"A Bienal joga um papel fundamental para a cultura de paz" - Sita José

  • Diakumpuna Sita José, coordenador da Bienal de Luanda
Luanda – O coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, Diakumpuna Sita José, afirmou, em Luanda, que Angola continua a ser uma placa giratória de reflexão e desenvolvimento de estratégias para a construção de uma paz duradoura em África.

Por:  Patricia Almeida

Em entrevista recente à ANGOP, a propósito da segunda edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz em África, a decorrer de 27 a 30 de Novembro, destacou que o país tem vasta experiência para transmitir no domínio da gestão de conflitos internos.

Diakumpuna Sita José lembrou que Angola tem sido, nos últimos anos, um verdadeiro palco de concertação de ideias entre líderes africanos e não só, tendo em vista a busca de soluções que possam resolver conflitos em alguns países do "continente berço".

Durante a entrevista, o responsável destacou a importância da Bienal de Luanda para a criação de estratégias concretas para a promoção de paz no continente africano, através de diálogos geracionais, ou seja, entre os Chefes de Estado e a juventude.

Eis a íntegra da entrevista:

ANGOP - Como estão, nesta altura, os preparativos para a realização da 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz em África?

Diakumpuna Sita José (DSJ) – Inicialmente, a segunda edição da Bienal teria de ocorrer nos dias 4 e 8 de Outubro, mas foi adiada por causa de um encontro extraordinário da União Africana que viria a acontecer no dia 5 do mês em referência, onde participaram todos os líderes africanos. Esta situação obrigou-nos a redefinir as datas e ficou decidido que o evento se realize de 27 a 30 de Novembro deste ano.

Nós começamos a preparar a Bienal desde Janeiro deste ano, com a identificação dos temas ou subtemas que deveriam ser explorados para corresponderem com o tema central ditado pela União Africana, que tem a ver com a construção da paz duradoura em África.

ANGOP – Permita-nos esclarecer uma dúvida, a promoção e organização deste evento são de responsabilidade exclusiva do Governo angolano?

DJ - A Bienal não é apenas iniciativa do Executivo angolano, ela envolve também a União Africana e a UNESCO.

ANGOP – Qual é, em concreto, o orçamento da Bienal de Luanda?

DJ - Em termos de orçamento, podemos ser um pouco mais cautelosos, porque o formato mudou, não é tão presencial, quer dizer que temos vantagem para a redução de custos em relação à primeira edição. A primeira edição teve um custo acima de um milhão e 600 mil dólares norte-americanos, sendo que Angola custeou a vinda e estadia de mais de 600 pessoas de 75 países. Quanto à segunda, de Janeiro até à data presente já investimos cerca de 250 milhões de kwanzas, só nesta fase preparatória. Não podemos avançar, agora, o orçamento taxativo, porque há muitas questões que estão a ser reavaliadas.

ANGOP – Falando em questões reavaliadas, o tema para esta edição mantém-se?

DJ – Para esta edição, o tema será: “Artes, Cultura e Património-alavancas para a construção da África que queremos”. O tema foi escolhido propositadamente, tendo em conta o engajamento dos líderes africanos em silenciar as armas até o ano 2030. Como sabe, a Bienal de Luanda joga um papel estruturante e fundamental na construção da Cultura de paz, sendo que Angola passa a sua experiência sobre gestão de conflitos e estratégias de consolidação e manutenção permanente da paz. O tema de referência reporta-se à diversidade cultural como património. A ideia é explorar, em termos de reflexão entre os jovens e os líderes africanos, como é que se perspectiva esta multiplicidade cultural.

Em volta deste tema, dez jovens escolhidos de um grupo de 155, a razão de dois por cada país africano, ao qual se juntarão 150 angolanos, vão participar, presencial e virtualmente, no sentido de trazerem experiências concretas, ou seja, menos discursos, menos pronunciamentos académicos, mais ideias concretas que podem contribuir para a promoção da cultura e construção de uma paz duradoura em África.

Vamos analisar a participação da diáspora nos desafios dos conflitos internos em países africanos e a crise da desigualdade, bem como a vulnerabilidade dos nossos limites fronteiriços com os mares e a sua protecção. A Bienal será marcada pela proclamação da Aliança Global de parceiros para a cultura da paz.

ANGOP - A Bienal é uma importante iniciativa que vai juntar vários líderes africanos, numa altura em que se colocam grandes desafios ao continente, em termos de paz e estabilidade. O que Angola conta defender na Bienal, neste quesito de paz?

