“Sonho com um Chitato sem lixo” - Administrador

  • Lunda Norte: Administrador Municipal do Chitato, Gastao Cahata
Dundo - Um Chitato sem lixo, capim, com números reduzidos de casos de malária, sem crianças fora do sistema de ensino e equiparado ao Lobito, Lubango e Huambo é o que o administrador municipal, Gastão Cahata, ambiciona para 2030.

Por Hélder Dias

Em entrevista à ANGOP, o administrador municipal do Chitato (província da Lunda Norte), que faz um resumo do actual quadro socioecómico, político e cultural da circunscrição, destaca que o saneamento básico continua a ser prioridade e aponta o capim como o principal calcanhar de Aquiles do município.

Nesta entrevista, Gastão Cahata disse, igualmente, que a indústria é o parente mais pobre do município e convida empresários nacionais e estrangeiros a investirem na região, sobretudo no sector dos diamantes.

Eis íntegra da entrevista: 

ANGOP: Volvidos 19 anos de paz efectiva, que Chitato pode apresentar? 

Gastão Cahata (GC): Penso que temos um Chitato em franco progresso, do ponto de vista socioeconómico e genérico, não obstante a crise que o Mundo e o país enfrentam.

Estamos a falar de um Chitato que goza de um clima de paz e cresce de maneira ordenada, com uma rede de serviços integrados que permite elevar a qualidade de vida dos seus habitantes. Volvidos 19 anos de paz efectiva, fruto de vários investimentos, Chitato tem uma estrutura produtiva impulsionada pela inovação e com valores agregados, cujas oportunidades geradas pelo desenvolvimento beneficiam a todos. 

Com aumento de salas de aulas, centros de saúde e de outras infraestruturas como a Centralidade do Mussungue, por exemplo, podemos afirmar com muito orgulho, que o nosso município está a crescer e já começa a apresentar uma imagem que orgulha a todos nós.  

ANGOP: Como imagina o Chitato em 2030? 

GC: Estamos a imaginar em 2o30 um Chitato em pleno progresso, isento de lixo, com números reduzidos de casos de malária, sem crianças fora do sistema de ensino e equiparado aos outros municípios, como o Lobito, Lubango e Huambo.

 ANGOP: Qual é o ponto de situação do sector social? 

GC: Avalio a situação social como sendo boa, não obstante o nível de desemprego que temos por parte da nossa juventude. No sector da Saúde temos um total de 15 unidades sanitárias que vivem algumas dificuldades do ponto de vista de pessoal e sabem que por força da lei não podemos ter pessoal contratado.

Temos ainda dificuldades de assistência médica e medicamentosa, mas tudo temos feito para encontrar soluções, pelo que dos medicamentos que recebemos do depósito provincial e algumas aquisições internas que a administração faz vamos mitigando algumas situações.

No sector da Educação, temos mais de 32 escolas que também vivem as suas dificuldades, porque não são orçadas e os orçamentos que recebemos não são suficientes para podermos acudir a organização e funcionamento das escolas. Temos dificuldades em termos de carteiras em algumas escolas, tal como excesso de alunos, mas são situações que aos poucos estamos a mitigar com a aquisição de carteiras e a construção de novas salas de aulas. 

ANGOP: Há zonas sem escolas e unidades sanitárias? 

GC: Sim… nesta altura temos a localidade do Tchamba Mendes, as localidades ao longo da Estrada Nacional 225, Licoque. No geral, temos mais de seis localidades que não têm infra-estruturas sanitárias e escolares. 

Mas a nossa luta, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate a Pobreza, é a partir deste ano, construirmos escolas geminadas, ou seja, um projecto de sete salas, que podemos dividir em duas salas em cada localidade para mitigar esta situação e evitar que os cidadãos daquela localidade fiquem sem o direito à formação.

ANGOP: Para além das dificuldades acima enumeradas, quais são os outros grandes desafios da administração municipal?

GC: Os nossos grandes desafios são o saneamento básico, a melhoria da qualidade de ensino, com aumento de infraestruturas escolares, melhorar o nosso sistema de saúde e as condições socioeconómicas nas comunidades.

