Bienal de Luanda reafirma compromisso com a paz em África - Sita José

  • Embaixador Diekumpuna Sita José
Luanda – O coordenador nacional da Bienal de Luanda- Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África, Sita José, reafirmou o compromisso de Angola em contribuir para a promoção da cultura de paz em África.

Em entrevista à ANGOP, o diplomata fez o lançamento da 2ª Bienal de Luanda, que já conta com dois presidentes africanos confirmados, como convidados: Félix Tshisekedi, da RDC, e Denis Sassou Nguesso, do Congo.

Eis a íntegra:

ANGOP - Angola prepara-se para acolher a 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Qual é a importância que atribui ao facto de o país acolher o evento, em Outubro deste ano?

Sita José (SJ) - Como sabem, o Presidente da República, João Lourenço, efetuou uma visita à sede da Unesco, em Paris, em 2018, que culminou com um compromisso por ele assumido, de Angola vir albergar a 1ª da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Mais tarde, a 18 de Dezembro, Angola e a Unesco assinaram um convénio para a organização de 2 edições da Bienal de Luanda, nomeadamente a de 2019, que foi um grande sucesso e a de 2021, cuja realização estamos a preparar.

Portanto, o acolhimento da 2ª edição insere-se neste compromisso de Angola em contribuir para a promoção de uma cultura de paz no continente africano, o que deverá também significar a disponibilidade de Angola ajudar a alcançar os objectivos traçados pelos líderes Africanos.

Como sabemos, o objectivo da Bienal consiste em fortalecer o Movimento Pan-Africano para a Cultura da Paz e não Violência. A nossa base é o compromisso de parceria que deve ser assumido por múltiplos actores, como governos, sociedade civil, artistas, desportistas, agentes do sector privado, as comunidades científicas, bem como as organizações não governamentais, entre outros. Assim, sequencialmente, de 2 em 2 anos, há este compromisso estratégico entre a União Africana, a Unesco e o Governo de Angola, no sentido de consolidar o amplo movimento que vá, cada vez mais, conseguindo congregar a adesão destes múltiplos actores e parceiros.

Deste modo, receber esta segunda edição da Bienal da Paz representa para Angola, um compromisso forte na procura de uma paz duradoura para África, que sirva de suporte para o desenvolvimento económico e social e o bem-estar das populações africanas.

ANGOP - Estamos há 4 meses da realização da 2ª edição da Bienal de Luanda, pode falar-nos da agenda do evento? Qual é o balanço que faz dos preparativos para este evento até ao momento?

SJ - Neste momento entrarmos na fase mais decisiva. Na segunda-feira, 14, teremos uma reunião entre a Comissão Nacional Multissectorial encarregue de preparar a Bienal de Luanda, a UNESCO e a União Africana, para determinar, com clareza, os elementos que deverão comportar o programa final da Bienal deste ano.

O que posso dizer é que já temos praticamente definido o conjunto de sub-temas. Como sabemos, o tema principal da Bienal deste ano, está particularmente alinhado com o tema adoptado para 2021, pela União Africana, que é, Artes, Cultura e Património - Alavancas para a Construção da África que Queremos”.

Assim, com base nisso, o programa indicativo, até agora consertado, vai ser movido à base de 4 eixos fundamentais. Haverá o eixo do Diálogo Intergeracional entre Líderes e Jovens, para isso contamos aqui ter estadistas de alto nível.

Haverá ainda um Fórum Temático de Boas Práticas, bem como o lançamento da chamada Aliança de Parceiros para a Cultura de Paz em África, tudo isto alimentado com a demonstração dos valores das artes e manifestações culturais, no âmbito do último eixo da Bienal que será o Festival de Culturas.

O diálogo intergeracional entre líderes e os jovens, será realizado com a presença de, pelo menos, 150 jovens provenientes de todos os países do continente africano e das demais diásporas. Neste diálogo, os jovens que serão representados por um rapaz e uma rapariga. Os demais jovens poderão ter a garantia da sua participação no formato virtual, através das plataformas digitais e redes sociais.

