“Criança que não lê não conhece o mundo” - Cremilda de Lima

  • Escritora Cremilda de Lima
Luanda – Várias vezes homenageada e premiada, pela qualidade da sua obra e por fazer parte de uma geração pioneira na massificação da literatura infanto-juvenil em Angola, Cremilda de Lima mostra-se preocupada com o Plano Nacional de Leitura.  

Por: António Neto

Em entrevista à ANGOP, a propósito do 2 de Abril, Dia Mundial da Literatura Infantil, a escritora defende que o Estado faça investimentos em livros para o Plano Nacional de Leitura, a fim de promover e o incentivar, nos alunos, o hábito de leitura e a escrita.

No entender da artista, cujos feitos estão patentes em vários contos publicados em manuais escolares do país, o Estado angolano deve trabalhar para ter um grande investimento nos livros, tendo em vista o Plano Nacional de Leitura.

“Seria o maior investimento que o país poderia fazerEstou sempre a falar do Plano Nacional de Leitura, que existe em todos os países, porque pensam que faz bem à mente das crianças, porque criança que não lê é criança que não conhece o mundo”.

Eis a entrevista na íntegra:

ANGOP: Cremilda de Lima é um dos nomes incontornáveis na história da literatura infantil angolana, ao lado de Dario de Melo, Octaviano Correia, Gabriela Antunes, Maria Eugénia Neto, Maria Celestina Fernandes, entre outros, mas faz algum tempo que parece "distanciada" dos livros infantis. Isto é mera impressão, ou deixou de escrever para crianças?

Cremilda de Lima (CL) - Com certeza absoluta que é mera impressão. Tenho tido projectos interessantes, só que realmente os órgãos de difusão massiva preocupam-se mais em dar realce a determinadas datas festivas alusivas à literatura infantil, que parece que ela não deve estar na vida das crianças todos os dias. Tenho vários livros, só a Editora das Letras tem cinco reedições, entre elas uma em realidade aumentada “O Aniversário do Vovô Imbo”. A Lexdata tem a “Mia e o Pavão, a Leya e Texto Editor têm “Lenga Lenga Trava Línguas Rimas”. A Editora Acácias tem o meu primeiro livro de poesia “Alma de Kaluanda”, e tenho ainda participações no projecto do Gonçalves Handyman “Escritos de Quarentena” e no projecto “Ler e Contar”. Portanto, os livros para serem realmente manuseados não podem ser só com o lançamento. Sei que estamos em tempo de pandemia, mas muitas coisas têm sido feitas. Tenho já um livro de poema e pensamentos, porque a minha vida psíquica é muito activa. Não há divulgação, parece que não existem escritores de literatura infanto-juvenil. Nós é que corremos atrás, ninguém corre atrás de nós. Há tantos livros editados, Dário de Melo que eu considero Pai da literatura infantil angolana tem tantas histórias infantis já editadas.

ANGOP: Da sua bibliografia constam livros como "Missanga e o Sapupo", "A Múcua que Baloiçava ao Vento", "O tambarino dourado" e "A kianda e o Barquinho de Fuxi", alguns deles traduzidos e estudados em instituições europeias. Sente que já deu tudo pela literatura infanto-juvenil?

CL – Não! Atingi um patamar bom quando a minha grande amiga escritora Kanguimbo

Ananás fez a tese de mestrado estudando a minha obra. Ficou marcado para sempre na minha memória e na memória colectiva de todos nós, porque esses livros estão todos plasmados nessa tese de mestrado. Há muita literatura infanto-juvenil. É necessário apenas divulgação, reedição e estou sempre a falar sobre o Plano Nacional de Leitura, que existe em todos os países, porque pensam que faz bem à mente das crianças, porque criança que não lê é uma criança que não conhece o mundo.

Um dia, quando entrar para uma escola para fazer o lançamento de um livro e sentir que as crianças têm com elas livros de literatura infanto-juvenil e conhecem os escritores, então direi assim – valeu a pena!

ANGOP: Qual foi, até agora, o ponto mais alto da sua carreira enquanto escritora de literatura infanto-juvenil?

CL - O ponto mais alto foi quando recebi, em 2016, o prémio nacional de Cultura e Artes, na categoria de literatura. Outro momento foi quando fui galardoada pelo Presidente da República com uma medalha de mérito.  

ANGOP: O que representou na sua vida ter sido indicada duas vezes para o Prémio Internacional Astrid Lindgren (2008 -2009), instituído pelo Governo Sueco?

CL - Quero fazer uma chamada de atenção e chamar a essa minha entrevista Maria José Ramos, antiga directora da Biblioteca Nacional, que trabalhou neste processo da nomeação. Foi por ela que conseguimos entrar, eu e o Dário de Melo. Foi um momento muito alto e quero agradecer a Maria José Ramos, porque ela formalizou o pedido.

ANGOP: Como se sentiu?

