PIIM, agropecuária e pesca, trinómio para desenvolver Ombadja

  • Administrador de Ombadja, Hilário Sikalepo
Ombadja - O município de Ombadja olha para a execução do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) e a aposta nos sectores agro-pecuário e das pescas como factores para alavancar o seu desenvolvimento socioeconómico.

Por António Tavares e Luísa Dani

O desafio é cimentar a posição da segunda região mais importante da província do Cunene, sul de Angola, do ponto de vista económico, depois de Ondjiva.

A municipalidade é atravessada pelo Rio Cunene, uma pérola em torno do qual gira o desenvolvimento agro-pecuário e uma intensa actividade piscatória, que apenas necessita de mais investimentos para o desenvolvimento desejado.

Em entrevista à Angop, o administrador de Ombadja, Hilário Sikalepo, fala da estratégia delineada para traduzir estes recursos numa rampa de crescimento da região, que deverá ancorar também no seu potencial pecuário, que se constitui na maior praça de gado da região.

Há seis meses à frente dos destinos da municipalidade, o gestor, professor de profissão, também faz uma abordagem da resiliência da população face à seca cíclica.

Eis na íntegra a entrevista:

ANGOP- Senhor administrador, há seis meses à frente dos destinos da administração municipal de Ombadja, que município temos?

Hilário Sikalepo - Encontrei um município em desenvolvimento. Em abono da verdade, o município já esteve em baixo, mas agora, com as acções do PIIM e com os novos programas que estamos a introduzir, creio que está no bom caminho.

Precisamos apenas aprimorar a imagem da sede municipal, sobretudo a da via principal (EN 105), que é o cartão postal da vila, além de estarem em curso trabalhos de asfaltagem de várias artérias.

ANGOP- Falou do PIIM. Qual é a análise que faz em relação a execução deste plano?

HS - A nível do PIIM, o nosso município está de parabéns, podemos dizer mesmo assim, porque foi o primeiro a apresentar resultados palpáveis nesse âmbito.Temos inaugurado e entregue à comunidade uma escola de sete salas, na comuna do Humbe, bem como uma residência para professores e enfermeiros.

Outras empreitadas estão no bom curso, tirando uma em que o empreiteiro rescindiu o contrato por ter achado que o valor financeiro era baixo, depois de ver o preço do material de construção e a distância entre o local e a cidade de Ondjiva.

ANGOP- Com quantas obras do PIIM o município de Ombadja foi contemplado?

HS - O nosso município foi contemplado com 19 projectos, orçados em Kz.2.629.634.843, a destacar a construção e apetrechamento de cinco complexos residenciais para professores e enfermeiros nas cinco sedes comunais que comportam o município, assim como duas escolas de sete salas de aulas cada, reabilitação e extensão de redes eléctricas em diferentes localidades, melhoria de vias de circulação, entre outros.

ANGOP- Esta dinâmica empreendida pelo PIIM criou postos de emprego. Quantos?

HS - A dinâmica empreendida pelo Executivo com a criação deste plano permitiu, no município de Ombadja, a criação de 299 postos de trabalho.

ANGOP- Como é que a população tem reagido ao ver a evolução e conclusão destes projectos?

HS - A população está a reagir positivamente face às melhorias que estão a observar. Houve algum cepticismo por parte das comunidades aquando da adjudicação das obras, porque estas entendiam que as mesmas não teriam continuidade.

ANGOP - Mas não é só o PIIM que movimenta o município. Há também o Plano Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza. Faz-se sentir algum impacto deste programa na vida dos munícipes?

HS - Naturalmente. Em 2019 foram alocados para o município 164 milhões, 28 mil e 890 kwanzas, do qual foi possível a realização de 56 acções que beneficiaram 50 mil habitantes.

Em 2020, o valor aumentou para 315 milhões, 876 mil, 128 kwanzas, do qual foi disponibilizado 96,27 por cento, o que permitiu a execução de 52 acções das 69 aprovadas, beneficiando 63 mil habitantes.

Este ano, o programa vai consumir 311 milhões, 779 mil 729 Kwanzas.

ANGOP- Como é que tem sido gasto este dinheiro?

HS - Tem sido aplicado na implementação de programas nos domínios da agricultura, “Água para Todos”, bem como na reabilitação e construção de infra-estruturas sociais.

Temos priorizado as tarefas relacionadas com a reintegração do ex-militares na vida produtiva, merenda escolar, construção de chimpacas (bacias de retenção para aproveitamento de águas das chuvas), bebedouros para o gado e aquisição de kits profissionais para mulheres e jovens.

Por exemplo, já reabilitamos uma escola de 12 salas na comuna do Humbe, restauramos pontes, pontecos e valas de irrigação, bem como temos investido também na aquisição de equipamento hospitalar.

Um foco especial também tem sido dado aaquisição de equipamentos agrícolas para as famílias camponesas.

