Angola quer estar entre os principais destinos turísticos

  • Director do Infotur, Afonso Vita
Luanda – Angola é uma atracção turística, com praias tropicais, um sistema labiríntico de rios e deserto subsaariano que se estende até à Namíbia, possui enormes florestas e diversidade biológica.

Há sítios históricos que marcam a luta dos seus povos contra a expansão e presença colonial. Outros lugares guardam a essência cultural do país, tais como os túmulos dos Reis Kibalas, o Museu dos Reis do Congo ou os místicos lugares Pedra do Feitiço e a Pegada da Rainha Njinga Mbandi.

No entanto, ainda é um destino pouco procurado, mesmo tendo majestosos parques e reservas naturais com altíssima biodiversidade e uma culinária rica, tanto autóctone como de influência portuguesa ou de outras regiões do mundo.

Para falar desse assunto, o director-geral do Instituto de Fomento do Turismo (INFOTUR), Afonso Vita, concedeu uma entrevista à ANGOP, em que enumera as causas que fragilizam esse sector em Angola, com realce para o difícil acesso aos sítios com atracção turística, inflexibilidade do sistema bancário ao financiamento de projectos afins e o défice em estabelecimentos de formação hoteleira.

O responsável do INFOTUR, adianta que esta situação pode mudar com uma nova estratégia de promoção do turismo. Angola espera integrar a lista dos principais destinos turísticos em África até 2025.

Fala do envolvimento da modelo angolana Maria Borges, para ajudar a promover a cultura, a história e os principais destinos turísticos do país no estrangeiro.

Por Venceslau Mateus

Angop: Há quem diga que a promoção do turismo em Angola passa pela profissionalização dos quadros e pelo aumento do investimento em infra-estruturas. Do seu ponto de vista, quais são as grandes fragilidades deste sector?

Afonso Vita (AV): São a carência de medidas concretas de apoio e incentivo, difícil acesso aos potenciais recursos e atractivos turísticos, sua valorização,  inflexibilidade do sistema bancário ao financiamento de projectos afins, défice em estabelecimentos de formação hoteleira e turística, dependência excessiva das importações por força da carência da produção interna, ausência de cultura turística, necessidade de maior abertura na concessão dos vistos de entrada nos principais mercados emissores de turistas do mundo e reduzido poder de compra dos angolanos.

Angop: identificadas essas lacunas, considera que Angola está no bom caminho em relação à condução da sua política de promoção do turismo?

AV: Falar de turismo em Angola é, sobretudo, abordar a cultura e a diversidade de belezas naturais deste país. Angola reúne, inegavelmente, todas as características que os amantes de viagens procuram: património histórico e cultural, recursos turísticos naturais e derivados e a gastronomia. Com todo esse potencial, devemos reconhecer que as políticas de promoção ainda não estão ao nível desejado, capazes de levar ao conhecimento do mundo a existência desse manancial turístico.

Angop: Que resultados palpáveis já foram obtidos no âmbito da actual estratégia?

AV: Os resultados ainda são incipientes, mas podemos aqui destacar alguns que poderão servir de trampolim para o incremento da actividade turística no país e consequentemente outros benefícios. Em primeiro lugar, temos o mecanismo de facilitação de vistos, para viabilizar os negócios em Angola e dinamizar o desenvolvimento do turismo (precisa ser melhorado, direccionado em países, e mais aberto). Em segundo lugar, o reconhecimento do turismo como sector estratégico no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, como garantia de mão-de-obra intensiva, a par da agricultura, as indústrias e as pescas.

Angop: O que precisa ser mudado para vender, cada vez mais, a imagem de Angola?

AV: A crise é conjuntural. No entanto, existe uma grande vontade política por parte do Executivo Angolano que elegeu o sector como uma das prioridades para alavancar a economia nacional. Mas essa vontade política precisa ser transformada em acções concretas com vista a seguirmos a dinâmica de outros países. São vários os factores que impedem uma verdadeira promoção da imagem de Angola. Se olharmos para alguns países como a África do Sul, Cabo Verde, Ruanda, Moçambique e outros, vamos notar que o nível e a sua forma de promoção são “brutais”. Do benchmark (técnica que consiste em acompanhar processos de organizações concorrentes ou não, que sejam reconhecidas como representantes das melhores ) feito, notamos que nós não gastamos nem 5% do que esses países. Daí precisarmos incrementar o nosso orçamento de promoção e estruturação do turismo. Outro factor que importa referir é o processo de facilitação de vistos que ainda não é o desejado, pelo menos para o nosso sector.