CL - É um prémio internacional e de carreira. Senti-me muito lisonjeada, na medida em  que não é qualquer pessoa que entra para esse prémio, embora não me sinta fora de ser uma pessoa normal. Há uma história que ainda vejo que Astrid Lindgren “Pipi das Meias Altas” é um conto tão simples, mas que teve uma repercussão no mundo tão grande que deu em filme.        

ANGOP: Fazendo um pouco de história, e para elucidar as novas gerações, quando foi que Cremilda de Lima concluiu ter queda pela literatura infantil?

CL - Fui criada pela minha mãe e pela minha avó, que me contavam histórias como a do “Zé do telhado” que, depois acabei por pesquisar e realmente vi que foi uma figura  existente. Acho que o seu túmulo está em Malanje, porque veio de Portugal para Angola e era um tipo parecido com o Robin dos Bosques que tirava dos ricos para ajudar os pobres. A minha avó contava-me a história e dizia-me – vi o Zé do Telhado que subia por cima das casas e deu um salto e caiu no mar.   

Já a minha mãe contava-me histórias infantis. Nunca me esqueço dela quando ia para o trabalho e na noite anterior contava a história da “Cabra e os Sete Cabritinhos”. Tenho uma queda muito grande por crianças, gosto de sentir os olhos delas nos meus, gosto de sentir que estão receber a mensagem. Então, sempre tive uma propensão muito grande para, mesmo no internato, contar histórias infantis, juntar grupos de miúdas mais novas para fazermos teatrinho, aprender canções e brincadeiras de roda, mas tudo isso dentro da minha cabecinha fervilhava. Fiz o curso no magistério, comecei a trabalhar em 1964, oficialmente, porque antes já tinha trabalhado em ajudar instituições com apoio das madres, trabalhei em colégio familiar do sagrado coração de Jesus em Luanda, trabalhei no internato também.

Portanto, uma vocação, não há professor nenhum que não faça motivação as suas crianças a partir de Histórias, ou que invente, ou que pesquise de acordo com o tema a dar na aula. Há muito e muito tempo que tenho essa inclinação.

ANGOP: Qual é o perfil exacto de um escritor de literatura infantil, ou seja, o que é preciso ter e dominar para ser um literato de sucesso neste segmento (infantil)?

CL – Olha, para ter sucesso neste segmento da literatura infanto-juvenil, a primeira coisa que a pessoa tem de ter no seu curriculum é ter lido muito. A leitura é a base do conhecimento, portanto, ler livro infanto-juvenil, ler poesia, participar em teatro, narração de contos, fazer pesquisa sobre livros de literatura e aplicar nas suas aulas, criar momentos em que a própria criança conta o seu conto é tão fácil. Quando se é professor tem-se a faca e o queijo na mão, temos as crianças connosco, então, se nós não nos aplicarmos, não lermos muito, porque não é só ler, se há uma palavra mais difícil é preciso ler o dicionário e necessário sentir motivação para isso.

ANGOP: Sente que os autores de hoje, que se dedicam à escrita de textos para crianças e adolescentes, agregam esses valores? Se não, a que se deverá isso?

CL - No tempo da nossa Gabriela Antunes tínhamos na União dos Escritores o grupo de estudo de literatura infantil. Recebíamos os contos, bem como outros trabalhos e eram analisados. Aqueles que não reuniam as condições para serem editados iam para trás, não eram editados. Depois, também tínhamos o Jornal de Angola, que tinha uma página dedicada à criança, Jornal 1º de Dezembro. Havia um grupo de trabalho que era constituído pela Gabriela, Rosalina Pombal, Dário de Melo, Octaviano Correia, António Fonseca, então, as histórias que escreviam eram enviadas para lá, pois quem entrasse para o Jornal 1º de Dezembro com a sua história e ilustração já podia ter uma porta aberta para poder procurar editar.

Agora, as editoras, e falo nomeadamente da União dos Escritores Angolanos, deviam ter uma sala de leitura. Na altura da existência deste grupo, com o Prémio Jardim do Livro Infantil, tínhamos que ler exaustivamente o livro, reunir uma, duas, três vezes. Era eleito um livro para receber o prémio e dois poderiam ficar em “stand bay” para serem editados, portanto nas editoras tem de haver uma sala de leitura, para se ver o que vale a pena editar, sem desmoralizar quem escreveu, mas dizer o necessário para se melhorar.

ANGOP: O que tem feito para manter a literatura infantil?

CL – Tenho-me esforçado imenso para que hajam escritos, por exemplo, tenho o livro “Lenga-Lenga Trava Línguas Rimas” para os professores utilizarem nas escolas com as crianças, retirarem daqui para o pré-escolar, para a primeira classe em que ainda não se sabe ler, o que é importante para desenvolver a oralidade, a dicção e o vocabulário, para posteriormente escrever. Se tiver este trabalho feito, vou à editora e se não tiver sucesso não vou esmorecer, porque o que está escrito, nem que seja daqui a 100 anos, caso alguém se lembrar em fazer uma pesquisa, vai encontrar.

ANGOP: Em termos concretos, que dificuldades têm passado no sentido de manterem viva a literatura infanto-juvenil no país?

