Interior do país precisa de investimento robusto - Administrador do Luacano

  • Administração Municipal do Luacano, Candido Celestino Cangolo
Luacano - A construção de estradas intermunicipais afigura-se capital para qualquer acção virada ao crescimento e progresso que se projecta para os municípios do interior da província do Moxico.

Por Laite Capuita Tito

Esta constatação é do administrador municipal do Luacano, Cândido Celestino Cangolo, que defende, durante uma entrevista à ANGOP, ser necessário que as estruturas centrais construam estradas para desenvolver o interior, olhando, desde já, para os benefícios políticos, económicos e sociais.

Ao longo da entrevista, Cândido Celestino Cangolo, que já foi administrador de Camanongue e Leua, apresenta o município de Luacano como um potencial turístico, albergando o maior lago de Angola, o Dilolo, o parque nacional da Cameia, as chanas de Lutembo, Luangeji, Chivumaji e sítios históricos, cuja exploração (desenvolvimento) exige a atracção de investidores nacionais e internacional que devem encontrar o básico, como energia, estradas e água.

 Eis a entrevista:

ANGOP – Luacano é um município rico em rios e pequenas florestas, além de albergar o maior lago do país. Pode-se falar da existência de turismo na região?

Cândido Celestino Cangolo (CCC) – Turismo como tal ainda não é feito. Os passos para impulsionar o turismo na região não passam de perspectivas de operacionalização das vias de acesso e divulgação do potencial turístico, de forma a atrair investidores.

Como sabem, precisamos de estradas, pois a única que existe, entre a capital provincial, num raio de 217 quilómetros de extensão, é de difícil acesso ou inacessível na época de chuva.

Os comboios do Caminho de Ferro de Benguela (CFB) que deveriam contribuir, por serem acessíveis e cómodos, têm limitações em frequência. Semanalmente só há duas.

ANGOP – Então, em termos práticos não há, ainda, Plano Director para o turismo no município e nem vantagens com o CFB?

 CCC – Os comboios do CFB trouxeram a esperança aos habitantes, desde 12 de Março de 2015, data do início da circulação destes meios, factor que está a transformar, significativamente, a vida social dos habitantes.

Está a impulsionar a produção no sector agrícola e piscatório. As pessoas viajam à cidade do Luena e a outros municípios como o Luau, Cameia, Léua, e às províncias do Bié, Huambo e Benguela, com conforto e a preço acessível, uns para fins comerciais e outros para visitarem os seus familiares e amigos.

 Relativamente ao Plano Director para o Turismo, existe um a nível provincial, que visa potenciar este importante sector gerador de renda, emprego e robustez da economia, mas precisa de ser implementado.

 ANGOP – Ou seja, sem alternativas em vias de acesso, com excepção ao comboio, não há progresso neste município?

CCC- Só a estrada pode impulsionar o rápido desenvolvimento social e económico do município do Luacano. É necessário que as estruturas centrais levem em consideração que uma determinada estrada acarreta benefícios, razão pela qual deve-se atribuir recursos financeiros aos municípios.

Estradas asfaltadas promovem a captação de investimento produtivo interno e externo, agilizam a troca mercantil dentro e fora da província, estimulam a actividade agropecuária, piscatória, turismo, bem como melhora a troca de valores culturais e académicos com as outras regiões do país.

ANGOP – Relativamente à agricultura, sabe-se que, historicamente, a produção de arroz no município do Luacano era razoável. O que, em concreto, a administração municipal está a fazer para voltar aos tempos áureos?

CCC – Estamos a sensibilizar os camponeses para a prática desta e outras culturas, como a do feijão, banana, mandioca, milho, batata-doce, cana-de-açúcar e ginguba.

O município deseja, com esta iniciativa, “resgatar a mística” de grande produtor de arroz do país, proeza alcançada antes da independência nacional, de modo a contribuir para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Moxico e alargar o leque de mercadoria a exportar. Temos um território de 34 mil e 780 quilómetros quadrados férteis e cobertos por chanas na extensão, onde se cultivava este cereal, especialmente nas localidades do Samassango, Manduna, Sacamoto, Candongo, comuna do Lago Dilolo, foz do rio Calumbo, Sarmoz, Luangues e Nha Cazenga. 

