“Os nossos custos de produção de arroz são altos” – Agrónomo Carlos Camuti

  • Colheita de Arroz
Saurimo - O engenheiro agrónomo angolano Carlos Camuti afirma, em entrevista à ANGOP, que o relançamento da produção de arroz será determinante para projectar, a médio e longos prazos, o desenvolvimento da província da Lunda-Sul.

Por Silvina Lembeno

Durante a conversa, o especialista lembra que este produto já foi considerado, até aos anos 80, a principal produção agrícola da Lunda-Sul, sublinhando haver condições para voltar a tornar a localidade num grande produtor deste cereal.

Nesta entrevista, o agrónomo fala do potencial agrícola da província, do seu clima e dos solos propícios para a produção de arroz, trazendo números que revelam esta parcela do território ter sido um verdadeiro “celeiro” dessa cultura na década de 80.

Carlos Camuti declara que o arroz produzido na Lunda-Sul, além de servir o mercado angolano, era exportado para a Europa e a sua produção envolvia 80 por cento das famílias que residiam nas zonas rurais.

Revela, igualmente, segredos do sucesso da produção do cereal há 40 anos e aponta soluções para que o programa de relançamento do cultivo de arroz não se transforme em ilusão. 

Eis a entrevista na íntegra: 

ANGOP: O Leste, em particular as províncias da Lunda-Sul e Lunda-Norte, é conhecido pelo seu potencial diamantífero. Mas há relatos de que a Lunda-Sul, por exemplo, já foi grande produtora de arroz nos anos 80. Fale-nos um pouco dessa época e das experiências que se ajustam ao actual contexto. 

Carlos Camuti (CC) – A cultura do arroz foi implantada no antigo distrito da Lunda, antes da independência nacional, pela administração colonial portuguesa, devido às condições dafoclimáticas (relativo ao solo e clima) que a região tem e chegou a ser a principal mascote agrícola da Lunda-Sul.  Na altura, a administração colonial portuguesa montou, dentro da cadeia, todos os elementos indispensáveis, ou seja, por um lado, estava a administração com instituições que forneciam os insumos e estabeleciam os programas; por outro, no meio da cadeia, estavam as famílias obrigadas a produzir e,  posteriormente, os industriais e comerciantes que garantiam o escoamento do cereal. A actividade era acompanhada pelas autoridades tradicionais e pelos capatazes agrícolas, ou seja, agrónomos que definiam uma área específica para cada família, onde fosse possível cultivar arroz, e tudo funcionava em harmonia. 

ANGOP: Quais eram as zonas de produção naquela altura?

CC –  Esta cultura era desenvolvida nos municípios de Dala, Muconda e Saurimo, mas o maior centro de produção de arroz era na actual comuna do Mona Quimbundo, em Saurimo, por possuir mais áreas com solos propícios para desenvolvê-la. 

ANGOP: Na verdade, quem eram os grandes produtores? 

CC – A administração colonial portuguesa obrigava as famílias residentes em zonas onde era possível produzir o arroz a cultivar meio hectare de terra, e pelo menos 80 por cento da população local esteve envolvida. Também existiam algumas empresas que produziam em grande escala no Mona Quimbundo. 

ANGOP: Quais eram os níveis de produção? 

CC – Até finais da década 70 e início dos anos 80, cultivava-se cerca de cinco mil hectares de terra e os níveis de produção por família rondavam os 800 a 120 quilos por hectares. As famílias e/ou a população local, como não tinham o hábito alimentar do arroz, esse cereal apenas servia em situações raras, como lanche. Pelo menos 99 por cento da produção feita naquela altura ia para o comércio. O povo alimentava-se de mandioca e feijão. 

ANGOP: E qual era o mercado? 

CC- Por incrível que pareça, naquela altura, o arroz produzido na Lunda-Sul era escoado para todo o país e satisfazia a demanda, porque, antes da independência nacional, Angola tinha mais ou menos 10 milhões de habitantes, e o que se produzia cá abastecia o mercado nacional. A outra parte da produção era exportada para alguns países da Europa, e o resto servia para a subsistência alimentar das famílias. 

