Indústria diamantífera renasce do choque da Covid-19 

  • Mina de exploração diamantífera
Luanda - O subsector dos diamantes já começa a renascer do impacto negativo da Covid-19, passados 17 meses desde que o vírus Sars-Cov-2 chegou a Angola, marcados pelo aumento gradual das receitas e pelo "reaquecimento" do mercado de emprego.

Por Quinito Bumba

Esse indicador regista-se, particularmente, nas sociedades diamantíferas que operam nas províncias da Lunda Norte e Sul, principal epicentro da produção nacional de diamantes.

Com o abrandamento da taxa de contágio e o alívio das medidas de prevenção e combate à Covid-19, nos últimos 17 meses, as diamantíferas do país reconhecem a recuperação paulatina dos níveis de produção, comparativamente ao período de pico da pandemia.  

A retoma gradual da actividade também é justificada pelas adaptações e a reengenharia que as empresas fizeram, durante a fase mais crítica dessa doença mortífera em Angola.  

O "novo normal" que o mundo enfrenta obrigou os operadores a reinventarem-se e a adequarem os seus planos operacionais ao actual momento difícil, segundo gestores de empresas do sector diamantífero - importante segmento que representa, a par do petróleo, uma das principais fontes de receitas do Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano. 

O renascimento das diamantíferas também é sustentado pelo "bom momento" que o mercado desse minério atravessa actualmente, apresentando um cenário de estabilidade no preço, o que permite o aumento de receitas das empresas.

A título de exemplo, a Sociedade Mineira do Cuango (SMC), situada na Lunda Norte, facturou perto de 12 milhões de dólares norte-americanos, fruto da venda de 23 mil quilates de diamantes produzidos somente no mês de Fevereiro último (2021). 

A facturação representa um aumento de quase seis milhões de dólares (50%) para o capital financeiro da empresa, comparativamente ao período homólogo (Fevereiro de 2020), em que se registou seis milhões e 705 mil e 77 dólares, com a venda de 19 mil quilates.

“Começamos bem o ano, com uma produção que rondou os 20 mil quilates/mês, mas, excepcionalmente, em Fevereiro, a empresa conseguiu vender 23 mil quilates, um resultado acima da média prevista”, sublinhou o presidente do Conselho de Gerência da SMC, Hélder Carlos.

Apesar de ser interrompido pelo excesso de chuva, que caiu em Abril último, e da avaria de algumas lavarias de diamantes, o gestor considera o retorno gradual aos bons resultados como um alívio para a empresa, que esteve à beira de falir na fase crítica da pandemia. 

O gestor aponta o abrandamento da Covid-19 como um dos factores que tem contribuído para a estabilidade do preço dos diamantes no mercado internacional, permitindo às empresas obterem resultados positivos, nos últimos sete meses. 

Caso a situação sanitária continue a melhorar e o preço dos diamantes permaneça estável no mercado, a diamantífera angolana prevê produzir cerca de 247 mil quilates e arrecadar perto de 75 milhões de dólares, com o preço médio estimado em USD 350 por quilate, até final do presente exercício económico. 

Chitotolo 

À semelhança da SMC, a Sociedade Mineira de Chitotolo, instalada no município de Cambulo, Lunda Norte, produziu 77.104 quilates, que permitiram facturar 35.28 milhões de dólares, de Janeiro a Maio deste ano, fruto do abrandamento da Covid-19.

O actual momento abre boas perspectivas para essa empresa, que prevê, até o final de 2021, produzir cerca de 199 mil e 660 quilates, segundo o director de operações mineiras da Chitotolo, Alexandre Albuquerque.

Além disso, até este mês de Agosto, a empresa prevê instalar e colocar em funcionamento a nova Estação Central de Escolha (ECE), que permitirá armazenar grandes volumes de diamantes, num investimento de mais de 6,5 milhões de dólares. 

Somiluana 

Saindo de Cambulo para Lucapa, ambos municípios da Lunda Norte, está instalada a Sociedade Mineira do Luana (Somiluana), que também começou a registar ligeiras melhorias na sua produção, atingindo uma média de 6.500 quilates/mês, de Janeiro a Maio deste ano. 

Comparativamente ao período crítico da pandemia (2020), em que a média de produção mensal reduziu para 5.315 quilates (27%), a empresa regista um incremento de cerca de 40 por cento da sua capacidade produtiva. 

Apesar das restrições impostas pela Covid-19, a Somiluana continua a operar a um nível economicamente lucrativo, tendo em conta o aumento da procura dos diamantes e o bom preço oferecido pelo mercado internacional, segundo o seu director-geral adjunto, Guilherme Raimundo.

Para cada vez mais aumentar a sua produção e rentabilidade, o responsável fez saber que a diamantífera precisa de mais de 25 milhões de dólares, para substituir os actuais equipamentos de trabalho, que se encontram em estado obsoleto. 