ANGOP - A nível da província, o município é uma potência agrícola e, principalmente, na pecuária, que peso têm estes sectores na economia local?

HS - O município, desde então, foi considerado a segunda capital da província, não só política, mas, principalmente, capital económica. Uma boa parte dos criadores de gado vive aqui no município de Ombadja, principalmente no norte.

O município tem um manancial pecuário estimado em 340 mil bovinos, 483 mil caprinos, 31 mil 403 suínos, 26 mil 219 ovinos, cinco mil 167 equinos, nove mil 372 asininos, entre outros.

Isto é uma mais-valia para a reactivação dos matadouros. Temos aqui um matadouro a nove quilómetros do Xangongo e prevê-se a sua reabertura, que, a acontecer, estaremos bem servidos.

Temos também realizado feiras agropecuárias para divulgação desta potencialidade e convidar empresários a apostar no sector.

ANGOP - Qual é o estado da saúde animal?

HS- A situação zoo-sanitária é razoável. Há falta de cobertura vacinal em toda extensão do município em três anos consecutivos, o que está a criar várias consequências à saúde animal.

Para fazer face ao quadro clínico animal, a direcção local da agricultura, em coordenação com os Serviços de Veterinária levou a cabo, no ano transacto, uma campanha de desparasitação interna e externa, para melhorar a saúde animal, com realce para aqueles que apascentam ao longo das margens do rio Cunene.

ANGOP - Ainda nesta vertente, têm sido constantes os relatos de roubo de gado.  Qual é a real situação e qual é a estratégia para o seu combate?

HS - Isto é o pão de cada dia aqui, no município de Ombadja. Agora, o modo operandis dos gatunos mudou. Ou seja, roubam o gado no município do Cuvelai, atravessam o rio e vendem no município de Ombadja na área do Mucope. Os que compram na área do Mucope, não tratam aí e nem vendem. Comercializam na comuna de Ombala-yo-Mungo, quase na fronteira com a Namíbia.

No entanto, se eles madrugam a Polícia Nacional não dorme, por isso, já foi desvendada esta táctica, pelo que têm sido recuperadas muitas cabeças de gado e devolvidas aos proprietários.

Por outro lado, o governo provincial orientou a criação de centros de retenção e venda de animais, para que haja um controlo sobre o roubo e emissão de guias falsas de comercialização.

Quem quiser vender o seu gado deve primeiro colocá-lo nos três centros criados, onde deve permanecer durante uma semana, para aferir se, neste período, surge ou não uma queixa de roubo. Quer dizer que está proibida a venda em qualquer local.Nesses centros também é efectuada a inspecção sanitária do animal, antes de comercializado.

ANGOP - O município é também potencialmente agrícola, sobretudo, porque é atravessado pelo rio Cunene. Como estamos neste sector?

HS - O município também é potencialmente agrícola. Em 2020,  a produção agrícola foi de 700 toneladas de cereais diversos, tubérculos  e raízes. Para este ano previa-se uma safra de mil e 200 toneladas em função do aumento de campos e máquinas para a lavoura junto às famílias camponesas, mas em função da estiagem prolongada prevê-se uma diminuição considerável.

Para fazer face à seca e minimizar a carência alimentar, tem-se levado a cabo uma intensa campanha de mobilização das famílias camponesas que têm terras aráveis ao longo do rio Cunene, para as legalizarem, organizarem-se em associações ou cooperativas, para que haja facilidades na cedência de apoios que a administração ou outras instituições privadas pretendem oferecer.

Com base nisso, fez-se o levantamento de 307 cinturas verdes das quais 77 encontram-se improdutivas.

Portanto, a falta de legalização das cinturas verdes por parte dos agricultores impossibilita a determinação exacta da superfície total das parcelas e a programação dos incentivos à actividade agrícola.

Temos 27 fazendas controladas, a maior parte a noroeste, nas comunas do Mucope e Naulila, mas metade das mesmas não funciona. Estamos a fazer um levantamento das que não funcionam para depois, a nível superior, arranjar-se uma estratégia para dar vida a essas infra-estruturas, talvez ceder a outras pessoas que possam investir.

ANGOP – O rio Cunene não é só uma pérola para a agropecuária, há também uma intensa actividade piscatória. Confirma?

 HS -  É verdade. Para além da pesca no rio Cunene, para a implementação e multiplicação dos alvinos, o município dispõe de seis lagoas, uma albufeira sobre o rio Cunene e oito tanques escavados.

Em 2020 a captura foi de cinco mil e 27 quilogramas de pescado e em 2019, por exemplo, foi de sete mil e 200 quilogramas.

Mas, esta e a produtividade controlada através das três cooperativas de pescas existentes e 56 grupos de interesse, pois existe também a pesca anárquica ou ilegal que, por falta de fiscais não conseguimos controlar.

