Lunda Norte aposta na produção de energia limpa

  • Obras da Barragem Hidroelétrica do Luachimo  Província da Lunda Norte
Dundo - A província da Lunda Norte que hoje, 4 de Julho, celebra 43 anos da sua criação, prepara-se para consolidar a sua aposta na produção de energia limpa, com a conclusão, em breve, da barragem do Luachimo.

Por Hélder Dias

O aproveitamento do potencial hídrico de Angola constitui uma possibilidade promissora para a produção de energia limpa e a redução dos custos com os combustíveis fósseis, uma vez que grande parte das províncias, incluindo a Lunda Norte, ainda tem nas centrais térmicas as principais fontes de fornecimento de energia eléctrica.

A busca por alternativas energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente, através da construção, ampliação e reabilitação de barragens é, sem sombras de dúvidas, um factor que poderá ajudar Angola a concretizar o desafio da transição energética, passando de fontes térmicas para hídricas, isto é, produzindo energia limpa.

Os objectivos globais da estratégia de longo prazo, Angola 2025, de promover o desenvolvimento humano e o bem-estar dos angolanos, bem como garantir um ritmo elevado de desenvolvimento económico, só serão possíveis com uma resposta adequada do sector eléctrico.

Por isso, o forte crescimento do consumo de energia tem resultado numa actuação enfocada do Executivo angolano, em resolver os problemas de curto e médio prazos, cuja acção no período 2017/2022 assume-se como prioritária.

É assim que o Executivo angolano, apesar da crise económica e financeira que se regista desde 2014, devido a baixa do preço do petróleo, o seu primeiro produto de exportação, e agravada pela epidemia da Covid-19, tem estado a fazer um investimento considerável neste sector, buscando uma transição para um futuro de energia sustentável, através do Programa de Expansão do Acesso à Energia Eléctrica 2018/2022.

Em 2022, Angola pretende atingir, no mínimo, a potência de 5,4 gigawatts, elevando a taxa de electrificação de 36% para 50% e duplicar o número de clientes e/ou consumidores, alcançando os 2,6 milhões, o que fará com que 106 sedes municipais estejam servidas por sistema eléctrico público.

O Executivo pretende atingir estas metas mobilizando o investimento privado, quer para médias e grandes hidroeléctricas, quer para novas centrais térmicas a gás (como Soyo 2 e Malembo 2), aumentar a potência instalada em energias novas e renováveis (solar, eólica, biomassa e mini-hídricas), com vista a substituição de combustíveis fósseis.

Com recurso à linhas de financiamento externas, com destaque para a linha de crédito da China, o Governo angolano tem estado a financiar importantes projectos de infra-estruturas de produção e distribuição de energia eléctrica em todo o País, entre os quais a barragem do Luachimo.

Esse projecto é uma das poucas obras estruturantes que em nenhum momento registou paragem e que o Executivo angolano quer ver concluídas em breve, tendo em conta a sua importância estratégica na materialização da industrialização da província da Lunda Norte, conhecida como o berço da exploração diamantífera em Angola.

Avaliadas em mais de 212 milhões USD, por via de uma linha de crédito da China, as obras em curso desde 2018 na barragem do Luachimo, vão elevar de 8,4 para 34 megawatts (MW) a capacidade energética fornecida pela infraestrutura, tornando a província da Lunda Norte a mais iluminada da região leste de Angola, com a sua entrada em funcionamento, prevista para este ano.

As execuções financeira e física do projecto rondam os 58 e 70 por cento, respectivamente, estando, actualmente em fase de conclusão a instalação da rede de distribuição de água, colocação das comportas, reparação do descarregador do fundo e de superfície, betonagem da drenagem, bem como o enroscamento argamassado no canal e na câmara de cargas.

A entrada em funcionamento desse projecto energético, que contará com uma central composta por quatro grupos geradores de 8.5 megawatts cada, num total de 34, vai permitir a expansão de energia em benefício de 186 mil residentes na cidade do Dundo e nos municípios de Cambulo e Lucapa, incluindo as localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo e Calonda.