Quanto ao fórum temático e boas práticas, vale dizer que se trata de um painel que vai juntar detentores ou promotores de soluções e de boas práticas e parceiros interessados na promoção da paz e do desenvolvimento sustentável em África. O paradigma adoptado pela União Africana, a UNESCO e Angola, para esta 2ª edição da Bienal de Luanda, ao contrário da primeira, é a valorização de acções práticas, mensuráveis, de modo que a Bienal possa ser assumida como tendo produzido benefícios e não apenas discussões teóricas ou meramente académicas. O que pretendemos é produzir um impacto real na população, em termos de concretização dos objectivos traçados para a Bienal.

Queremos que estes projectos reunidos sejam a nível local, a nível nacional, a nível sub-regional possam constituir uma pauta de projectos emblemáticos, transversais e que possibilitem a sua mensuração no domínio da sua implementação com impacto positivo sobre a vida das comunidades, na construção de uma paz duradoura, o que só assim fará sentido falar-se num fórum direccionado à valorização das boas práticas.

ANGOP- Qual é o perfil estabelecido para parceiros potenciais que vão ajudar a Bienal a realizar os seus objectivos de promoção da paz em África?

SJ - Para os parceiros potenciais, estamos a pensar naqueles que, pela sua vocação, poderão comprometer-se de uma maneira muito mais significativa e contínua, na viabilização das iniciativas e dos projectos elegíveis.

Estamos, concretamente, a falar das comunidades económicas regionais, como sejam as entidades ligadas à União Africana e por ela acreditadas, como a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Comunidade Económica dos Estados da África Central  (CEEAC), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO),entre outros. Daí o trabalho de diplomacia que estamos a realizar, com deslocações a esses destinos, para lhes submeter os modelos de protocolo de adesão.

Esta é a primeira mais-valia que contamos ter como garantia para a concretização da filosofia pensada para a Bienal da Paz, como forma de assegurar a sustentabilidade económica e financeira dos projectos aptos a consolidar a promoção de uma cultura de paz e de não-violência em África.

E aqui também destacamos as empresas do sector público e do sector privado, sejam elas nacionais ou multinacionais, destacamos também as fundações, as organizações filantrópicas, os bancos de desenvolvimento, as organizações internacionais e intergovernamentais.

Naturalmente, esperamos uma grande adesão e participação das organizações da sociedade civil, bem como a nível individual, a presença de  personalidades de destaque e de renome internacionais, o que será particularmente importante para a dissertação de questões de destaque,  elencadas para a Bienal de 2021.

ANGOP - Há dias, a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, foi portadora de mensagens do Presidente João Lourenço para os seus homólogos Denis Sassou Ngussou, do Congo e Félix Antoine Tshisekedi. O senhor acompanhou a delegação, pode dizer-nos se a esse nível o tema da Bienal de Luanda foi abordado?

SJ  - Naturalmente,  um dos objectivos fundamentais dessas deslocações ao Congo e ao Congo Democrático foi a Bienal de Luanda. Como sabem, a ministra de Estado, Carolina Cerqueira, na sua qualidade de Coordenadora da Comissão Nacional Multissectorial para a preparação da 2ªBienal de Luanda, foi, de algum modo, prestar informações sobre os preparativos da agenda desta Bienal e transmitir a expectativa do Presidente da República, João Lourenço, quanto a necessidade de Angola contar com uma representação ao mais alto nível, desses países, nomeadamente pelos seus líderes. Contamos também com as respectivas delegações, com destaque para os jovens e demais membros que se destaquem nos grupos elencados como subtemas desta Bienal, contando, naturalmente, com uma presença relativamente forte e significativa, para enriquecer e valorizar ainda mais a 2ªBienal de Luanda.

Como retorno, houve uma expressão muito forte da parte desses líderes, de garantias da sua presença, cujas delegações serão constituídas por elementos de interesses que se coadunam com os objectivos gerais da Bienal de Luanda. Portanto, deixamos esses dois países com notas de conforto e de segurança de como a sua presença em Luanda será uma garantia.

ANGOP - Para além dos presidentes Tshisekedi e Sassou Nguesso, haverá, neste momento, a confirmação de algum outro líder africano ou internacional que poderá estar presente na Bienal de Luanda?

