ZEE relança parque industrial

  • Área fabril da Zona Economica  Especial
Luanda – Angola tem marcado passos, nos últimos cinco anos, particularmente na província de Luanda, para o aumento efectivo da sua capacidade interna de produção e montagem de bens industriais, desde electrodomésticos a mercadorias ligeiras, cuja disponibilização ao público se prevê iniciar brevemente.

Por Nelson Sita

Com a criação, em 2009, da Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE), no município de Viana, o sector industrial tende a ganhar um  impulso, deixando entre os consumidores um misto de alívio e expectativa em relação ao aumento da oferta e a qualidade dos produtos. 

Só nos últimos dois anos, por exemplo, aumentou, sobretudo na capital do país, a diversidade de produtos fabricados em unidades industriais, por técnicos angolanos.

São, em concreto, milhares de produtos que estão prestes a "inundar" o mercado nacional, como fogões, televisores, tablets, telefones celulares e automóveis,  produzidos no quadro do programa de diversificação económica e de melhoria do ambiente de negócios.

Trata-se, essencialmente, de bens fabricados num cenário de recessão, por causa da crise petrolífera e do impacto negativo da pandemia da Covid-19, com a finalidade de aumentar a diversidade e a concorrência do mercado.



De acordo com especialistas, o surgimento do parque industrial da ZEE abre novas perspectivas para a economia de Angola, que já teve, na década de 70, centenas de fábricas e indústrias a funcionar em diferentes áreas, como a da produção de café e algodão, com potencial para alimentar o mercado africano, europeu e sul-americano.

Só para ter uma ideia, Angola dispunha, até ao ano de 1962, de duas mil e 57 indústrias registadas, segundo dados de um estudo de Cristina Udelsmann Rodrigues, antropóloga social e doutorada em Estudos Africanos Interdisciplinares, e investigadora do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa. 

A pesquisa da especialista, intitulada "Empresariados angolanos no pós-guerra: Modelos herdados, exigências do capitalismo e estratégias dos trabalhadores", refere que, entre 1962 e 1973, a produção industrial angolana tinha crescido cerca de 15 por cento ao ano.

Cristina Rodrigues refere, na sua investigação, que, em 1973, a produção industrial do país se encontrava ligada à indústria ligeira, concentrando-se no ramo da alimentação (27,4 por cento), das bebidas (11,3 por cento), dos têxteis (12,4 por cento), da indústria química (11,7 por cento) e no sector metalo-mecânico (6,4 por cento). 

Segundo a mesma especialista, em face do dinamismo da economia, por altura da independência nacional, em 1975, a indústria transformadora angolana era constituída por três mil e 846 empresas, integrando cerca de 200 mil trabalhadores.

Entretanto, dez anos depois da independência, o número de unidades industriais registadas decresceu de cerca de quatro mil para 280, o que, em muitos casos, resultou da fusão de certas Unidades Económicas Estatais (UEEs). 



Na sua pesquisa, Cristina Rodrigues lembra que, "devido à falta de investimentos adequados e a políticas e práticas de gestão menos correctas, iniciou-se, entre 1989 e 1990, o Programa de Redimensionamento do Sector Empresarial do Estado (SEE), interrompido depois da guerra pós-eleitoral de 1992".

Com o agudizar do conflito militar e a mudança de sistema económico, de economia centralizada para economia de mercado, grande parte do parque industrial do país perdeu-se, deixando os angolanos totalmente dependentes de produtos importados, muitos deles feitos com matéria-prima saída do próprio país e revendida depois de transformada.

Nova era

Para tentar buscar um recomeço em força, o Executivo angolano avançou para a criação da Zona Económica Especial Luanda-Bengo, esta que já criou mais de cinco mil postos de trabalhos directos, em particularmente para muitos jovens.

A abertura desse estratégico "parque industrial" tem ajudado a reduzir o impacto negativo da crise petrolífera que Angola vive acentuadamente desde 2014 e da pandemia da Covid-19 no mercado de produção e montagem de produtos locais. 

A ZEE foi criada em 2009, com a missão específica de atrair investimentos nacionais e estrangeiros, bem como incentivar o desenvolvimento e a diversificação da economia, por via do aumento da produção. 

Desde a sua criação, conta hoje com fábricas de montagem de automóveis, material de construção civil, plástico, pivôs de irrigação agrícola e cabos de fibra óptica, entre outros empreendimentos.