“Temos 43% do equipamento de trabalho em estado degradado, por serem utilizados acima das 30 mil horas, precisando de substituição imediata”, referiu. 

Ainda por imposição da Covid-19, a empresa foi obrigada a reduzir cerca de 31% da sua força de trabalho, ou seja, de 765 para 525 funcionários. Do total de trabalhadores, 73 por cento são nativos, 20% de outras regiões do país e sete por cento são estrangeiros.  

Uari 

No município do Lucapa está também a mina aluvionar da Sociedade Mineira do Uari, conhecida pelo histórico de “pedras especiais” maiores de 10.80 quilates e pela excelente qualidade dos seus diamantes. 

Em 2021, a empresa, que actualmente produz sete mil quilates por mês (cerca de 60% da sua capacidade), augura aumentar a produção para 11 mil quilates/mês, meta “não concretizada em 2020”, devido o impacto negativo da pandemia, segundo o seu director técnico, Tomé Joaquim. 

Em função da qualidade dos seus diamantes, o preço médio de cada quilate ronda os 800 dólares, o que permite obter uma facturação de cerca de cinco milhões e 600 mil dólares/mês, com a produção de sete mil quilates mensal, como indicam os cálculos. 

Na mesma senda, caso se concretize a meta de produção (11 mil quilates/mês) prevista para o presente exercício económico, Uari poderá arrecadar receitas avaliadas em 8,8 milhões de dólares por mês. 

Quanto à força de trabalho, a empresa teve de reduzir para 50 por cento (274 trabalhadores), relegando a actividade para apenas um turno, contra três habitual. 

De acordo com Tomé Joaquim, os funcionários dispensados, devido a Covid-19, continuam a usufruir dos seus salários e poderão regressar ao trabalho tão logo a situação sanitária seja favorável para os trabalhadores do grupo de risco. 

Lunhinga 

Diferente das empresas que exploram em jazigos aluvionares (aluviões) nas lundas, a actual Sociedade Mineira do Lunhinga, sucessora da Sociedade Mineira do Camatchia-Camagico (Luó-SMCC), é uma das poucas diamantíferas que se dedica à exploração do depósito primário kimberlítico, rocha mãe de onde são provenientes os diamantes. 

Apesar da crise pandémica, a diamantífera, que até Junho último funcionou como Projecto Lunhinga, conseguiu elevar os níveis de produção para perto de 112 mil quilates de diamantes, que resultou numa facturação de cerca de 22 milhões de dólares, em 2020. 

Esse resultado representou aumento de 37 mil quilates, comparativamente ao ano de 2019, que explorou cerca de 75 mil quilates, segundo o presidente do Conselho de Gerência e director-geral dessa empresa, Adérito Gaspar. 

A empresa também aumentou a sua média de produção de oito mil para 10 mil quilates por mês, nos últimos meses deste ano. 

Para continuar a marcha crescente da exploração, o Lunhinga investiu cerca de 10 milhões de dólares, que serviram para recuperar mais uma central de pré-tratamento (lavaria) de diamantes, paralisada há cinco anos, assim como adquiriu novos equipamentos mineiros. 

De acordo com Adérito Gaspar, com a entrada em funcionamento dessa lavaria, em Setembro próximo, os níveis de produção poderão duplicar para perto de 20 mil quilates por mês, até 2022. 

Actualmente, a empresa extrai diamantes no kimberlito de “Camatchia”, numa área de 30 hectares, prevendo explorar o outro jazigo kimberlítico de “Camagico”, no médio prazo, para elevar os níveis de produção em cerca de 30 mil quilates/mês.    

Em termos de stock, o Lunhinga conta com cerca de 500 mil quilates de diamantes e oito milhões toneladas de minério em reservas provadas ao redor do kimberlito de “Camatchia”, que poderão ser explorados num período de cinco anos. 

Paralelamente às reservas, Adérito Gaspar assegurou ainda a existência de estudos geológicos que visam o aumento das reservas do projecto e a vida útil dos dois kimberlitos. 

Kaixepa  

A 150 quilómetros da capital da Lunda Norte, Dundo, e a 10 quilómetros do Lucapa também está localizada a actual Sociedade Mineira de Kaixepa (SMK), que desde 2007 até 2020 foi denominada “Camútue” e gerida por um grupo de empresários angolanos e sul-africanos. 

Além de sofrer com o impacto da Covid-19, actualmente, Kaixepa é uma das empresas com a missão mais espinhosa pela frente, por herdar um “fardo pesado” da antiga gestão, que deixou degradado dois kimberlitos e os equipamentos de exploração, conforme denuncia o novo presidente do Conselho de Gerência dessa diamantífera, Domingos Margarida. 

O actual gestor, que está no cargo há três meses, acrescenta que a anterior gestão “fechou”, inclusivamente, os canais de aquisição de peças sobressalentes para a conclusão da montagem de uma central de pré-tratamento de diamantes. 