DJ – Angola continua a ser uma placa giratória de reflexão e desenvolvimento de estratégias para a construção de uma paz duradoura ao nível em África, porque tem experiência a transmitir na gestão de conflitos internos. Nesta edição, a exemplo da primeira e como tem acontecido nas cimeiras dos líderes africanos, Angola vai partilhar a sua experiência de como conseguiu resolver os seus conflitos e manter a estabilidade política e a paz.

Vamos passar o segredo do sucesso da nossa reconciliação e convivência pacífica, através da interação que o nosso Presidente da República, João Lourenço, terá com os seus homólogos e os demais participantes. Angola vai partilhar a sua visão e interesse que tem em contribuir para o fim de conflitos armados, étnicos e políticos em alguns países do nosso continente, numa perspectiva pan-africana.

ANGOP - Já se pode avançar o número de países e Chefes de Estado e de Governo que tenham confirmado as suas presenças?

DJ – Ainda não podemos confirmar as presenças de países e Chefes de Estado e de Governo, porque temos que reformular os convites com as novas datas, mas posso afirmar que mais de uma dezena de Chefes de Estado já manifestaram o desejo de cá estar. Alguns Chefes de Estado e de Governo vão participar via virtual, ou seja, online. Para além dos líderes africanos, estamos a pensar em ter alguns Chefes de Estado da CPLP e outras individualidades que lutam pela paz no mundo. Haverá mensagens específicas de líderes mundiais, como é o caso do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, entre outras figuras. Temos representações diplomáticas acreditadas em Angola que estão interessadas em participar, como o Brasil, Rússia, Bélgica, Espanha, Portugal, Itália e Quénia. Temos também o exemplo do Níger e da África do Sul que pretendem se fazer presentes. Desta vez pretendemos limitar o número das participações presenciais, sobretudo que vêm do exterior do país, tendo em conta a pandemia da Covid-19.

ANGOP – Haverá alguma inovação este ano?

DJ – Este ano estamos a trabalhar na digitalização do evento, para permitir que os africanos espalhados pelo mundo possam ter acesso via online. Criamos uma plataforma digital que permite que em qualquer parte do Mundo se assista em tempo integral todas as actividades.

Isso será facilitado com a interpretação simultânea em três línguas: Francês, Inglês e Português. Internamente, também achamos que deveríamos alcançar o público do interior, de modo que estamos a criar condições para que as línguas nacionais utilizadas nos meios de difusão massiva sejam faladas no evento.

Durante a realização do evento, vamos beneficiar de um canal de televisão autónomo que chamaremos de Bienal TV. Neste momento decorre um concurso público para a escolha da operadora e a partir de Novembro divulgaremos os resultados. O canal passará a emitir, em directo, todas as actividades inseridas na Bienal, das 9 às 21 horas.

Vamos criar um banco de dados para que, ao longo da existência da Bienal de Luanda, possamos ter informações anteriores e atualizações que forem úteis para o conhecimento dos pesquisadores e investigadores.

ANGOP- A Bienal contempla, ao mesmo tempo, uma componente política e outra cultural. Em termos de programação, quais serão os pontos fortes da agenda do evento?

DJ – Como já me referi anteriormente, para além da intercessão entre os líderes africanos e os jovens, para se encontrarem soluções concretas para a construção da paz duradoura em África, um dos momentos mais altos da actividade será a proclamação da Aliança Global de parceiros para a cultura da paz. Esta aliança vai permitir a integração dos lideres das comunidades económicas regionais que passarão a monitorar todas as actividades e/ou recomendações de cada edição. Os presidentes ou secretários gerais das comunidades económicas regionais passarão a fazer parte do Comité de Pilotagem da Bienal de Luanda, que integra por Angola a ministra de Estado para Área Social, enquanto coordenadora da Comissão Multissectorial do evento, ao nível da União Africana, o comissário para questões Políticas, Paz e Segurança e o diretor-geral adjunto para África e relações exteriores da UNESCO.

ANGOP - Quantos artistas, em princípio, devem dar corpo a essas iniciativas?

DJ – Estamos numa fase de seleção dos artistas e como disse, a partir do dia 4 de Novembro vamos dar informações mais concretas sobre os momentos culturais que marcarão o nosso evento.

ANGOP - Angola já tem definida a sua delegação para representar a cultura nacional?

DJ – Não posso ainda avançar estes dados, porque, como lhe disse anteriormente, tivemos que redefinir toda a nossa programação devido ao adiamento e adequá-lo ao contexto actual, mas prometemos que traremos todas estas informações ao público.

ANGOP – Para terminar, gostaria de acrescentar alguma coisa.

DJ - Queremos apenas apelar aos angolanos no sentido de participarem do evento, porque estamos a criar todas as condições para que até os cidadãos que residem no interior do país possam viver a festa da Bienal, através da plataforma e do canal televisivo. A Bienal é um verdadeiro palco de reflexão sobre os caminhos que a África deve trilhar pata a construção de uma paz verdadeira e duradoura, capaz de proporcionar o desenvolvimento sustentável do continente.