ANGOP: Qual é o quadro actual do PIIM no Chitato?

GC: Como deve saber, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) o município ganhou dez projectos. Estamos a falar da construção de quatro escolas de sete e 12 salas, três esquadras policiais e projectos de saneamento básico, dos quais oito com financiamento já garantido e dois cujo concurso está em curso.

Neste momento, as quatro escolas, que perfazem um total de 38 novas salas de aulas em construção na sede municipal do Chitato, já têm um grau de execução física na ordem dos 60 a 70 por cento.  Relactivamente as quatro esquadras policiais, podemos afirmar que se tudo correr bem até Março ou Maio deste ano estarão concluídas.

Quanto ao saneamento básico, temos já programas em execução nos três distritos urbanos. Está em fase de concurso público um outro projecto que é de aquisição de equipamentos para o saneamento básico, avaliados em 820 milhões de kwanzas.

ANGOP: E qual a situação real do saneamento básico no Chitato?

GC: De facto o saneamento básico continua a ser nossa prioridade. Neste capítulo, temos em funcionamento uma brigada de recolha de lixo cuja acção reside por enquanto na centralidade do Mussungue, um projecto sustentado pelo Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate à Pobreza, que emprega 41 jovens. 

Para além desta brigada temos duas empresas que já operam há muitos anos ao nível do distrito urbano do Dundo e, no âmbito do PIIM, lançamos recentemente um projecto de saneamento básico que de forma estratégica tivemos que definir três zonas de acção, dividindo o valor que era de 320 milhões de kwanzas/ano para três empresas que estão a trabalhar nos distritos urbanos do Mussungue, Dundo e Chitato, acções que permitiram empregar 131 jovens.

ANGOP: Em que medida estas acções têm surtido efeito?

GC: Sim… mas o capim tem sido o nosso calcanhar de Aquiles. Podemos lutar para a recolha de resíduos sólidos orgânico, domiciliar e sanitário, mas temos uma grande luta que é o capim. Por esta razão, tivemos que exigir que as empresas de recolha de resíduos sólidos tivessem equipamentos que permitem combater a proliferação do capim pela cidade e consequentemente dos mosquitos e reduzirmos os casos de malária.

ANGOP: Quanto é que a administração gasta para suportar os programas de saneamento básico? 

GC: Com relação aos custos do saneamento, a brigada gasta em volta de 3 milhões, 200 mil kwanzas/mês, isso em despesas com combustíveis, manutenção dos meios e salário do pessoal.

ANGOP: Como está o fornecimento da energia eléctrica e o abastecimento de água?

GC: Relativamente a energia eléctrica a situação melhorou, porquanto tivemos alguns períodos onde zonas urbanas tinham sofrido cortes constantes. Penso que com a capacidade que foi instalada, que em  princípio era de 32 megawatts reduzimos para 18, mas tem sido possível abastecer o casco urbano. 

Reconhecemos que em zonas rurais não há energia. Existem algumas restrições que se devem ao facto da capacidade instalada ser insuficiente para simultaneamente fornecer energia a todos os bairros, mas acreditamos que com a entrada em funcionamento da barragem do Luachimo iremos suprir essa deficiência no sector da energia.

Relativamente a água, o abastecimento também é regular, embora tenhamos localidades sem água, até mesmo na zona urbana como os bairros do Aeroporto, Taxa Barragem, Satxindongo e Nachiri, entre outros. Está na forja uma solução que vai abranger 15 mil ligações domiciliares, um projecto do Ministério da Energia e Águas, que vai abranger dez bairros.

ANGOP: O Chitato vive só de diamantes?

GC: O Chitato não vive só da exploração de diamantes. Tanto é que ao nosso nível só temos reconhecido um único projecto mineiro, que nesta altura emprega cerca de 70 jovens locais.

Para além dos diamantes, o Chitato vive da agricultura. Por isso é que ao nosso nível vamos iniciar brevemente os trabalhos de reabilitação da via de acesso à localidade do Mucoloji, que é uma zona tipicamente agrícola para facilitar o escoamento dos produtos para as cidades. Estamos a trabalhar na construção de pavilhões mercantis para permitir que os nossos camponeses possam vender os seus produtos de forma organizada.