 ANGOP – Além de sensibilizar, também apoiam…

CCC – As seis associações de camponeses e as duas cooperativas existentes na região, desde a sua constituição a partir de 2013, nunca beneficiaram de crédito bancário, mas têm recebido apoios de instrumentos de trabalho da parte da Administração Municipal no quadro do PIDLCP (Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza). 

Infelizmente, a falta de apoio dos bancos comerciais na cedência de crédito agrícola está a impedir o “resgate da mística” de grande produtor de arroz do país. O gabinete da Agricultura possui equipamentos mecanizados, sobretudo para o fomento da produção de arroz.

ANGOP - Já que estamos a falar do sector agrícola, quantos hectares foram preparados na presente campanha agrícola?

CCC – Preparamos 110 hectares para colher, pelos camponeses, mais de 300 toneladas de mandioca, milho, ginguba (amendoim), arroz e outros produtos do campo durante o ano agrícola 2021/22.

Os produtos agrícolas são escoados através dos comboios, visto que as vias da municipalidade, como já o disse, são de difícil acesso. A transportação por comboio torna-se barato, acessível, cómoda e facilita o comércio na região.

ANGOP – Quanto ao ensino, se tivesse que fazer uma comparação com o antes e o pós independência, como o caracteriza?

 CCC – Fruto do PIDLCP, actualmente, controlamos 55 salas de aulas contra as 47 erguidas na época colonial, perfazendo sete escolas que leccionam da iniciação à 13ª classe. Neste ano lectivo, foram matriculados 10 mil 378 alunos, dos quais 6.117 são mulheres. O aumento de professores também acompanhou a evolução de infra-estruturas. Hoje, leccionam na jurisdição 336 docentes, contra os 136 anteriores, mas ainda é insuficiente, devido à demanda de alunos para o número de escolas. No entanto, é necessário o aumento de mais 88 novos professores e 56 salas de aulas.

ANGOP – Mas ainda se constata a existência de crianças fora do sistema de ensino e outras que estudam em salas improvisadas…

CCC – Sim, existe um grande número de crianças fora do sistema de ensino, que ainda não podemos quantificar, sobretudo em zonas isoladas. Outras continuam a estudar em salas improvisadas. Outro factor que deixa algumas crianças fora do sistema de ensino é o de serem usados pelos encarregados de educação nas actividades piscatórias e agrícolas.

Vamos continuar a unificar os bairros, aldeias e localidades para permitir a construção de infra-estruturas sociais, como escola, postos e centros de saúde e, por outro lado, sensibilizar os pais e outros encarregados de educação da importância de levar os filhos à escola.

ANGOP – Ainda no sector social, qual é o ponto de situação na saúde? 

CCC – É um área delicada. Controlamos um hospital municipal, sete postos e sete centros de saúde. As unidades sanitárias citadas funcionam com 90 quadros, entre os quais três médicos de medicina geral, enfermeiros (licenciados, técnicos médios e básicos), e 30 funcionários administrativos.

Oferecem serviços de urgência, consultas externas, medicina, pediatria, hemoterapia, laboratórios, farmácia, consultas pré natais, obstetrícia e planeamento familiar. Há zonas sem unidades sanitárias, como as localidades de Cato, Cassenha, Cassonda, Nhamalopa e Quena. Estamos a resolver este assunto com a implementação do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

ANGOP – Já há estabilidade no fornecimento de energia eléctrica e água?

CCC – A energia eléctrica proveniente de grupos geradores, com capacidade de 500 KVA, apenas é distribuída a 60 por cento das famílias no município. Esta alternativa acarreta custo alto, desde combustível a peças sobresselentes. Temos esperança de ver resolvida esta situação, depois do anúncio do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, aquando da apresentação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Tchihumbué, que Luacano será o principal centro de construção de mini-hídricas para distribuir energia eléctrica aos municípios do Alto Zambeze e Luau. Com isto, o município terá residências e ruas iluminadas com maior abrangência, o que deverá atrair investidores para desenvolver o turismo interno e outras potencialidades.

 ANGOP – Que dizer do PIIM? O que está a mudar com a sua implementação?

 CCC – O PIIM veio dar outra pujança ao sector social e económico da região. Ao total, o município foi contemplado com 10 acções, com grau de execução que variam de 45 a 60 por cento. Constam dos projectos, a construção de unidades sanitárias, escolares, sistemas de abastecimentos de água potável, a aquisição de postes de iluminação pública, equipamento de saneamento básico e geradores.