Assim sendo, esta não é produção real, se aumentarmos o controlo e apoiarmos com meios de pesca os pescadores os níveis de captura poderão aumentar consideravelmente.

Por outro lado, problemas ligados a costumes seculares têm influenciado negativamente no sucesso desta actividade, concretamente a insistência na utilização de redes com malha inferior a um milímetro (conhecido localmente por mata tudo) associado à falta de observação do período de defeso (reprodução) tem provocado imensas baixas que se reflecte na captura e extinção de várias espécies nativas.

Ainda assim, o aproveitamento do peixe tem sido satisfatório. Por falta de arcas e câmaras para acondicionamento e conservação do pescado, a alternativa tem sido a secagem e posterior venda.

A quantidade do pescado, já justifica a abertura de peixarias para a sua comercialização.

Os pontos de venda são a vila do Xangongo, cidade de Ondjiva, mas o nosso peixe já está a parar na província do Huambo.

ANGOP- Tem recebido propostas de investimento do ramo privado no município?

HS - Até aqui não. Apenas temos a realçar que temos um convênio com a Embaixada da Namíbia, que aceitou apadrinhar o nosso município para mobilização de empresários namibianos, de modo a investirem aqui no município, principalmente na área do comércio e turismo.

ANGOP- Com isto, que avaliação faz da situação sócio-económica do município?

HS- A situação sócio-económica do município de Ombadja é estável, porquanto temos os serviços sociais básicos, como saúde, educação, energia e água, comércio e hotelaria, entre outros, funcionais.

A nível do sector da educação temos um universo de 1.286 professores, que atendem 50.726 alunos enquadrados em 62 escolas, que vão do pré-escolar ao ensino secundário.

Quanto ao número de escolas por comunas, o Xangongo conta com 22 escolas, Mucope com 15, Humbe com nove e Ombala-Yo-Mungo e Naulila com oito.

ANGOP - Em que medida o número de escolas satisfaz a demanda de alunos no município? Quais são as necessidades actuais do sector?

HS- O sector da educação debate-se com um défice de salas de aulas e de professores, registando-se, no presente ano lectivo 19 mil e 221 alunos fora do sistema de ensino, dos quais 12 mil e 96 alunos do ensino primário a estudarem embaixo de árvores, por falta de salas.

Precisamos de 1.390 novos professores, 25 novas escolas, de pelo menos sete salas cada, e meios de transporte para auxiliar na distribuição de materiais às escolas.

ANGOP- Em termos da assistência sanitária, qual é a taxa de cobertura dos serviços de saúde?

HS- Relativamente ao sector da saúde, o município dispõe de uma rede sanitária composta por 43 unidades sanitárias, sendo dois hospitais, 14 centros de saúde, 27 postos de saúde, assegurados por 30 médicos e 246 enfermeiros, que cobrem no total uma população estimada em 304 mil e 960 habitantes.

Este número de profissionais de saúde revela-se bastante insuficiente. As vagasatribuídas por concurso público não cobrem a demanda.A força de trabalho que se encontra neste momento nos centros e postos de saúde, maioritariamente já solicitou a reforma, facto que constitui uma enorme preocupação da direcção da saúde.

Para colmatar essa situação, estamos a executar um programa de consultas ambulatórias, feitas através de clínicas móveis que vão ao encontro das comunidades.

Nestes serviços, temos pessoal médico, de enfermagem e técnicos de diagnóstico, que realizam consultas médicas, vacinação e distribuição de medicamentos às populações rurais, assim como no acompanhamento dos doentes com HIV/Sida e tuberculose.

É nestas acções que conseguimos atender as populações que residem em áreas que não dispõem de unidades sanitárias. As doenças mais frequentes na região são a malnutrição, HIV/Sida, diarreias, sarampo e doenças respiratórias.

Em termos de infra-estruturas, necessitamos de mais de 11 unidades sanitárias, uma cadeia de frio e um depósito de medicamentos e equipamentos.

ANGOP- Que impacto tem o programa Kwenda na vida das famílias beneficiárias?

HS- No âmbito do Programa de Fortalecimento do Sistema de Protecção Social, sendo uma das componentes as transferências monetárias sociais destinadas às famílias vulneráveis, foram, na primeira fase, cadastradas a nível da comuna de Xangongo mil e 904 agregados, sendo que estes já receberam a primeira e segunda prestação (8.500 Kwanzas), faltando o pagamento da terceira, para totalizar os 25 mil e 500 kwanzas.

A segunda fase decorreu de 4 a 30 de Dezembro de 2020, tendo abrangido todas as comunas do município, onde foi possível cadastrar 31 mil e 493 famílias, cujos pagamentos ainda não foram efectuados.

O balanço que fizemos, embora prematuro, é positivo, porque os beneficiários estão a aplicar os valores em actividades produtivas e geradoras de renda como a agricultura e o comércio.

