Redução do preço da cesta básica depende da produção agrícola

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Luanda – O economista angolano José Lumbo advogou, hoje, a necessidade da criação de instrumentos que visam aumentar a oferta de produtos agrícolas no mercado nacional, sem a dependência da chuva, para estabilizar ou reduzir o preço dos bens alimentares da cesta básica no país.

Em declarações à ANGOP, a propósito da constante subida do preço dos produtos da cesta básica, o técnico apontou ainda a adopção de mecanismos que permitam a mobilidade dos bens produzidos no campo como outra solução para baixar o custo dos produtos de primeira necessidade no mercado.

Para o especialista em finanças, o Banco Nacional de Angola (BNA) deve divulgar os produtos financeiros, como o Mercado Futuro e a Cobrança Documental, que garantem vantagens para as empresas residentes, no capítulo das importações de produtos da cesta básica.

Quem também partilha da mesma ideia é o economista Estêvão Catunda, que defende a necessidade de se apostar fortemente na produção dos bens que compõem a cesta básica e investir em infra-estruturas que viabilizem a sua distribuição, visando reverter a tendência crescente dos preços.

Por outro lado, o economista José Lumbo aponta a limitação/redução de quotas de importação de alguns produtos da cesta básica, prática de uma agricultura dependente somente da chuva e a liberalização tardia do mercado cambial (taxa de câmbio livre) como as principais causas da constante subida dos preços dos produtos da cesta básica em Angola.

Para José Lumbo, a liberalização tardia do mercado de câmbio, redução significativa das Reservas Internacionais Liquidas (RIL) e a queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional também aceleraram o aumento dos preços de bens e serviços essenciais aos cidadãos.

“Uma economia dependente, maioritariamente, de produtos importados vive sérios problemas quando a sua moeda é depreciada/desvalorizada diante da moeda estrangeira de referência”, afirmou.

Em consequência dessa dependência, explicou, as empresas e a economia nacional fracassam, uma vez que os custos suportados na compra da moeda estrangeira se reflectirão no preço final do bem a ser comercializado no território doméstico.

Já Estêvão Catunda aponta a fraca capacidade de produção interna, insuficiência dos canais de distribuição e a desvalorização da moeda nacional como os factores determinantes da alta dos preços da cesta básica.

“A subida generalizada dos preços resulta em inflação e a inflação pode ser endógena (resultante de factores internos) ou factores exógenos (dependente de outras economias, a chamada inflação importada) ”, esclareceu.

 Aumento do preço da cesta básica

A actual realidade do mercado nacional mostra que os produtos mais procurados pelos consumidores são os que também mais sofrem o aumento de preços, como é o caso do açúcar, arroz, óleo vegetal, massa alimentar e farinha de trigo.

Numa ronda feita pela equipa de reportagem da ANGOP, em alguns armazéns e mercados a céu aberto, em Luanda, constatou-se, por exemplo, que no município de Viana, distrito urbano do Zango, o preço do saco de açúcar de 50 quilogramas (kg) subiu de 18.500/19.000 kwanzas, praticado em Janeiro e Fevereiro deste ano, para Kz 26.900/28.500, facto que elevou o custo do quilo de 500 kwanzas para Kz 700, nas cantinas e nos mercados informais.

O mesmo produto está a ser comercializado a 26.500/26.700 kwanzas, nos armazéns adjacentes ao mercado do Asa Branca (município do Cazenga).

Além de ser o produto que mais sofre aumento do preço, o açúcar (Kapanda) nacional, produzido no município de Cacuso (vila de Kapanda), está mais caro (Kz 28.500) do que o açúcar importado, que varia entre 26.500 a 27.000 kwanzas.

Ou seja, a primeira ideia do consumidor revela que o produto produzido localmente tenha um preço mais baixo, em relação ao produto importado, tendo em conta o custo de importação, mas a realidade do mercado do açúcar em Angola mostra o contrário.

A par do açúcar, o arroz é também um dos produtos que continua a ser sufocado pelo aumento do preço nos últimos meses, no mercado nacional, sendo o custo do quilo ronda entre 500 a 600 kwanzas.