Prevemos igualmente a aquisição de moagens para potenciar os nossos camponeses, ou seja, o camponês não precisa trazer o produto para ser transformado no centro da cidade, mas lá mesmo onde produz sai já com o produto transformado para o mercado. Ainda no sector agrário existem políticas de incentivo com a isenção de alguns custos relacionados com o sector.

ANGOP: Falou da agricultura. O município detém um projecto agrícola que é considerado o maior produtor de ovos e carne na região leste. Qual é o quadro actual de Cacanda?

GC: O projecto Cacanda preocupa-nos, porquanto é um projecto que pela dimensão que tem deveria servir melhor o nosso mercado interno, mas como sabem o nosso mercado é sustentado pelos camponeses que praticam agricultura de subsistência em pequena escala.

Temos informações de que serve outros mercados. Não estamos satisfeitos com o trabalho que é desenvolvido pelo projecto Cacanda e solicitamos que melhorem, queremos que empreguem mais jovens locais e que sirvam o nosso mercado.

Queremos acrescentar que precisamos de investidores no sector pecuário, porque temos este potencial, temos espaços. Só precisamos que as pessoas venham.

ANGOP: A industrialização é um facto no Chitato?  

GC: O sector industrial é o parente mais pobre do município, nessa altura não temos indústrias como tal. Temos pequenas moagens, que não são suficientes para avaliarmos este sector.

Temos os nossos subsolos quase todos ricos em diamantes, mas não há aqui grandes investimentos como queremos, temos apenas uma única empresa a investir neste sector que emprega apenas 67 jovens locais. Precisamos de mais investimentos porque temos um vasto terreno para a exploração de diamantes. 

Os empresários podem vir. Estamos abertos, temos terras, disponibilidade e homens para desenvolver esta actividade mineira ao nível do município. Garantimos que não haverá, da nossa parte, burocracias nos processos em que a administração tem responsabilidades, para que os investimentos se efectivem. 

ANGOP: O município de Chitato não tem um centro de emprego e formação profissional…

GC: É verdade, não temos um Centro de Emprego e Formação Profissional como tal… Como sabem, o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional ministra os seus cursos no Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego com muitas limitações.

Mas, este ano, vamos reabilitar o edifício dos Correios de Angola (CTT) e transformá-lo no primeiro Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional no município de Chitato.  

A reabilitação do edifício começa no decorrer do primeiro trimestre do ano em curso e enquadra-se no Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate a Pobreza. Na primeira fase serão ministrados cursos de informática, corte costura, electricidade e pastelaria, e os primeiros jovens a serem formados vão beneficiar de kits profissionais para criarem seus negócios. 

ANGOP: Para além deste, existe algum projecto para mitigar o nível de desemprego no seio da juventude?

GC: Temos muitos jovens desocupados. Por isso é que estamos a trabalhar no sentido de criarmos brigadas no âmbito do combate à pobreza que servirão de elementos para potenciar os jovens com kits profissionais de auto-emprego.

Vamos adquirir kits de mecânica, serralharia e informática, para irmos mitigando, porque o Estado sozinho não consegue empregar todos jovens. Temos ainda em carteira, um projecto de auto-construção dirigida na reserva fundiária de Mandandji, entre outros, que visa incentivar o empreendedorismo no seio desta franja da população.

Estamos a trabalhar para a reabilitação de algumas infraestruturas desportivas precárias e a construção de dois campos de futebol na Centralidade do Mussungue.

ANGOP: E como estamos em termos de vias de acesso?

GC: Temos problemas sérios de acesso às zonas rurais. Estamos a falar da via de acesso à localidade do Tchamba Centro, Tchamba Mendes, Mucologe, Kuribitxia e Licoque. Esta última nem ponte tem para os camponeses irem à zona de produção. 