Em concreto, a indústria transformadora detém o maior número de unidades fabris e criou o maior número de postos de trabalho na ZEE, correspondendo a 60 por cento do total de unidades instaladas no espaço. Surgem, depois, o comércio e a logística, com 30 por cento, e os serviços, com 10 por cento.



Uma destas fábricas é a Palmentar, vocacionada para a feitura de sabonete, que tem uma capacidade de produção anual de mais de 33 mil toneladas, segundo o seu director de vendas, Abhimanyu Nathawat.

Para colocar produtos no mercado, a empresa conta com 100 funcionários, na sua maioria angolanos. 

Já a indústria de fogões “Tur-Erei”, conduzida por sócios de nacionalidades Turcas e Eritreia, tem potencial para produzir 425 unidades/dia, contando, para o efeito, com 49 trabalhadores.

De acordo com Varinia dos Santos, secretária do director geral desta unidade fabril, é pretensão dos sócios expandir o produto para todo o país, o que exige admitir mais funcionários, preferencialmente angolanos. 

Ainda na ZEE, funciona uma unidade industrial denominada “Yunaite Still”, de investidores angolanos, que produz chapas de zinco, caneladas, tubos, varões, entre outros materiais de construção civil. 

Segundo a responsável da instituição para as áreas de importação e exportação, Telma Constantino, diariamente são produzidos 600 mil toneladas, também já comercializadas em outras províncias do país.

 “Neste momento, a produção é feita com os préstimos de 50 funcionários. Posteriormente, vai subir para 100", adiantou.

Desde Outubro de 2020, está instalada uma fábrica de telefones móveis, denominada “Afrione”, de origem indiana e dos Emirados Árabes Unidos, cujos produtos são aguardados por milhares de consumidores em Angola.

Segundo a assistente administrativa executiva da instituição, Gladys Sapilinha, pretende-se, com a mesma,  lançar no mercado angolano aparelhos telefónicos e tablets feitos no país, para se reduzir gradualmente a importação desses meios. 

A responsável avança que produzem diariamente 100 telemóveis, número que se prevê aumentar depois do controlo definitivo da pandemia da Covid-19 no país.



Ainda na ZEE, a empresa “Nice Fouth”, de origem chinesa e com mão-de-obra de 80 funcionários, na sua maioria nacionais, dedica-se à produção de mais de mil toneladas de pacotes de detergente/dia.

Conforme o seu director-geral, Zhuo Ziquan, numa primeira fase, foi efectuado um investimento de 14 milhões de dólares americanos, mas a meta é acrescentar mais cinco milhões. 

“Brevemente, serão admitidos 300 novos funcionários. A maioria será colocada na área administrativa”, anunciou.

Por sua vez, a fábrica de colchões Ninhoflex, de origem angolana, tinha uma produção inicial mensal de sete mil e 700 unidades, mas, por falta de acessórios, desceu para quatro mil e 500 unidades. 

O seu coordenador de produção, João Cassule, disse contarem com o apoio de 56 funcionários nacionais, sublinhando que a produção recai para colchões de molas, ortopédicos, além de almofadas. 

Automóveis e contadores eléctricos  

Enquanto isso, os investidores das indústrias produtora de contadores de energia e água “Hengye” e da fábrica de tractores “Kaheel Agricultura Angola” garantem, para breve, a criação de mais de 500 postos de trabalho directo, quando se implementar na totalidade nas instalações da ZEE.

Falando à ANGOP, o gestor de projectos da empresa Hengye (instituição angolana), Wilson Ventura, disse que o fabrico de contadores de energia e água, a ser desenvolvido na ZEE, está orçado em mais de 20 milhões de dólares e entra em funcionamento no segundo semestre deste ano. 

Numa primeira fase, a empresa vai admitir 350 pessoas e, posteriormente, outras 500, sendo 95 por cento da mão-de-obra nacional e cinco expatriados. 

O responsável anunciou que serão produzidos, anualmente, 319 mil contadores do sistema pré-pago monofásicos e 19 mil trifásicos, para o sector eléctrico, bem como 200 mil, para o controlo do consumo da água potável. 

Indicou que o plano de actuação consiste em trabalhar directamente com a Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE) e a Empresa Provincial de Águas de Luanda (EPAL), para a satisfação das necessidades de consumo da população. 

Já Horácio Gentil, director comercial da Kaheel Agricultura/Angola, empresa dos Emiratos Árabes Unidos, realçou que o seu propósito é tornar-se fornecedora integral do país, no ramo da agricultura, tendo adiantado que o passo a seguir consiste na construção de uma fábrica de fertilizantes. Admitiu, a propósito, a hipótese de contratar mais funcionários. 