ANGOP: Qual era o segredo para o sucesso naquela altura? 

CC - O arroz é uma cultura que só faz sentido desenvolvê-la se houver indústrias. Não basta produzi-lo, é preciso que, logo a seguir, haja alguém disponível para poder descascar, branquear, embalar e comercializar. E quem fazia descasque naquela época não eram as famílias camponesas, como acontece agora, era um outro grupo industrial. Quem fazia a comercialização eram os chamados comerciantes do mar, ou seja, toda esta cadeia funcionava na altura, por isso o projecto teve o sucesso que teve.

A administração portuguesa obrigava a que cada família produzisse meio hectare de terra e disponibilizava sementes, fertilizantes, instrumentos de trabalho e apoio técnico. Quem fazia a colheita eram os comerciantes que pegavam no arroz e transportavam para  as zonas de armazenamento. Por exemplo, em todos os municípios e nalgumas comunas, existiam armazéns que eram só para armazenar o cereal.

Havia, na Lunda-Sul, dois operadores industriais que se dedicavam exclusivamente ao descasque do arroz produzido. Tudo isso e mais outras questões técnicas e de logística contribuíram para o sucesso. 

ANGOP: Quais eram os métodos usados para o cultivo? 

CC – Os métodos eram, maioritariamente, manuais. As pessoas usavam os seus próprios instrumentos de trabalho para fazer as valas de drenagem dos solos, e depois a administração colonial portuguesa fornecia as sementes e os fertilizantes aí onde fosse necessário. Os grandes agricultores, que eram maioritariamente portugueses, já usavam mecanização agrícola em todos os domínios. A sementeira era feita em Outubro, e as colheitas eram de Março a Abril. As variedades usadas eram fundamentalmente o arroz agulha e o carolino. 

ANGOP: Mas, afinal, o que tem falhado para que o arroz, produto essencial na dieta dos angolanos, volte a ser a principal produção agrícola na Lunda-Sul?   

CC –  O arroz é daquelas culturas que, para serem implementadas, exigem que se cumpram todas as regras acima enumeradas. Depois da nossa independência, o que não conseguimos fazer foi manter todos os segmentos da cadeia, ou seja, deixaram de existir os comerciantes, as indústrias e um programa estruturante e abrangente que consiga juntar todos os intervenientes neste processo. Existiram programas, mesmo depois da independência, para o relançamento do cultivo do arroz, mas, como não estava montada uma cadeia bem estruturada, por um lado um Estado a fornecer os insumos às famílias, por outro os comerciantes e industriais, não foi possível recuperar até hoje. Precisamos de perceber que o arroz é uma cultura mais complexa de ser cultivada, tem regras agronómicas, tempo de cultivo a ser respeitado e merece acompanhamento técnico rigoroso. Por isso, em todas as aldeias, o trabalho era acompanhado por capatazes agrícolas que instruíam as famílias a cultivá-lo, para que houvesse maior rendimento. 

ANGOP: Sente que há vontade, da parte do Governo, de relançar esta cultura? 

CC – Sim. Contudo, para se alcançar o sucesso, é preciso respeitar todas as regras que enumerei, ou seja, tem de estar de um lado o Estado ou a Direcção da Agricultura, com disponibilidade de ter os insumos e as sementes melhoradas, e, por outro, no meio da cadeia, as famílias, porque existem, aprenderam e sabem cultivar.

Deve haver a outra componente fundamental, que são os industriais e os comerciantes, porque só cultivar não basta, é necessário criar-se uma cadeia, tem de haver descasque do arroz. Não temos comerciantes vocacionados para ir buscá-lo a partir do produtor, nem indústrias de descasques. Sem estas componentes, é impossível relançarmos essa cultura, como tivemos antes da independência.