Angop: O que pretendem as autoridades com a campanha “Juntos e todos pelo Turismo”?   

AV: O projecto “Juntos & Todos pelo Turismo” visa fundamentalmente sensibilizar as várias franjas da sociedade “da base ao topo”, sobre a importância do sector do turismo no processo de desenvolvimento sócio-económico. Para que este sector desempenhe o seu verdadeiro papel, é necessário que todos andem de “mãos dadas”. Por outro lado, o projecto possui um pendor de valorização da oferta turística, com a transformação dos recursos em produtos turísticos de excelência.

Angop: Como foi elaborado este Plano Estratégico?

AV: O projecto foi elaborado numa visão objectiva que iniciou com a criação de uma música do turismo, depois com a gravação de um vídeo clip promocional, que envolveu todos os actores do sector e não só, criação de placas com a inscrição “Visite Angola, Juntos e Todos pelo Turismo”, em línguas nacionais e estrangeiras, e, posteriormente, com a consagração, a 25 de Junho último, da supermodelo internacional Maria Borges como Embaixadora do Turismo de Angola. Várias etapas constam desse projecto e que paulatinamente serão executadas e difundidas.

Angop: É uma campanha a nível de todo o país ou em províncias específicas?

AV: É uma campanha a nível nacional. Angola é um país com 18 províncias repletas de paisagens incríveis que cativam o olhar de todos. Trata-se de um território com grande potencial turístico invejável, onde encontramos desde praias magníficas a florestas tropicais encantadoras, além do seu fabuloso património histórico e cultural.

Angop: Quais são as “linhas de força” desta campanha?

AV: Passam pelo despertar de consciência de toda a contextura social sobre a importância do sector no plano sócio-económico e também a valorização e promoção da oferta turística do país.

Angop: Acredita que o momento actual do sector venha a proporcionar oportunidades para se olhar o turismo de Angola com maior atenção?

AV: A Covid-19 trouxe consigo todos os problemas possíveis para a humanidade, mas, também, o despertar de oportunidades diversas. Para este sector, os países deram conta da grande vantagem de estruturar o turismo interno, como factor de desenvolvimento local. Constam da planificação das políticas do Plano de Desenvolvimento Nacional algumas acções pontuais, tais como a melhoria na comunicação com os Pólos de Desenvolvimento Turísticos, a elaboração de projectos de construção e reabilitação de infra-estruturas hoteleiras e turísticas estatais e mistas, a identificação de zonas de desenvolvimento prioritário com o intuito de recuperar e desenvolver todo património da rede hoteleira e turísticas.

Angop: Como o sector lida com a situação da pandemia da Covid-19, uma vez que os operadores apelam por ajuda?

AV: O sector do turismo criou, com apoio do Ministério da Saúde, guias de boas práticas com medidas de biossegurança que foram distribuídas em todos os empreendimentos turísticos dos países com vista a facilitar a actuação dos nossos profissionais. Relativamente às medidas de alívio económico, foi criada uma comissão técnica composta por quadros do Ministério da Economia e Planeamento, Ministério das Finanças, Ministério da Cultura Turismo e Ambiente e Banco Nacional de Angola, no sentido de se encontrar solução para o enquadramento do sector do turismo nesse processo.

Angop: Com o lançamento da campanha “juntos e Todos pelo Turismo” como será operacionalizada a actividade, numa altura em que se verifica a abertura dos serviços a nível do turismo, funcional a 50% da força de trabalho?

AV: A implementação do projecto Juntos & Todos pelo Turismo prevê ser a curto, médio e longo prazo, visando alcançar a criação de cultura turística na sociedade angolana, entrada do sector do turismo de facto na agenda nacional até 2022 e entrada de Angola na lista dos principais destinos turísticos africanos até 2025.

Angop: Sabe-se que existe um processo de actualização do plano orientador, para melhor exploração do sector. Quais são os pontos concretos que se prevê mudar? 

AV: O Plano Director do Turismo está a ser actualizado pelo sector com apoio técnico especializado da Organização Mundial do turismo. Dos pontos concretos a serem actualizados constam as metas, acções específicas, assim como o período de execução.

Angop: O que se pretende com a implementação do processo em causa e que ganhos traz para as operadoras nacionais e internacionais?

AV: O que se pretende é um plano verdadeiramente orientador. Um plano que sirva de guião sobre as modalidades de actuação no sector, suas etapas, prioridades e intervenientes, de modo a garantir o crescimento sustentável, ordenado e harmonioso do turismo no país.