Quanto à montagem de tractores, a fábrica tem capacidade instalada para 10 máquinas/dia e anualmente três mil, trabalho que está a ser feito com o apoio de 50 trabalhadores. Brevemente, prevê-se  subir para 100, sendo na sua maioria nacionais. 

Trabalhadores exaltam investimentos



Sobre a importância da ZEE, a assistente de recursos humanos Massinda Celestina, na sua instituição há um ano, disse que o emprego lhe permite ajudar a sustentar a família, bem como prosseguir com os seus estudos. 

Encorajou os demais jovens que ainda não conseguiram emprego a optarem pela formação técnico-profissional, para lhes facilitar a encontrar um posto de trabalho. 

Já Catarina Domingos, operadora de máquina da fábrica de colchões, afirmou ser o primeiro emprego e que aprendeu a costurar a partir de uma formação que decorreu sobre essa indústria.

O supervisor da empresa Kaheel Agricultura Angola, Onésimo Pinguissa, e o técnico de manutenção da indústria metalúrgica Yumaite Still, Rafael Pires, enaltecem a iniciativa do Executivo de criar a ZEE, já que, no seu entendimento, a instituição alavanca a economia nacional e garante a criação de mais empregos.

Silva Panzo, funcionário da empresa “Afrione”, especializado montagem de telefones, afirmou que exerce esse trabalho de forma exemplar e apelou às várias indústrias que operam na ZEE para que, num período breve, possam criar mais oportunidades no recrutamento de novos empregados.

Mais desenvolvimento



No quadro desta reportagem, o presidente do Conselho de Administração da ZEE e da AIPEX, António Henriques da Silva, garantiu que o sector empresarial está a acompanhar o desenvolvimento da produção nacional, de modo a ocupar um espaço maior no mercado do país. 

Indicou que grande parte do investimento, registado entre 2018 e 2020, foi em projectos de âmbito local, com resultados de investimentos nesse período avaliados em três mil milhões e 492 dólares, valor dividido por um conjunto de projectos diversos. 

Em 2018, foram concretizados 71 projectos, em 2019, os investimentos subiram para 168 e, em 2020, o total foi de 102 projectos, segundo a mesma fonte.

O gestor disse que o ano de 2020 foi diferente, devido à Covid-19, mas demonstrou que, ao longo de 2021, poderá haver recuperação efectiva na agricultura, com investidores privados (estrangeira e nacionais). 

A Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE)



A Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE) é um espaço fisicamente demarcado, dotado de benefícios fiscais e vantagens competitivas, que conta com infra-estruturas adequadas à instalação de empresas, nacionais ou estrangeiras, capazes de fomentar a produção interna e a geração de empregos.

A ZEE Luanda/Bengo caracteriza-se por ter uma gestão integrada e desenvolvimento faseado, tem como objecto social promover a oferta das mais amplas e melhores infra-estruturas, equipamentos, produtos e serviços personalizados aos seus utentes.

Tem como foco desenvolver e gerir espaços infra-estruturados, flexíveis, com vantagens competitivas e segurança, promover a produção interna, com qualidade, em substituição das importações, gerar emprego qualificado, com vista a redução da pobreza e elevação dos níveis de produtividade nacionais.

Com uma área de 8.500 hectares, o espaço estende-se pelos municípios de Viana, Cacuaco e Icolo-e-Bengo, na província de Luanda, e Dande, Ambriz e Nambuangongo, na província do Bengo, sendo uma alavanca para o desenvolvimento destas duas regiões.

Propriedade do Estado, está voltada para o mercado interno e comércio franco, compreendendo vinte e uma reservas flexíveis, sendo sete industriais, seis agrícolas e oito mineiras.

As mesmas estão distribuídas pelos municípios de Viana (oito mil hectares), Cacuaco  (vinte mil hectares) e Icolo- e-Bengo (trinta mil hectares), na província de Luanda, bem como nos municípios do Dande e Ambriz (total de cento e vinte mil hectares), na província do Bengo.

A 11 de Maio último, estas reservas foram desanexadas, passando para a gestão do Governo de Luanda, onde poderão ser melhor utilizadas e geridas, sendo que ZEE ficará apenas concentrada no pólo de Viana.

Passam para a gestão do GPL as reservas industriais de Cacuaco, Uala, Sequele, Bom Jesus, Gangazuze, e as mineiras da baixa do Lô, Catete, Calomboloca, Quincala, Quiminha, Quicabo , Calumbo e Lemba.