CL - Neste momento e nos momentos anteriores, as dificuldades maiores estão ligadas à edição de livros. Há pessoas de quem já ouvi dizer que não existe livros infantis, pois há muitos livros infantis. Precisamos de reeditar, divulgar e pôr os jovens a recriarem em actividades pequenas de teatro, com base nos livros de literatura infantil angolana. Temos de fazer mais. Penso que a nossa literatura infanto-juvenil não está a exercer a função que devia.

ANGOP: O teatro joga um papel importante?   

CL - O teatro joga um papel muito importante e está ajudar. Já se vai vendo aplicação em teatro histórias infantis, mas os próprios actores reclamam pelas salas que, concordo com eles, precisam de ter mais apoios. Por exemplo, a nível das artes, no campo literário existe uma abrangência. Para se fazer música tem de ter letra, para se fazer teatro tem ter uma peça, para se fomentar o gosto pela literatura deve haver livros, para que a literatura possa ter um campo vasto para o uso do dicionário. Nem todas as pessoas do nosso país vão ao Google e, por vezes, as palavras que aparecem podem não se adaptar ao texto, razão pela qual é preciso o manuseio do dicionário, da gramática em todas as escolas e, realmente, temos um potencial grande, temos ainda aí um “Kota” bem bom, o “Kota” Octaviano Correia que tem histórias fabulosas.       

ANGOP: Uma vez feito este diagnóstico, como caracteriza o estado actual da literatura infanto-juvenil em Angola, em termos de qualidade temática, linguística e de produção?

CL – Olha, em termos de qualidade temática, linguística e produção, tinha de ter alguns livros e fazer uma leitura e depois tirar as minhas conclusões. Vou falar mais da produção, porque quando se produz deve  existir a responsabilidade do que está a aprontar e aí já está se a qualidade é boa, porque a editora vai responsabilizar-se por um livro que não tenha qualidade e a produção tem de mandar para o mercado um livro que tenha cabeça, tronco e membros, com o conteúdo que seja de uma história e que motive.

Quando se produz algo, tem de se ter a certeza realmente que o material tem valor a nível literário, da escrita, da apresentação, a combinação com as gravuras, há todo um conjunto que é uma minúcia que não é feito de qualquer maneira.      

ANGOP: Uma das funções da literatura infantil é ajudar a moldar a personalidade das crianças e facilitar a interpretar os fenómenos sociais. Acredita que os textos de hoje cumprem esse propósito?

CL - Para falar de uma forma muito geral, penso que o escritor, quando escreve, tem um objectivo que é criar nas crianças e nos jovens valores. Alguns podem não ser tão bons, podem não atingir os objectivos pretendidos. É necessário saber bem o público a que se dirige e o que se pretende realmente com o que se escreve.      

ANGOP: Há quem diga que isso se deve a múltiplos factores, incluindo um suposto fraco apoio do Estado às artes. Do seu ponto de vista, existem apoios ou incentivos suficientes no país para que possa continuar a produzir bons livros?

CL - Não sou a pessoa mais indicada para responder a esta pergunta, porque luto muito para editar. Felizmente, contei com a Editora Acácia, que publicou as obras  “O Sonho de um Roboteiro” e “O Aniversário do Vovô Imbo”.

ANGOP: O que o Estado deverá fazer para devolver a qualidade à literatura infantil?

CL - A qualidade na literatura depende muito de quem faz a crítica literária, se há crítica literária os livros deveriam ir para lá, depois ser ou não aceite.

ANGOP: Até que ponto a Lei do Mecenato pode ajudar os autores a publicarem livros a um preço mais acessível ao consumidor final?

CL - Claro que não é fácil editar um livro. O livro é muito caro e se houver ajuda do Estado aos escritores é muito bom. O Estado deveria pôr os livros mais baratos. Investir nos livros para o Plano Nacional de Leitura seria o maior investimento que o país poderia fazer. Felizmente, como já disse, tenho tido a ajuda de uma editora. Neste momento, está a ser editada o livro “Percursos Imaginários Abrem Horizontes Angola 45 Anos”. Escrevi esse livro a pensar muito no nosso percurso dos 45 anos de independência.

ANGOP: Já agora, que ganhos antevê com a implementação desta Lei do Mecenato, no domínio da produção literária no país?

CL – A Lei do Mecenato é uma Lei que permite que o autor pague menos em termos de imposto.

ANGOP: Se olharmos para os 11 compromissos, concretamente no seu número 10, alínea K, notamos que chama a atenção para a necessidade da massificação da literatura infanto-juvenil. Isso tem sido efectivado?

CL - Massificação da literatura infanto-juvenil no nosso país pouco se faz. Há, no entanto, que enaltecer o trabalho da Yola Castro que, no Cazenga, tem uma biblioteca de rua. Consegue juntar crianças. Temos um projecto muito bom “Ler e Contar”, comandado por Fernando Kawendinba, cujo objectivo é incentivar as crianças a ler. A massificação implica que toda a sociedade esteja realmente envolvida na leitura e no manuseio de livro. Tenho fé que, com a institucionalização das autarquias, possam surgir bibliotecas, centros comunitários onde as crianças encontrem espaços para ler.