Estamos a trabalhar com o gabinete de Construção e Infraestruturas para colocar à disposição da administração municipal máquinas e equipamentos de terraplanagem que recebemos recentemente do ministério da construção para o trabalho de terraplanagem destas vias.

ANGOP: O que foi feito com os recursos alocados em 2020, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza? 

GC: No âmbito deste programa, gastamos 300 milhões de kwanzas que investimos essencialmente na construção do centro de saúde do bairro Aeroporto, praça da Cultura, dois furos de água, reabilitação de um furo de água e aplicamos na brigada de recolha de resíduos sólidos domiciliares.

Também reabilitamos uma escola, investimos em cuidados primários de saúde e na aquisição de material de biossegurança.

ANGOP: Algum aspecto particular que queira realçar? 

GC: No geral, podemos afirmar que o Chitato possui hoje uma administração pública transparente e de alto desempenho, marcada pela provisão de serviços de alta qualidade e pela existência de um corpo de servidores altamente profissionais. Vamos continuar a trabalhar na implementação de projectos para redução da pobreza nas comunidades e permitir um desenvolvimento sustentável do município.

ANGOP: Quem é Gastão Cahata?  

GC: Gastão Cahata nasceu no município de Cambulo, aos 18 de Outubro de 1984, licenciado em Direito e em Ciências da Educação e é advogado de profissão.

Fui chefe de secção de Estatística da Procuradoria Geral da República na Lunda Norte, chefe de departamento da Rádio, Televisão e Imprensa da direcção da Comunicação Social e segundo secretário provincial da JMPLA.

Em 2019, fui nomeado administrador municipal de Chitato, cargo que exerço até hoje com muita dedicação e patriotismo.

Perfil do município

O município de Chitato, capital política da província da Lunda Norte, com 300 mil, 263 habitantes, tem três distritos urbanos (Mussungue, Chitato e Dundo) e duas comunas (Chitato e Luachimo).

É limitado a norte pela República Democrática do Congo, a leste pelo município de Cambulo, a sul pelo Lucapa e a oeste pelo município do Cuilo. Localiza-se a cerca de dez quilómetros da fronteira norte de Angola com a República Democrática do Congo e faz parte de uma região “altamente” rica em diamantes.

No período colonial o município era conhecido por “Portugália”.

Por Hélder Dias

Em entrevista à ANGOP, o administrador municipal do Chitato (província da Lunda Norte), que faz um resumo do actual quadro socioecómico, político e cultural da circunscrição, destaca que o saneamento básico continua a ser prioridade e aponta o capim como o principal calcanhar de Aquiles do município.

Nesta entrevista, Gastão Cahata disse, igualmente, que a indústria é o parente mais pobre do município e convida empresários nacionais e estrangeiros a investirem na região, sobretudo no sector dos diamantes.

Eis íntegra da entrevista: 

ANGOP: Volvidos 19 anos de paz efectiva, que Chitato pode apresentar? 

Gastão Cahata (GC): Penso que temos um Chitato em franco progresso, do ponto de vista socioeconómico e genérico, não obstante a crise que o Mundo e o país enfrentam.

Estamos a falar de um Chitato que goza de um clima de paz e cresce de maneira ordenada, com uma rede de serviços integrados que permite elevar a qualidade de vida dos seus habitantes. Volvidos 19 anos de paz efectiva, fruto de vários investimentos, Chitato tem uma estrutura produtiva impulsionada pela inovação e com valores agregados, cujas oportunidades geradas pelo desenvolvimento beneficiam a todos. 

Com aumento de salas de aulas, centros de saúde e de outras infraestruturas como a Centralidade do Mussungue, por exemplo, podemos afirmar com muito orgulho, que o nosso município está a crescer e já começa a apresentar uma imagem que orgulha a todos nós.  

ANGOP: Como imagina o Chitato em 2030? 

GC: Estamos a imaginar em 2o30 um Chitato em pleno progresso, isento de lixo, com números reduzidos de casos de malária, sem crianças fora do sistema de ensino e equiparado aos outros municípios, como o Lobito, Lubango e Huambo.

 ANGOP: Qual é o ponto de situação do sector social? 