As reservas agrícolas da Quiminha, Bengo, Rio Loge, Barra do Dande e Bom Jesus passaram, igualmente, para a gestão do Governo de Luanda.

 

 

Por Nelson Sita

Com a criação, em 2009, da Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE), no município de Viana, o sector industrial tende a ganhar um  impulso, deixando entre os consumidores um misto de alívio e expectativa em relação ao aumento da oferta e a qualidade dos produtos. 

Só nos últimos dois anos, por exemplo, aumentou, sobretudo na capital do país, a diversidade de produtos fabricados em unidades industriais, por técnicos angolanos.

São, em concreto, milhares de produtos que estão prestes a "inundar" o mercado nacional, como fogões, televisores, tablets, telefones celulares e automóveis,  produzidos no quadro do programa de diversificação económica e de melhoria do ambiente de negócios.

Trata-se, essencialmente, de bens fabricados num cenário de recessão, por causa da crise petrolífera e do impacto negativo da pandemia da Covid-19, com a finalidade de aumentar a diversidade e a concorrência do mercado.



De acordo com especialistas, o surgimento do parque industrial da ZEE abre novas perspectivas para a economia de Angola, que já teve, na década de 70, centenas de fábricas e indústrias a funcionar em diferentes áreas, como a da produção de café e algodão, com potencial para alimentar o mercado africano, europeu e sul-americano.

Só para ter uma ideia, Angola dispunha, até ao ano de 1962, de duas mil e 57 indústrias registadas, segundo dados de um estudo de Cristina Udelsmann Rodrigues, antropóloga social e doutorada em Estudos Africanos Interdisciplinares, e investigadora do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa. 

A pesquisa da especialista, intitulada "Empresariados angolanos no pós-guerra: Modelos herdados, exigências do capitalismo e estratégias dos trabalhadores", refere que, entre 1962 e 1973, a produção industrial angolana tinha crescido cerca de 15 por cento ao ano.

Cristina Rodrigues refere, na sua investigação, que, em 1973, a produção industrial do país se encontrava ligada à indústria ligeira, concentrando-se no ramo da alimentação (27,4 por cento), das bebidas (11,3 por cento), dos têxteis (12,4 por cento), da indústria química (11,7 por cento) e no sector metalo-mecânico (6,4 por cento). 

Segundo a mesma especialista, em face do dinamismo da economia, por altura da independência nacional, em 1975, a indústria transformadora angolana era constituída por três mil e 846 empresas, integrando cerca de 200 mil trabalhadores.

Entretanto, dez anos depois da independência, o número de unidades industriais registadas decresceu de cerca de quatro mil para 280, o que, em muitos casos, resultou da fusão de certas Unidades Económicas Estatais (UEEs). 



Na sua pesquisa, Cristina Rodrigues lembra que, "devido à falta de investimentos adequados e a políticas e práticas de gestão menos correctas, iniciou-se, entre 1989 e 1990, o Programa de Redimensionamento do Sector Empresarial do Estado (SEE), interrompido depois da guerra pós-eleitoral de 1992".

Com o agudizar do conflito militar e a mudança de sistema económico, de economia centralizada para economia de mercado, grande parte do parque industrial do país perdeu-se, deixando os angolanos totalmente dependentes de produtos importados, muitos deles feitos com matéria-prima saída do próprio país e revendida depois de transformada.

Nova era

Para tentar buscar um recomeço em força, o Executivo angolano avançou para a criação da Zona Económica Especial Luanda-Bengo, esta que já criou mais de cinco mil postos de trabalhos directos, em particularmente para muitos jovens.

A abertura desse estratégico "parque industrial" tem ajudado a reduzir o impacto negativo da crise petrolífera que Angola vive acentuadamente desde 2014 e da pandemia da Covid-19 no mercado de produção e montagem de produtos locais. 

A ZEE foi criada em 2009, com a missão específica de atrair investimentos nacionais e estrangeiros, bem como incentivar o desenvolvimento e a diversificação da economia, por via do aumento da produção. 

Desde a sua criação, conta hoje com fábricas de montagem de automóveis, material de construção civil, plástico, pivôs de irrigação agrícola e cabos de fibra óptica, entre outros empreendimentos.

Em concreto, a indústria transformadora detém o maior número de unidades fabris e criou o maior número de postos de trabalho na ZEE, correspondendo a 60 por cento do total de unidades instaladas no espaço. Surgem, depois, o comércio e a logística, com 30 por cento, e os serviços, com 10 por cento.