ANGOP - Como estamos no sector da energia?

HS- A vila de Xangongo, sede do município, possui uma Central Híbrida Diesel com uma potência de 5 MW, permitindo duas mil 418 ligações domiciliares, 87 das quais na comuna de Naulila.

Há 139 ligações na povoação de Calueque, a partir do aproveitamento Hidroeléctrico de Ruacaná.As restantes comunas continuam a ser abastecidas através de grupos geradores, com todas as limitações decorrentes do aumento do número de consumidores, comparado com a  capacidade instalada, escassez de combustível e lubrificantes, subvencionados pela Administração municipal.

ANGOP- No sector das águas o desafio é maior, a julgar pela seca cíclica. Como está organizado?

HS- Temos duas Estações de Tratamento de água, a de Xangongo e Calueque, ambas no curso do rio Cunene, que garantem duas mil e 195 ligações domiciliares e 37 chafarizes,  ao longo da conduta adutora Xangongo/Ondjiva.

A comuna do Humbe tem 72 ligações domiciliares e cinco chafarizes e o Centro de Distribuição de Calueque compreende 346 ligações domiciliares.O município possui ainda 56 furos de água subterrânea, as comunas do Humbe e Mucope têm vinte cada, Ombala-ya-Mungo oito, tal como Naulila.

Porém, os furos de captação de água subterrânea existentes no município não cobrem as localidades de maior carência, uma vez que uns encontram-se avariados, necessitando de intervenção imediata, outros estão assoreados com água salobra imprópria para consumo humano.

ANGOP- Os jovens encontram oportunidades de formação aqui?

HS- Temos um centro de formação profissional, mas regista pouca aderência por parte dos jovens.A nossa juventude é bastante mediática, “gosta do para já”. Pensa que formar-se é perder tempo porque quer ter logo um emprego para ganhar dinheiro. Não tem paciência, por isso, prefere meter-se em negócios precários.

Temos uma Casa da Juventude subaproveitada, porque os jovens não frequentam.

ANGOP- Senhor administrador, vamos agora falar de um fenómeno triste que ocorre no município, mas que é uma realidade, que tem a ver com elevados casos de suicídio ligados ao feiticismo. Quer comentar?

HS - É uma realidade que ocorre frequentemente. Neste momento, não tenho aqui dados concretos, mas devo dizer que são muitos, o que nos preocupa.

O que leva alguns cidadãos a suicidarem-se são vários fenómenos, a destacar o feitiço. Portanto, as pessoas suicidam-se, por um lado, por terem sido caluniadas de feiticeiras e estarem por detrás de uma desgraça na família, por outro lado, justificam esta acção em função da força do feiticeiro.

Significa dizer que, uns suicidaram-se porque rejeitaram ser considerados feiticeiro. Uns enforcaram-se, outros suicidaram-se por acreditarem que estavam a ser movidos por uma força diabólica e apontavam alguém como causador desta situação.

Por exemplo, só esta semana é que não tomamos conhecimento de nenhum caso.Mas, a semana passada fomos a Calueque, acudir uma determinada situação, e encontramos um caso deste género, no qual a população de determinado bairro acusa uma senhora de estar por detrás da falta de chuva pelo facto de todas as manhãs ela e o filho irem ao rio tomar banho.Esta senhora começou a ser perseguida e pediu a protecção da polícia local.

ANGOP- Qual tem sido o papel da administração perante este contexto?

HS - Sabe muito bem que isto não faz parte da lei positiva, analisar estes fenómenos de feitiços. Temos remetido esses casos às autoridades tradicionais, para solução.

A nossa intervenção vai no sentido de apelar a população para abandonar esta prática, tentando incutir nas mentes dos cidadãos que não se faz justiça por mãos próprias.

Perfil

Hilário Sikalepo, professor de profissão, é filho do Cunene, casado, e tem um agregado familiar de 20 pessoas.

Foi professor de 1973 até 2007, tendo igualmente ocupado o cargo de director da Escola de Formação de Professores do Cunene, durante dez anos.

Apreciador da caça e da pesca, nos tempos livres, já desempenhou as funções de Director Provincial da Comunicação Social.

Em termos políticos, desempenhou as funções de secretário para Informação do MPLA,a nível da província.

Com uma extensão de 12 mil 264 quilómetros quadrados, Ombadja dista 96 quilómetros a este da cidade capital da província do Cunene, Ondjiva.

Possui 304 mil e 964 habitantes, distribuídos pelas comunas do Xangongo (sede), Ombala-yo-Mungo, Humbe, Mucope e Naulila, bem como 12 povoações e 56 aldeias.

A população do município é maioritariamente camponesa e pastoril, dedicando-se às culturas de massango, massambala, milho e feijão-frade.

O clima predominante é tropical seco semi-árido, megatérmico com duas estações, chuvosa de Dezembro a Abril e seca de Maio a Novembro.