GC: Avalio a situação social como sendo boa, não obstante o nível de desemprego que temos por parte da nossa juventude. No sector da Saúde temos um total de 15 unidades sanitárias que vivem algumas dificuldades do ponto de vista de pessoal e sabem que por força da lei não podemos ter pessoal contratado.

Temos ainda dificuldades de assistência médica e medicamentosa, mas tudo temos feito para encontrar soluções, pelo que dos medicamentos que recebemos do depósito provincial e algumas aquisições internas que a administração faz vamos mitigando algumas situações.

No sector da Educação, temos mais de 32 escolas que também vivem as suas dificuldades, porque não são orçadas e os orçamentos que recebemos não são suficientes para podermos acudir a organização e funcionamento das escolas. Temos dificuldades em termos de carteiras em algumas escolas, tal como excesso de alunos, mas são situações que aos poucos estamos a mitigar com a aquisição de carteiras e a construção de novas salas de aulas. 

ANGOP: Há zonas sem escolas e unidades sanitárias? 

GC: Sim… nesta altura temos a localidade do Tchamba Mendes, as localidades ao longo da Estrada Nacional 225, Licoque. No geral, temos mais de seis localidades que não têm infra-estruturas sanitárias e escolares. 

Mas a nossa luta, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate a Pobreza, é a partir deste ano, construirmos escolas geminadas, ou seja, um projecto de sete salas, que podemos dividir em duas salas em cada localidade para mitigar esta situação e evitar que os cidadãos daquela localidade fiquem sem o direito à formação.

ANGOP: Para além das dificuldades acima enumeradas, quais são os outros grandes desafios da administração municipal?

GC: Os nossos grandes desafios são o saneamento básico, a melhoria da qualidade de ensino, com aumento de infraestruturas escolares, melhorar o nosso sistema de saúde e as condições socioeconómicas nas comunidades.

ANGOP: Qual é o quadro actual do PIIM no Chitato?

GC: Como deve saber, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) o município ganhou dez projectos. Estamos a falar da construção de quatro escolas de sete e 12 salas, três esquadras policiais e projectos de saneamento básico, dos quais oito com financiamento já garantido e dois cujo concurso está em curso.

Neste momento, as quatro escolas, que perfazem um total de 38 novas salas de aulas em construção na sede municipal do Chitato, já têm um grau de execução física na ordem dos 60 a 70 por cento.  Relactivamente as quatro esquadras policiais, podemos afirmar que se tudo correr bem até Março ou Maio deste ano estarão concluídas.

Quanto ao saneamento básico, temos já programas em execução nos três distritos urbanos. Está em fase de concurso público um outro projecto que é de aquisição de equipamentos para o saneamento básico, avaliados em 820 milhões de kwanzas.

ANGOP: E qual a situação real do saneamento básico no Chitato?

GC: De facto o saneamento básico continua a ser nossa prioridade. Neste capítulo, temos em funcionamento uma brigada de recolha de lixo cuja acção reside por enquanto na centralidade do Mussungue, um projecto sustentado pelo Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate à Pobreza, que emprega 41 jovens. 

Para além desta brigada temos duas empresas que já operam há muitos anos ao nível do distrito urbano do Dundo e, no âmbito do PIIM, lançamos recentemente um projecto de saneamento básico que de forma estratégica tivemos que definir três zonas de acção, dividindo o valor que era de 320 milhões de kwanzas/ano para três empresas que estão a trabalhar nos distritos urbanos do Mussungue, Dundo e Chitato, acções que permitiram empregar 131 jovens.

ANGOP: Em que medida estas acções têm surtido efeito?

GC: Sim… mas o capim tem sido o nosso calcanhar de Aquiles. Podemos lutar para a recolha de resíduos sólidos orgânico, domiciliar e sanitário, mas temos uma grande luta que é o capim. Por esta razão, tivemos que exigir que as empresas de recolha de resíduos sólidos tivessem equipamentos que permitem combater a proliferação do capim pela cidade e consequentemente dos mosquitos e reduzirmos os casos de malária.