Uma destas fábricas é a Palmentar, vocacionada para a feitura de sabonete, que tem uma capacidade de produção anual de mais de 33 mil toneladas, segundo o seu director de vendas, Abhimanyu Nathawat.

Para colocar produtos no mercado, a empresa conta com 100 funcionários, na sua maioria angolanos. 

Já a indústria de fogões “Tur-Erei”, conduzida por sócios de nacionalidades Turcas e Eritreia, tem potencial para produzir 425 unidades/dia, contando, para o efeito, com 49 trabalhadores.

De acordo com Varinia dos Santos, secretária do director geral desta unidade fabril, é pretensão dos sócios expandir o produto para todo o país, o que exige admitir mais funcionários, preferencialmente angolanos. 

Ainda na ZEE, funciona uma unidade industrial denominada “Yunaite Still”, de investidores angolanos, que produz chapas de zinco, caneladas, tubos, varões, entre outros materiais de construção civil. 

Segundo a responsável da instituição para as áreas de importação e exportação, Telma Constantino, diariamente são produzidos 600 mil toneladas, também já comercializadas em outras províncias do país.

 “Neste momento, a produção é feita com os préstimos de 50 funcionários. Posteriormente, vai subir para 100", adiantou.

Desde Outubro de 2020, está instalada uma fábrica de telefones móveis, denominada “Afrione”, de origem indiana e dos Emirados Árabes Unidos, cujos produtos são aguardados por milhares de consumidores em Angola.

Segundo a assistente administrativa executiva da instituição, Gladys Sapilinha, pretende-se, com a mesma,  lançar no mercado angolano aparelhos telefónicos e tablets feitos no país, para se reduzir gradualmente a importação desses meios. 

A responsável avança que produzem diariamente 100 telemóveis, número que se prevê aumentar depois do controlo definitivo da pandemia da Covid-19 no país.



Ainda na ZEE, a empresa “Nice Fouth”, de origem chinesa e com mão-de-obra de 80 funcionários, na sua maioria nacionais, dedica-se à produção de mais de mil toneladas de pacotes de detergente/dia.

Conforme o seu director-geral, Zhuo Ziquan, numa primeira fase, foi efectuado um investimento de 14 milhões de dólares americanos, mas a meta é acrescentar mais cinco milhões. 

“Brevemente, serão admitidos 300 novos funcionários. A maioria será colocada na área administrativa”, anunciou.

Por sua vez, a fábrica de colchões Ninhoflex, de origem angolana, tinha uma produção inicial mensal de sete mil e 700 unidades, mas, por falta de acessórios, desceu para quatro mil e 500 unidades. 

O seu coordenador de produção, João Cassule, disse contarem com o apoio de 56 funcionários nacionais, sublinhando que a produção recai para colchões de molas, ortopédicos, além de almofadas. 

Automóveis e contadores eléctricos  

Enquanto isso, os investidores das indústrias produtora de contadores de energia e água “Hengye” e da fábrica de tractores “Kaheel Agricultura Angola” garantem, para breve, a criação de mais de 500 postos de trabalho directo, quando se implementar na totalidade nas instalações da ZEE.

Falando à ANGOP, o gestor de projectos da empresa Hengye (instituição angolana), Wilson Ventura, disse que o fabrico de contadores de energia e água, a ser desenvolvido na ZEE, está orçado em mais de 20 milhões de dólares e entra em funcionamento no segundo semestre deste ano. 

Numa primeira fase, a empresa vai admitir 350 pessoas e, posteriormente, outras 500, sendo 95 por cento da mão-de-obra nacional e cinco expatriados. 

O responsável anunciou que serão produzidos, anualmente, 319 mil contadores do sistema pré-pago monofásicos e 19 mil trifásicos, para o sector eléctrico, bem como 200 mil, para o controlo do consumo da água potável. 

Indicou que o plano de actuação consiste em trabalhar directamente com a Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE) e a Empresa Provincial de Águas de Luanda (EPAL), para a satisfação das necessidades de consumo da população. 

Já Horácio Gentil, director comercial da Kaheel Agricultura/Angola, empresa dos Emiratos Árabes Unidos, realçou que o seu propósito é tornar-se fornecedora integral do país, no ramo da agricultura, tendo adiantado que o passo a seguir consiste na construção de uma fábrica de fertilizantes. Admitiu, a propósito, a hipótese de contratar mais funcionários. 