Tem uma gama de recursos naturais de grande valor como madeira, rochas calcárias, diversidade de fauna e flora.

 

Por António Tavares e Luísa Dani

O desafio é cimentar a posição da segunda região mais importante da província do Cunene, sul de Angola, do ponto de vista económico, depois de Ondjiva.

A municipalidade é atravessada pelo Rio Cunene, uma pérola em torno do qual gira o desenvolvimento agro-pecuário e uma intensa actividade piscatória, que apenas necessita de mais investimentos para o desenvolvimento desejado.

Em entrevista à Angop, o administrador de Ombadja, Hilário Sikalepo, fala da estratégia delineada para traduzir estes recursos numa rampa de crescimento da região, que deverá ancorar também no seu potencial pecuário, que se constitui na maior praça de gado da região.

Há seis meses à frente dos destinos da municipalidade, o gestor, professor de profissão, também faz uma abordagem da resiliência da população face à seca cíclica.

Eis na íntegra a entrevista:

ANGOP- Senhor administrador, há seis meses à frente dos destinos da administração municipal de Ombadja, que município temos?

Hilário Sikalepo - Encontrei um município em desenvolvimento. Em abono da verdade, o município já esteve em baixo, mas agora, com as acções do PIIM e com os novos programas que estamos a introduzir, creio que está no bom caminho.

Precisamos apenas aprimorar a imagem da sede municipal, sobretudo a da via principal (EN 105), que é o cartão postal da vila, além de estarem em curso trabalhos de asfaltagem de várias artérias.

ANGOP- Falou do PIIM. Qual é a análise que faz em relação a execução deste plano?

HS - A nível do PIIM, o nosso município está de parabéns, podemos dizer mesmo assim, porque foi o primeiro a apresentar resultados palpáveis nesse âmbito.Temos inaugurado e entregue à comunidade uma escola de sete salas, na comuna do Humbe, bem como uma residência para professores e enfermeiros.

Outras empreitadas estão no bom curso, tirando uma em que o empreiteiro rescindiu o contrato por ter achado que o valor financeiro era baixo, depois de ver o preço do material de construção e a distância entre o local e a cidade de Ondjiva.

ANGOP- Com quantas obras do PIIM o município de Ombadja foi contemplado?

HS - O nosso município foi contemplado com 19 projectos, orçados em Kz.2.629.634.843, a destacar a construção e apetrechamento de cinco complexos residenciais para professores e enfermeiros nas cinco sedes comunais que comportam o município, assim como duas escolas de sete salas de aulas cada, reabilitação e extensão de redes eléctricas em diferentes localidades, melhoria de vias de circulação, entre outros.

ANGOP- Esta dinâmica empreendida pelo PIIM criou postos de emprego. Quantos?

HS - A dinâmica empreendida pelo Executivo com a criação deste plano permitiu, no município de Ombadja, a criação de 299 postos de trabalho.

ANGOP- Como é que a população tem reagido ao ver a evolução e conclusão destes projectos?

HS - A população está a reagir positivamente face às melhorias que estão a observar. Houve algum cepticismo por parte das comunidades aquando da adjudicação das obras, porque estas entendiam que as mesmas não teriam continuidade.

ANGOP - Mas não é só o PIIM que movimenta o município. Há também o Plano Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza. Faz-se sentir algum impacto deste programa na vida dos munícipes?

HS - Naturalmente. Em 2019 foram alocados para o município 164 milhões, 28 mil e 890 kwanzas, do qual foi possível a realização de 56 acções que beneficiaram 50 mil habitantes.

Em 2020, o valor aumentou para 315 milhões, 876 mil, 128 kwanzas, do qual foi disponibilizado 96,27 por cento, o que permitiu a execução de 52 acções das 69 aprovadas, beneficiando 63 mil habitantes.

Este ano, o programa vai consumir 311 milhões, 779 mil 729 Kwanzas.

ANGOP- Como é que tem sido gasto este dinheiro?

HS - Tem sido aplicado na implementação de programas nos domínios da agricultura, “Água para Todos”, bem como na reabilitação e construção de infra-estruturas sociais.

Temos priorizado as tarefas relacionadas com a reintegração do ex-militares na vida produtiva, merenda escolar, construção de chimpacas (bacias de retenção para aproveitamento de águas das chuvas), bebedouros para o gado e aquisição de kits profissionais para mulheres e jovens.

Por exemplo, já reabilitamos uma escola de 12 salas na comuna do Humbe, restauramos pontes, pontecos e valas de irrigação, bem como temos investido também na aquisição de equipamento hospitalar.

Um foco especial também tem sido dado aaquisição de equipamentos agrícolas para as famílias camponesas.

ANGOP - A nível da província, o município é uma potência agrícola e, principalmente, na pecuária, que peso têm estes sectores na economia local?