Em entrevista recente à ANGOP, a propósito da segunda edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz em África, a decorrer de 27 a 30 de Novembro, destacou que o país tem vasta experiência para transmitir no domínio da gestão de conflitos internos.

Diakumpuna Sita José lembrou que Angola tem sido, nos últimos anos, um verdadeiro palco de concertação de ideias entre líderes africanos e não só, tendo em vista a busca de soluções que possam resolver conflitos em alguns países do "continente berço".

Durante a entrevista, o responsável destacou a importância da Bienal de Luanda para a criação de estratégias concretas para a promoção de paz no continente africano, através de diálogos geracionais, ou seja, entre os Chefes de Estado e a juventude.

Eis a íntegra da entrevista:

ANGOP - Como estão, nesta altura, os preparativos para a realização da 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz em África?

Diakumpuna Sita José (DSJ) – Inicialmente, a segunda edição da Bienal teria de ocorrer nos dias 4 e 8 de Outubro, mas foi adiada por causa de um encontro extraordinário da União Africana que viria a acontecer no dia 5 do mês em referência, onde participaram todos os líderes africanos. Esta situação obrigou-nos a redefinir as datas e ficou decidido que o evento se realize de 27 a 30 de Novembro deste ano.

Nós começamos a preparar a Bienal desde Janeiro deste ano, com a identificação dos temas ou subtemas que deveriam ser explorados para corresponderem com o tema central ditado pela União Africana, que tem a ver com a construção da paz duradoura em África.

ANGOP – Permita-nos esclarecer uma dúvida, a promoção e organização deste evento são de responsabilidade exclusiva do Governo angolano?

DJ - A Bienal não é apenas iniciativa do Executivo angolano, ela envolve também a União Africana e a UNESCO.

ANGOP – Qual é, em concreto, o orçamento da Bienal de Luanda?

DJ - Em termos de orçamento, podemos ser um pouco mais cautelosos, porque o formato mudou, não é tão presencial, quer dizer que temos vantagem para a redução de custos em relação à primeira edição. A primeira edição teve um custo acima de um milhão e 600 mil dólares norte-americanos, sendo que Angola custeou a vinda e estadia de mais de 600 pessoas de 75 países. Quanto à segunda, de Janeiro até à data presente já investimos cerca de 250 milhões de kwanzas, só nesta fase preparatória. Não podemos avançar, agora, o orçamento taxativo, porque há muitas questões que estão a ser reavaliadas.

ANGOP – Falando em questões reavaliadas, o tema para esta edição mantém-se?

DJ – Para esta edição, o tema será: “Artes, Cultura e Património-alavancas para a construção da África que queremos”. O tema foi escolhido propositadamente, tendo em conta o engajamento dos líderes africanos em silenciar as armas até o ano 2030. Como sabe, a Bienal de Luanda joga um papel estruturante e fundamental na construção da Cultura de paz, sendo que Angola passa a sua experiência sobre gestão de conflitos e estratégias de consolidação e manutenção permanente da paz. O tema de referência reporta-se à diversidade cultural como património. A ideia é explorar, em termos de reflexão entre os jovens e os líderes africanos, como é que se perspectiva esta multiplicidade cultural.

Em volta deste tema, dez jovens escolhidos de um grupo de 155, a razão de dois por cada país africano, ao qual se juntarão 150 angolanos, vão participar, presencial e virtualmente, no sentido de trazerem experiências concretas, ou seja, menos discursos, menos pronunciamentos académicos, mais ideias concretas que podem contribuir para a promoção da cultura e construção de uma paz duradoura em África.

Vamos analisar a participação da diáspora nos desafios dos conflitos internos em países africanos e a crise da desigualdade, bem como a vulnerabilidade dos nossos limites fronteiriços com os mares e a sua protecção. A Bienal será marcada pela proclamação da Aliança Global de parceiros para a cultura da paz.

ANGOP - A Bienal é uma importante iniciativa que vai juntar vários líderes africanos, numa altura em que se colocam grandes desafios ao continente, em termos de paz e estabilidade. O que Angola conta defender na Bienal, neste quesito de paz?

DJ – Angola continua a ser uma placa giratória de reflexão e desenvolvimento de estratégias para a construção de uma paz duradoura ao nível em África, porque tem experiência a transmitir na gestão de conflitos internos. Nesta edição, a exemplo da primeira e como tem acontecido nas cimeiras dos líderes africanos, Angola vai partilhar a sua experiência de como conseguiu resolver os seus conflitos e manter a estabilidade política e a paz.