SJ - Há uma agenda de consultas e de prestação de informações sobre a 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Essa agenda de consultas vai prosseguir, em função do calendário e disponibilidade dos líderes dos países a convidar. Proximamente vamos realizar novas deslocações com o mesmo objectivo

ANGOP - Quer comentar o tema que preside a esta Bienal “Arte, cultura e património: alavancas para construir a África que queremos”?

SJ - A União Africana adoptou este ano este tema, tendo em conta que, através da cultura, podemos alcançar os objectivos assumidos pela organização continental, no âmbito  da Agenda 2063, que visa a construção de uma África integrada, próspera e pacífica, bem como a necessidade de  silenciar as armas até ao ano 2030.

Os subtemas que identificamos em debate com os pontos focais da União Africana, da UNESCO, e dos sectores especializados de Angola, apontam para a necessidade de saber que tipo de contribuições devem ser colhidas, como apoio aos fazedores das artes, mesmo porque nos encontramos condicionados pela pandemia. 

Há a necessidade de saber de que forma vamos equacionar a participação das indústrias culturais e criativas para a recuperação económica, inclusiva e sustentável. Como sabemos, o sector da cultura é dos mais afectados por esta pandemia. O debate já está em curso, vamos fazê-lo evoluir para a Bienal, vamos identificar, tanto as iniciativas, quanto as propostas que farão com que, depois da Covid-19 possamos estar em condições de identificar qual deverá ser o novo paradigma que, no âmbito da promoção da cultura de paz, deveremos adoptar como recursos de sustentabilidade e resiliência dos homens da cultura.

A actual realidade da cultura africana e do seu património estão a ser aproveitados, nesta ocasião, para discutirmos sobre como resolver e prevenir conflitos, segundo os valores e as práticas culturais africanas. É uma grande oportunidade para identificar e valorizar os exemplos concretos de prevenção de conflitos, de redução de riscos e da construção da paz.

Sabemos que África é um continente detentor de um vasto património material e imaterial inscrito na lista do património da humanidade, mas, como sabem, das exigências que se fazem para que esse património se mantenha nessa lista, levanta-se o tema da sua conservação e preservação. O que acontece é que, boa parte desse património está, neste momento, a sofrer um processo de degradação e corrosão acentuadas, do ponto de vista da sua qualidade, de modo que estamos diante de um tema transversal e importante sobre o qual valerá sempre a pena discutir.

Assim, nesta Bienal, certamente que a discussão sobre o estado de conservação do património africano deverá ser muito interessante e oportuno. É importante dizer que deverá haver um compromisso africano no sentido do financiamento dos programas de manutenção desses recursos culturais para que estes elementos se mantenham na lista do património da humanidade.

ANGOP - De um modo geral, quantas pessoas esta Bienal espera movimentar?

SJ - A 2ª edição da Bienal de Luanda está a ser projectada num ambiente, de certo modo, adverso, marcado pelo contexto da pandemia da Covid-19.

Tudo indica que este ano deveremos ter uma certa cautela face ao número de deslocações de pessoas vindas de fora. O formato idealizado e praticamente assumido é o formato híbrido, que articula a presença física, no terreno, com a participação virtual, das redes sociais da Bienal de Luanda.

Teremos uma presença relativamente reduzida de modo a fazermos face às exigências impostas pelas normas regulamentares de profilaxia, decretadas pelas nossas autoridades.

Estou em querer que, com isso, venhamos a ter, nos eventos preparados no âmbito da bienal, uma participação muito grande de pessoas, porque,  tanto a juventude quanto as outras sensibilidades das sociedades civil e científica, poderão ter a oportunidade de participar, de modo remoto e presencial, em directo, nas actividades que se vão desenrolar entre os dias 4 e 8 de Outubro de 2021, em Luanda.

Portanto, por uma questão de necessidade de observarmos as regras de segurança sanitária, o local que está a ser considerado para acolher o evento, terá uma capacidade relativamente reduzida tendo em conta o distanciamento necessário de pessoas.

De qualquer modo nós esperamos ter a capacidade de albergar a presença de cerca de 150 jovens reunidos em termos presenciais para as sessões plenárias.

Tanto cá dentro, em Angola, quanto lá fora, na diáspora, a participação está a ser pensada para ocorrer no formato remoto, via redes sociais e sistemas de comunicação integrada. Portanto, o número de presença física, não deverá passar das 300 pessoas, em função da capacidade real do espaço, e respeitando as regras regulamentares de segurança sanitária.