Diante desse cenário, o novo gestor afirma que a direcção da empresa está a trabalhar no sentido de encontrar capital financeiro, para tentar melhorar os níveis de produção e assegurar a rentabilidade da Sociedade Mineira. 

A empresa precisa de cerca de 30 milhões de dólares para a aquisição de novas lavarias de pré-tratamento de diamantes, assim como a compra de equipamentos de perfuração do kimberlito. 

Se conseguir o capital financeiro, a empresa prevê atingir cerca de 124 mil e 490 quilates para a venda, até ao final deste ano, com preço médio de 900 dólares por quilate, tendo em conta a qualidade do mineiro produzido naquele jazigo. 

As estimativas apontam que, com esse preço médio, a empresa encaixaria 112 milhões e 41 mil dólares, até ao final de 2021. 

Já o kimberlito do “Camútue Este” ainda está inactivo, por falta da conclusão dos estudos de avaliação geológica, tendo em conta a sua complexidade e extensão. 

Em suma, o país tem em funcionamento 12 projectos mineiros, nomeadamente, Calonda, Chitotolo, Lulu, Lunhinga, Cuango, Catoca, Furi, Uari, Yetwene, Luminas,  Somiluana e Kaixepa, estando previsto a entrada em actividade as minas de Tchiegi, Luaxe e Mucuanza. 

Ainda estão em prospecção 14 projectos: Chinguvo, Dala, Gango, Sequege, Tchafua, Quitapazunzo, Cassanguidi, Lacage, Chitamba, Tchissombo, Mualengue, Mussanja, Sachenda e Banje Angola. 

Contributo dos diamantes

Em termos gerais, os projectos mineiros empregam pelo menos 10 mil trabalhadores, beneficiando maioritariamente os cidadãos nativos das regiões de exploração.    

Quanto ao fisco, as diamantíferas contribuem para o Estado, através da Taxa Sodiam (Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola), com 5% das receitas brutas, Royalty (regalias) 5%, Imposto Industrial (2,5%) e o Imposto de Selo. 

Neste capítulo, por exemplo, a Sociedade Mineira do Cuango (SMC) contribuiu com 5,15 milhões de dólares em impostos e taxas, retiradas da receita bruta obtida no exercício económico de 2020, avaliada em USD 51,5 milhões. 

Conforme o relatório e contas de 2020 dessa empresa, a que a Angop teve acesso, o referido valor pago em impostos representa uma redução de 2,35 milhões de dólares, comparativamente ao ano de 2019, período em que a empresa pagou USD 7,5 milhões. 

A queda dos impostos é justificada pelo impacto negativo da Covid-19 na actividade da empresa, provocando uma quebra na produção e arrecadação de receitas da SMC, que previa contribuir com USD 6,4 milhões (12,5%) para as obrigações fiscais, em 2020. 

Além da contribuição fiscal, o custo com pessoal dessa Sociedade representou 49,1 por cento da receita obtida no período em análise, contra 44,4% em 2019. Nesta senda, também adiciona-se os custos de produção e aquisição de novos equipamentos de exploração mineira. 

Acções sociais 

A Sociedade Mineira do Lunhinga, por exemplo, tem disponibilizado, anualmente, entre 100 a 200 mil dólares, para apoiar as questões sociais das comunidades locais. 

Esse valor anual, alocado à acção social, tem servido para a construção de escolas, postos médicos e aquisição de cestas básicas para as autoridades tradicionais locais. 

Nesta fase de pandemia, a empresa também tem oferecido materiais de biossegurança, assim como aposta na instalação de chafarizes e reabilitação das vias de acesso às comunidades. 

Já o director-geral adjunto da Somiluana, Guilherme Raimundo, disse que a empresa tem apoiado os dependentes dos trabalhadores e as pessoas mais necessitadas com assistência médica e medicamentosa, deslocando a equipa de saúde da mina para as comunidades circunvizinhas.

A par disso, a diamantífera fornece, mensalmente, cestas básicas a 25 sobas, que também têm beneficiado de cabazes de Natal, no final de cada ano. 

Instalou ainda um sistema de captação e distribuição de água no bairro Satchindele, onde o soba Costa Muazemba solicita, igualmente, a construção de mais escolas e hospitais para atender os moradores. 

Para facilitar a locomoção das autoridades tradicionais, a empresa ofereceu motorizadas aos sobas, assim como tem disponibilizado meios de transportes dos trabalhadores para apoiar as deslocações dos munícipes carenciados. 

Com vista a reforçar o apoio dos trabalhadores e seus familiares em bens alimentares, a Somiluana pretende implementar o Fundo Social e a Cantina do Mineiro. 

O Projecto “Meu Sorriso” é outra acção social que a empresa pretende implementar, nos próximos tempos, visando melhorar o ambiente recreativo das comunidades, com maior realce para dinamização do convívio entre as crianças. 