ANGOP: Aponta-se à nova geração muitas deficiências. Não acha que está na hora de os mais velhos promoverem mais acções que levem a camada infanto-juvenil a mudar de atitude perante a sociedade?

CL – A culpa não é inteiramente dos jovens. O que podem fazer se não são incentivados, se não encontram o material necessário à disposição.

ANGOP: Hoje por hoje, o sistema de educação actual dá espaço suficiente para que as crianças e jovem possam desenvolver os hábitos de leitura?

CL - Ler por ler não diz nada. Penso que as crianças têm de manusear livros de histórias.

ANGOP: Cabe apenas à escola estimular a literatura infanto-juvenil?

CL - Não, não é só a escola, primeira célula básica da sociedade é a família. A criança quando está no ventre da mãe já vai ouvindo coisinhas, a mãe que canta, mãe que faz uma carícia, a avó que diz filha de vez em quanto faz uma carícia na sua barriga e o bebé sente, então já vai havendo uma ligação entre mãe e filho. Há livros que não são para crianças de três anos, mas a leitura de imagem e a mãe vai explicar.

ANGOP: No âmbito do 2 de Abril, Dia Mundial do Livro Infantil, que mensagem tem a deixar para os escritores de literatura infantil, para as escolas e para os pais, a propósito da importância do fomento da leitura?

CL – Promoção e divulgação da literatura infantil e propiciem a leitura para as crianças. Pode se gastar muito, porque os livros são caros, quando queremos fazemos. Pôr as crianças a ler desde pequenina até atingirem o ensino superior é termos um país letrado, termos um país com conhecimento e termos a nossa cultura valorizada.

Estou satisfeita por dar um pouco de mim, por estar sempre a querer fazer algo que marque a personalidade das nossas crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos mais velhos. Sempre que possam comprem um livro, frequentem as pequenas bibliotecas, porque ler é realmente um caminho que nos conduz ao conhecimento.   

Perfil  

Maria Cremilda Martins Fernandes Alves de Lima nasceu em Luanda (Angola) em 25 de Março de 1940.

Fez o Curso do Magistério Primário na 1ª Escola que abriu em Angola para a formação de professores, em 1962/1963, no Bié, e 1963/1964, em Luanda.

Em 1987, concluiu o Curso de Formação Científico-Pedagógica, na Escola Superior de Educação de Setúbal, e o Curso de Língua e Cultura Portuguesa para professores de Língua Portuguesa, na Faculdade de Letras, em Lisboa.

Em 1992/1993, concluiu o Curso Superior de Ciências da Educação Opção/Pedagogia, no ISCED (Instituto Superior de Ciências da Educação) em Luanda.

Em 2003, obteve a Licenciatura na Escola Superior de Educação de Leiria. Em 1980 concluiu o Curso Geral de Língua Francesa no Instituto Nacional de Línguas, em Luanda.

Professora do 1º Ciclo desde 1964, iniciou a sua carreira em Malange, em 1965, e daí em diante leccionou em Luanda.

Em 1977, integrou o grupo de trabalho do Ministério da Educação de Angola para elaborar a Reforma Educativa e respectivos manuais escolares onde trabalhou até 1991, altura em que ingressou no quadro da Escola Portuguesa de Luanda.

Em 1984 tornou-se membro da UEA (União dos Escritores Angolanos).

O seu primeiro livro no género infanto-juvenil “A velha Sanga Partida” foi lançado em 1982, na colectânea Piô-Piô.

Em 1986, colabora na preparação e realização de um Colóquio sobre Literatura Infantil.

Em 1989 promove um seminário de Literatura Infantil na Embaixada da Suécia, seguido da participação no Simpósio sobre Cultura Nacional.

Em 2000 tornou-se membro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e em 2005, integra a Comissão para a Redacção da História da Literatura Angolana.

Duas vezes nomeada para o Prémio Internacional Astrid Lindgren (2008 -2009), instituído pelo Governo Sueco para honrar a memória de Astrid Lindgren e fomentar a Literatura Infantil e Juvenil no mundo.

A escritora foi galardoada com o diploma de mérito do balão vermelho, nos anos 80, e em 2008 foi galardoada com o Diploma de Mérito, pelo Ministério da Cultura de Angola, em contribuição à divulgação da literatura infantil angolana.

Em 2016, venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de literatura, foi ainda eleita vencedora na categoria feminina, no âmbito da eleição das personalidades Lux 2016.

Em 2018, foi galardoada com a medalha de bravura e mérito “Civic social” de 2ª Classe, outorgado pelo presidente da República, João Lourenço.   

Alguns dos seus livros foram traduzidos para outras línguas, nomeadamente para servo-croata e castelhano. A obra “A kianda e o barquinho de Fuxi” foi traduzido para Kimbundu.

Entre os vários títulos destaque para “O balão vermelho”, “Mussulo uma Ilha Encantada”, in 4 Estórias, “A kianda e o barquinho de Fuxi”, “O Maboque Mágico e Outras Estórias”, “Missanga e o sapupo”, “O aniversário de vovô Imbo”, “O imbondeiro que queria ser árvore de Natal”, “Os patinhos no parque”.