Apesar de ser um dos produtos mais consumidos em Angola, o preço do saco de arroz de 25 quilogramas disparou de Kz 10.500, em Janeiro e Fevereiro, para 13.200/14.300 kwanzas, em Março, em alguns armazéns de Luanda.

Ainda na senda do aumento do preço dos produtos da cesta básica, a farinha de trigo também não está a ser poupado, atingindo os 21.500/22.400 kwanzas por cada saco de 50 quilogramas, contra Kz 20.000 comercializado entre Janeiro e Fevereiro deste ano.

Com esse custo, o quilograma desse produto tem o valor de 400 kwanzas.

Já o saco de fuba de milho amarela de 25 kg subiu de Kz 8.500 para um intervalo de 13.200 a 14.300 kwanzas, enquanto o quilograma custa Kz 450.

A fuba de milho branco (25 kg) importado custa 12.500, enquanto o quilo da famosa “fuba branca das pedras” nacional, ronda entre 380 a 500 kwanzas. O preço da fuba de bombó também elevou-se de 150 para 250 kwanzas.

Na mesma senda, o preço da caixa de massa alimentar (20 pacotes) também registou uma subida de 3.800 para 4.750 kwanzas.

Outro produto que também é afectado pelo aumento exponencial do preço é o óleo vegetal, que subiu de 11.500 kwanzas (caixa de 12 litros) para Kz 14.500/15.800, enquanto um bidão de 5 litros custa 5.300 kwanzas.

No período em análise (de Janeiro a Março), o feijão é um dos poucos produtos da cesta básica que não registou alteração no seu preço, apesar dos consumidores considerarem ainda alto.

O preço do saco de 50 kg do produto que mais predomina o cardápio dos angolanos manteve-se em 32.000 kwanzas, enquanto o quilograma de feijão custa Kz 1.200/1.300.

Outro bem alimentar indispensável na dieta dos angolanos é o ovo, que está a ser comercializado a 38.000 kwanzas por cada caixa (12 cartões de 30 ovos cada), enquanto o cartão custa Kz 3.500, contra 2.500 kwanzas vendido em Janeiro e Fevereiro.

Embora a produção de ovos em Angola tenha aumentado significativamente, passando de 400 mil por dia, em 2012, para mais de 1,7 mil em 2019, actualmente o preço de cada ovo varia entre 125 a 150 kwanzas, nas cantinas e mercados (formais e informais), contra Kz 100 comercializado nos últimos três meses.

Na cadeia dos frescos, a caixa de peixe carapau de 30 kg está a ser comercializada a 35.500 kwanzas, o cachucho de 15 kg custa 17.100 e a pescada (peixe banana) de 10 kg tem o custo de 13.300, no mercado do Zango 1.

O preço da caixa de coxa de frango varia entre 9.300 a 13.800 kwanzas.

Outro alimento também muito concorrido nos mercados é o pescoço de porco, que está a ser vendido entre Kz 8.800 a 12.700 por cada caixa, enquanto a espinha/espinhaço de porco varia de 9.700 a 11.000 kwanzas.

A caixa de salsicha que custava 9.900 kwanzas, actualmente tem o custo de Kz 10.900. 

Apesar de Angola ter potencial para produção de produtos agrícolas em grande escala, com realce para as hortícolas/legumes, o aumento dos preços, nem mesmo com esse factor, está a poupar este segmento de alimentos.

Essa realidade é constatada no mercado do Km30, em Viana, um dos maiores espaço comercial a céu aberto de Luanda, onde o balde de tomate de 10 kg, por exemplo, custa 2.500 kwanzas, enquanto 10 kg de cebola tem o custo de Kz 2.200.

O balde de batata rena ronda entre 2.500 a 3.000 kwanzas e a caixa de cenoura custa Kz 13.500.

Nos últimos quatro anos, o Governo angolano tem implementado programas que estimulam a produção interna, a redução das importações e o incentivo às exportações. É o caso da medida mais recente que visa a importação de produtos da cesta básica a granel, para serem embalados no país e, consequentemente, estimular o crescimento da indústria nacional de empacotamento/enchimento até 2024.