HS - O município, desde então, foi considerado a segunda capital da província, não só política, mas, principalmente, capital económica. Uma boa parte dos criadores de gado vive aqui no município de Ombadja, principalmente no norte.

O município tem um manancial pecuário estimado em 340 mil bovinos, 483 mil caprinos, 31 mil 403 suínos, 26 mil 219 ovinos, cinco mil 167 equinos, nove mil 372 asininos, entre outros.

Isto é uma mais-valia para a reactivação dos matadouros. Temos aqui um matadouro a nove quilómetros do Xangongo e prevê-se a sua reabertura, que, a acontecer, estaremos bem servidos.

Temos também realizado feiras agropecuárias para divulgação desta potencialidade e convidar empresários a apostar no sector.

ANGOP - Qual é o estado da saúde animal?

HS- A situação zoo-sanitária é razoável. Há falta de cobertura vacinal em toda extensão do município em três anos consecutivos, o que está a criar várias consequências à saúde animal.

Para fazer face ao quadro clínico animal, a direcção local da agricultura, em coordenação com os Serviços de Veterinária levou a cabo, no ano transacto, uma campanha de desparasitação interna e externa, para melhorar a saúde animal, com realce para aqueles que apascentam ao longo das margens do rio Cunene.

ANGOP - Ainda nesta vertente, têm sido constantes os relatos de roubo de gado.  Qual é a real situação e qual é a estratégia para o seu combate?

HS - Isto é o pão de cada dia aqui, no município de Ombadja. Agora, o modo operandis dos gatunos mudou. Ou seja, roubam o gado no município do Cuvelai, atravessam o rio e vendem no município de Ombadja na área do Mucope. Os que compram na área do Mucope, não tratam aí e nem vendem. Comercializam na comuna de Ombala-yo-Mungo, quase na fronteira com a Namíbia.

No entanto, se eles madrugam a Polícia Nacional não dorme, por isso, já foi desvendada esta táctica, pelo que têm sido recuperadas muitas cabeças de gado e devolvidas aos proprietários.

Por outro lado, o governo provincial orientou a criação de centros de retenção e venda de animais, para que haja um controlo sobre o roubo e emissão de guias falsas de comercialização.

Quem quiser vender o seu gado deve primeiro colocá-lo nos três centros criados, onde deve permanecer durante uma semana, para aferir se, neste período, surge ou não uma queixa de roubo. Quer dizer que está proibida a venda em qualquer local.Nesses centros também é efectuada a inspecção sanitária do animal, antes de comercializado.

ANGOP - O município é também potencialmente agrícola, sobretudo, porque é atravessado pelo rio Cunene. Como estamos neste sector?

HS - O município também é potencialmente agrícola. Em 2020,  a produção agrícola foi de 700 toneladas de cereais diversos, tubérculos  e raízes. Para este ano previa-se uma safra de mil e 200 toneladas em função do aumento de campos e máquinas para a lavoura junto às famílias camponesas, mas em função da estiagem prolongada prevê-se uma diminuição considerável.

Para fazer face à seca e minimizar a carência alimentar, tem-se levado a cabo uma intensa campanha de mobilização das famílias camponesas que têm terras aráveis ao longo do rio Cunene, para as legalizarem, organizarem-se em associações ou cooperativas, para que haja facilidades na cedência de apoios que a administração ou outras instituições privadas pretendem oferecer.

Com base nisso, fez-se o levantamento de 307 cinturas verdes das quais 77 encontram-se improdutivas.

Portanto, a falta de legalização das cinturas verdes por parte dos agricultores impossibilita a determinação exacta da superfície total das parcelas e a programação dos incentivos à actividade agrícola.

Temos 27 fazendas controladas, a maior parte a noroeste, nas comunas do Mucope e Naulila, mas metade das mesmas não funciona. Estamos a fazer um levantamento das que não funcionam para depois, a nível superior, arranjar-se uma estratégia para dar vida a essas infra-estruturas, talvez ceder a outras pessoas que possam investir.

ANGOP – O rio Cunene não é só uma pérola para a agropecuária, há também uma intensa actividade piscatória. Confirma?

 HS -  É verdade. Para além da pesca no rio Cunene, para a implementação e multiplicação dos alvinos, o município dispõe de seis lagoas, uma albufeira sobre o rio Cunene e oito tanques escavados.

Em 2020 a captura foi de cinco mil e 27 quilogramas de pescado e em 2019, por exemplo, foi de sete mil e 200 quilogramas.

Mas, esta e a produtividade controlada através das três cooperativas de pescas existentes e 56 grupos de interesse, pois existe também a pesca anárquica ou ilegal que, por falta de fiscais não conseguimos controlar.

Assim sendo, esta não é produção real, se aumentarmos o controlo e apoiarmos com meios de pesca os pescadores os níveis de captura poderão aumentar consideravelmente.