De salientar que o projecto de terraplenagem, também enquadrado no PIIM, do troço vila do Luacano a comuna do Lago Dilolo, com uma extensão de 62 quilómetros, ocupa 90 por cento do valor cabimentado ao município, que é de mais de mil milhão de kwanzas.

ANGOP – Como quer que seja lembrado após deixar a gestão do município?

CCC – Estou comprometido com a priorização do sector social para mudar a vida dos munícipes, embora os outros não sejam menos importantes. Gostava de deixar a gestão do município com um ensino de qualidade e quantidade, saúde, empoderamento da mulher rural, fomento do empreendedorismo juvenil, atenção às necessidades dos ex-militares e cuidado às pessoas idosas.

 Perfil do Luacano

Luacano é um dos nove municípios da província do Moxico, dista 217 quilómetros a Leste da cidade do Luena e possui uma população de 30 mil habitantes (Censo 2014).

É limitado a Norte pelos municípios do Luau (Moxico) e Muconda (Lunda Sul), a Este e a Sul pelo Alto Zambeze e a Oeste pela Cameia.

O nome Luacano deriva de um rio que desagua a cinco quilómetros a norte da vila com mesmo nome. A população está distribuída pela vila de Luacano (sede municipal), comuna do Lago Dilolo, regedorias de Carinda, Caxita, Chinhama, Dona e Nhamuoji.

A jurisdição conta com 49 aldeias e nove povoações.

A população do município maioritariamente dedica-se à agricultura e pesca. Possui recursos florestais, hídricos para além da diversidade faunística e flora.

O clima é tropical húmido, no tempo frio é seco e fresco (Junho e Agosto), enquanto na época chuvosa é quente, de Outubro a Abril. A temperatura anual é sempre superior a 20 graus centígrados, por vezes atinge o máximo de 35 graus nos meses de Setembro e Outubro.

 A data da elevação do município

 Por falta de registo documental, funcionários da antiga administração colonial e outras pessoas idosas defendem que passou à categoria de Administração do Conselho de Luacano no dia 12 de Março de 1965, enquanto outras indicam ser de facto a 12 de Março, mas de 1968 como data de aniversário da região.

A partir deste ano, os dias 29 e 30 de Junho, foram escolhidos como efeméride local, para coincidir com as festividades do município e da feira do peixe, período de fartura deste bem da cesta básica, na circunscrição.

 

 

Por Laite Capuita Tito

Esta constatação é do administrador municipal do Luacano, Cândido Celestino Cangolo, que defende, durante uma entrevista à ANGOP, ser necessário que as estruturas centrais construam estradas para desenvolver o interior, olhando, desde já, para os benefícios políticos, económicos e sociais.

Ao longo da entrevista, Cândido Celestino Cangolo, que já foi administrador de Camanongue e Leua, apresenta o município de Luacano como um potencial turístico, albergando o maior lago de Angola, o Dilolo, o parque nacional da Cameia, as chanas de Lutembo, Luangeji, Chivumaji e sítios históricos, cuja exploração (desenvolvimento) exige a atracção de investidores nacionais e internacional que devem encontrar o básico, como energia, estradas e água.

 Eis a entrevista:

ANGOP – Luacano é um município rico em rios e pequenas florestas, além de albergar o maior lago do país. Pode-se falar da existência de turismo na região?

Cândido Celestino Cangolo (CCC) – Turismo como tal ainda não é feito. Os passos para impulsionar o turismo na região não passam de perspectivas de operacionalização das vias de acesso e divulgação do potencial turístico, de forma a atrair investidores.

Como sabem, precisamos de estradas, pois a única que existe, entre a capital provincial, num raio de 217 quilómetros de extensão, é de difícil acesso ou inacessível na época de chuva.

Os comboios do Caminho de Ferro de Benguela (CFB) que deveriam contribuir, por serem acessíveis e cómodos, têm limitações em frequência. Semanalmente só há duas.

ANGOP – Então, em termos práticos não há, ainda, Plano Director para o turismo no município e nem vantagens com o CFB?

 CCC – Os comboios do CFB trouxeram a esperança aos habitantes, desde 12 de Março de 2015, data do início da circulação destes meios, factor que está a transformar, significativamente, a vida social dos habitantes.

Está a impulsionar a produção no sector agrícola e piscatório. As pessoas viajam à cidade do Luena e a outros municípios como o Luau, Cameia, Léua, e às províncias do Bié, Huambo e Benguela, com conforto e a preço acessível, uns para fins comerciais e outros para visitarem os seus familiares e amigos.

