Bienos sofrem na Estrada Nacional 250

  • Estado degradado da estrada EN250 Cuito-Cuemba, província do Bié
Cuito – Considerada estratégica para a ligação entre o Leste do país e a República da Zâmbia, a estrada Cuito/Catabola/Camacupa/Cuemba encontra-se em acentuado estado de degradação, comprometendo, sobremaneira, as trocas comerciais.

Por Jilmar Chitondua e Pascoal Bernardo

De acordo com especialistas, trata-se de uma importante via que liga a zona Centro ao Leste do país, através da província do Moxico, cuja condição técnica dificulta o escoamento da produção agrícola e impede, consequentemente, o esperado progresso dos municípios de Catabola, Camacupa e Cuemba, na província do Bié.

Em termos concretos, a circulação naquele troço da Estrada Nacional 250 é feita com sacrifício, passando por inúmeros buracos, entre o já saturado asfalto e a terra batida, num percurso de quase 164 quilómetros que partem do Cuito (Bié).

Actualmente, somente dezoito quilómetros da via estão asfaltados, concretamente entre o Cuito e a comuna da Chipeta, município de Catabola.

Paradoxalmente, enquanto parte da estrada foi terraplenada, a outra se encontra muito degradada. Em época chuvosa, a situação é crítica, e alguns troços ficam praticamente intransitáveis. Só viaturas todo-o-terreno transitam pela via, mas com grandes embaraços.

Apesar de, em 2018, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, ter anunciado, para 2019, o começo dos trabalhos de asfaltagem, o certo é que, até ao momento, nada foi feito em termos de reparação da estrada.

Com as actuais condições técnicas, as municipalidades mais prejudicadas são Catabola, Camacupa e Cuemba, cujo desenvolvimento continua retardado.

O péssimo estado da via inibe o investimento nacional e estrangeiro, sobretudo no turismo.

Na verdade, este corredor conta com enormes atracções turísticas que podem contribuir para a redução das assimetrias regionais e fazer aumentar as receitas públicas.

Trata-se, em concreto, do Centro Geodésico de Angola, no município de Camacupa, das quedas de Tchitalela, entre Rios, Confluência do rio Cuito, no rio Cuquema, e das quedas Cunje, no Sande, município de Catabola.

A zona é ainda valorizada pelas quedas dos rios Cuemba, Luando, Bumbu, Gando e Luembe, bem como pela Fenda da Ganda e pela vasta reserva integral do Luando, no Cuemba.

Em virtude da falta de investimentos na via de acesso, estas zonas turísticas não têm tido o melhor aproveitamento, o que afasta os potenciais turistas e investidores.

Apesar de a estrada sofrer intervenções paliativas, os trabalhos de fundo continuam a depender, sobremaneira, de recursos financeiros, conforme as autoridades.

A título de exemplo, a construtora Engevia abandonou, há mais de dois anos, o seu equipamento na Estrada Nacional 250, no município de Catabola, altura em que deixou de operar no processo de asfaltagem, num percurso de 71 quilómetros.

A empresa, que paralisou os trabalhos por alegada “falta de pagamentos”, já efectuou a base e a sub-base, assim como o ensaibramento de Catabola até Camacupa.

Em Maio último, o Governo local solicitou à empresa a retirada do material da via, por estar a causar “constrangimentos na circulação”. Trata-se de uma central betuminosa, máquina completa de britadeira, pás carregadoras, giratórias, Bull 12 e outros.

Por ser uma empreitada da responsabilidade do Governo Central, as autoridades locais terraplanaram apenas o troço a partir da sede do Cuemba até Camacupa, trajecto que era considerado o mais crítico nos últimos 10 anos.

Outro exemplo é dado pela empresa Transfânico, que está a terraplanar, desde meados de Outubro, a custo zero, 40 quilómetros de estrada, começando pela comuna da Chipeta, até à sede de Catabola, 52 quilómetros a Leste do Cuito.