Angop: Em relação ao fomento do turismo, foi aberta a rota turística Luanda-Cabo Ledo, em que consiste?

AV: Podemos entender este roteiro turístico como um itinerário caracterizado por elementos que lhe conferem identidade, o mesmo está definido e estruturado para fins de planeamento, gestão, promoção e comercialização nas localidades que formam o roteiro.

Angop: O que nos pode avançar sobre o projecto “Rota dos Museus”?

AV: A iniciativa é de despertar e aumentar a cultura de visitas a museus, a fim de se criar Identidade patrimonial. Esta rota contempla o Palácio de Ferro, Museu Nacional de História Militar (Fortaleza São Miguel), Museu Nacional de História Natural e o Museu Nacional da Escravatura, passando por várias unidades hoteleiras. Importa referir que esta rota deverá servir de modelo para implementação em todas as províncias do país.

Angop: Associa-se a esta campanha um rosto conhecido no mundo da moda, Maria Borges. Como surge a ideia de a escolher como embaixadora do turismo angolano?

AV: A ideia da escolha da supermodelo internacional Maria Borges não foi inicialmente premeditada. Surge de uma conversação onde ela foi convidada a assumir este desafio. Ela predispôs-se de forma patriótica e a custo zero, em contribuir para o crescimento do seu país, emprestando a sua dimensão internacional para a promoção do turismo, da cultura e das belezas naturais, com vista a captar turistas e potenciais investidores.

Angop: O que se pretende, de facto, atingir com essa parceria?

AV: Com essa parceria, pretende-se alcançar mercados de relevada dimensão internacional, sobretudo ligados à moda, cultura e ao desporto. De relembrar que a supermodelo Maria Borges desfila em palcos de referência internacional do mundo da moda

Angop: Que ilações estão a retirar do périplo que acontece em algumas províncias do país?

AV: Angola tem uma vantagem e uma oportunidade excepcional para transformar o turismo num sector estratégico, que possa impulsionar o desenvolvimento económico e social, protegendo e valorizando os recursos ambientais, apoiando-se num crescimento importante do fluxo de turistas internacionais. Precisamos trabalhar mais e melhor na estruturação dos recursos turísticos do país. É lamentável e doloroso apreciar a grandeza e beleza dos nossos recursos turísticos, em estado de abandono.
 

Há sítios históricos que marcam a luta dos seus povos contra a expansão e presença colonial. Outros lugares guardam a essência cultural do país, tais como os túmulos dos Reis Kibalas, o Museu dos Reis do Congo ou os místicos lugares Pedra do Feitiço e a Pegada da Rainha Njinga Mbandi.

No entanto, ainda é um destino pouco procurado, mesmo tendo majestosos parques e reservas naturais com altíssima biodiversidade e uma culinária rica, tanto autóctone como de influência portuguesa ou de outras regiões do mundo.

Para falar desse assunto, o director-geral do Instituto de Fomento do Turismo (INFOTUR), Afonso Vita, concedeu uma entrevista à ANGOP, em que enumera as causas que fragilizam esse sector em Angola, com realce para o difícil acesso aos sítios com atracção turística, inflexibilidade do sistema bancário ao financiamento de projectos afins e o défice em estabelecimentos de formação hoteleira.

O responsável do INFOTUR, adianta que esta situação pode mudar com uma nova estratégia de promoção do turismo. Angola espera integrar a lista dos principais destinos turísticos em África até 2025.

Fala do envolvimento da modelo angolana Maria Borges, para ajudar a promover a cultura, a história e os principais destinos turísticos do país no estrangeiro.

Por Venceslau Mateus

Angop: Há quem diga que a promoção do turismo em Angola passa pela profissionalização dos quadros e pelo aumento do investimento em infra-estruturas. Do seu ponto de vista, quais são as grandes fragilidades deste sector?

Afonso Vita (AV): São a carência de medidas concretas de apoio e incentivo, difícil acesso aos potenciais recursos e atractivos turísticos, sua valorização,  inflexibilidade do sistema bancário ao financiamento de projectos afins, défice em estabelecimentos de formação hoteleira e turística, dependência excessiva das importações por força da carência da produção interna, ausência de cultura turística, necessidade de maior abertura na concessão dos vistos de entrada nos principais mercados emissores de turistas do mundo e reduzido poder de compra dos angolanos.

Angop: identificadas essas lacunas, considera que Angola está no bom caminho em relação à condução da sua política de promoção do turismo?