Um dos grandes problemas que temos na implementação destes programas é compreender que os nossos custos de produção são altos, porque não produzimos instrumentos agrícolas, fertilizantes, sementes; temos dificuldades de fazer assistência técnica, uma vez que não há quadros suficientes em número e qualidade, temos problemas de vias de acesso, tanto que o arroz não se cultiva em qualquer lugar. Outro problema está relacionado com a questão do mercado. Infelizmente, não existe em Angola ou nunca foi estabelecido um preço de referência para os produtos produzidos localmente. 

ANGOP: Mas os solos da Lunda-Sul ainda podem render? 

CC Do ponto de vista do solo e do clima, a Lunda-Sul tem ainda potencial para a produção de arroz e é dos melhores que o país tem.   

ANGOP: Se há vontade política e pessoas disponíveis, o que falta? 

CC - Não conseguimos atingir as metas preconizadas até hoje, pois não interiorizamos que um programa como este requer recursos financeiros que permitem implementar todos os elementos necessários para o funcionamento da cadeia.

 ANGOP: Para além destas questões, que outras soluções podem ser apontadas? 

CC – Precisamos de formar quadros para fazer assistência, melhorar as vias de acesso, criar escolas de campo e centros de experimentação para formar novos produtores e incentivar as famílias a voltar aos campos. É necessário fazer-se pesquisas, consultando antigos produtores, saber como era feita a produção, levar o assunto para uma discussão ampla e montar um programa que funcione. 

ANGOP: Que recado gostaria de deixar às autoridades angolanas e às famílias camponesas, no sentido de fazer da Lunda-Sul, a breve trecho, um grande mercado de produção de arroz, como no passado? 

CC –  Apenas gostaria de reiterar a necessidade de se começar a projectar as províncias do Leste, sobretudo a Lunda-Sul e a Lunda-Norte, para um futuro sem diamantes. Precisamos de apostar mais na agricultura, no turismo e noutros sectores com políticas concretas e bem estruturadas, visto que os diamantes são recursos esgotáveis. 

Perfil

Carlos Camuti, natural do município da Ganda, província de Benguela, tem 59 anos de idade, é casado, licenciado em Agronomia e especializado em Extensão Rural e Desenvolvimento Comunitário.

O engenheiro agrónomo vive na cidade de Saurimo (Lunda-Sul) há 30 anos, foi director provincial da Agricultura de 1994 a 2010 e, actualmente, exerce a função de assessor do governador Daniel Neto.

 

Por Silvina Lembeno

Durante a conversa, o especialista lembra que este produto já foi considerado, até aos anos 80, a principal produção agrícola da Lunda-Sul, sublinhando haver condições para voltar a tornar a localidade num grande produtor deste cereal.

Nesta entrevista, o agrónomo fala do potencial agrícola da província, do seu clima e dos solos propícios para a produção de arroz, trazendo números que revelam esta parcela do território ter sido um verdadeiro “celeiro” dessa cultura na década de 80.

Carlos Camuti declara que o arroz produzido na Lunda-Sul, além de servir o mercado angolano, era exportado para a Europa e a sua produção envolvia 80 por cento das famílias que residiam nas zonas rurais.

Revela, igualmente, segredos do sucesso da produção do cereal há 40 anos e aponta soluções para que o programa de relançamento do cultivo de arroz não se transforme em ilusão. 

Eis a entrevista na íntegra: 

ANGOP: O Leste, em particular as províncias da Lunda-Sul e Lunda-Norte, é conhecido pelo seu potencial diamantífero. Mas há relatos de que a Lunda-Sul, por exemplo, já foi grande produtora de arroz nos anos 80. Fale-nos um pouco dessa época e das experiências que se ajustam ao actual contexto. 

Carlos Camuti (CC) – A cultura do arroz foi implantada no antigo distrito da Lunda, antes da independência nacional, pela administração colonial portuguesa, devido às condições dafoclimáticas (relativo ao solo e clima) que a região tem e chegou a ser a principal mascote agrícola da Lunda-Sul.  Na altura, a administração colonial portuguesa montou, dentro da cadeia, todos os elementos indispensáveis, ou seja, por um lado, estava a administração com instituições que forneciam os insumos e estabeleciam os programas; por outro, no meio da cadeia, estavam as famílias obrigadas a produzir e,  posteriormente, os industriais e comerciantes que garantiam o escoamento do cereal. A actividade era acompanhada pelas autoridades tradicionais e pelos capatazes agrícolas, ou seja, agrónomos que definiam uma área específica para cada família, onde fosse possível cultivar arroz, e tudo funcionava em harmonia. 