Segundo o empresário Simão Fânico, a sua empresa contactou o Governo da Província do Bié, que o autorizou a intervir, sem recursos públicos, na recuperação da estrada.

Esta decisão deixou satisfeitos os cidadãos locais e não só, nomeadamente Eduardo Jamba e Euclides Fernandes, para quem gestos desta natureza devem ser enaltecidos.

Em contrapartida, é notório que as dificuldades financeiras para a retomada das obras da Estrada Nacional 250 continuam a tirar o sono às comunidades locais, que lançam um “grito de socorro” às autoridades, no sentido de se reparar em definitivo aquele troço.

De acordo com o enfermeiro Martinho Sambale, os populares clamavam, há muito, por uma intervenção na estrada, por ser muito crítica, o que piora no período de chuvas.

Só para dar uma ideia da dimensão do problema, para percorrer por uma distância de 164 quilómetros, os automobilistas gastam, em média, seis horas.

Percorrer por este troço, regra geral, constitui uma autêntica aventura, devido à sua degradação total, quer em tempo seco, quer em tempo chuvoso.

A propósito desta questão, o Governo do Bié afirma que já inscreveu este projecto nas actividades prioritárias para 2022, facto confirmado pela ministra das Finanças, Vera Daves, na sua recente visita à província, em Setembro último.

“Este projecto foi considerado prioritário pelo Governo da Província do Bié, por isso será tratado também de forma especial”, afirmou a governante, na altura.

Em virtude de ser uma empreitada de âmbito central, a governante diz que vão trabalhar na busca de soluções financeiras, para atender a essa e outras preocupações.

“Apesar de o Orçamento Geral do Estado (OGE) estar já “fechado” em termos de propostas apresentadas pelos governos provinciais, o Executivo angolano vai procurar outros financiamentos para voltar a realizar as obras sem constrangimentos”, realça.

“Nós demos um limite orçamental à província do Bié e ao Ministério das Obras Públicas, e esses dois organismos vão decidir concretamente a sua execução”, remata.

População ansiosa

O anúncio de que a asfaltagem da estrada já consta das prioridades para o próximo ano agrada a população local, como testemunha Capitango José, munícipe de Catabola.

Conforme o cidadão, o tráfego de veículos nesta via tem sido prejudicial para os meios de transportes e para as próprias pessoas, situação que se agrava na época chuvosa.

“Isso poderá alavancar a economia de muitos municípios e da província, em geral”, diz.

Já Bartolomeu Wanga refere que, com a recuperação da estrada, haverá crescimento das localidades, fundamentalmente no sector turístico.

Do seu ponto de vista, a asfaltagem da estrada será mais-valia para as comunidades, assim como um incentivo para o aumento da produção.

Já Cussoma Etossi, munícipe do Cuemba, declara que a situação é desgastante e deixa as pessoas sem alternativas e aspirações para o desenvolvimento.

Segundo o munícipe, devido às más condições da estrada, os motoristas demoram muitas horas para fazer o trajecto e, muitas vezes, são obrigados a permanecer horas parados no meio do caminho, com os veículos “enterrados”.

“A estrada oferece riscos de acidentes, por isso apelo às autoridades para a sua recuperação e asfaltagem, promessa feita várias vezes”, reitera Cussoma Etossi.

CFB alivia sofrimento

 Face à degradação da Estrada Nacional 250, a alternativa dos munícipes destas localidades tem sido a circulação pelo Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).

A linha-férrea tem um percurso estimado em 393 quilómetros, passando pelos municípios do Chinguar, Cunhinga, Catabola, Camacupa, Cuemba até à comuna do Munhango, fronteira com a província do Moxico.

Neste domínio, foram reabilitadas 13 estações nas localidades do Chinguar, Cutato, Capeio, Cunhinga, Cunje (a maior e principal estação do Bié), Chipeta, Catabola, Camacupa, Cuanza, Cueli, Cuiva, Cuemba e Munhango.