Por: António Neto

Em entrevista à ANGOP, a propósito do 2 de Abril, Dia Mundial da Literatura Infantil, a escritora defende que o Estado faça investimentos em livros para o Plano Nacional de Leitura, a fim de promover e o incentivar, nos alunos, o hábito de leitura e a escrita.

No entender da artista, cujos feitos estão patentes em vários contos publicados em manuais escolares do país, o Estado angolano deve trabalhar para ter um grande investimento nos livros, tendo em vista o Plano Nacional de Leitura.

“Seria o maior investimento que o país poderia fazerEstou sempre a falar do Plano Nacional de Leitura, que existe em todos os países, porque pensam que faz bem à mente das crianças, porque criança que não lê é criança que não conhece o mundo”.

Eis a entrevista na íntegra:

ANGOP: Cremilda de Lima é um dos nomes incontornáveis na história da literatura infantil angolana, ao lado de Dario de Melo, Octaviano Correia, Gabriela Antunes, Maria Eugénia Neto, Maria Celestina Fernandes, entre outros, mas faz algum tempo que parece "distanciada" dos livros infantis. Isto é mera impressão, ou deixou de escrever para crianças?

Cremilda de Lima (CL) - Com certeza absoluta que é mera impressão. Tenho tido projectos interessantes, só que realmente os órgãos de difusão massiva preocupam-se mais em dar realce a determinadas datas festivas alusivas à literatura infantil, que parece que ela não deve estar na vida das crianças todos os dias. Tenho vários livros, só a Editora das Letras tem cinco reedições, entre elas uma em realidade aumentada “O Aniversário do Vovô Imbo”. A Lexdata tem a “Mia e o Pavão, a Leya e Texto Editor têm “Lenga Lenga Trava Línguas Rimas”. A Editora Acácias tem o meu primeiro livro de poesia “Alma de Kaluanda”, e tenho ainda participações no projecto do Gonçalves Handyman “Escritos de Quarentena” e no projecto “Ler e Contar”. Portanto, os livros para serem realmente manuseados não podem ser só com o lançamento. Sei que estamos em tempo de pandemia, mas muitas coisas têm sido feitas. Tenho já um livro de poema e pensamentos, porque a minha vida psíquica é muito activa. Não há divulgação, parece que não existem escritores de literatura infanto-juvenil. Nós é que corremos atrás, ninguém corre atrás de nós. Há tantos livros editados, Dário de Melo que eu considero Pai da literatura infantil angolana tem tantas histórias infantis já editadas.

ANGOP: Da sua bibliografia constam livros como "Missanga e o Sapupo", "A Múcua que Baloiçava ao Vento", "O tambarino dourado" e "A kianda e o Barquinho de Fuxi", alguns deles traduzidos e estudados em instituições europeias. Sente que já deu tudo pela literatura infanto-juvenil?

CL – Não! Atingi um patamar bom quando a minha grande amiga escritora Kanguimbo

Ananás fez a tese de mestrado estudando a minha obra. Ficou marcado para sempre na minha memória e na memória colectiva de todos nós, porque esses livros estão todos plasmados nessa tese de mestrado. Há muita literatura infanto-juvenil. É necessário apenas divulgação, reedição e estou sempre a falar sobre o Plano Nacional de Leitura, que existe em todos os países, porque pensam que faz bem à mente das crianças, porque criança que não lê é uma criança que não conhece o mundo.

Um dia, quando entrar para uma escola para fazer o lançamento de um livro e sentir que as crianças têm com elas livros de literatura infanto-juvenil e conhecem os escritores, então direi assim – valeu a pena!

ANGOP: Qual foi, até agora, o ponto mais alto da sua carreira enquanto escritora de literatura infanto-juvenil?

CL - O ponto mais alto foi quando recebi, em 2016, o prémio nacional de Cultura e Artes, na categoria de literatura. Outro momento foi quando fui galardoada pelo Presidente da República com uma medalha de mérito.  

ANGOP: O que representou na sua vida ter sido indicada duas vezes para o Prémio Internacional Astrid Lindgren (2008 -2009), instituído pelo Governo Sueco?

CL - Quero fazer uma chamada de atenção e chamar a essa minha entrevista Maria José Ramos, antiga directora da Biblioteca Nacional, que trabalhou neste processo da nomeação. Foi por ela que conseguimos entrar, eu e o Dário de Melo. Foi um momento muito alto e quero agradecer a Maria José Ramos, porque ela formalizou o pedido.

ANGOP: Como se sentiu?

CL - É um prémio internacional e de carreira. Senti-me muito lisonjeada, na medida em  que não é qualquer pessoa que entra para esse prémio, embora não me sinta fora de ser uma pessoa normal. Há uma história que ainda vejo que Astrid Lindgren “Pipi das Meias Altas” é um conto tão simples, mas que teve uma repercussão no mundo tão grande que deu em filme.        