Estão igualmente concluídas, segundo apurou a ANGOP, as obras da central de 25 metros de largura, 20 de comprimento e quatro de profundidade, onde estarão instaladas quatro turbinas de energia eléctrica com capacidade de gerar 8,5 megawatts.

O canal de água desta barragem, um dos principais ganhos da província da Lunda Norte, foi ampliada de 100 metros cúbicos para 240, sendo que outras infra-estruturas de apoio à central devem surgir, como novas estações e linhas de transporte de alta tensão com mais de 300 quilómetros, para transportar corrente eléctrica nas localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo, Nzagi e Calonda.

A empreitada está a ser assegurada por 300 trabalhadores, entre fiscais, empreiteiros e fornecedores de equipamento, angolanos e expatriados.

A barragem construída em 1957 pela então Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), vai ser transformada numa infraestrutura moderna e tecnologicamente adequada aos padrões internacionais.

Características da barragem do Luachimo

A barragem terá um edifício de 300 metros de comprimento e 18,6 de altura, uma albufeira com um volume de 2.500 metros cúbicos e uma estrutura de betão compactado a cilindro.

Possui um descarregador de fundo, um canal de adução de água para a central principal, uma câmara de cargas, descarregador de superfície e uma tomada para central ecológica.

O canal possui o comprimento total de aproximadamente 649 metros e a central uma área de 2.280 metros quadrados.

A central principal, que receberá água a partir de uma queda útil de 16 metros de altura, possui quatro grupos geradores, com 8.5 megawatts cada, quatro turbinas do tipo Klapn S 230 Rpm com 96 toneladas de peso total.

O sector energético na Lunda Norte

Actualmente, 17 mil e 950 clientes, dos quais 13.250 no sistema pós-pago e 4.700 pré-pago, beneficiam de energia eléctrica da rede pública no município de Chitato, através de uma central térmica com 30 megawatts, enquanto os nove municípios do interior são abastecidos com grupos geradores, o que resulta em benefício para cerca de dez mil famílias.

A Lunda Norte, com quase um milhão de habitantes, resulta da divisão da antiga província da Lunda, a 4 de Julho de 1978. Está localizada no nordeste do país e é constituída pelos municípios de Chitato (capital política e económica), Cambulo, Caungula, Cuilo, Cuango, Capenda Camulemba, Lucapa, Lubalo, Lóvua e Xá-Muteba.

Por Hélder Dias

O aproveitamento do potencial hídrico de Angola constitui uma possibilidade promissora para a produção de energia limpa e a redução dos custos com os combustíveis fósseis, uma vez que grande parte das províncias, incluindo a Lunda Norte, ainda tem nas centrais térmicas as principais fontes de fornecimento de energia eléctrica.

A busca por alternativas energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente, através da construção, ampliação e reabilitação de barragens é, sem sombras de dúvidas, um factor que poderá ajudar Angola a concretizar o desafio da transição energética, passando de fontes térmicas para hídricas, isto é, produzindo energia limpa.

Os objectivos globais da estratégia de longo prazo, Angola 2025, de promover o desenvolvimento humano e o bem-estar dos angolanos, bem como garantir um ritmo elevado de desenvolvimento económico, só serão possíveis com uma resposta adequada do sector eléctrico.

Por isso, o forte crescimento do consumo de energia tem resultado numa actuação enfocada do Executivo angolano, em resolver os problemas de curto e médio prazos, cuja acção no período 2017/2022 assume-se como prioritária.

É assim que o Executivo angolano, apesar da crise económica e financeira que se regista desde 2014, devido a baixa do preço do petróleo, o seu primeiro produto de exportação, e agravada pela epidemia da Covid-19, tem estado a fazer um investimento considerável neste sector, buscando uma transição para um futuro de energia sustentável, através do Programa de Expansão do Acesso à Energia Eléctrica 2018/2022.

Em 2022, Angola pretende atingir, no mínimo, a potência de 5,4 gigawatts, elevando a taxa de electrificação de 36% para 50% e duplicar o número de clientes e/ou consumidores, alcançando os 2,6 milhões, o que fará com que 106 sedes municipais estejam servidas por sistema eléctrico público.