Vamos passar o segredo do sucesso da nossa reconciliação e convivência pacífica, através da interação que o nosso Presidente da República, João Lourenço, terá com os seus homólogos e os demais participantes. Angola vai partilhar a sua visão e interesse que tem em contribuir para o fim de conflitos armados, étnicos e políticos em alguns países do nosso continente, numa perspectiva pan-africana.

ANGOP - Já se pode avançar o número de países e Chefes de Estado e de Governo que tenham confirmado as suas presenças?

DJ – Ainda não podemos confirmar as presenças de países e Chefes de Estado e de Governo, porque temos que reformular os convites com as novas datas, mas posso afirmar que mais de uma dezena de Chefes de Estado já manifestaram o desejo de cá estar. Alguns Chefes de Estado e de Governo vão participar via virtual, ou seja, online. Para além dos líderes africanos, estamos a pensar em ter alguns Chefes de Estado da CPLP e outras individualidades que lutam pela paz no mundo. Haverá mensagens específicas de líderes mundiais, como é o caso do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, entre outras figuras. Temos representações diplomáticas acreditadas em Angola que estão interessadas em participar, como o Brasil, Rússia, Bélgica, Espanha, Portugal, Itália e Quénia. Temos também o exemplo do Níger e da África do Sul que pretendem se fazer presentes. Desta vez pretendemos limitar o número das participações presenciais, sobretudo que vêm do exterior do país, tendo em conta a pandemia da Covid-19.

ANGOP – Haverá alguma inovação este ano?

DJ – Este ano estamos a trabalhar na digitalização do evento, para permitir que os africanos espalhados pelo mundo possam ter acesso via online. Criamos uma plataforma digital que permite que em qualquer parte do Mundo se assista em tempo integral todas as actividades.

Isso será facilitado com a interpretação simultânea em três línguas: Francês, Inglês e Português. Internamente, também achamos que deveríamos alcançar o público do interior, de modo que estamos a criar condições para que as línguas nacionais utilizadas nos meios de difusão massiva sejam faladas no evento.

Durante a realização do evento, vamos beneficiar de um canal de televisão autónomo que chamaremos de Bienal TV. Neste momento decorre um concurso público para a escolha da operadora e a partir de Novembro divulgaremos os resultados. O canal passará a emitir, em directo, todas as actividades inseridas na Bienal, das 9 às 21 horas.

Vamos criar um banco de dados para que, ao longo da existência da Bienal de Luanda, possamos ter informações anteriores e atualizações que forem úteis para o conhecimento dos pesquisadores e investigadores.

ANGOP- A Bienal contempla, ao mesmo tempo, uma componente política e outra cultural. Em termos de programação, quais serão os pontos fortes da agenda do evento?

DJ – Como já me referi anteriormente, para além da intercessão entre os líderes africanos e os jovens, para se encontrarem soluções concretas para a construção da paz duradoura em África, um dos momentos mais altos da actividade será a proclamação da Aliança Global de parceiros para a cultura da paz. Esta aliança vai permitir a integração dos lideres das comunidades económicas regionais que passarão a monitorar todas as actividades e/ou recomendações de cada edição. Os presidentes ou secretários gerais das comunidades económicas regionais passarão a fazer parte do Comité de Pilotagem da Bienal de Luanda, que integra por Angola a ministra de Estado para Área Social, enquanto coordenadora da Comissão Multissectorial do evento, ao nível da União Africana, o comissário para questões Políticas, Paz e Segurança e o diretor-geral adjunto para África e relações exteriores da UNESCO.

ANGOP - Quantos artistas, em princípio, devem dar corpo a essas iniciativas?

DJ – Estamos numa fase de seleção dos artistas e como disse, a partir do dia 4 de Novembro vamos dar informações mais concretas sobre os momentos culturais que marcarão o nosso evento.

ANGOP - Angola já tem definida a sua delegação para representar a cultura nacional?

DJ – Não posso ainda avançar estes dados, porque, como lhe disse anteriormente, tivemos que redefinir toda a nossa programação devido ao adiamento e adequá-lo ao contexto actual, mas prometemos que traremos todas estas informações ao público.

ANGOP – Para terminar, gostaria de acrescentar alguma coisa.

DJ - Queremos apenas apelar aos angolanos no sentido de participarem do evento, porque estamos a criar todas as condições para que até os cidadãos que residem no interior do país possam viver a festa da Bienal, através da plataforma e do canal televisivo. A Bienal é um verdadeiro palco de reflexão sobre os caminhos que a África deve trilhar pata a construção de uma paz verdadeira e duradoura, capaz de proporcionar o desenvolvimento sustentável do continente.