ANGOP: Fazendo um pouco de história, e para elucidar as novas gerações, quando foi que Cremilda de Lima concluiu ter queda pela literatura infantil?

CL - Fui criada pela minha mãe e pela minha avó, que me contavam histórias como a do “Zé do telhado” que, depois acabei por pesquisar e realmente vi que foi uma figura  existente. Acho que o seu túmulo está em Malanje, porque veio de Portugal para Angola e era um tipo parecido com o Robin dos Bosques que tirava dos ricos para ajudar os pobres. A minha avó contava-me a história e dizia-me – vi o Zé do Telhado que subia por cima das casas e deu um salto e caiu no mar.   

Já a minha mãe contava-me histórias infantis. Nunca me esqueço dela quando ia para o trabalho e na noite anterior contava a história da “Cabra e os Sete Cabritinhos”. Tenho uma queda muito grande por crianças, gosto de sentir os olhos delas nos meus, gosto de sentir que estão receber a mensagem. Então, sempre tive uma propensão muito grande para, mesmo no internato, contar histórias infantis, juntar grupos de miúdas mais novas para fazermos teatrinho, aprender canções e brincadeiras de roda, mas tudo isso dentro da minha cabecinha fervilhava. Fiz o curso no magistério, comecei a trabalhar em 1964, oficialmente, porque antes já tinha trabalhado em ajudar instituições com apoio das madres, trabalhei em colégio familiar do sagrado coração de Jesus em Luanda, trabalhei no internato também.

Portanto, uma vocação, não há professor nenhum que não faça motivação as suas crianças a partir de Histórias, ou que invente, ou que pesquise de acordo com o tema a dar na aula. Há muito e muito tempo que tenho essa inclinação.

ANGOP: Qual é o perfil exacto de um escritor de literatura infantil, ou seja, o que é preciso ter e dominar para ser um literato de sucesso neste segmento (infantil)?

CL – Olha, para ter sucesso neste segmento da literatura infanto-juvenil, a primeira coisa que a pessoa tem de ter no seu curriculum é ter lido muito. A leitura é a base do conhecimento, portanto, ler livro infanto-juvenil, ler poesia, participar em teatro, narração de contos, fazer pesquisa sobre livros de literatura e aplicar nas suas aulas, criar momentos em que a própria criança conta o seu conto é tão fácil. Quando se é professor tem-se a faca e o queijo na mão, temos as crianças connosco, então, se nós não nos aplicarmos, não lermos muito, porque não é só ler, se há uma palavra mais difícil é preciso ler o dicionário e necessário sentir motivação para isso.

ANGOP: Sente que os autores de hoje, que se dedicam à escrita de textos para crianças e adolescentes, agregam esses valores? Se não, a que se deverá isso?

CL - No tempo da nossa Gabriela Antunes tínhamos na União dos Escritores o grupo de estudo de literatura infantil. Recebíamos os contos, bem como outros trabalhos e eram analisados. Aqueles que não reuniam as condições para serem editados iam para trás, não eram editados. Depois, também tínhamos o Jornal de Angola, que tinha uma página dedicada à criança, Jornal 1º de Dezembro. Havia um grupo de trabalho que era constituído pela Gabriela, Rosalina Pombal, Dário de Melo, Octaviano Correia, António Fonseca, então, as histórias que escreviam eram enviadas para lá, pois quem entrasse para o Jornal 1º de Dezembro com a sua história e ilustração já podia ter uma porta aberta para poder procurar editar.

Agora, as editoras, e falo nomeadamente da União dos Escritores Angolanos, deviam ter uma sala de leitura. Na altura da existência deste grupo, com o Prémio Jardim do Livro Infantil, tínhamos que ler exaustivamente o livro, reunir uma, duas, três vezes. Era eleito um livro para receber o prémio e dois poderiam ficar em “stand bay” para serem editados, portanto nas editoras tem de haver uma sala de leitura, para se ver o que vale a pena editar, sem desmoralizar quem escreveu, mas dizer o necessário para se melhorar.

ANGOP: O que tem feito para manter a literatura infantil?

CL – Tenho-me esforçado imenso para que hajam escritos, por exemplo, tenho o livro “Lenga-Lenga Trava Línguas Rimas” para os professores utilizarem nas escolas com as crianças, retirarem daqui para o pré-escolar, para a primeira classe em que ainda não se sabe ler, o que é importante para desenvolver a oralidade, a dicção e o vocabulário, para posteriormente escrever. Se tiver este trabalho feito, vou à editora e se não tiver sucesso não vou esmorecer, porque o que está escrito, nem que seja daqui a 100 anos, caso alguém se lembrar em fazer uma pesquisa, vai encontrar.

ANGOP: Em termos concretos, que dificuldades têm passado no sentido de manterem viva a literatura infanto-juvenil no país?

CL - Neste momento e nos momentos anteriores, as dificuldades maiores estão ligadas à edição de livros. Há pessoas de quem já ouvi dizer que não existe livros infantis, pois há muitos livros infantis. Precisamos de reeditar, divulgar e pôr os jovens a recriarem em actividades pequenas de teatro, com base nos livros de literatura infantil angolana. Temos de fazer mais. Penso que a nossa literatura infanto-juvenil não está a exercer a função que devia.