Antecedem essa medida, o Programa de Apoio à Produção, Diversificação da Exportações e Substituição de Importações (Prodesi), o Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e o Agro-Prodesi, Programa voltado ao apoio do agronegócio.

 

 

Em declarações à ANGOP, a propósito da constante subida do preço dos produtos da cesta básica, o técnico apontou ainda a adopção de mecanismos que permitam a mobilidade dos bens produzidos no campo como outra solução para baixar o custo dos produtos de primeira necessidade no mercado.

Para o especialista em finanças, o Banco Nacional de Angola (BNA) deve divulgar os produtos financeiros, como o Mercado Futuro e a Cobrança Documental, que garantem vantagens para as empresas residentes, no capítulo das importações de produtos da cesta básica.

Quem também partilha da mesma ideia é o economista Estêvão Catunda, que defende a necessidade de se apostar fortemente na produção dos bens que compõem a cesta básica e investir em infra-estruturas que viabilizem a sua distribuição, visando reverter a tendência crescente dos preços.

Por outro lado, o economista José Lumbo aponta a limitação/redução de quotas de importação de alguns produtos da cesta básica, prática de uma agricultura dependente somente da chuva e a liberalização tardia do mercado cambial (taxa de câmbio livre) como as principais causas da constante subida dos preços dos produtos da cesta básica em Angola.

Para José Lumbo, a liberalização tardia do mercado de câmbio, redução significativa das Reservas Internacionais Liquidas (RIL) e a queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional também aceleraram o aumento dos preços de bens e serviços essenciais aos cidadãos.

“Uma economia dependente, maioritariamente, de produtos importados vive sérios problemas quando a sua moeda é depreciada/desvalorizada diante da moeda estrangeira de referência”, afirmou.

Em consequência dessa dependência, explicou, as empresas e a economia nacional fracassam, uma vez que os custos suportados na compra da moeda estrangeira se reflectirão no preço final do bem a ser comercializado no território doméstico.

Já Estêvão Catunda aponta a fraca capacidade de produção interna, insuficiência dos canais de distribuição e a desvalorização da moeda nacional como os factores determinantes da alta dos preços da cesta básica.

“A subida generalizada dos preços resulta em inflação e a inflação pode ser endógena (resultante de factores internos) ou factores exógenos (dependente de outras economias, a chamada inflação importada) ”, esclareceu.

 Aumento do preço da cesta básica

A actual realidade do mercado nacional mostra que os produtos mais procurados pelos consumidores são os que também mais sofrem o aumento de preços, como é o caso do açúcar, arroz, óleo vegetal, massa alimentar e farinha de trigo.

Numa ronda feita pela equipa de reportagem da ANGOP, em alguns armazéns e mercados a céu aberto, em Luanda, constatou-se, por exemplo, que no município de Viana, distrito urbano do Zango, o preço do saco de açúcar de 50 quilogramas (kg) subiu de 18.500/19.000 kwanzas, praticado em Janeiro e Fevereiro deste ano, para Kz 26.900/28.500, facto que elevou o custo do quilo de 500 kwanzas para Kz 700, nas cantinas e nos mercados informais.

O mesmo produto está a ser comercializado a 26.500/26.700 kwanzas, nos armazéns adjacentes ao mercado do Asa Branca (município do Cazenga).

Além de ser o produto que mais sofre aumento do preço, o açúcar (Kapanda) nacional, produzido no município de Cacuso (vila de Kapanda), está mais caro (Kz 28.500) do que o açúcar importado, que varia entre 26.500 a 27.000 kwanzas.

Ou seja, a primeira ideia do consumidor revela que o produto produzido localmente tenha um preço mais baixo, em relação ao produto importado, tendo em conta o custo de importação, mas a realidade do mercado do açúcar em Angola mostra o contrário.

A par do açúcar, o arroz é também um dos produtos que continua a ser sufocado pelo aumento do preço nos últimos meses, no mercado nacional, sendo o custo do quilo ronda entre 500 a 600 kwanzas.

Apesar de ser um dos produtos mais consumidos em Angola, o preço do saco de arroz de 25 quilogramas disparou de Kz 10.500, em Janeiro e Fevereiro, para 13.200/14.300 kwanzas, em Março, em alguns armazéns de Luanda.