A par daquelas empresas, a Sociedade Mineira do Cuango aloca, anualmente, cerca de 500 mil dólares para apoiar acções pontuais, mas, em 2020, a habitual ajuda às comunidades adjacentes às minas foi exíguo, com a construção de três escolas com capacidade de pelo menos 150 alunos cada. 

Para este ano, a Sociedade prevê a construção de sete escolas e cinco furos de água, além de continuar a apoiar os seus trabalhadores com material de construção para edificação do bairro social dos respectivos funcionários. 

O investimento para os furos de água ronda os 65 milhões de kwanzas, enquanto para a construção das escolas serão injectados cerca de Kz 120 milhões, segundo o gestor da SMC, Hélder Carlos. 

Porém, o quesito responsabilidade social divide as opiniões dos moradores das zonas mineiras e gestores das empresas. Os habitantes defendem o desenvolvimento de mais acções que possam satisfazer quase todas as necessidades básicas dos nativos. 

Por outro lado, os operadores mostram-se limitados nas suas tarefas sociais, devido, principalmente, a outras responsabilidades operacionais das empresas e o compromisso que têm com o pagamento de impostos e salários aos trabalhadores. 

Com este cenário, as empresas quase sofrem pressão diária das comunidades, que, alegadamente, exigem os seus direitos, conforme afirma o gestor da Sociedade Mineira do Cuango, Hélder Carlos.  

Paralelamente a essa questão, os empresários são também confrontados com o fenómeno “garimpo” praticado por cidadãos organizados, que chegam mesmo a invadir as zonas de concessão das empresas legais.  

Mitigação do impacto ambiental 

Para atenuar o impacto da actividade mineira ao meio ambiente, a Sociedade Mineira de Chitotolo tem em carteira um projecto que visa a reflorestação e reposição dos solos nas zonas exploradas, com objectivo de evitar possíveis erosões ou ravinas nas comunidades.  

Para dar início a essa iniciativa, a empresa já começou a plantar algumas árvores, a título experimental, nas áreas sem exploração há alguns anos.  

Nesse segmento, a Somiluana plantou mais de 1.600 árvores de diversas frutas ao redor dos blocos (locais) de exploração, com vista a reposição da flora e a reflorestação das zonas mineiras.  

Segundo o responsável dessa empresa, Guilherme Raimundo, a meta será plantar mais de três mil árvores para repovoar as zonas devastadas pela exploração de diamantes. Para a concretização desse objectivo, avançou, o Conselho de Administração da diamantífera elaborou e aprovou um Plano Director Ambiental, que conta com assessoria de uma empresa especializada em questões ambientais.  

O Uari também tem um plano de recuperação ambiental, dedicado, exclusivamente, à actividade de recuperação dos solos devastados pela exploração diamantífera, bem como aos estudos sobre o impacto dos resíduos rejeitados das lavarias nos rios da área de concessão. 

Na mesma senda, o Cuango incluiu no seu plano de gestão ambiental a optimização de um viveiro de suporte das espécies devastadas, assim como prevê recuperar 60 hectares de área explorada e reabilitar as zonas abandonadas. 

Processo de exploração 

Tal como em outras zonas mineiras do mundo, o método de exploração diamantífero em Angola também inicialmente passa por estudos e prospecção das regiões produtoras, com destaque para as províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, tidas como os “celeiros” dos diamantes do país. 

Nestas zonas, as empresas exploram a “pedra preciosa” a céu aberto em depósitos/jazigos kimberlíticos e aluvionares. 

Segundo o especialista em geologia aplicada, Kapingana Mandavela, os métodos de exploração dos Jazigos Aluvionares de Diamantes (JAD) podem ser manual, semi-mecanizado e mecanizado, uma prática predominante em Angola e que tem facilitado o “garimpo”.   

No JAD, também considerado jazigo secundário, o cascalho (porção de terra que contém o minério) pode ser encontrado entre três a 50 metros de profundidade ou mesmo em rios e lagoas, tornando o custo de produção menos oneroso do que a exploração de um kimberlito (jazigo primário). 

Os depósitos aluvionares resultam do aquecimento de mais de mil graus célsius do magma, que provocou vulcões há milhões de anos e espalhou o minério em várias regiões da superfície terrestre e das margens dos rios, formando-se em aluviões, conforme o engenheiro de minas Domingos Margarida. 

Entretanto, o especialista lembra que a palavra kimberlito deriva do nome Kimberley, estudioso sul-africano, que pela primeira vez descobriu a forma de cone que tem este jazigo.   

A extracção do diamante nesse depósito envolve maquinaria mais robusta e engenhos explosivos, devido à rigidez da rocha e profundidade que deve ser cavada para encontrar o minério, que pode estar a 200 metros. 