ANGOP: O teatro joga um papel importante?   

CL - O teatro joga um papel muito importante e está ajudar. Já se vai vendo aplicação em teatro histórias infantis, mas os próprios actores reclamam pelas salas que, concordo com eles, precisam de ter mais apoios. Por exemplo, a nível das artes, no campo literário existe uma abrangência. Para se fazer música tem de ter letra, para se fazer teatro tem ter uma peça, para se fomentar o gosto pela literatura deve haver livros, para que a literatura possa ter um campo vasto para o uso do dicionário. Nem todas as pessoas do nosso país vão ao Google e, por vezes, as palavras que aparecem podem não se adaptar ao texto, razão pela qual é preciso o manuseio do dicionário, da gramática em todas as escolas e, realmente, temos um potencial grande, temos ainda aí um “Kota” bem bom, o “Kota” Octaviano Correia que tem histórias fabulosas.       

ANGOP: Uma vez feito este diagnóstico, como caracteriza o estado actual da literatura infanto-juvenil em Angola, em termos de qualidade temática, linguística e de produção?

CL – Olha, em termos de qualidade temática, linguística e produção, tinha de ter alguns livros e fazer uma leitura e depois tirar as minhas conclusões. Vou falar mais da produção, porque quando se produz deve  existir a responsabilidade do que está a aprontar e aí já está se a qualidade é boa, porque a editora vai responsabilizar-se por um livro que não tenha qualidade e a produção tem de mandar para o mercado um livro que tenha cabeça, tronco e membros, com o conteúdo que seja de uma história e que motive.

Quando se produz algo, tem de se ter a certeza realmente que o material tem valor a nível literário, da escrita, da apresentação, a combinação com as gravuras, há todo um conjunto que é uma minúcia que não é feito de qualquer maneira.      

ANGOP: Uma das funções da literatura infantil é ajudar a moldar a personalidade das crianças e facilitar a interpretar os fenómenos sociais. Acredita que os textos de hoje cumprem esse propósito?

CL - Para falar de uma forma muito geral, penso que o escritor, quando escreve, tem um objectivo que é criar nas crianças e nos jovens valores. Alguns podem não ser tão bons, podem não atingir os objectivos pretendidos. É necessário saber bem o público a que se dirige e o que se pretende realmente com o que se escreve.      

ANGOP: Há quem diga que isso se deve a múltiplos factores, incluindo um suposto fraco apoio do Estado às artes. Do seu ponto de vista, existem apoios ou incentivos suficientes no país para que possa continuar a produzir bons livros?

CL - Não sou a pessoa mais indicada para responder a esta pergunta, porque luto muito para editar. Felizmente, contei com a Editora Acácia, que publicou as obras  “O Sonho de um Roboteiro” e “O Aniversário do Vovô Imbo”.

ANGOP: O que o Estado deverá fazer para devolver a qualidade à literatura infantil?

CL - A qualidade na literatura depende muito de quem faz a crítica literária, se há crítica literária os livros deveriam ir para lá, depois ser ou não aceite.

ANGOP: Até que ponto a Lei do Mecenato pode ajudar os autores a publicarem livros a um preço mais acessível ao consumidor final?

CL - Claro que não é fácil editar um livro. O livro é muito caro e se houver ajuda do Estado aos escritores é muito bom. O Estado deveria pôr os livros mais baratos. Investir nos livros para o Plano Nacional de Leitura seria o maior investimento que o país poderia fazer. Felizmente, como já disse, tenho tido a ajuda de uma editora. Neste momento, está a ser editada o livro “Percursos Imaginários Abrem Horizontes Angola 45 Anos”. Escrevi esse livro a pensar muito no nosso percurso dos 45 anos de independência.

ANGOP: Já agora, que ganhos antevê com a implementação desta Lei do Mecenato, no domínio da produção literária no país?

CL – A Lei do Mecenato é uma Lei que permite que o autor pague menos em termos de imposto.

ANGOP: Se olharmos para os 11 compromissos, concretamente no seu número 10, alínea K, notamos que chama a atenção para a necessidade da massificação da literatura infanto-juvenil. Isso tem sido efectivado?

CL - Massificação da literatura infanto-juvenil no nosso país pouco se faz. Há, no entanto, que enaltecer o trabalho da Yola Castro que, no Cazenga, tem uma biblioteca de rua. Consegue juntar crianças. Temos um projecto muito bom “Ler e Contar”, comandado por Fernando Kawendinba, cujo objectivo é incentivar as crianças a ler. A massificação implica que toda a sociedade esteja realmente envolvida na leitura e no manuseio de livro. Tenho fé que, com a institucionalização das autarquias, possam surgir bibliotecas, centros comunitários onde as crianças encontrem espaços para ler.

ANGOP: Aponta-se à nova geração muitas deficiências. Não acha que está na hora de os mais velhos promoverem mais acções que levem a camada infanto-juvenil a mudar de atitude perante a sociedade?