Por outro lado, problemas ligados a costumes seculares têm influenciado negativamente no sucesso desta actividade, concretamente a insistência na utilização de redes com malha inferior a um milímetro (conhecido localmente por mata tudo) associado à falta de observação do período de defeso (reprodução) tem provocado imensas baixas que se reflecte na captura e extinção de várias espécies nativas.

Ainda assim, o aproveitamento do peixe tem sido satisfatório. Por falta de arcas e câmaras para acondicionamento e conservação do pescado, a alternativa tem sido a secagem e posterior venda.

A quantidade do pescado, já justifica a abertura de peixarias para a sua comercialização.

Os pontos de venda são a vila do Xangongo, cidade de Ondjiva, mas o nosso peixe já está a parar na província do Huambo.

ANGOP- Tem recebido propostas de investimento do ramo privado no município?

HS - Até aqui não. Apenas temos a realçar que temos um convênio com a Embaixada da Namíbia, que aceitou apadrinhar o nosso município para mobilização de empresários namibianos, de modo a investirem aqui no município, principalmente na área do comércio e turismo.

ANGOP- Com isto, que avaliação faz da situação sócio-económica do município?

HS- A situação sócio-económica do município de Ombadja é estável, porquanto temos os serviços sociais básicos, como saúde, educação, energia e água, comércio e hotelaria, entre outros, funcionais.

A nível do sector da educação temos um universo de 1.286 professores, que atendem 50.726 alunos enquadrados em 62 escolas, que vão do pré-escolar ao ensino secundário.

Quanto ao número de escolas por comunas, o Xangongo conta com 22 escolas, Mucope com 15, Humbe com nove e Ombala-Yo-Mungo e Naulila com oito.

ANGOP - Em que medida o número de escolas satisfaz a demanda de alunos no município? Quais são as necessidades actuais do sector?

HS- O sector da educação debate-se com um défice de salas de aulas e de professores, registando-se, no presente ano lectivo 19 mil e 221 alunos fora do sistema de ensino, dos quais 12 mil e 96 alunos do ensino primário a estudarem embaixo de árvores, por falta de salas.

Precisamos de 1.390 novos professores, 25 novas escolas, de pelo menos sete salas cada, e meios de transporte para auxiliar na distribuição de materiais às escolas.

ANGOP- Em termos da assistência sanitária, qual é a taxa de cobertura dos serviços de saúde?

HS- Relativamente ao sector da saúde, o município dispõe de uma rede sanitária composta por 43 unidades sanitárias, sendo dois hospitais, 14 centros de saúde, 27 postos de saúde, assegurados por 30 médicos e 246 enfermeiros, que cobrem no total uma população estimada em 304 mil e 960 habitantes.

Este número de profissionais de saúde revela-se bastante insuficiente. As vagasatribuídas por concurso público não cobrem a demanda.A força de trabalho que se encontra neste momento nos centros e postos de saúde, maioritariamente já solicitou a reforma, facto que constitui uma enorme preocupação da direcção da saúde.

Para colmatar essa situação, estamos a executar um programa de consultas ambulatórias, feitas através de clínicas móveis que vão ao encontro das comunidades.

Nestes serviços, temos pessoal médico, de enfermagem e técnicos de diagnóstico, que realizam consultas médicas, vacinação e distribuição de medicamentos às populações rurais, assim como no acompanhamento dos doentes com HIV/Sida e tuberculose.

É nestas acções que conseguimos atender as populações que residem em áreas que não dispõem de unidades sanitárias. As doenças mais frequentes na região são a malnutrição, HIV/Sida, diarreias, sarampo e doenças respiratórias.

Em termos de infra-estruturas, necessitamos de mais de 11 unidades sanitárias, uma cadeia de frio e um depósito de medicamentos e equipamentos.

ANGOP- Que impacto tem o programa Kwenda na vida das famílias beneficiárias?

HS- No âmbito do Programa de Fortalecimento do Sistema de Protecção Social, sendo uma das componentes as transferências monetárias sociais destinadas às famílias vulneráveis, foram, na primeira fase, cadastradas a nível da comuna de Xangongo mil e 904 agregados, sendo que estes já receberam a primeira e segunda prestação (8.500 Kwanzas), faltando o pagamento da terceira, para totalizar os 25 mil e 500 kwanzas.

A segunda fase decorreu de 4 a 30 de Dezembro de 2020, tendo abrangido todas as comunas do município, onde foi possível cadastrar 31 mil e 493 famílias, cujos pagamentos ainda não foram efectuados.

O balanço que fizemos, embora prematuro, é positivo, porque os beneficiários estão a aplicar os valores em actividades produtivas e geradoras de renda como a agricultura e o comércio.

ANGOP - Como estamos no sector da energia?