Em entrevista à ANGOP, o diplomata fez o lançamento da 2ª Bienal de Luanda, que já conta com dois presidentes africanos confirmados, como convidados: Félix Tshisekedi, da RDC, e Denis Sassou Nguesso, do Congo.

Eis a íntegra:

ANGOP - Angola prepara-se para acolher a 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Qual é a importância que atribui ao facto de o país acolher o evento, em Outubro deste ano?

Sita José (SJ) - Como sabem, o Presidente da República, João Lourenço, efetuou uma visita à sede da Unesco, em Paris, em 2018, que culminou com um compromisso por ele assumido, de Angola vir albergar a 1ª da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Mais tarde, a 18 de Dezembro, Angola e a Unesco assinaram um convénio para a organização de 2 edições da Bienal de Luanda, nomeadamente a de 2019, que foi um grande sucesso e a de 2021, cuja realização estamos a preparar.

Portanto, o acolhimento da 2ª edição insere-se neste compromisso de Angola em contribuir para a promoção de uma cultura de paz no continente africano, o que deverá também significar a disponibilidade de Angola ajudar a alcançar os objectivos traçados pelos líderes Africanos.

Como sabemos, o objectivo da Bienal consiste em fortalecer o Movimento Pan-Africano para a Cultura da Paz e não Violência. A nossa base é o compromisso de parceria que deve ser assumido por múltiplos actores, como governos, sociedade civil, artistas, desportistas, agentes do sector privado, as comunidades científicas, bem como as organizações não governamentais, entre outros. Assim, sequencialmente, de 2 em 2 anos, há este compromisso estratégico entre a União Africana, a Unesco e o Governo de Angola, no sentido de consolidar o amplo movimento que vá, cada vez mais, conseguindo congregar a adesão destes múltiplos actores e parceiros.

Deste modo, receber esta segunda edição da Bienal da Paz representa para Angola, um compromisso forte na procura de uma paz duradoura para África, que sirva de suporte para o desenvolvimento económico e social e o bem-estar das populações africanas.

ANGOP - Estamos há 4 meses da realização da 2ª edição da Bienal de Luanda, pode falar-nos da agenda do evento? Qual é o balanço que faz dos preparativos para este evento até ao momento?

SJ - Neste momento entrarmos na fase mais decisiva. Na segunda-feira, 14, teremos uma reunião entre a Comissão Nacional Multissectorial encarregue de preparar a Bienal de Luanda, a UNESCO e a União Africana, para determinar, com clareza, os elementos que deverão comportar o programa final da Bienal deste ano.

O que posso dizer é que já temos praticamente definido o conjunto de sub-temas. Como sabemos, o tema principal da Bienal deste ano, está particularmente alinhado com o tema adoptado para 2021, pela União Africana, que é, Artes, Cultura e Património - Alavancas para a Construção da África que Queremos”.

Assim, com base nisso, o programa indicativo, até agora consertado, vai ser movido à base de 4 eixos fundamentais. Haverá o eixo do Diálogo Intergeracional entre Líderes e Jovens, para isso contamos aqui ter estadistas de alto nível.

Haverá ainda um Fórum Temático de Boas Práticas, bem como o lançamento da chamada Aliança de Parceiros para a Cultura de Paz em África, tudo isto alimentado com a demonstração dos valores das artes e manifestações culturais, no âmbito do último eixo da Bienal que será o Festival de Culturas.

O diálogo intergeracional entre líderes e os jovens, será realizado com a presença de, pelo menos, 150 jovens provenientes de todos os países do continente africano e das demais diásporas. Neste diálogo, os jovens que serão representados por um rapaz e uma rapariga. Os demais jovens poderão ter a garantia da sua participação no formato virtual, através das plataformas digitais e redes sociais.