Contudo, mais de 80 por cento da exploração mineira do país provém de depósitos de kimberlitos, sendo 75% dos diamantes angolanos produzidos pela Sociedade Mineira de Catoca, que produz uma média de sete milhões de quilates/ano. 


 

Por Quinito Bumba

Esse indicador regista-se, particularmente, nas sociedades diamantíferas que operam nas províncias da Lunda Norte e Sul, principal epicentro da produção nacional de diamantes.

Com o abrandamento da taxa de contágio e o alívio das medidas de prevenção e combate à Covid-19, nos últimos 17 meses, as diamantíferas do país reconhecem a recuperação paulatina dos níveis de produção, comparativamente ao período de pico da pandemia.  

A retoma gradual da actividade também é justificada pelas adaptações e a reengenharia que as empresas fizeram, durante a fase mais crítica dessa doença mortífera em Angola.  

O "novo normal" que o mundo enfrenta obrigou os operadores a reinventarem-se e a adequarem os seus planos operacionais ao actual momento difícil, segundo gestores de empresas do sector diamantífero - importante segmento que representa, a par do petróleo, uma das principais fontes de receitas do Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano. 

O renascimento das diamantíferas também é sustentado pelo "bom momento" que o mercado desse minério atravessa actualmente, apresentando um cenário de estabilidade no preço, o que permite o aumento de receitas das empresas.

A título de exemplo, a Sociedade Mineira do Cuango (SMC), situada na Lunda Norte, facturou perto de 12 milhões de dólares norte-americanos, fruto da venda de 23 mil quilates de diamantes produzidos somente no mês de Fevereiro último (2021). 

A facturação representa um aumento de quase seis milhões de dólares (50%) para o capital financeiro da empresa, comparativamente ao período homólogo (Fevereiro de 2020), em que se registou seis milhões e 705 mil e 77 dólares, com a venda de 19 mil quilates.

“Começamos bem o ano, com uma produção que rondou os 20 mil quilates/mês, mas, excepcionalmente, em Fevereiro, a empresa conseguiu vender 23 mil quilates, um resultado acima da média prevista”, sublinhou o presidente do Conselho de Gerência da SMC, Hélder Carlos.

Apesar de ser interrompido pelo excesso de chuva, que caiu em Abril último, e da avaria de algumas lavarias de diamantes, o gestor considera o retorno gradual aos bons resultados como um alívio para a empresa, que esteve à beira de falir na fase crítica da pandemia. 

O gestor aponta o abrandamento da Covid-19 como um dos factores que tem contribuído para a estabilidade do preço dos diamantes no mercado internacional, permitindo às empresas obterem resultados positivos, nos últimos sete meses. 

Caso a situação sanitária continue a melhorar e o preço dos diamantes permaneça estável no mercado, a diamantífera angolana prevê produzir cerca de 247 mil quilates e arrecadar perto de 75 milhões de dólares, com o preço médio estimado em USD 350 por quilate, até final do presente exercício económico. 

Chitotolo 

À semelhança da SMC, a Sociedade Mineira de Chitotolo, instalada no município de Cambulo, Lunda Norte, produziu 77.104 quilates, que permitiram facturar 35.28 milhões de dólares, de Janeiro a Maio deste ano, fruto do abrandamento da Covid-19.

O actual momento abre boas perspectivas para essa empresa, que prevê, até o final de 2021, produzir cerca de 199 mil e 660 quilates, segundo o director de operações mineiras da Chitotolo, Alexandre Albuquerque.

Além disso, até este mês de Agosto, a empresa prevê instalar e colocar em funcionamento a nova Estação Central de Escolha (ECE), que permitirá armazenar grandes volumes de diamantes, num investimento de mais de 6,5 milhões de dólares. 

Somiluana 

Saindo de Cambulo para Lucapa, ambos municípios da Lunda Norte, está instalada a Sociedade Mineira do Luana (Somiluana), que também começou a registar ligeiras melhorias na sua produção, atingindo uma média de 6.500 quilates/mês, de Janeiro a Maio deste ano. 

Comparativamente ao período crítico da pandemia (2020), em que a média de produção mensal reduziu para 5.315 quilates (27%), a empresa regista um incremento de cerca de 40 por cento da sua capacidade produtiva. 

Apesar das restrições impostas pela Covid-19, a Somiluana continua a operar a um nível economicamente lucrativo, tendo em conta o aumento da procura dos diamantes e o bom preço oferecido pelo mercado internacional, segundo o seu director-geral adjunto, Guilherme Raimundo.

Para cada vez mais aumentar a sua produção e rentabilidade, o responsável fez saber que a diamantífera precisa de mais de 25 milhões de dólares, para substituir os actuais equipamentos de trabalho, que se encontram em estado obsoleto. 

“Temos 43% do equipamento de trabalho em estado degradado, por serem utilizados acima das 30 mil horas, precisando de substituição imediata”, referiu. 