AV: Falar de turismo em Angola é, sobretudo, abordar a cultura e a diversidade de belezas naturais deste país. Angola reúne, inegavelmente, todas as características que os amantes de viagens procuram: património histórico e cultural, recursos turísticos naturais e derivados e a gastronomia. Com todo esse potencial, devemos reconhecer que as políticas de promoção ainda não estão ao nível desejado, capazes de levar ao conhecimento do mundo a existência desse manancial turístico.

Angop: Que resultados palpáveis já foram obtidos no âmbito da actual estratégia?

AV: Os resultados ainda são incipientes, mas podemos aqui destacar alguns que poderão servir de trampolim para o incremento da actividade turística no país e consequentemente outros benefícios. Em primeiro lugar, temos o mecanismo de facilitação de vistos, para viabilizar os negócios em Angola e dinamizar o desenvolvimento do turismo (precisa ser melhorado, direccionado em países, e mais aberto). Em segundo lugar, o reconhecimento do turismo como sector estratégico no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, como garantia de mão-de-obra intensiva, a par da agricultura, as indústrias e as pescas.

Angop: O que precisa ser mudado para vender, cada vez mais, a imagem de Angola?

AV: A crise é conjuntural. No entanto, existe uma grande vontade política por parte do Executivo Angolano que elegeu o sector como uma das prioridades para alavancar a economia nacional. Mas essa vontade política precisa ser transformada em acções concretas com vista a seguirmos a dinâmica de outros países. São vários os factores que impedem uma verdadeira promoção da imagem de Angola. Se olharmos para alguns países como a África do Sul, Cabo Verde, Ruanda, Moçambique e outros, vamos notar que o nível e a sua forma de promoção são “brutais”. Do benchmark (técnica que consiste em acompanhar processos de organizações concorrentes ou não, que sejam reconhecidas como representantes das melhores ) feito, notamos que nós não gastamos nem 5% do que esses países. Daí precisarmos incrementar o nosso orçamento de promoção e estruturação do turismo. Outro factor que importa referir é o processo de facilitação de vistos que ainda não é o desejado, pelo menos para o nosso sector.

Angop: O que pretendem as autoridades com a campanha “Juntos e todos pelo Turismo”?   

AV: O projecto “Juntos & Todos pelo Turismo” visa fundamentalmente sensibilizar as várias franjas da sociedade “da base ao topo”, sobre a importância do sector do turismo no processo de desenvolvimento sócio-económico. Para que este sector desempenhe o seu verdadeiro papel, é necessário que todos andem de “mãos dadas”. Por outro lado, o projecto possui um pendor de valorização da oferta turística, com a transformação dos recursos em produtos turísticos de excelência.

Angop: Como foi elaborado este Plano Estratégico?

AV: O projecto foi elaborado numa visão objectiva que iniciou com a criação de uma música do turismo, depois com a gravação de um vídeo clip promocional, que envolveu todos os actores do sector e não só, criação de placas com a inscrição “Visite Angola, Juntos e Todos pelo Turismo”, em línguas nacionais e estrangeiras, e, posteriormente, com a consagração, a 25 de Junho último, da supermodelo internacional Maria Borges como Embaixadora do Turismo de Angola. Várias etapas constam desse projecto e que paulatinamente serão executadas e difundidas.

Angop: É uma campanha a nível de todo o país ou em províncias específicas?

AV: É uma campanha a nível nacional. Angola é um país com 18 províncias repletas de paisagens incríveis que cativam o olhar de todos. Trata-se de um território com grande potencial turístico invejável, onde encontramos desde praias magníficas a florestas tropicais encantadoras, além do seu fabuloso património histórico e cultural.

Angop: Quais são as “linhas de força” desta campanha?

AV: Passam pelo despertar de consciência de toda a contextura social sobre a importância do sector no plano sócio-económico e também a valorização e promoção da oferta turística do país.

Angop: Acredita que o momento actual do sector venha a proporcionar oportunidades para se olhar o turismo de Angola com maior atenção?

AV: A Covid-19 trouxe consigo todos os problemas possíveis para a humanidade, mas, também, o despertar de oportunidades diversas. Para este sector, os países deram conta da grande vantagem de estruturar o turismo interno, como factor de desenvolvimento local. Constam da planificação das políticas do Plano de Desenvolvimento Nacional algumas acções pontuais, tais como a melhoria na comunicação com os Pólos de Desenvolvimento Turísticos, a elaboração de projectos de construção e reabilitação de infra-estruturas hoteleiras e turísticas estatais e mistas, a identificação de zonas de desenvolvimento prioritário com o intuito de recuperar e desenvolver todo património da rede hoteleira e turísticas.