ANGOP: Quanto é que a administração gasta para suportar os programas de saneamento básico? 

GC: Com relação aos custos do saneamento, a brigada gasta em volta de 3 milhões, 200 mil kwanzas/mês, isso em despesas com combustíveis, manutenção dos meios e salário do pessoal.

ANGOP: Como está o fornecimento da energia eléctrica e o abastecimento de água?

GC: Relativamente a energia eléctrica a situação melhorou, porquanto tivemos alguns períodos onde zonas urbanas tinham sofrido cortes constantes. Penso que com a capacidade que foi instalada, que em  princípio era de 32 megawatts reduzimos para 18, mas tem sido possível abastecer o casco urbano. 

Reconhecemos que em zonas rurais não há energia. Existem algumas restrições que se devem ao facto da capacidade instalada ser insuficiente para simultaneamente fornecer energia a todos os bairros, mas acreditamos que com a entrada em funcionamento da barragem do Luachimo iremos suprir essa deficiência no sector da energia.

Relativamente a água, o abastecimento também é regular, embora tenhamos localidades sem água, até mesmo na zona urbana como os bairros do Aeroporto, Taxa Barragem, Satxindongo e Nachiri, entre outros. Está na forja uma solução que vai abranger 15 mil ligações domiciliares, um projecto do Ministério da Energia e Águas, que vai abranger dez bairros.

ANGOP: O Chitato vive só de diamantes?

GC: O Chitato não vive só da exploração de diamantes. Tanto é que ao nosso nível só temos reconhecido um único projecto mineiro, que nesta altura emprega cerca de 70 jovens locais.

Para além dos diamantes, o Chitato vive da agricultura. Por isso é que ao nosso nível vamos iniciar brevemente os trabalhos de reabilitação da via de acesso à localidade do Mucoloji, que é uma zona tipicamente agrícola para facilitar o escoamento dos produtos para as cidades. Estamos a trabalhar na construção de pavilhões mercantis para permitir que os nossos camponeses possam vender os seus produtos de forma organizada.

Prevemos igualmente a aquisição de moagens para potenciar os nossos camponeses, ou seja, o camponês não precisa trazer o produto para ser transformado no centro da cidade, mas lá mesmo onde produz sai já com o produto transformado para o mercado. Ainda no sector agrário existem políticas de incentivo com a isenção de alguns custos relacionados com o sector.

ANGOP: Falou da agricultura. O município detém um projecto agrícola que é considerado o maior produtor de ovos e carne na região leste. Qual é o quadro actual de Cacanda?

GC: O projecto Cacanda preocupa-nos, porquanto é um projecto que pela dimensão que tem deveria servir melhor o nosso mercado interno, mas como sabem o nosso mercado é sustentado pelos camponeses que praticam agricultura de subsistência em pequena escala.

Temos informações de que serve outros mercados. Não estamos satisfeitos com o trabalho que é desenvolvido pelo projecto Cacanda e solicitamos que melhorem, queremos que empreguem mais jovens locais e que sirvam o nosso mercado.

Queremos acrescentar que precisamos de investidores no sector pecuário, porque temos este potencial, temos espaços. Só precisamos que as pessoas venham.

ANGOP: A industrialização é um facto no Chitato?  

GC: O sector industrial é o parente mais pobre do município, nessa altura não temos indústrias como tal. Temos pequenas moagens, que não são suficientes para avaliarmos este sector.

Temos os nossos subsolos quase todos ricos em diamantes, mas não há aqui grandes investimentos como queremos, temos apenas uma única empresa a investir neste sector que emprega apenas 67 jovens locais. Precisamos de mais investimentos porque temos um vasto terreno para a exploração de diamantes. 

Os empresários podem vir. Estamos abertos, temos terras, disponibilidade e homens para desenvolver esta actividade mineira ao nível do município. Garantimos que não haverá, da nossa parte, burocracias nos processos em que a administração tem responsabilidades, para que os investimentos se efectivem. 

