Registamos actos graves de agressão ao Planeta Terra - Fernanda Renée

  • Coordenadora do Projecto de Protecção de Mangais OTCHIVA, Fernanda Reneé.
Luanda – A ambientalista angolana Fernanda Renée Samuel, que se dedica à preservação dos mangais na costa angolana, afirmou, em Luanda, que continua com o moral alto, apesar de não ter saído vencedora do concurso promovido pelas Nações Unidas.

A especialista, que figurava entre os 35 selecionados para o concurso “Jovens Campeões da Terra 2020”, num universo de mais de 845 inscritos, não fez parte do grupo dos sete concorrentes para a etapa final.

Esclareceu que a sua exclusão da premiação deveu-se ao facto de ter enviado, inadvertidamente, o seu vídeo concorrente na língua portuguesa, ao invés das línguas de trabalho das Nações Unidas (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo).

Mesmo assim, afirmou em entrevista à Angop que "está fortemente determinada” em prosseguir com a sua luta, que, nas suas palavras, “não se esgota na premiação, mas se prolonga na busca permanente da satisfação pela preservação da natureza”. 

Em função do ocorrido, a ambientalista sugere que o português passe a integrar, também, o grupo das línguas de trabalho de algumas das principais organizações internacionais, como é o caso da ONU.



Leia a entrevista:

ANGOP – O facto de ser engenheira de produção de petróleos, um recurso associado, também, ao mar, teve, de alguma forma, influência na sua ligação aos mangais, ou nutriu, desde muito cedo, o amor pelo ambiente?

Fernanda Renée Samuel (FRS) – No mesmo ano em que terminava a minha licenciatura em engenharia de pesquisa e produção de petróleos, em 2015, a Companhia Brasileira Odebrecht lançava a 6ª edição do Prémio para o Desenvolvimento Sustentável, concurso do qual fui uma dos três vencedores, com o projecto do aproveitamento do lixo orgânico para a produção de bio-fertilizantes. Este prémio foi o grande impulsionador do trabalho que tenho estado a fazer, até hoje, para a protecção e conservação da natureza. Foi quando tudo começou, foi neste dia que cheguei a pensar que a natureza precisava mais de mim do que a indústria de petróleo.

ANGOP – Porquê o projecto Otchiva?

FRS – Na língua nacional umbundu, otchiva significa lago ou, simplesmente, zona húmida. A palavra otchiva, porque o projecto surgiu na cidade do Lobito, com o objectivo de salvar as zonas húmidas de mangais, habitat natural dos flamingos.

ANGOP – Quantos voluntários tem o projecto e em que províncias actua?

FRS – Actualmente, o conta com 1.300 voluntários presenciais e actuamos nas províncias da orla costeira, como Benguela, Luanda e Zaire. Temos em agenda a inclusão de mais províncias, nomeadamente Bengo, Cuanza Sul e Cabinda. 

ANGOP – O que são mangais?

FRS – Mangais é o berçário da vida marinha. Cerca de 80% da vida marinha depende deste ecossistema. Os mangais podem ser definidos como sendo ecossistemas costeiros de transição entre ambientes marinhos e terrestres, associados a baías, enseadas, lagunas, estuários, ou seja, é o ponto de encontro do mar e do rio. A sua fauna é constituída por crustáceos, moluscos, aves migratórias, entre outros. A sua flora é constituída por vegetações típicas denominada de mangues, para além das salicornias. Têm grande importância na protecção da orla costeira e servem de áreas de reprodução, abrigo e de alimentação de inúmeras espécies. São várias as comunidades costeiras de pescadores que têm os mangais como a sua única fonte de subsistência, pois retiram dos mangais ostras, peixes, etc. Quanto às alterações climáticas, os mangais absorvem mais dióxido de carbono do que qualquer outra floresta terrestre.


Os mangais, como todas as zonas húmidas em geral, são de grande importância por várias razões, a começar pelo fornecimento de água para todos nós. É sabido que a má gestão das zonas húmidas torna as cidades mais vulneráveis a desastres, como cheias, inundações, erosões, fome, pobreza, extinção de espécies, entre vários outros males.