ANGOP: Quais eram as zonas de produção naquela altura?

CC –  Esta cultura era desenvolvida nos municípios de Dala, Muconda e Saurimo, mas o maior centro de produção de arroz era na actual comuna do Mona Quimbundo, em Saurimo, por possuir mais áreas com solos propícios para desenvolvê-la. 

ANGOP: Na verdade, quem eram os grandes produtores? 

CC – A administração colonial portuguesa obrigava as famílias residentes em zonas onde era possível produzir o arroz a cultivar meio hectare de terra, e pelo menos 80 por cento da população local esteve envolvida. Também existiam algumas empresas que produziam em grande escala no Mona Quimbundo. 

ANGOP: Quais eram os níveis de produção? 

CC – Até finais da década 70 e início dos anos 80, cultivava-se cerca de cinco mil hectares de terra e os níveis de produção por família rondavam os 800 a 120 quilos por hectares. As famílias e/ou a população local, como não tinham o hábito alimentar do arroz, esse cereal apenas servia em situações raras, como lanche. Pelo menos 99 por cento da produção feita naquela altura ia para o comércio. O povo alimentava-se de mandioca e feijão. 

ANGOP: E qual era o mercado? 

CC- Por incrível que pareça, naquela altura, o arroz produzido na Lunda-Sul era escoado para todo o país e satisfazia a demanda, porque, antes da independência nacional, Angola tinha mais ou menos 10 milhões de habitantes, e o que se produzia cá abastecia o mercado nacional. A outra parte da produção era exportada para alguns países da Europa, e o resto servia para a subsistência alimentar das famílias. 

ANGOP: Qual era o segredo para o sucesso naquela altura? 

CC - O arroz é uma cultura que só faz sentido desenvolvê-la se houver indústrias. Não basta produzi-lo, é preciso que, logo a seguir, haja alguém disponível para poder descascar, branquear, embalar e comercializar. E quem fazia descasque naquela época não eram as famílias camponesas, como acontece agora, era um outro grupo industrial. Quem fazia a comercialização eram os chamados comerciantes do mar, ou seja, toda esta cadeia funcionava na altura, por isso o projecto teve o sucesso que teve.

A administração portuguesa obrigava a que cada família produzisse meio hectare de terra e disponibilizava sementes, fertilizantes, instrumentos de trabalho e apoio técnico. Quem fazia a colheita eram os comerciantes que pegavam no arroz e transportavam para  as zonas de armazenamento. Por exemplo, em todos os municípios e nalgumas comunas, existiam armazéns que eram só para armazenar o cereal.

Havia, na Lunda-Sul, dois operadores industriais que se dedicavam exclusivamente ao descasque do arroz produzido. Tudo isso e mais outras questões técnicas e de logística contribuíram para o sucesso. 

ANGOP: Quais eram os métodos usados para o cultivo? 

CC – Os métodos eram, maioritariamente, manuais. As pessoas usavam os seus próprios instrumentos de trabalho para fazer as valas de drenagem dos solos, e depois a administração colonial portuguesa fornecia as sementes e os fertilizantes aí onde fosse necessário. Os grandes agricultores, que eram maioritariamente portugueses, já usavam mecanização agrícola em todos os domínios. A sementeira era feita em Outubro, e as colheitas eram de Março a Abril. As variedades usadas eram fundamentalmente o arroz agulha e o carolino. 

ANGOP: Mas, afinal, o que tem falhado para que o arroz, produto essencial na dieta dos angolanos, volte a ser a principal produção agrícola na Lunda-Sul?   