Ainda por imposição da Covid-19, a empresa foi obrigada a reduzir cerca de 31% da sua força de trabalho, ou seja, de 765 para 525 funcionários. Do total de trabalhadores, 73 por cento são nativos, 20% de outras regiões do país e sete por cento são estrangeiros.  

Uari 

No município do Lucapa está também a mina aluvionar da Sociedade Mineira do Uari, conhecida pelo histórico de “pedras especiais” maiores de 10.80 quilates e pela excelente qualidade dos seus diamantes. 

Em 2021, a empresa, que actualmente produz sete mil quilates por mês (cerca de 60% da sua capacidade), augura aumentar a produção para 11 mil quilates/mês, meta “não concretizada em 2020”, devido o impacto negativo da pandemia, segundo o seu director técnico, Tomé Joaquim. 

Em função da qualidade dos seus diamantes, o preço médio de cada quilate ronda os 800 dólares, o que permite obter uma facturação de cerca de cinco milhões e 600 mil dólares/mês, com a produção de sete mil quilates mensal, como indicam os cálculos. 

Na mesma senda, caso se concretize a meta de produção (11 mil quilates/mês) prevista para o presente exercício económico, Uari poderá arrecadar receitas avaliadas em 8,8 milhões de dólares por mês. 

Quanto à força de trabalho, a empresa teve de reduzir para 50 por cento (274 trabalhadores), relegando a actividade para apenas um turno, contra três habitual. 

De acordo com Tomé Joaquim, os funcionários dispensados, devido a Covid-19, continuam a usufruir dos seus salários e poderão regressar ao trabalho tão logo a situação sanitária seja favorável para os trabalhadores do grupo de risco. 

Lunhinga 

Diferente das empresas que exploram em jazigos aluvionares (aluviões) nas lundas, a actual Sociedade Mineira do Lunhinga, sucessora da Sociedade Mineira do Camatchia-Camagico (Luó-SMCC), é uma das poucas diamantíferas que se dedica à exploração do depósito primário kimberlítico, rocha mãe de onde são provenientes os diamantes. 

Apesar da crise pandémica, a diamantífera, que até Junho último funcionou como Projecto Lunhinga, conseguiu elevar os níveis de produção para perto de 112 mil quilates de diamantes, que resultou numa facturação de cerca de 22 milhões de dólares, em 2020. 

Esse resultado representou aumento de 37 mil quilates, comparativamente ao ano de 2019, que explorou cerca de 75 mil quilates, segundo o presidente do Conselho de Gerência e director-geral dessa empresa, Adérito Gaspar. 

A empresa também aumentou a sua média de produção de oito mil para 10 mil quilates por mês, nos últimos meses deste ano. 

Para continuar a marcha crescente da exploração, o Lunhinga investiu cerca de 10 milhões de dólares, que serviram para recuperar mais uma central de pré-tratamento (lavaria) de diamantes, paralisada há cinco anos, assim como adquiriu novos equipamentos mineiros. 

De acordo com Adérito Gaspar, com a entrada em funcionamento dessa lavaria, em Setembro próximo, os níveis de produção poderão duplicar para perto de 20 mil quilates por mês, até 2022. 

Actualmente, a empresa extrai diamantes no kimberlito de “Camatchia”, numa área de 30 hectares, prevendo explorar o outro jazigo kimberlítico de “Camagico”, no médio prazo, para elevar os níveis de produção em cerca de 30 mil quilates/mês.    

Em termos de stock, o Lunhinga conta com cerca de 500 mil quilates de diamantes e oito milhões toneladas de minério em reservas provadas ao redor do kimberlito de “Camatchia”, que poderão ser explorados num período de cinco anos. 

Paralelamente às reservas, Adérito Gaspar assegurou ainda a existência de estudos geológicos que visam o aumento das reservas do projecto e a vida útil dos dois kimberlitos. 

Kaixepa  

A 150 quilómetros da capital da Lunda Norte, Dundo, e a 10 quilómetros do Lucapa também está localizada a actual Sociedade Mineira de Kaixepa (SMK), que desde 2007 até 2020 foi denominada “Camútue” e gerida por um grupo de empresários angolanos e sul-africanos. 

Além de sofrer com o impacto da Covid-19, actualmente, Kaixepa é uma das empresas com a missão mais espinhosa pela frente, por herdar um “fardo pesado” da antiga gestão, que deixou degradado dois kimberlitos e os equipamentos de exploração, conforme denuncia o novo presidente do Conselho de Gerência dessa diamantífera, Domingos Margarida. 

O actual gestor, que está no cargo há três meses, acrescenta que a anterior gestão “fechou”, inclusivamente, os canais de aquisição de peças sobressalentes para a conclusão da montagem de uma central de pré-tratamento de diamantes. 

Diante desse cenário, o novo gestor afirma que a direcção da empresa está a trabalhar no sentido de encontrar capital financeiro, para tentar melhorar os níveis de produção e assegurar a rentabilidade da Sociedade Mineira. 