ANGOP: O município de Chitato não tem um centro de emprego e formação profissional…

GC: É verdade, não temos um Centro de Emprego e Formação Profissional como tal… Como sabem, o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional ministra os seus cursos no Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego com muitas limitações.

Mas, este ano, vamos reabilitar o edifício dos Correios de Angola (CTT) e transformá-lo no primeiro Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional no município de Chitato.  

A reabilitação do edifício começa no decorrer do primeiro trimestre do ano em curso e enquadra-se no Programa Integrado de Desenvolvimento Local, Combate a Pobreza. Na primeira fase serão ministrados cursos de informática, corte costura, electricidade e pastelaria, e os primeiros jovens a serem formados vão beneficiar de kits profissionais para criarem seus negócios. 

ANGOP: Para além deste, existe algum projecto para mitigar o nível de desemprego no seio da juventude?

GC: Temos muitos jovens desocupados. Por isso é que estamos a trabalhar no sentido de criarmos brigadas no âmbito do combate à pobreza que servirão de elementos para potenciar os jovens com kits profissionais de auto-emprego.

Vamos adquirir kits de mecânica, serralharia e informática, para irmos mitigando, porque o Estado sozinho não consegue empregar todos jovens. Temos ainda em carteira, um projecto de auto-construção dirigida na reserva fundiária de Mandandji, entre outros, que visa incentivar o empreendedorismo no seio desta franja da população.

Estamos a trabalhar para a reabilitação de algumas infraestruturas desportivas precárias e a construção de dois campos de futebol na Centralidade do Mussungue.

ANGOP: E como estamos em termos de vias de acesso?

GC: Temos problemas sérios de acesso às zonas rurais. Estamos a falar da via de acesso à localidade do Tchamba Centro, Tchamba Mendes, Mucologe, Kuribitxia e Licoque. Esta última nem ponte tem para os camponeses irem à zona de produção. 

Estamos a trabalhar com o gabinete de Construção e Infraestruturas para colocar à disposição da administração municipal máquinas e equipamentos de terraplanagem que recebemos recentemente do ministério da construção para o trabalho de terraplanagem destas vias.

ANGOP: O que foi feito com os recursos alocados em 2020, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza? 

GC: No âmbito deste programa, gastamos 300 milhões de kwanzas que investimos essencialmente na construção do centro de saúde do bairro Aeroporto, praça da Cultura, dois furos de água, reabilitação de um furo de água e aplicamos na brigada de recolha de resíduos sólidos domiciliares.

Também reabilitamos uma escola, investimos em cuidados primários de saúde e na aquisição de material de biossegurança.

ANGOP: Algum aspecto particular que queira realçar? 

GC: No geral, podemos afirmar que o Chitato possui hoje uma administração pública transparente e de alto desempenho, marcada pela provisão de serviços de alta qualidade e pela existência de um corpo de servidores altamente profissionais. Vamos continuar a trabalhar na implementação de projectos para redução da pobreza nas comunidades e permitir um desenvolvimento sustentável do município.

ANGOP: Quem é Gastão Cahata?  

GC: Gastão Cahata nasceu no município de Cambulo, aos 18 de Outubro de 1984, licenciado em Direito e em Ciências da Educação e é advogado de profissão.

Fui chefe de secção de Estatística da Procuradoria Geral da República na Lunda Norte, chefe de departamento da Rádio, Televisão e Imprensa da direcção da Comunicação Social e segundo secretário provincial da JMPLA.

Em 2019, fui nomeado administrador municipal de Chitato, cargo que exerço até hoje com muita dedicação e patriotismo.

Perfil do município

O município de Chitato, capital política da província da Lunda Norte, com 300 mil, 263 habitantes, tem três distritos urbanos (Mussungue, Chitato e Dundo) e duas comunas (Chitato e Luachimo).

É limitado a norte pela República Democrática do Congo, a leste pelo município de Cambulo, a sul pelo Lucapa e a oeste pelo município do Cuilo. Localiza-se a cerca de dez quilómetros da fronteira norte de Angola com a República Democrática do Congo e faz parte de uma região “altamente” rica em diamantes.

No período colonial o município era conhecido por “Portugália”.