Quanto à montagem de tractores, a fábrica tem capacidade instalada para 10 máquinas/dia e anualmente três mil, trabalho que está a ser feito com o apoio de 50 trabalhadores. Brevemente, prevê-se  subir para 100, sendo na sua maioria nacionais. 

Trabalhadores exaltam investimentos



Sobre a importância da ZEE, a assistente de recursos humanos Massinda Celestina, na sua instituição há um ano, disse que o emprego lhe permite ajudar a sustentar a família, bem como prosseguir com os seus estudos. 

Encorajou os demais jovens que ainda não conseguiram emprego a optarem pela formação técnico-profissional, para lhes facilitar a encontrar um posto de trabalho. 

Já Catarina Domingos, operadora de máquina da fábrica de colchões, afirmou ser o primeiro emprego e que aprendeu a costurar a partir de uma formação que decorreu sobre essa indústria.

O supervisor da empresa Kaheel Agricultura Angola, Onésimo Pinguissa, e o técnico de manutenção da indústria metalúrgica Yumaite Still, Rafael Pires, enaltecem a iniciativa do Executivo de criar a ZEE, já que, no seu entendimento, a instituição alavanca a economia nacional e garante a criação de mais empregos.

Silva Panzo, funcionário da empresa “Afrione”, especializado montagem de telefones, afirmou que exerce esse trabalho de forma exemplar e apelou às várias indústrias que operam na ZEE para que, num período breve, possam criar mais oportunidades no recrutamento de novos empregados.

Mais desenvolvimento



No quadro desta reportagem, o presidente do Conselho de Administração da ZEE e da AIPEX, António Henriques da Silva, garantiu que o sector empresarial está a acompanhar o desenvolvimento da produção nacional, de modo a ocupar um espaço maior no mercado do país. 

Indicou que grande parte do investimento, registado entre 2018 e 2020, foi em projectos de âmbito local, com resultados de investimentos nesse período avaliados em três mil milhões e 492 dólares, valor dividido por um conjunto de projectos diversos. 

Em 2018, foram concretizados 71 projectos, em 2019, os investimentos subiram para 168 e, em 2020, o total foi de 102 projectos, segundo a mesma fonte.

O gestor disse que o ano de 2020 foi diferente, devido à Covid-19, mas demonstrou que, ao longo de 2021, poderá haver recuperação efectiva na agricultura, com investidores privados (estrangeira e nacionais). 

A Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE)



A Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE) é um espaço fisicamente demarcado, dotado de benefícios fiscais e vantagens competitivas, que conta com infra-estruturas adequadas à instalação de empresas, nacionais ou estrangeiras, capazes de fomentar a produção interna e a geração de empregos.

A ZEE Luanda/Bengo caracteriza-se por ter uma gestão integrada e desenvolvimento faseado, tem como objecto social promover a oferta das mais amplas e melhores infra-estruturas, equipamentos, produtos e serviços personalizados aos seus utentes.

Tem como foco desenvolver e gerir espaços infra-estruturados, flexíveis, com vantagens competitivas e segurança, promover a produção interna, com qualidade, em substituição das importações, gerar emprego qualificado, com vista a redução da pobreza e elevação dos níveis de produtividade nacionais.

Com uma área de 8.500 hectares, o espaço estende-se pelos municípios de Viana, Cacuaco e Icolo-e-Bengo, na província de Luanda, e Dande, Ambriz e Nambuangongo, na província do Bengo, sendo uma alavanca para o desenvolvimento destas duas regiões.

Propriedade do Estado, está voltada para o mercado interno e comércio franco, compreendendo vinte e uma reservas flexíveis, sendo sete industriais, seis agrícolas e oito mineiras.

As mesmas estão distribuídas pelos municípios de Viana (oito mil hectares), Cacuaco  (vinte mil hectares) e Icolo- e-Bengo (trinta mil hectares), na província de Luanda, bem como nos municípios do Dande e Ambriz (total de cento e vinte mil hectares), na província do Bengo.

A 11 de Maio último, estas reservas foram desanexadas, passando para a gestão do Governo de Luanda, onde poderão ser melhor utilizadas e geridas, sendo que ZEE ficará apenas concentrada no pólo de Viana.

Passam para a gestão do GPL as reservas industriais de Cacuaco, Uala, Sequele, Bom Jesus, Gangazuze, e as mineiras da baixa do Lô, Catete, Calomboloca, Quincala, Quiminha, Quicabo , Calumbo e Lemba.

As reservas agrícolas da Quiminha, Bengo, Rio Loge, Barra do Dande e Bom Jesus passaram, igualmente, para a gestão do Governo de Luanda.