ANGOP – Embora os integrantes do projecto trabalhem numa base de voluntariado, haverá, seguramente, necessidade de recursos financeiros para a sua sustentabilidade. Que ajudas  têm recebido para a vossa missão, internas e externas?

FRS – Para além do apoio de toda a sociedade civil, com a sua mão de obra voluntária, e de Sua Excelência Vice-Presidente da República, Dr. Bornito de Sousa, o projecto Otchiva tem recebido apoio da Embaixada do Reino da Bélgica, da Pumangol, e da Total, esta última através do seu programa de voluntariado “Action”.

ANGOP – Mesmo com o sucedido, figurar entre os 35 jovens selecionados para o concurso “Jovens Campeões da Terra 2020”, num universo de mais de 845 inscritos, é, de per si, uma vitória. Conte como surgiu a sua paixão pelo ambiente, mais especificamente pelos mangais.

FRS –  Eu nasci no Lobito, a cidade dos flamingos. Cresci a vê-los pela minha cidade, e todos os dias, de regresso da escola, no fim da tarde, parava para apreciar os voos que os flamingos faziam depois de serem espantados pelo barulho e trepidação dos comboios que passavam com alguma frequência na linha férrea que ficava entre o seu habitat (os mangais), e, ao lado, também ficavam muitos turistas a marcar aqueles momentos com registos fotográficos. Daquele tempo para cá, começaram a surgir muitas infraestruturas nos santuários dos flamingos, chegou-se ao extremo de entulharem o seu habitat para a construção, a poluição tomou conta dos mangais, e, por conta disso, os flamingos têm dificuldades de pousar nos mangais, seu habitat natural e começaram lentamente a desaparecer da cidade até quase que entraram em extinção. E, para mim, uma lobitanga de gema, que conviveu toda a infância a ver os flamingos, foi como se estivessem a extrair a minha identidade, pois não gostaria que os flamingos, identidade da nossa cidade, ficassem apenas para a história por causa da ganância e egoísmo de poucas pessoas que decidiram entulhar os mangais.

ANGOP – Criou a AmbiReciclo, uma startup que promove a economia verde. Que balanço faz dos resultados da empresa e com que recursos sobrevive? 

FRS – A AmbiReciclo é uma empresa que eu e minha colega Joana Bernardo fundámos para transformar o lixo em cadeia de valor, através da reciclagem. Com uma componente muito forte na formação de jovens mulheres, reciclamos o lixo orgânico para a produção de bio-fertilizante, os pneus descartados em mobílias de pneus, os óleos de cozinha usado em sabão. Neste momento de pandemia da Covid-19, nós, através da AmbiReciclo, temos produzido sabão, a partir da reciclagem dos óleos de cozinha usados, que, com a ajuda de vários parceiros, temos distribuído de forma gratuita a famílias desfavorecidas. Nesta campanha, já produzimos mais de 70 mil barras de sabão, que ajudaram mais de 52 mil famílias. A nossa aposta é nunca deixarmos ninguém para trás, durante esta crise. Com soluções verdes, temos conseguido tornar isto realidade.



ANGOP – Uma das suas divisas é a busca do que chama de reconciliação do homem com a mãe natureza. Quer comentar? 

FRS – Quando afirmo que é necessário nos reconciliarmos com a mãe natureza é porque a seca severa que assola vastas regiões de África, da Ásia e das Américas, a título de exemplo, é consequência directa da irresponsabilidade do homem. As florestas tropicais, tanto da Amazônia quanto a floresta equatorial africana, os principias pulmões do planeta, estão seriamente ameaçados devido à exploração desmensurada da madeira, à caça furtiva e a ganância de muitas multinacionais que são grupos económicos poderosos que exploram, sem escrúpulos, os recursos minerais e contaminam os solos e rios. Actualmente, em todos os oceanos, há mais resíduos de plásticos do que peixe. A poluição atingiu proporções assustadoras. O aquecimento global põe em causa a continuidade das espécies, incluindo a raça humana. Mas, infelizmente, continua a haver líderes mundiais que não acreditam no aquecimento global e investem em indústrias altamente poluentes. Milhões de pessoas, em todo o mundo, particularmente em África, passam fome porque perderam as suas terras de cultivo e de pasto, o peixe desapareceu em muitos rios, e os governos não têm soluções. Em virtude disso, a solução apenas passa em nos reconciliarmos com a mãe natureza, ou seja, é preciso desenvolvermo-nos economicamente, tendo em conta a todos os ecossistemas ambientais existentes no planeta terra. 