CL – A culpa não é inteiramente dos jovens. O que podem fazer se não são incentivados, se não encontram o material necessário à disposição.

ANGOP: Hoje por hoje, o sistema de educação actual dá espaço suficiente para que as crianças e jovem possam desenvolver os hábitos de leitura?

CL - Ler por ler não diz nada. Penso que as crianças têm de manusear livros de histórias.

ANGOP: Cabe apenas à escola estimular a literatura infanto-juvenil?

CL - Não, não é só a escola, primeira célula básica da sociedade é a família. A criança quando está no ventre da mãe já vai ouvindo coisinhas, a mãe que canta, mãe que faz uma carícia, a avó que diz filha de vez em quanto faz uma carícia na sua barriga e o bebé sente, então já vai havendo uma ligação entre mãe e filho. Há livros que não são para crianças de três anos, mas a leitura de imagem e a mãe vai explicar.

ANGOP: No âmbito do 2 de Abril, Dia Mundial do Livro Infantil, que mensagem tem a deixar para os escritores de literatura infantil, para as escolas e para os pais, a propósito da importância do fomento da leitura?

CL – Promoção e divulgação da literatura infantil e propiciem a leitura para as crianças. Pode se gastar muito, porque os livros são caros, quando queremos fazemos. Pôr as crianças a ler desde pequenina até atingirem o ensino superior é termos um país letrado, termos um país com conhecimento e termos a nossa cultura valorizada.

Estou satisfeita por dar um pouco de mim, por estar sempre a querer fazer algo que marque a personalidade das nossas crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos mais velhos. Sempre que possam comprem um livro, frequentem as pequenas bibliotecas, porque ler é realmente um caminho que nos conduz ao conhecimento.   

Perfil  

Maria Cremilda Martins Fernandes Alves de Lima nasceu em Luanda (Angola) em 25 de Março de 1940.

Fez o Curso do Magistério Primário na 1ª Escola que abriu em Angola para a formação de professores, em 1962/1963, no Bié, e 1963/1964, em Luanda.

Em 1987, concluiu o Curso de Formação Científico-Pedagógica, na Escola Superior de Educação de Setúbal, e o Curso de Língua e Cultura Portuguesa para professores de Língua Portuguesa, na Faculdade de Letras, em Lisboa.

Em 1992/1993, concluiu o Curso Superior de Ciências da Educação Opção/Pedagogia, no ISCED (Instituto Superior de Ciências da Educação) em Luanda.

Em 2003, obteve a Licenciatura na Escola Superior de Educação de Leiria. Em 1980 concluiu o Curso Geral de Língua Francesa no Instituto Nacional de Línguas, em Luanda.

Professora do 1º Ciclo desde 1964, iniciou a sua carreira em Malange, em 1965, e daí em diante leccionou em Luanda.

Em 1977, integrou o grupo de trabalho do Ministério da Educação de Angola para elaborar a Reforma Educativa e respectivos manuais escolares onde trabalhou até 1991, altura em que ingressou no quadro da Escola Portuguesa de Luanda.

Em 1984 tornou-se membro da UEA (União dos Escritores Angolanos).

O seu primeiro livro no género infanto-juvenil “A velha Sanga Partida” foi lançado em 1982, na colectânea Piô-Piô.

Em 1986, colabora na preparação e realização de um Colóquio sobre Literatura Infantil.

Em 1989 promove um seminário de Literatura Infantil na Embaixada da Suécia, seguido da participação no Simpósio sobre Cultura Nacional.

Em 2000 tornou-se membro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e em 2005, integra a Comissão para a Redacção da História da Literatura Angolana.

Duas vezes nomeada para o Prémio Internacional Astrid Lindgren (2008 -2009), instituído pelo Governo Sueco para honrar a memória de Astrid Lindgren e fomentar a Literatura Infantil e Juvenil no mundo.

A escritora foi galardoada com o diploma de mérito do balão vermelho, nos anos 80, e em 2008 foi galardoada com o Diploma de Mérito, pelo Ministério da Cultura de Angola, em contribuição à divulgação da literatura infantil angolana.

Em 2016, venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de literatura, foi ainda eleita vencedora na categoria feminina, no âmbito da eleição das personalidades Lux 2016.

Em 2018, foi galardoada com a medalha de bravura e mérito “Civic social” de 2ª Classe, outorgado pelo presidente da República, João Lourenço.   

Alguns dos seus livros foram traduzidos para outras línguas, nomeadamente para servo-croata e castelhano. A obra “A kianda e o barquinho de Fuxi” foi traduzido para Kimbundu.

Entre os vários títulos destaque para “O balão vermelho”, “Mussulo uma Ilha Encantada”, in 4 Estórias, “A kianda e o barquinho de Fuxi”, “O Maboque Mágico e Outras Estórias”, “Missanga e o sapupo”, “O aniversário de vovô Imbo”, “O imbondeiro que queria ser árvore de Natal”, “Os patinhos no parque”.