Ainda na senda do aumento do preço dos produtos da cesta básica, a farinha de trigo também não está a ser poupado, atingindo os 21.500/22.400 kwanzas por cada saco de 50 quilogramas, contra Kz 20.000 comercializado entre Janeiro e Fevereiro deste ano.

Com esse custo, o quilograma desse produto tem o valor de 400 kwanzas.

Já o saco de fuba de milho amarela de 25 kg subiu de Kz 8.500 para um intervalo de 13.200 a 14.300 kwanzas, enquanto o quilograma custa Kz 450.

A fuba de milho branco (25 kg) importado custa 12.500, enquanto o quilo da famosa “fuba branca das pedras” nacional, ronda entre 380 a 500 kwanzas. O preço da fuba de bombó também elevou-se de 150 para 250 kwanzas.

Na mesma senda, o preço da caixa de massa alimentar (20 pacotes) também registou uma subida de 3.800 para 4.750 kwanzas.

Outro produto que também é afectado pelo aumento exponencial do preço é o óleo vegetal, que subiu de 11.500 kwanzas (caixa de 12 litros) para Kz 14.500/15.800, enquanto um bidão de 5 litros custa 5.300 kwanzas.

No período em análise (de Janeiro a Março), o feijão é um dos poucos produtos da cesta básica que não registou alteração no seu preço, apesar dos consumidores considerarem ainda alto.

O preço do saco de 50 kg do produto que mais predomina o cardápio dos angolanos manteve-se em 32.000 kwanzas, enquanto o quilograma de feijão custa Kz 1.200/1.300.

Outro bem alimentar indispensável na dieta dos angolanos é o ovo, que está a ser comercializado a 38.000 kwanzas por cada caixa (12 cartões de 30 ovos cada), enquanto o cartão custa Kz 3.500, contra 2.500 kwanzas vendido em Janeiro e Fevereiro.

Embora a produção de ovos em Angola tenha aumentado significativamente, passando de 400 mil por dia, em 2012, para mais de 1,7 mil em 2019, actualmente o preço de cada ovo varia entre 125 a 150 kwanzas, nas cantinas e mercados (formais e informais), contra Kz 100 comercializado nos últimos três meses.

Na cadeia dos frescos, a caixa de peixe carapau de 30 kg está a ser comercializada a 35.500 kwanzas, o cachucho de 15 kg custa 17.100 e a pescada (peixe banana) de 10 kg tem o custo de 13.300, no mercado do Zango 1.

O preço da caixa de coxa de frango varia entre 9.300 a 13.800 kwanzas.

Outro alimento também muito concorrido nos mercados é o pescoço de porco, que está a ser vendido entre Kz 8.800 a 12.700 por cada caixa, enquanto a espinha/espinhaço de porco varia de 9.700 a 11.000 kwanzas.

A caixa de salsicha que custava 9.900 kwanzas, actualmente tem o custo de Kz 10.900. 

Apesar de Angola ter potencial para produção de produtos agrícolas em grande escala, com realce para as hortícolas/legumes, o aumento dos preços, nem mesmo com esse factor, está a poupar este segmento de alimentos.

Essa realidade é constatada no mercado do Km30, em Viana, um dos maiores espaço comercial a céu aberto de Luanda, onde o balde de tomate de 10 kg, por exemplo, custa 2.500 kwanzas, enquanto 10 kg de cebola tem o custo de Kz 2.200.

O balde de batata rena ronda entre 2.500 a 3.000 kwanzas e a caixa de cenoura custa Kz 13.500.

Nos últimos quatro anos, o Governo angolano tem implementado programas que estimulam a produção interna, a redução das importações e o incentivo às exportações. É o caso da medida mais recente que visa a importação de produtos da cesta básica a granel, para serem embalados no país e, consequentemente, estimular o crescimento da indústria nacional de empacotamento/enchimento até 2024.

Antecedem essa medida, o Programa de Apoio à Produção, Diversificação da Exportações e Substituição de Importações (Prodesi), o Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e o Agro-Prodesi, Programa voltado ao apoio do agronegócio.