A empresa precisa de cerca de 30 milhões de dólares para a aquisição de novas lavarias de pré-tratamento de diamantes, assim como a compra de equipamentos de perfuração do kimberlito. 

Se conseguir o capital financeiro, a empresa prevê atingir cerca de 124 mil e 490 quilates para a venda, até ao final deste ano, com preço médio de 900 dólares por quilate, tendo em conta a qualidade do mineiro produzido naquele jazigo. 

As estimativas apontam que, com esse preço médio, a empresa encaixaria 112 milhões e 41 mil dólares, até ao final de 2021. 

Já o kimberlito do “Camútue Este” ainda está inactivo, por falta da conclusão dos estudos de avaliação geológica, tendo em conta a sua complexidade e extensão. 

Em suma, o país tem em funcionamento 12 projectos mineiros, nomeadamente, Calonda, Chitotolo, Lulu, Lunhinga, Cuango, Catoca, Furi, Uari, Yetwene, Luminas,  Somiluana e Kaixepa, estando previsto a entrada em actividade as minas de Tchiegi, Luaxe e Mucuanza. 

Ainda estão em prospecção 14 projectos: Chinguvo, Dala, Gango, Sequege, Tchafua, Quitapazunzo, Cassanguidi, Lacage, Chitamba, Tchissombo, Mualengue, Mussanja, Sachenda e Banje Angola. 

Contributo dos diamantes

Em termos gerais, os projectos mineiros empregam pelo menos 10 mil trabalhadores, beneficiando maioritariamente os cidadãos nativos das regiões de exploração.    

Quanto ao fisco, as diamantíferas contribuem para o Estado, através da Taxa Sodiam (Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola), com 5% das receitas brutas, Royalty (regalias) 5%, Imposto Industrial (2,5%) e o Imposto de Selo. 

Neste capítulo, por exemplo, a Sociedade Mineira do Cuango (SMC) contribuiu com 5,15 milhões de dólares em impostos e taxas, retiradas da receita bruta obtida no exercício económico de 2020, avaliada em USD 51,5 milhões. 

Conforme o relatório e contas de 2020 dessa empresa, a que a Angop teve acesso, o referido valor pago em impostos representa uma redução de 2,35 milhões de dólares, comparativamente ao ano de 2019, período em que a empresa pagou USD 7,5 milhões. 

A queda dos impostos é justificada pelo impacto negativo da Covid-19 na actividade da empresa, provocando uma quebra na produção e arrecadação de receitas da SMC, que previa contribuir com USD 6,4 milhões (12,5%) para as obrigações fiscais, em 2020. 

Além da contribuição fiscal, o custo com pessoal dessa Sociedade representou 49,1 por cento da receita obtida no período em análise, contra 44,4% em 2019. Nesta senda, também adiciona-se os custos de produção e aquisição de novos equipamentos de exploração mineira. 

Acções sociais 

A Sociedade Mineira do Lunhinga, por exemplo, tem disponibilizado, anualmente, entre 100 a 200 mil dólares, para apoiar as questões sociais das comunidades locais. 

Esse valor anual, alocado à acção social, tem servido para a construção de escolas, postos médicos e aquisição de cestas básicas para as autoridades tradicionais locais. 

Nesta fase de pandemia, a empresa também tem oferecido materiais de biossegurança, assim como aposta na instalação de chafarizes e reabilitação das vias de acesso às comunidades. 

Já o director-geral adjunto da Somiluana, Guilherme Raimundo, disse que a empresa tem apoiado os dependentes dos trabalhadores e as pessoas mais necessitadas com assistência médica e medicamentosa, deslocando a equipa de saúde da mina para as comunidades circunvizinhas.

A par disso, a diamantífera fornece, mensalmente, cestas básicas a 25 sobas, que também têm beneficiado de cabazes de Natal, no final de cada ano. 

Instalou ainda um sistema de captação e distribuição de água no bairro Satchindele, onde o soba Costa Muazemba solicita, igualmente, a construção de mais escolas e hospitais para atender os moradores. 

Para facilitar a locomoção das autoridades tradicionais, a empresa ofereceu motorizadas aos sobas, assim como tem disponibilizado meios de transportes dos trabalhadores para apoiar as deslocações dos munícipes carenciados. 

Com vista a reforçar o apoio dos trabalhadores e seus familiares em bens alimentares, a Somiluana pretende implementar o Fundo Social e a Cantina do Mineiro. 

O Projecto “Meu Sorriso” é outra acção social que a empresa pretende implementar, nos próximos tempos, visando melhorar o ambiente recreativo das comunidades, com maior realce para dinamização do convívio entre as crianças. 