ANGOP – O que espera o Projecto Otchiva do Governo angolano para a sua sustentabilidade e a extensão da sua acção por toda a costa angolana?

FRS – O Projecto Otchiva espera do Governo angolano a criação de uma lei específica para a protecção dos mangais e a existência de uma estratégia para a protecção e restauração dos mangais, com o objectivo de se pôr a resiliência da orla costeira, assim como o bem-estar de todas as espécies que dependem dos mangais, incluindo a espécie humana.

ANGOP – De uma forma geral, quais são as principais ameaças à preservação do ambiente em todo o território angolano? 

FRS –  No nosso país, Angola, ainda registamos actos graves de agressão ao Planeta Terra. Queimadas e incêndios florestais, destruição dos mangais e de toda a orla costeira, falta de saneamento básico em todas as cidades, vilas e aldeias do país são apenas alguns dos exemplos a citar. Por isso, nesse momento de quarentena em que o mundo vive aterrorizado pela pandemia do novo corona vírus, deveríamos parar para perceber que os avanços da ciência e da tecnologia não nos permitiram contrariar a mãe natureza. Angola e a humanidade em geral só vencerão estes e outros desafios se RECONCILIAREM COM A MÃE NATUREZA!.

ANGOP – Quem é Fernanda Renée Samuel? 

FRS – É uma jovem angolana que nasceu no Lobito, a cidade dos flamingos, há 28 anos. Licenciou-se em engenharia de pesquisa e produção de petróleos, pela Universidade Jean Piaget de Angola, mas trabalha na conservação da natureza, tanto na reciclagem dos resíduos, quanto na restauração e protecção dos ecossistemas ambientais. Divirte-se, diz ela, em tudo o que faz. Revela que para além de ser viciada em proteger o ambiente, é muito viciada em tomar café. 

 

A especialista, que figurava entre os 35 selecionados para o concurso “Jovens Campeões da Terra 2020”, num universo de mais de 845 inscritos, não fez parte do grupo dos sete concorrentes para a etapa final.

Esclareceu que a sua exclusão da premiação deveu-se ao facto de ter enviado, inadvertidamente, o seu vídeo concorrente na língua portuguesa, ao invés das línguas de trabalho das Nações Unidas (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo).

Mesmo assim, afirmou em entrevista à Angop que "está fortemente determinada” em prosseguir com a sua luta, que, nas suas palavras, “não se esgota na premiação, mas se prolonga na busca permanente da satisfação pela preservação da natureza”. 

Em função do ocorrido, a ambientalista sugere que o português passe a integrar, também, o grupo das línguas de trabalho de algumas das principais organizações internacionais, como é o caso da ONU.



Leia a entrevista:

ANGOP – O facto de ser engenheira de produção de petróleos, um recurso associado, também, ao mar, teve, de alguma forma, influência na sua ligação aos mangais, ou nutriu, desde muito cedo, o amor pelo ambiente?

Fernanda Renée Samuel (FRS) – No mesmo ano em que terminava a minha licenciatura em engenharia de pesquisa e produção de petróleos, em 2015, a Companhia Brasileira Odebrecht lançava a 6ª edição do Prémio para o Desenvolvimento Sustentável, concurso do qual fui uma dos três vencedores, com o projecto do aproveitamento do lixo orgânico para a produção de bio-fertilizantes. Este prémio foi o grande impulsionador do trabalho que tenho estado a fazer, até hoje, para a protecção e conservação da natureza. Foi quando tudo começou, foi neste dia que cheguei a pensar que a natureza precisava mais de mim do que a indústria de petróleo.

ANGOP – Porquê o projecto Otchiva?