Quanto ao fórum temático e boas práticas, vale dizer que se trata de um painel que vai juntar detentores ou promotores de soluções e de boas práticas e parceiros interessados na promoção da paz e do desenvolvimento sustentável em África. O paradigma adoptado pela União Africana, a UNESCO e Angola, para esta 2ª edição da Bienal de Luanda, ao contrário da primeira, é a valorização de acções práticas, mensuráveis, de modo que a Bienal possa ser assumida como tendo produzido benefícios e não apenas discussões teóricas ou meramente académicas. O que pretendemos é produzir um impacto real na população, em termos de concretização dos objectivos traçados para a Bienal.

Queremos que estes projectos reunidos sejam a nível local, a nível nacional, a nível sub-regional possam constituir uma pauta de projectos emblemáticos, transversais e que possibilitem a sua mensuração no domínio da sua implementação com impacto positivo sobre a vida das comunidades, na construção de uma paz duradoura, o que só assim fará sentido falar-se num fórum direccionado à valorização das boas práticas.

ANGOP- Qual é o perfil estabelecido para parceiros potenciais que vão ajudar a Bienal a realizar os seus objectivos de promoção da paz em África?

SJ - Para os parceiros potenciais, estamos a pensar naqueles que, pela sua vocação, poderão comprometer-se de uma maneira muito mais significativa e contínua, na viabilização das iniciativas e dos projectos elegíveis.

Estamos, concretamente, a falar das comunidades económicas regionais, como sejam as entidades ligadas à União Africana e por ela acreditadas, como a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Comunidade Económica dos Estados da África Central  (CEEAC), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO),entre outros. Daí o trabalho de diplomacia que estamos a realizar, com deslocações a esses destinos, para lhes submeter os modelos de protocolo de adesão.

Esta é a primeira mais-valia que contamos ter como garantia para a concretização da filosofia pensada para a Bienal da Paz, como forma de assegurar a sustentabilidade económica e financeira dos projectos aptos a consolidar a promoção de uma cultura de paz e de não-violência em África.

E aqui também destacamos as empresas do sector público e do sector privado, sejam elas nacionais ou multinacionais, destacamos também as fundações, as organizações filantrópicas, os bancos de desenvolvimento, as organizações internacionais e intergovernamentais.

Naturalmente, esperamos uma grande adesão e participação das organizações da sociedade civil, bem como a nível individual, a presença de  personalidades de destaque e de renome internacionais, o que será particularmente importante para a dissertação de questões de destaque,  elencadas para a Bienal de 2021.

ANGOP - Há dias, a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, foi portadora de mensagens do Presidente João Lourenço para os seus homólogos Denis Sassou Ngussou, do Congo e Félix Antoine Tshisekedi. O senhor acompanhou a delegação, pode dizer-nos se a esse nível o tema da Bienal de Luanda foi abordado?

SJ  - Naturalmente,  um dos objectivos fundamentais dessas deslocações ao Congo e ao Congo Democrático foi a Bienal de Luanda. Como sabem, a ministra de Estado, Carolina Cerqueira, na sua qualidade de Coordenadora da Comissão Nacional Multissectorial para a preparação da 2ªBienal de Luanda, foi, de algum modo, prestar informações sobre os preparativos da agenda desta Bienal e transmitir a expectativa do Presidente da República, João Lourenço, quanto a necessidade de Angola contar com uma representação ao mais alto nível, desses países, nomeadamente pelos seus líderes. Contamos também com as respectivas delegações, com destaque para os jovens e demais membros que se destaquem nos grupos elencados como subtemas desta Bienal, contando, naturalmente, com uma presença relativamente forte e significativa, para enriquecer e valorizar ainda mais a 2ªBienal de Luanda.

Como retorno, houve uma expressão muito forte da parte desses líderes, de garantias da sua presença, cujas delegações serão constituídas por elementos de interesses que se coadunam com os objectivos gerais da Bienal de Luanda. Portanto, deixamos esses dois países com notas de conforto e de segurança de como a sua presença em Luanda será uma garantia.

ANGOP - Para além dos presidentes Tshisekedi e Sassou Nguesso, haverá, neste momento, a confirmação de algum outro líder africano ou internacional que poderá estar presente na Bienal de Luanda?

SJ - Há uma agenda de consultas e de prestação de informações sobre a 2ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Essa agenda de consultas vai prosseguir, em função do calendário e disponibilidade dos líderes dos países a convidar. Proximamente vamos realizar novas deslocações com o mesmo objectivo

ANGOP - Quer comentar o tema que preside a esta Bienal “Arte, cultura e património: alavancas para construir a África que queremos”?