Angop: Como o sector lida com a situação da pandemia da Covid-19, uma vez que os operadores apelam por ajuda?

AV: O sector do turismo criou, com apoio do Ministério da Saúde, guias de boas práticas com medidas de biossegurança que foram distribuídas em todos os empreendimentos turísticos dos países com vista a facilitar a actuação dos nossos profissionais. Relativamente às medidas de alívio económico, foi criada uma comissão técnica composta por quadros do Ministério da Economia e Planeamento, Ministério das Finanças, Ministério da Cultura Turismo e Ambiente e Banco Nacional de Angola, no sentido de se encontrar solução para o enquadramento do sector do turismo nesse processo.

Angop: Com o lançamento da campanha “juntos e Todos pelo Turismo” como será operacionalizada a actividade, numa altura em que se verifica a abertura dos serviços a nível do turismo, funcional a 50% da força de trabalho?

AV: A implementação do projecto Juntos & Todos pelo Turismo prevê ser a curto, médio e longo prazo, visando alcançar a criação de cultura turística na sociedade angolana, entrada do sector do turismo de facto na agenda nacional até 2022 e entrada de Angola na lista dos principais destinos turísticos africanos até 2025.

Angop: Sabe-se que existe um processo de actualização do plano orientador, para melhor exploração do sector. Quais são os pontos concretos que se prevê mudar? 

AV: O Plano Director do Turismo está a ser actualizado pelo sector com apoio técnico especializado da Organização Mundial do turismo. Dos pontos concretos a serem actualizados constam as metas, acções específicas, assim como o período de execução.

Angop: O que se pretende com a implementação do processo em causa e que ganhos traz para as operadoras nacionais e internacionais?

AV: O que se pretende é um plano verdadeiramente orientador. Um plano que sirva de guião sobre as modalidades de actuação no sector, suas etapas, prioridades e intervenientes, de modo a garantir o crescimento sustentável, ordenado e harmonioso do turismo no país.

Angop: Em relação ao fomento do turismo, foi aberta a rota turística Luanda-Cabo Ledo, em que consiste?

AV: Podemos entender este roteiro turístico como um itinerário caracterizado por elementos que lhe conferem identidade, o mesmo está definido e estruturado para fins de planeamento, gestão, promoção e comercialização nas localidades que formam o roteiro.

Angop: O que nos pode avançar sobre o projecto “Rota dos Museus”?

AV: A iniciativa é de despertar e aumentar a cultura de visitas a museus, a fim de se criar Identidade patrimonial. Esta rota contempla o Palácio de Ferro, Museu Nacional de História Militar (Fortaleza São Miguel), Museu Nacional de História Natural e o Museu Nacional da Escravatura, passando por várias unidades hoteleiras. Importa referir que esta rota deverá servir de modelo para implementação em todas as províncias do país.

Angop: Associa-se a esta campanha um rosto conhecido no mundo da moda, Maria Borges. Como surge a ideia de a escolher como embaixadora do turismo angolano?

AV: A ideia da escolha da supermodelo internacional Maria Borges não foi inicialmente premeditada. Surge de uma conversação onde ela foi convidada a assumir este desafio. Ela predispôs-se de forma patriótica e a custo zero, em contribuir para o crescimento do seu país, emprestando a sua dimensão internacional para a promoção do turismo, da cultura e das belezas naturais, com vista a captar turistas e potenciais investidores.

Angop: O que se pretende, de facto, atingir com essa parceria?

AV: Com essa parceria, pretende-se alcançar mercados de relevada dimensão internacional, sobretudo ligados à moda, cultura e ao desporto. De relembrar que a supermodelo Maria Borges desfila em palcos de referência internacional do mundo da moda

Angop: Que ilações estão a retirar do périplo que acontece em algumas províncias do país?

AV: Angola tem uma vantagem e uma oportunidade excepcional para transformar o turismo num sector estratégico, que possa impulsionar o desenvolvimento económico e social, protegendo e valorizando os recursos ambientais, apoiando-se num crescimento importante do fluxo de turistas internacionais. Precisamos trabalhar mais e melhor na estruturação dos recursos turísticos do país. É lamentável e doloroso apreciar a grandeza e beleza dos nossos recursos turísticos, em estado de abandono.