A par daquelas empresas, a Sociedade Mineira do Cuango aloca, anualmente, cerca de 500 mil dólares para apoiar acções pontuais, mas, em 2020, a habitual ajuda às comunidades adjacentes às minas foi exíguo, com a construção de três escolas com capacidade de pelo menos 150 alunos cada. 

Para este ano, a Sociedade prevê a construção de sete escolas e cinco furos de água, além de continuar a apoiar os seus trabalhadores com material de construção para edificação do bairro social dos respectivos funcionários. 

O investimento para os furos de água ronda os 65 milhões de kwanzas, enquanto para a construção das escolas serão injectados cerca de Kz 120 milhões, segundo o gestor da SMC, Hélder Carlos. 

Porém, o quesito responsabilidade social divide as opiniões dos moradores das zonas mineiras e gestores das empresas. Os habitantes defendem o desenvolvimento de mais acções que possam satisfazer quase todas as necessidades básicas dos nativos. 

Por outro lado, os operadores mostram-se limitados nas suas tarefas sociais, devido, principalmente, a outras responsabilidades operacionais das empresas e o compromisso que têm com o pagamento de impostos e salários aos trabalhadores. 

Com este cenário, as empresas quase sofrem pressão diária das comunidades, que, alegadamente, exigem os seus direitos, conforme afirma o gestor da Sociedade Mineira do Cuango, Hélder Carlos.  

Paralelamente a essa questão, os empresários são também confrontados com o fenómeno “garimpo” praticado por cidadãos organizados, que chegam mesmo a invadir as zonas de concessão das empresas legais.  

Mitigação do impacto ambiental 

Para atenuar o impacto da actividade mineira ao meio ambiente, a Sociedade Mineira de Chitotolo tem em carteira um projecto que visa a reflorestação e reposição dos solos nas zonas exploradas, com objectivo de evitar possíveis erosões ou ravinas nas comunidades.  

Para dar início a essa iniciativa, a empresa já começou a plantar algumas árvores, a título experimental, nas áreas sem exploração há alguns anos.  

Nesse segmento, a Somiluana plantou mais de 1.600 árvores de diversas frutas ao redor dos blocos (locais) de exploração, com vista a reposição da flora e a reflorestação das zonas mineiras.  

Segundo o responsável dessa empresa, Guilherme Raimundo, a meta será plantar mais de três mil árvores para repovoar as zonas devastadas pela exploração de diamantes. Para a concretização desse objectivo, avançou, o Conselho de Administração da diamantífera elaborou e aprovou um Plano Director Ambiental, que conta com assessoria de uma empresa especializada em questões ambientais.  

O Uari também tem um plano de recuperação ambiental, dedicado, exclusivamente, à actividade de recuperação dos solos devastados pela exploração diamantífera, bem como aos estudos sobre o impacto dos resíduos rejeitados das lavarias nos rios da área de concessão. 

Na mesma senda, o Cuango incluiu no seu plano de gestão ambiental a optimização de um viveiro de suporte das espécies devastadas, assim como prevê recuperar 60 hectares de área explorada e reabilitar as zonas abandonadas. 

Processo de exploração 

Tal como em outras zonas mineiras do mundo, o método de exploração diamantífero em Angola também inicialmente passa por estudos e prospecção das regiões produtoras, com destaque para as províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, tidas como os “celeiros” dos diamantes do país. 

Nestas zonas, as empresas exploram a “pedra preciosa” a céu aberto em depósitos/jazigos kimberlíticos e aluvionares. 

Segundo o especialista em geologia aplicada, Kapingana Mandavela, os métodos de exploração dos Jazigos Aluvionares de Diamantes (JAD) podem ser manual, semi-mecanizado e mecanizado, uma prática predominante em Angola e que tem facilitado o “garimpo”.   

No JAD, também considerado jazigo secundário, o cascalho (porção de terra que contém o minério) pode ser encontrado entre três a 50 metros de profundidade ou mesmo em rios e lagoas, tornando o custo de produção menos oneroso do que a exploração de um kimberlito (jazigo primário). 

Os depósitos aluvionares resultam do aquecimento de mais de mil graus célsius do magma, que provocou vulcões há milhões de anos e espalhou o minério em várias regiões da superfície terrestre e das margens dos rios, formando-se em aluviões, conforme o engenheiro de minas Domingos Margarida. 

Entretanto, o especialista lembra que a palavra kimberlito deriva do nome Kimberley, estudioso sul-africano, que pela primeira vez descobriu a forma de cone que tem este jazigo.   

A extracção do diamante nesse depósito envolve maquinaria mais robusta e engenhos explosivos, devido à rigidez da rocha e profundidade que deve ser cavada para encontrar o minério, que pode estar a 200 metros. 

Contudo, mais de 80 por cento da exploração mineira do país provém de depósitos de kimberlitos, sendo 75% dos diamantes angolanos produzidos pela Sociedade Mineira de Catoca, que produz uma média de sete milhões de quilates/ano.