FRS – Na língua nacional umbundu, otchiva significa lago ou, simplesmente, zona húmida. A palavra otchiva, porque o projecto surgiu na cidade do Lobito, com o objectivo de salvar as zonas húmidas de mangais, habitat natural dos flamingos.

ANGOP – Quantos voluntários tem o projecto e em que províncias actua?

FRS – Actualmente, o conta com 1.300 voluntários presenciais e actuamos nas províncias da orla costeira, como Benguela, Luanda e Zaire. Temos em agenda a inclusão de mais províncias, nomeadamente Bengo, Cuanza Sul e Cabinda. 

ANGOP – O que são mangais?

FRS – Mangais é o berçário da vida marinha. Cerca de 80% da vida marinha depende deste ecossistema. Os mangais podem ser definidos como sendo ecossistemas costeiros de transição entre ambientes marinhos e terrestres, associados a baías, enseadas, lagunas, estuários, ou seja, é o ponto de encontro do mar e do rio. A sua fauna é constituída por crustáceos, moluscos, aves migratórias, entre outros. A sua flora é constituída por vegetações típicas denominada de mangues, para além das salicornias. Têm grande importância na protecção da orla costeira e servem de áreas de reprodução, abrigo e de alimentação de inúmeras espécies. São várias as comunidades costeiras de pescadores que têm os mangais como a sua única fonte de subsistência, pois retiram dos mangais ostras, peixes, etc. Quanto às alterações climáticas, os mangais absorvem mais dióxido de carbono do que qualquer outra floresta terrestre.


Os mangais, como todas as zonas húmidas em geral, são de grande importância por várias razões, a começar pelo fornecimento de água para todos nós. É sabido que a má gestão das zonas húmidas torna as cidades mais vulneráveis a desastres, como cheias, inundações, erosões, fome, pobreza, extinção de espécies, entre vários outros males.

ANGOP – Embora os integrantes do projecto trabalhem numa base de voluntariado, haverá, seguramente, necessidade de recursos financeiros para a sua sustentabilidade. Que ajudas  têm recebido para a vossa missão, internas e externas?

FRS – Para além do apoio de toda a sociedade civil, com a sua mão de obra voluntária, e de Sua Excelência Vice-Presidente da República, Dr. Bornito de Sousa, o projecto Otchiva tem recebido apoio da Embaixada do Reino da Bélgica, da Pumangol, e da Total, esta última através do seu programa de voluntariado “Action”.

ANGOP – Mesmo com o sucedido, figurar entre os 35 jovens selecionados para o concurso “Jovens Campeões da Terra 2020”, num universo de mais de 845 inscritos, é, de per si, uma vitória. Conte como surgiu a sua paixão pelo ambiente, mais especificamente pelos mangais.

FRS –  Eu nasci no Lobito, a cidade dos flamingos. Cresci a vê-los pela minha cidade, e todos os dias, de regresso da escola, no fim da tarde, parava para apreciar os voos que os flamingos faziam depois de serem espantados pelo barulho e trepidação dos comboios que passavam com alguma frequência na linha férrea que ficava entre o seu habitat (os mangais), e, ao lado, também ficavam muitos turistas a marcar aqueles momentos com registos fotográficos. Daquele tempo para cá, começaram a surgir muitas infraestruturas nos santuários dos flamingos, chegou-se ao extremo de entulharem o seu habitat para a construção, a poluição tomou conta dos mangais, e, por conta disso, os flamingos têm dificuldades de pousar nos mangais, seu habitat natural e começaram lentamente a desaparecer da cidade até quase que entraram em extinção. E, para mim, uma lobitanga de gema, que conviveu toda a infância a ver os flamingos, foi como se estivessem a extrair a minha identidade, pois não gostaria que os flamingos, identidade da nossa cidade, ficassem apenas para a história por causa da ganância e egoísmo de poucas pessoas que decidiram entulhar os mangais.

ANGOP – Criou a AmbiReciclo, uma startup que promove a economia verde. Que balanço faz dos resultados da empresa e com que recursos sobrevive? 

