da comunidade, assinalando que o dinheiro arrecadado na venda da produção tem servido para reduzir as dificuldades com que os agregados se debatem.

À semelhança das duas cooperativas descritas, Kudy Kuatekessa, localizada na comuna do Lombe, é outra referência na produção de mandioca a nível da província.

Fundada em 2018, tem 108 associados e, em breve, deverá iniciar a colheita da mandioca em 80 hectares, segundo o seu presidente, João Sebastião.

Estima-se, entretanto, para este ano, uma colheita na ordem das mil e 760 toneladas de mandioca e um encaixe de 30 milhões de kwanzas.

Na última campanha agrícola, 2019/2020, a associação arrecadou seis milhões e 80 mil kwanzas na venda de 6 toneladas de milho, cultura também financiada pelo MOSAP II.

Resistência à inovação

Conforme o técnico do referido projecto dinamizador, houve resistência dos camponeses em aderir ao projecto, pois pensavam tratar-se de uma iniciativa que visava se apropriar das terras e eventualmente explorar “mão-de-obra barata”, mas o tempo encarregou-se de demonstrar os benefícios da iniciativa, cujos resultados são hoje visíveis.

“A mudança das técnicas de produção tradicional para metodologia moderna, assim como a cedência de espaço para as próprias cooperativas, foram inicialmente encaradas pelas comunidades com desconfiança, como consequências de más experiências, explica o extensionista rural do MOSAP II”, Mário Paciência.

Dentre as grandes mudanças operadas nas técnicas de produção agrícola no segmento familiar, citou a passagem do cultivo da estaca de mandioca na vertical para a horizontal, metodologia que aumentou, em grande medida, os níveis de produção desta cultura.

Referiu-se, por outro lado, à necessidade de se corrigir a forma de manipulação de outras sementes, numa altura esse Projecto de Agricultura Familiar e Comercialização prepara-se para lançar, ainda este ano, marcas de fuba de bombo e farinha torrada de produção local, com vista a valorização de toda a cadeia de valor da mandioca.

Essa experiência será da responsabilidade inicial da cooperativa Marimba, localizada na comuna de Caxinga, no município de Mucari, que elegeu a fuba de bombó e a farinha torrada como produtos piloto, pelo que as marcas em causa serão submetidas, nos próximos dias, ao Ministério da Indústria e Indústria para avaliação.

Sobre o assunto, o gestor de comunicação do MOSAP II, Lázaro Bula, diz que esta iniciativa, que surge em função dos actuais níveis de produção das organizações, vai ser replicada em outras cooperativas e abrangerá mais culturas.

Precisou, sem avançar valores, que, a par da componente de assistência técnica dos agricultores, o IDA (Instituto de Desenvolvimento Agrário) em Malanje conta com um grupo de técnicos formados na área de transformação de produtos do campo.

Isso, diz, constituirá mais-valia para as cooperativas, porque vai reduzir os desperdícios.

Pesquisas de novas variedades de mandioca

Apesar de existirem, em Malanje, inúmeras variedades de mandioca, os camponeses têm cultivado apenas 7, nomeadamente Maria Cudianeca, Tms-42,025, Calawenda, Fumo Comboio, Maria Cota, Matari e Chico dia Combe, o que tem garantido o sustento da população e, ao mesmo tempo, novas pesquisas da Estação Agrícola dessa província.

De acordo com a responsável da referida unidade de estudos, Elizeth Sita, está em curso uma pesquisa, no Banco de Germoplasma desta, 70 variedades de mandioca, que posteriormente serão seleccionadas e caracterizadas para fins agrícolas, tendo em conta que há variedades que não se adaptam a um determinado clima ou região.

“Apesar de nos últimos anos a província ter-se debatido com problemas de praga nesse tubérculo, concretamente nos municípios de Luquembo, Quirima e Marimba”, Malanje tem um solo e clima adaptáveis para a produção de mandioca.

Em face disso, informou que a estação, para além de melhorar algumas variedades, produziu há 2 anos, em parceria com o projecto MOSAP II, cerca de 1 milhão e 500 mil estacas de mandioca, distribuídas às províncias de Malanje, Bié, Huambo e Cabinda.

Elizeth Sita considerou a mandioca “Rainha das culturas pouco exigentes", pelo facto de ser um produto que resiste à seca e que se adapta melhor às condições edafoclimáticas.

Por este motivo, defendeu a necessidade de se disseminar o uso das tecnologias agrícolas junto dos camponeses, para ajudá-los na selecção de estacas e descobertas de pragas e viroses da mandioca, bem como apoiá-los na mecanização e processamento dessa cultura, que alimenta mais de 95 por cento da população angolana.

Embora tratar-se de um produto de fácil cultivo e adaptável em todo o território nacional, a província do Uíge lidera a produção com 2 milhões 228 mil e 722 toneladas (20%), Malanje (um milhão 627 mil toneladas), Cuanza Sul (um milhão e 17 mil toneladas), Moxico (972 mil) e Lunda Sul (753 mil toneladas).

Angola tem uma taxa de crescimento de produção de 2,4 por cento e esforça-se para atingir 25 milhões de toneladas, nos próximos 5 anos, com a introdução de novas variedades, prevenção de doenças e pragas, como a cegueira, através da massificação de variedades biofortificadas, com taxa de crescimento médio por hectare de 11,9 toneladas.

Em média, a produção da mandioca no país é de 10 toneladas por hectare, enquanto na Tailândia e Indonésia há variedades a atingir as 22 e 23 toneladas por hectare.

Em África, o maior produtor de mandioca é a Nigéria. Enquanto isso, a demanda por farinha de mandioca de alta qualidade em pães, biscoitos e salgadinhos está acima de 500 mil toneladas/ano. O fornecimento com a indústria local é inferior a 15 mil toneladas.

A produção de amido de mandioca está acima de 300 mil toneladas, mas a oferta está abaixo de 10 mil toneladas e o potencial de etanol para combustível para cozinha e para veículos movidos a energia (E10) e outros usos industriais excede a mil milhão de litros.

Dado o potencial agrícola da província e a propensão dos agricultores locais pelo cultivo desse abundante tubérculo, aliado a inúmeros projectos do Executivo para a suster a sua cadeia de produção e valores, Malanje acolheu, de 25 a 27 deste mês, o 1º Congresso Internacional da Mandioca, designada pelas Nações Unidas como alimento do século XXI.