 Relativamente ao Plano Director para o Turismo, existe um a nível provincial, que visa potenciar este importante sector gerador de renda, emprego e robustez da economia, mas precisa de ser implementado.

 ANGOP – Ou seja, sem alternativas em vias de acesso, com excepção ao comboio, não há progresso neste município?

CCC- Só a estrada pode impulsionar o rápido desenvolvimento social e económico do município do Luacano. É necessário que as estruturas centrais levem em consideração que uma determinada estrada acarreta benefícios, razão pela qual deve-se atribuir recursos financeiros aos municípios.

Estradas asfaltadas promovem a captação de investimento produtivo interno e externo, agilizam a troca mercantil dentro e fora da província, estimulam a actividade agropecuária, piscatória, turismo, bem como melhora a troca de valores culturais e académicos com as outras regiões do país.

ANGOP – Relativamente à agricultura, sabe-se que, historicamente, a produção de arroz no município do Luacano era razoável. O que, em concreto, a administração municipal está a fazer para voltar aos tempos áureos?

CCC – Estamos a sensibilizar os camponeses para a prática desta e outras culturas, como a do feijão, banana, mandioca, milho, batata-doce, cana-de-açúcar e ginguba.

O município deseja, com esta iniciativa, “resgatar a mística” de grande produtor de arroz do país, proeza alcançada antes da independência nacional, de modo a contribuir para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Moxico e alargar o leque de mercadoria a exportar. Temos um território de 34 mil e 780 quilómetros quadrados férteis e cobertos por chanas na extensão, onde se cultivava este cereal, especialmente nas localidades do Samassango, Manduna, Sacamoto, Candongo, comuna do Lago Dilolo, foz do rio Calumbo, Sarmoz, Luangues e Nha Cazenga. 

 ANGOP – Além de sensibilizar, também apoiam…

CCC – As seis associações de camponeses e as duas cooperativas existentes na região, desde a sua constituição a partir de 2013, nunca beneficiaram de crédito bancário, mas têm recebido apoios de instrumentos de trabalho da parte da Administração Municipal no quadro do PIDLCP (Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza). 

Infelizmente, a falta de apoio dos bancos comerciais na cedência de crédito agrícola está a impedir o “resgate da mística” de grande produtor de arroz do país. O gabinete da Agricultura possui equipamentos mecanizados, sobretudo para o fomento da produção de arroz.

ANGOP - Já que estamos a falar do sector agrícola, quantos hectares foram preparados na presente campanha agrícola?

CCC – Preparamos 110 hectares para colher, pelos camponeses, mais de 300 toneladas de mandioca, milho, ginguba (amendoim), arroz e outros produtos do campo durante o ano agrícola 2021/22.

Os produtos agrícolas são escoados através dos comboios, visto que as vias da municipalidade, como já o disse, são de difícil acesso. A transportação por comboio torna-se barato, acessível, cómoda e facilita o comércio na região.

ANGOP – Quanto ao ensino, se tivesse que fazer uma comparação com o antes e o pós independência, como o caracteriza?

 CCC – Fruto do PIDLCP, actualmente, controlamos 55 salas de aulas contra as 47 erguidas na época colonial, perfazendo sete escolas que leccionam da iniciação à 13ª classe. Neste ano lectivo, foram matriculados 10 mil 378 alunos, dos quais 6.117 são mulheres. O aumento de professores também acompanhou a evolução de infra-estruturas. Hoje, leccionam na jurisdição 336 docentes, contra os 136 anteriores, mas ainda é insuficiente, devido à demanda de alunos para o número de escolas. No entanto, é necessário o aumento de mais 88 novos professores e 56 salas de aulas.

ANGOP – Mas ainda se constata a existência de crianças fora do sistema de ensino e outras que estudam em salas improvisadas…

CCC – Sim, existe um grande número de crianças fora do sistema de ensino, que ainda não podemos quantificar, sobretudo em zonas isoladas. Outras continuam a estudar em salas improvisadas. Outro factor que deixa algumas crianças fora do sistema de ensino é o de serem usados pelos encarregados de educação nas actividades piscatórias e agrícolas.