O Executivo pretende atingir estas metas mobilizando o investimento privado, quer para médias e grandes hidroeléctricas, quer para novas centrais térmicas a gás (como Soyo 2 e Malembo 2), aumentar a potência instalada em energias novas e renováveis (solar, eólica, biomassa e mini-hídricas), com vista a substituição de combustíveis fósseis.

Com recurso à linhas de financiamento externas, com destaque para a linha de crédito da China, o Governo angolano tem estado a financiar importantes projectos de infra-estruturas de produção e distribuição de energia eléctrica em todo o País, entre os quais a barragem do Luachimo.

Esse projecto é uma das poucas obras estruturantes que em nenhum momento registou paragem e que o Executivo angolano quer ver concluídas em breve, tendo em conta a sua importância estratégica na materialização da industrialização da província da Lunda Norte, conhecida como o berço da exploração diamantífera em Angola.

Avaliadas em mais de 212 milhões USD, por via de uma linha de crédito da China, as obras em curso desde 2018 na barragem do Luachimo, vão elevar de 8,4 para 34 megawatts (MW) a capacidade energética fornecida pela infraestrutura, tornando a província da Lunda Norte a mais iluminada da região leste de Angola, com a sua entrada em funcionamento, prevista para este ano.

As execuções financeira e física do projecto rondam os 58 e 70 por cento, respectivamente, estando, actualmente em fase de conclusão a instalação da rede de distribuição de água, colocação das comportas, reparação do descarregador do fundo e de superfície, betonagem da drenagem, bem como o enroscamento argamassado no canal e na câmara de cargas.

A entrada em funcionamento desse projecto energético, que contará com uma central composta por quatro grupos geradores de 8.5 megawatts cada, num total de 34, vai permitir a expansão de energia em benefício de 186 mil residentes na cidade do Dundo e nos municípios de Cambulo e Lucapa, incluindo as localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo e Calonda.

Estão igualmente concluídas, segundo apurou a ANGOP, as obras da central de 25 metros de largura, 20 de comprimento e quatro de profundidade, onde estarão instaladas quatro turbinas de energia eléctrica com capacidade de gerar 8,5 megawatts.

O canal de água desta barragem, um dos principais ganhos da província da Lunda Norte, foi ampliada de 100 metros cúbicos para 240, sendo que outras infra-estruturas de apoio à central devem surgir, como novas estações e linhas de transporte de alta tensão com mais de 300 quilómetros, para transportar corrente eléctrica nas localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo, Nzagi e Calonda.

A empreitada está a ser assegurada por 300 trabalhadores, entre fiscais, empreiteiros e fornecedores de equipamento, angolanos e expatriados.

A barragem construída em 1957 pela então Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), vai ser transformada numa infraestrutura moderna e tecnologicamente adequada aos padrões internacionais.

Características da barragem do Luachimo

A barragem terá um edifício de 300 metros de comprimento e 18,6 de altura, uma albufeira com um volume de 2.500 metros cúbicos e uma estrutura de betão compactado a cilindro.

Possui um descarregador de fundo, um canal de adução de água para a central principal, uma câmara de cargas, descarregador de superfície e uma tomada para central ecológica.

O canal possui o comprimento total de aproximadamente 649 metros e a central uma área de 2.280 metros quadrados.

A central principal, que receberá água a partir de uma queda útil de 16 metros de altura, possui quatro grupos geradores, com 8.5 megawatts cada, quatro turbinas do tipo Klapn S 230 Rpm com 96 toneladas de peso total.

O sector energético na Lunda Norte

Actualmente, 17 mil e 950 clientes, dos quais 13.250 no sistema pós-pago e 4.700 pré-pago, beneficiam de energia eléctrica da rede pública no município de Chitato, através de uma central térmica com 30 megawatts, enquanto os nove municípios do interior são abastecidos com grupos geradores, o que resulta em benefício para cerca de dez mil famílias.

A Lunda Norte, com quase um milhão de habitantes, resulta da divisão da antiga província da Lunda, a 4 de Julho de 1978. Está localizada no nordeste do país e é constituída pelos municípios de Chitato (capital política e económica), Cambulo, Caungula, Cuilo, Cuango, Capenda Camulemba, Lucapa, Lubalo, Lóvua e Xá-Muteba.