FRS – A AmbiReciclo é uma empresa que eu e minha colega Joana Bernardo fundámos para transformar o lixo em cadeia de valor, através da reciclagem. Com uma componente muito forte na formação de jovens mulheres, reciclamos o lixo orgânico para a produção de bio-fertilizante, os pneus descartados em mobílias de pneus, os óleos de cozinha usado em sabão. Neste momento de pandemia da Covid-19, nós, através da AmbiReciclo, temos produzido sabão, a partir da reciclagem dos óleos de cozinha usados, que, com a ajuda de vários parceiros, temos distribuído de forma gratuita a famílias desfavorecidas. Nesta campanha, já produzimos mais de 70 mil barras de sabão, que ajudaram mais de 52 mil famílias. A nossa aposta é nunca deixarmos ninguém para trás, durante esta crise. Com soluções verdes, temos conseguido tornar isto realidade.



ANGOP – Uma das suas divisas é a busca do que chama de reconciliação do homem com a mãe natureza. Quer comentar? 

FRS – Quando afirmo que é necessário nos reconciliarmos com a mãe natureza é porque a seca severa que assola vastas regiões de África, da Ásia e das Américas, a título de exemplo, é consequência directa da irresponsabilidade do homem. As florestas tropicais, tanto da Amazônia quanto a floresta equatorial africana, os principias pulmões do planeta, estão seriamente ameaçados devido à exploração desmensurada da madeira, à caça furtiva e a ganância de muitas multinacionais que são grupos económicos poderosos que exploram, sem escrúpulos, os recursos minerais e contaminam os solos e rios. Actualmente, em todos os oceanos, há mais resíduos de plásticos do que peixe. A poluição atingiu proporções assustadoras. O aquecimento global põe em causa a continuidade das espécies, incluindo a raça humana. Mas, infelizmente, continua a haver líderes mundiais que não acreditam no aquecimento global e investem em indústrias altamente poluentes. Milhões de pessoas, em todo o mundo, particularmente em África, passam fome porque perderam as suas terras de cultivo e de pasto, o peixe desapareceu em muitos rios, e os governos não têm soluções. Em virtude disso, a solução apenas passa em nos reconciliarmos com a mãe natureza, ou seja, é preciso desenvolvermo-nos economicamente, tendo em conta a todos os ecossistemas ambientais existentes no planeta terra. 

ANGOP – O que espera o Projecto Otchiva do Governo angolano para a sua sustentabilidade e a extensão da sua acção por toda a costa angolana?

FRS – O Projecto Otchiva espera do Governo angolano a criação de uma lei específica para a protecção dos mangais e a existência de uma estratégia para a protecção e restauração dos mangais, com o objectivo de se pôr a resiliência da orla costeira, assim como o bem-estar de todas as espécies que dependem dos mangais, incluindo a espécie humana.

ANGOP – De uma forma geral, quais são as principais ameaças à preservação do ambiente em todo o território angolano? 

FRS –  No nosso país, Angola, ainda registamos actos graves de agressão ao Planeta Terra. Queimadas e incêndios florestais, destruição dos mangais e de toda a orla costeira, falta de saneamento básico em todas as cidades, vilas e aldeias do país são apenas alguns dos exemplos a citar. Por isso, nesse momento de quarentena em que o mundo vive aterrorizado pela pandemia do novo corona vírus, deveríamos parar para perceber que os avanços da ciência e da tecnologia não nos permitiram contrariar a mãe natureza. Angola e a humanidade em geral só vencerão estes e outros desafios se RECONCILIAREM COM A MÃE NATUREZA!.

ANGOP – Quem é Fernanda Renée Samuel? 

FRS – É uma jovem angolana que nasceu no Lobito, a cidade dos flamingos, há 28 anos. Licenciou-se em engenharia de pesquisa e produção de petróleos, pela Universidade Jean Piaget de Angola, mas trabalha na conservação da natureza, tanto na reciclagem dos resíduos, quanto na restauração e protecção dos ecossistemas ambientais. Divirte-se, diz ela, em tudo o que faz. Revela que para além de ser viciada em proteger o ambiente, é muito viciada em tomar café.