Vamos continuar a unificar os bairros, aldeias e localidades para permitir a construção de infra-estruturas sociais, como escola, postos e centros de saúde e, por outro lado, sensibilizar os pais e outros encarregados de educação da importância de levar os filhos à escola.

ANGOP – Ainda no sector social, qual é o ponto de situação na saúde? 

CCC – É um área delicada. Controlamos um hospital municipal, sete postos e sete centros de saúde. As unidades sanitárias citadas funcionam com 90 quadros, entre os quais três médicos de medicina geral, enfermeiros (licenciados, técnicos médios e básicos), e 30 funcionários administrativos.

Oferecem serviços de urgência, consultas externas, medicina, pediatria, hemoterapia, laboratórios, farmácia, consultas pré natais, obstetrícia e planeamento familiar. Há zonas sem unidades sanitárias, como as localidades de Cato, Cassenha, Cassonda, Nhamalopa e Quena. Estamos a resolver este assunto com a implementação do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

ANGOP – Já há estabilidade no fornecimento de energia eléctrica e água?

CCC – A energia eléctrica proveniente de grupos geradores, com capacidade de 500 KVA, apenas é distribuída a 60 por cento das famílias no município. Esta alternativa acarreta custo alto, desde combustível a peças sobresselentes. Temos esperança de ver resolvida esta situação, depois do anúncio do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, aquando da apresentação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Tchihumbué, que Luacano será o principal centro de construção de mini-hídricas para distribuir energia eléctrica aos municípios do Alto Zambeze e Luau. Com isto, o município terá residências e ruas iluminadas com maior abrangência, o que deverá atrair investidores para desenvolver o turismo interno e outras potencialidades.

 ANGOP – Que dizer do PIIM? O que está a mudar com a sua implementação?

 CCC – O PIIM veio dar outra pujança ao sector social e económico da região. Ao total, o município foi contemplado com 10 acções, com grau de execução que variam de 45 a 60 por cento. Constam dos projectos, a construção de unidades sanitárias, escolares, sistemas de abastecimentos de água potável, a aquisição de postes de iluminação pública, equipamento de saneamento básico e geradores.

De salientar que o projecto de terraplenagem, também enquadrado no PIIM, do troço vila do Luacano a comuna do Lago Dilolo, com uma extensão de 62 quilómetros, ocupa 90 por cento do valor cabimentado ao município, que é de mais de mil milhão de kwanzas.

ANGOP – Como quer que seja lembrado após deixar a gestão do município?

CCC – Estou comprometido com a priorização do sector social para mudar a vida dos munícipes, embora os outros não sejam menos importantes. Gostava de deixar a gestão do município com um ensino de qualidade e quantidade, saúde, empoderamento da mulher rural, fomento do empreendedorismo juvenil, atenção às necessidades dos ex-militares e cuidado às pessoas idosas.

 Perfil do Luacano

Luacano é um dos nove municípios da província do Moxico, dista 217 quilómetros a Leste da cidade do Luena e possui uma população de 30 mil habitantes (Censo 2014).

É limitado a Norte pelos municípios do Luau (Moxico) e Muconda (Lunda Sul), a Este e a Sul pelo Alto Zambeze e a Oeste pela Cameia.

O nome Luacano deriva de um rio que desagua a cinco quilómetros a norte da vila com mesmo nome. A população está distribuída pela vila de Luacano (sede municipal), comuna do Lago Dilolo, regedorias de Carinda, Caxita, Chinhama, Dona e Nhamuoji.

A jurisdição conta com 49 aldeias e nove povoações.

A população do município maioritariamente dedica-se à agricultura e pesca. Possui recursos florestais, hídricos para além da diversidade faunística e flora.

O clima é tropical húmido, no tempo frio é seco e fresco (Junho e Agosto), enquanto na época chuvosa é quente, de Outubro a Abril. A temperatura anual é sempre superior a 20 graus centígrados, por vezes atinge o máximo de 35 graus nos meses de Setembro e Outubro.

 A data da elevação do município

 Por falta de registo documental, funcionários da antiga administração colonial e outras pessoas idosas defendem que passou à categoria de Administração do Conselho de Luacano no dia 12 de Março de 1965, enquanto outras indicam ser de facto a 12 de Março, mas de 1968 como data de aniversário da região.

A partir deste ano, os dias 29 e 30 de Junho, foram escolhidos como efeméride local, para coincidir com as festividades do município e da feira do peixe, período de fartura deste bem da cesta básica, na circunscrição.