SJ - A União Africana adoptou este ano este tema, tendo em conta que, através da cultura, podemos alcançar os objectivos assumidos pela organização continental, no âmbito  da Agenda 2063, que visa a construção de uma África integrada, próspera e pacífica, bem como a necessidade de  silenciar as armas até ao ano 2030.

Os subtemas que identificamos em debate com os pontos focais da União Africana, da UNESCO, e dos sectores especializados de Angola, apontam para a necessidade de saber que tipo de contribuições devem ser colhidas, como apoio aos fazedores das artes, mesmo porque nos encontramos condicionados pela pandemia. 

Há a necessidade de saber de que forma vamos equacionar a participação das indústrias culturais e criativas para a recuperação económica, inclusiva e sustentável. Como sabemos, o sector da cultura é dos mais afectados por esta pandemia. O debate já está em curso, vamos fazê-lo evoluir para a Bienal, vamos identificar, tanto as iniciativas, quanto as propostas que farão com que, depois da Covid-19 possamos estar em condições de identificar qual deverá ser o novo paradigma que, no âmbito da promoção da cultura de paz, deveremos adoptar como recursos de sustentabilidade e resiliência dos homens da cultura.

A actual realidade da cultura africana e do seu património estão a ser aproveitados, nesta ocasião, para discutirmos sobre como resolver e prevenir conflitos, segundo os valores e as práticas culturais africanas. É uma grande oportunidade para identificar e valorizar os exemplos concretos de prevenção de conflitos, de redução de riscos e da construção da paz.

Sabemos que África é um continente detentor de um vasto património material e imaterial inscrito na lista do património da humanidade, mas, como sabem, das exigências que se fazem para que esse património se mantenha nessa lista, levanta-se o tema da sua conservação e preservação. O que acontece é que, boa parte desse património está, neste momento, a sofrer um processo de degradação e corrosão acentuadas, do ponto de vista da sua qualidade, de modo que estamos diante de um tema transversal e importante sobre o qual valerá sempre a pena discutir.

Assim, nesta Bienal, certamente que a discussão sobre o estado de conservação do património africano deverá ser muito interessante e oportuno. É importante dizer que deverá haver um compromisso africano no sentido do financiamento dos programas de manutenção desses recursos culturais para que estes elementos se mantenham na lista do património da humanidade.

ANGOP - De um modo geral, quantas pessoas esta Bienal espera movimentar?

SJ - A 2ª edição da Bienal de Luanda está a ser projectada num ambiente, de certo modo, adverso, marcado pelo contexto da pandemia da Covid-19.

Tudo indica que este ano deveremos ter uma certa cautela face ao número de deslocações de pessoas vindas de fora. O formato idealizado e praticamente assumido é o formato híbrido, que articula a presença física, no terreno, com a participação virtual, das redes sociais da Bienal de Luanda.

Teremos uma presença relativamente reduzida de modo a fazermos face às exigências impostas pelas normas regulamentares de profilaxia, decretadas pelas nossas autoridades.

Estou em querer que, com isso, venhamos a ter, nos eventos preparados no âmbito da bienal, uma participação muito grande de pessoas, porque,  tanto a juventude quanto as outras sensibilidades das sociedades civil e científica, poderão ter a oportunidade de participar, de modo remoto e presencial, em directo, nas actividades que se vão desenrolar entre os dias 4 e 8 de Outubro de 2021, em Luanda.

Portanto, por uma questão de necessidade de observarmos as regras de segurança sanitária, o local que está a ser considerado para acolher o evento, terá uma capacidade relativamente reduzida tendo em conta o distanciamento necessário de pessoas.

De qualquer modo nós esperamos ter a capacidade de albergar a presença de cerca de 150 jovens reunidos em termos presenciais para as sessões plenárias.

Tanto cá dentro, em Angola, quanto lá fora, na diáspora, a participação está a ser pensada para ocorrer no formato remoto, via redes sociais e sistemas de comunicação integrada. Portanto, o número de presença física, não deverá passar das 300 pessoas, em função da capacidade real do espaço, e respeitando as regras regulamentares de segurança sanitária.