HS- A vila de Xangongo, sede do município, possui uma Central Híbrida Diesel com uma potência de 5 MW, permitindo duas mil 418 ligações domiciliares, 87 das quais na comuna de Naulila.

Há 139 ligações na povoação de Calueque, a partir do aproveitamento Hidroeléctrico de Ruacaná.As restantes comunas continuam a ser abastecidas através de grupos geradores, com todas as limitações decorrentes do aumento do número de consumidores, comparado com a  capacidade instalada, escassez de combustível e lubrificantes, subvencionados pela Administração municipal.

ANGOP- No sector das águas o desafio é maior, a julgar pela seca cíclica. Como está organizado?

HS- Temos duas Estações de Tratamento de água, a de Xangongo e Calueque, ambas no curso do rio Cunene, que garantem duas mil e 195 ligações domiciliares e 37 chafarizes,  ao longo da conduta adutora Xangongo/Ondjiva.

A comuna do Humbe tem 72 ligações domiciliares e cinco chafarizes e o Centro de Distribuição de Calueque compreende 346 ligações domiciliares.O município possui ainda 56 furos de água subterrânea, as comunas do Humbe e Mucope têm vinte cada, Ombala-ya-Mungo oito, tal como Naulila.

Porém, os furos de captação de água subterrânea existentes no município não cobrem as localidades de maior carência, uma vez que uns encontram-se avariados, necessitando de intervenção imediata, outros estão assoreados com água salobra imprópria para consumo humano.

ANGOP- Os jovens encontram oportunidades de formação aqui?

HS- Temos um centro de formação profissional, mas regista pouca aderência por parte dos jovens.A nossa juventude é bastante mediática, “gosta do para já”. Pensa que formar-se é perder tempo porque quer ter logo um emprego para ganhar dinheiro. Não tem paciência, por isso, prefere meter-se em negócios precários.

Temos uma Casa da Juventude subaproveitada, porque os jovens não frequentam.

ANGOP- Senhor administrador, vamos agora falar de um fenómeno triste que ocorre no município, mas que é uma realidade, que tem a ver com elevados casos de suicídio ligados ao feiticismo. Quer comentar?

HS - É uma realidade que ocorre frequentemente. Neste momento, não tenho aqui dados concretos, mas devo dizer que são muitos, o que nos preocupa.

O que leva alguns cidadãos a suicidarem-se são vários fenómenos, a destacar o feitiço. Portanto, as pessoas suicidam-se, por um lado, por terem sido caluniadas de feiticeiras e estarem por detrás de uma desgraça na família, por outro lado, justificam esta acção em função da força do feiticeiro.

Significa dizer que, uns suicidaram-se porque rejeitaram ser considerados feiticeiro. Uns enforcaram-se, outros suicidaram-se por acreditarem que estavam a ser movidos por uma força diabólica e apontavam alguém como causador desta situação.

Por exemplo, só esta semana é que não tomamos conhecimento de nenhum caso.Mas, a semana passada fomos a Calueque, acudir uma determinada situação, e encontramos um caso deste género, no qual a população de determinado bairro acusa uma senhora de estar por detrás da falta de chuva pelo facto de todas as manhãs ela e o filho irem ao rio tomar banho.Esta senhora começou a ser perseguida e pediu a protecção da polícia local.

ANGOP- Qual tem sido o papel da administração perante este contexto?

HS - Sabe muito bem que isto não faz parte da lei positiva, analisar estes fenómenos de feitiços. Temos remetido esses casos às autoridades tradicionais, para solução.

A nossa intervenção vai no sentido de apelar a população para abandonar esta prática, tentando incutir nas mentes dos cidadãos que não se faz justiça por mãos próprias.

Perfil

Hilário Sikalepo, professor de profissão, é filho do Cunene, casado, e tem um agregado familiar de 20 pessoas.

Foi professor de 1973 até 2007, tendo igualmente ocupado o cargo de director da Escola de Formação de Professores do Cunene, durante dez anos.

Apreciador da caça e da pesca, nos tempos livres, já desempenhou as funções de Director Provincial da Comunicação Social.

Em termos políticos, desempenhou as funções de secretário para Informação do MPLA,a nível da província.

Com uma extensão de 12 mil 264 quilómetros quadrados, Ombadja dista 96 quilómetros a este da cidade capital da província do Cunene, Ondjiva.

Possui 304 mil e 964 habitantes, distribuídos pelas comunas do Xangongo (sede), Ombala-yo-Mungo, Humbe, Mucope e Naulila, bem como 12 povoações e 56 aldeias.

A população do município é maioritariamente camponesa e pastoril, dedicando-se às culturas de massango, massambala, milho e feijão-frade.

O clima predominante é tropical seco semi-árido, megatérmico com duas estações, chuvosa de Dezembro a Abril e seca de Maio a Novembro.

Tem uma gama de recursos naturais de grande valor como madeira, rochas calcárias, diversidade de fauna e flora.