Tem sido este o meio mais usado pela população, sobretudo para o transporte de mercadorias em grande quantidade, o que tem contribuído para a revitalização da actividade económica das famílias, numa altura em que os munícipes locais se dizem cansados de ver um troço estratégico “abandonado” e sem render receitas ao Estado.

Por Jilmar Chitondua e Pascoal Bernardo

De acordo com especialistas, trata-se de uma importante via que liga a zona Centro ao Leste do país, através da província do Moxico, cuja condição técnica dificulta o escoamento da produção agrícola e impede, consequentemente, o esperado progresso dos municípios de Catabola, Camacupa e Cuemba, na província do Bié.

Em termos concretos, a circulação naquele troço da Estrada Nacional 250 é feita com sacrifício, passando por inúmeros buracos, entre o já saturado asfalto e a terra batida, num percurso de quase 164 quilómetros que partem do Cuito (Bié).

Actualmente, somente dezoito quilómetros da via estão asfaltados, concretamente entre o Cuito e a comuna da Chipeta, município de Catabola.

Paradoxalmente, enquanto parte da estrada foi terraplenada, a outra se encontra muito degradada. Em época chuvosa, a situação é crítica, e alguns troços ficam praticamente intransitáveis. Só viaturas todo-o-terreno transitam pela via, mas com grandes embaraços.

Apesar de, em 2018, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, ter anunciado, para 2019, o começo dos trabalhos de asfaltagem, o certo é que, até ao momento, nada foi feito em termos de reparação da estrada.

Com as actuais condições técnicas, as municipalidades mais prejudicadas são Catabola, Camacupa e Cuemba, cujo desenvolvimento continua retardado.

O péssimo estado da via inibe o investimento nacional e estrangeiro, sobretudo no turismo.

Na verdade, este corredor conta com enormes atracções turísticas que podem contribuir para a redução das assimetrias regionais e fazer aumentar as receitas públicas.

Trata-se, em concreto, do Centro Geodésico de Angola, no município de Camacupa, das quedas de Tchitalela, entre Rios, Confluência do rio Cuito, no rio Cuquema, e das quedas Cunje, no Sande, município de Catabola.

A zona é ainda valorizada pelas quedas dos rios Cuemba, Luando, Bumbu, Gando e Luembe, bem como pela Fenda da Ganda e pela vasta reserva integral do Luando, no Cuemba.

Em virtude da falta de investimentos na via de acesso, estas zonas turísticas não têm tido o melhor aproveitamento, o que afasta os potenciais turistas e investidores.

Apesar de a estrada sofrer intervenções paliativas, os trabalhos de fundo continuam a depender, sobremaneira, de recursos financeiros, conforme as autoridades.

A título de exemplo, a construtora Engevia abandonou, há mais de dois anos, o seu equipamento na Estrada Nacional 250, no município de Catabola, altura em que deixou de operar no processo de asfaltagem, num percurso de 71 quilómetros.

A empresa, que paralisou os trabalhos por alegada “falta de pagamentos”, já efectuou a base e a sub-base, assim como o ensaibramento de Catabola até Camacupa.

Em Maio último, o Governo local solicitou à empresa a retirada do material da via, por estar a causar “constrangimentos na circulação”. Trata-se de uma central betuminosa, máquina completa de britadeira, pás carregadoras, giratórias, Bull 12 e outros.

Por ser uma empreitada da responsabilidade do Governo Central, as autoridades locais terraplanaram apenas o troço a partir da sede do Cuemba até Camacupa, trajecto que era considerado o mais crítico nos últimos 10 anos.

Outro exemplo é dado pela empresa Transfânico, que está a terraplanar, desde meados de Outubro, a custo zero, 40 quilómetros de estrada, começando pela comuna da Chipeta, até à sede de Catabola, 52 quilómetros a Leste do Cuito.

Segundo o empresário Simão Fânico, a sua empresa contactou o Governo da Província do Bié, que o autorizou a intervir, sem recursos públicos, na recuperação da estrada.