CC –  O arroz é daquelas culturas que, para serem implementadas, exigem que se cumpram todas as regras acima enumeradas. Depois da nossa independência, o que não conseguimos fazer foi manter todos os segmentos da cadeia, ou seja, deixaram de existir os comerciantes, as indústrias e um programa estruturante e abrangente que consiga juntar todos os intervenientes neste processo. Existiram programas, mesmo depois da independência, para o relançamento do cultivo do arroz, mas, como não estava montada uma cadeia bem estruturada, por um lado um Estado a fornecer os insumos às famílias, por outro os comerciantes e industriais, não foi possível recuperar até hoje. Precisamos de perceber que o arroz é uma cultura mais complexa de ser cultivada, tem regras agronómicas, tempo de cultivo a ser respeitado e merece acompanhamento técnico rigoroso. Por isso, em todas as aldeias, o trabalho era acompanhado por capatazes agrícolas que instruíam as famílias a cultivá-lo, para que houvesse maior rendimento. 

ANGOP: Sente que há vontade, da parte do Governo, de relançar esta cultura? 

CC – Sim. Contudo, para se alcançar o sucesso, é preciso respeitar todas as regras que enumerei, ou seja, tem de estar de um lado o Estado ou a Direcção da Agricultura, com disponibilidade de ter os insumos e as sementes melhoradas, e, por outro, no meio da cadeia, as famílias, porque existem, aprenderam e sabem cultivar.

Deve haver a outra componente fundamental, que são os industriais e os comerciantes, porque só cultivar não basta, é necessário criar-se uma cadeia, tem de haver descasque do arroz. Não temos comerciantes vocacionados para ir buscá-lo a partir do produtor, nem indústrias de descasques. Sem estas componentes, é impossível relançarmos essa cultura, como tivemos antes da independência.

Um dos grandes problemas que temos na implementação destes programas é compreender que os nossos custos de produção são altos, porque não produzimos instrumentos agrícolas, fertilizantes, sementes; temos dificuldades de fazer assistência técnica, uma vez que não há quadros suficientes em número e qualidade, temos problemas de vias de acesso, tanto que o arroz não se cultiva em qualquer lugar. Outro problema está relacionado com a questão do mercado. Infelizmente, não existe em Angola ou nunca foi estabelecido um preço de referência para os produtos produzidos localmente. 

ANGOP: Mas os solos da Lunda-Sul ainda podem render? 

CC Do ponto de vista do solo e do clima, a Lunda-Sul tem ainda potencial para a produção de arroz e é dos melhores que o país tem.   

ANGOP: Se há vontade política e pessoas disponíveis, o que falta? 

CC - Não conseguimos atingir as metas preconizadas até hoje, pois não interiorizamos que um programa como este requer recursos financeiros que permitem implementar todos os elementos necessários para o funcionamento da cadeia.

 ANGOP: Para além destas questões, que outras soluções podem ser apontadas? 

CC – Precisamos de formar quadros para fazer assistência, melhorar as vias de acesso, criar escolas de campo e centros de experimentação para formar novos produtores e incentivar as famílias a voltar aos campos. É necessário fazer-se pesquisas, consultando antigos produtores, saber como era feita a produção, levar o assunto para uma discussão ampla e montar um programa que funcione. 

ANGOP: Que recado gostaria de deixar às autoridades angolanas e às famílias camponesas, no sentido de fazer da Lunda-Sul, a breve trecho, um grande mercado de produção de arroz, como no passado? 

CC –  Apenas gostaria de reiterar a necessidade de se começar a projectar as províncias do Leste, sobretudo a Lunda-Sul e a Lunda-Norte, para um futuro sem diamantes. Precisamos de apostar mais na agricultura, no turismo e noutros sectores com políticas concretas e bem estruturadas, visto que os diamantes são recursos esgotáveis. 

Perfil

Carlos Camuti, natural do município da Ganda, província de Benguela, tem 59 anos de idade, é casado, licenciado em Agronomia e especializado em Extensão Rural e Desenvolvimento Comunitário.

O engenheiro agrónomo vive na cidade de Saurimo (Lunda-Sul) há 30 anos, foi director provincial da Agricultura de 1994 a 2010 e, actualmente, exerce a função de assessor do governador Daniel Neto.