Esta decisão deixou satisfeitos os cidadãos locais e não só, nomeadamente Eduardo Jamba e Euclides Fernandes, para quem gestos desta natureza devem ser enaltecidos.

Em contrapartida, é notório que as dificuldades financeiras para a retomada das obras da Estrada Nacional 250 continuam a tirar o sono às comunidades locais, que lançam um “grito de socorro” às autoridades, no sentido de se reparar em definitivo aquele troço.

De acordo com o enfermeiro Martinho Sambale, os populares clamavam, há muito, por uma intervenção na estrada, por ser muito crítica, o que piora no período de chuvas.

Só para dar uma ideia da dimensão do problema, para percorrer por uma distância de 164 quilómetros, os automobilistas gastam, em média, seis horas.

Percorrer por este troço, regra geral, constitui uma autêntica aventura, devido à sua degradação total, quer em tempo seco, quer em tempo chuvoso.

A propósito desta questão, o Governo do Bié afirma que já inscreveu este projecto nas actividades prioritárias para 2022, facto confirmado pela ministra das Finanças, Vera Daves, na sua recente visita à província, em Setembro último.

“Este projecto foi considerado prioritário pelo Governo da Província do Bié, por isso será tratado também de forma especial”, afirmou a governante, na altura.

Em virtude de ser uma empreitada de âmbito central, a governante diz que vão trabalhar na busca de soluções financeiras, para atender a essa e outras preocupações.

“Apesar de o Orçamento Geral do Estado (OGE) estar já “fechado” em termos de propostas apresentadas pelos governos provinciais, o Executivo angolano vai procurar outros financiamentos para voltar a realizar as obras sem constrangimentos”, realça.

“Nós demos um limite orçamental à província do Bié e ao Ministério das Obras Públicas, e esses dois organismos vão decidir concretamente a sua execução”, remata.

População ansiosa

O anúncio de que a asfaltagem da estrada já consta das prioridades para o próximo ano agrada a população local, como testemunha Capitango José, munícipe de Catabola.

Conforme o cidadão, o tráfego de veículos nesta via tem sido prejudicial para os meios de transportes e para as próprias pessoas, situação que se agrava na época chuvosa.

“Isso poderá alavancar a economia de muitos municípios e da província, em geral”, diz.

Já Bartolomeu Wanga refere que, com a recuperação da estrada, haverá crescimento das localidades, fundamentalmente no sector turístico.

Do seu ponto de vista, a asfaltagem da estrada será mais-valia para as comunidades, assim como um incentivo para o aumento da produção.

Já Cussoma Etossi, munícipe do Cuemba, declara que a situação é desgastante e deixa as pessoas sem alternativas e aspirações para o desenvolvimento.

Segundo o munícipe, devido às más condições da estrada, os motoristas demoram muitas horas para fazer o trajecto e, muitas vezes, são obrigados a permanecer horas parados no meio do caminho, com os veículos “enterrados”.

“A estrada oferece riscos de acidentes, por isso apelo às autoridades para a sua recuperação e asfaltagem, promessa feita várias vezes”, reitera Cussoma Etossi.

CFB alivia sofrimento

 Face à degradação da Estrada Nacional 250, a alternativa dos munícipes destas localidades tem sido a circulação pelo Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).

A linha-férrea tem um percurso estimado em 393 quilómetros, passando pelos municípios do Chinguar, Cunhinga, Catabola, Camacupa, Cuemba até à comuna do Munhango, fronteira com a província do Moxico.

Neste domínio, foram reabilitadas 13 estações nas localidades do Chinguar, Cutato, Capeio, Cunhinga, Cunje (a maior e principal estação do Bié), Chipeta, Catabola, Camacupa, Cuanza, Cueli, Cuiva, Cuemba e Munhango.

Tem sido este o meio mais usado pela população, sobretudo para o transporte de mercadorias em grande quantidade, o que tem contribuído para a revitalização da actividade económica das famílias, numa altura em que os munícipes locais se dizem cansados de ver um troço estratégico “abandonado” e sem render receitas ao Estado.