Memorial Agostinho Neto: um guardião da história de Angola e de Neto

 
  
  • Memorial Dr António Agostinho Neto
Luanda - O Memorial Dr. António Agostinho Neto tornou-se, nos últimos nove anos, referência obrigatória da província de Luanda, particularmente pelo seu toque arquitectónico e pelos valores multifacetados transmitidos às novas gerações.

Por Vissolela Cunha

Rodeado de grande dimensão e simbolismo, o espaço construído em homenagem ao fundador da Nação, António Agostinho Neto, conserva e promove o pensamento de uma das personalidades que melhor abraçou a angolanidade, como político, médico, poeta e libertador.

A infra-estrutura, inaugurada em 2012, depois de 30 anos do lançamento da primeira pedra, a 17 Setembros de 1982, "imortaliza" uma das maiores personalidades do país, conservando um acervo importante sobre a vida e obra do primeiro Presidente de Angola.

Localizado na Nova Marginal de Luanda, zona nobre da capital do país, o Memorial Dr. António Agostinho Neto tem uma torre de 120m de altura e está inserido num espaço arquitectónico de linhas simples e modernas. 

No seu interior, oferece, como poucos outros espaços, uma narrativa da história da luta de libertação nacional, especificamente de uma das suas mais proeminentes figuras: Agostinho Neto.

Com uma área de 18 hectares, tem um bloco central que comporta o sarcófago onde repousam os restos mortais de Neto, museu, galeria de exposições, salas multiuso, administração, biblioteca/videoteca, biblioteca multimédia, centro de documentação, lojas e um hall adjacente à tribuna presidencial exterior.
  
A infra-estrutura, em forma de foguetão, aponta para o céu, elevando Agostinho Neto e a sua memória acima da Nação, tendo entre os símbolos identitários um elefante que representa a natureza, prestando homenagem a Neto.

Desenhada por uma empresa russa, congrega exposições temáticas e monografias de artistas consagrados e emergentes do país, apresentadas em galerias.

A infra-estrutura constitui um dos pontos mais altos e icónicos da capital angolana, entre a zona da Chicala e a Casa das Leis: o Parlamento angolano. 

No seu interior, gravados nas paredes, os visitantes são levados a conhecer a história de Agostinho Neto, através dos poemas e principais discursos, enquanto no centro e principal atracção das visitas está o sarcófago, lugar que acolhe o corpo embalsamado de António Agostinho Neto. 

Apresenta ao público grande acervo pessoal do fundador da Nação, como livros e fotos que contam detalhes da sua vida e obra, além da sala de metas para o seu governo, maquetes, vestes, imagens e ainda uma reconstrução da biblioteca pessoal de António Agostinho Neto.

A secção maior do MAAM, o seu museu, é dedicada a estes quatro temas normalmente associados a Neto: o poeta, o curador, o libertador e o estadista. 

Segundo o chefe do departamento do sarcófago, mediação e acção cultural, Rigoberto Fialho, esse é um dos propósitos que norteia a nova geração, uma vez que os estudantes procuram saber mais sobre a vida e obra do primeiro Presidente da República de Angola.  


 
Rigoberto Fialho entende o ambiente restritivo de Angola não como uma questão estrutural, mas sim como um dilema em torno de uma dualidade específica: por um lado abrir o monumento a quem queira visitar, numa cidade com cerca de 7 milhões de habitantes.  
 
"Esse é um dos propósitos que norteia a nova geração, pois os estudantes procuram saber mais sobre a vida e obra do primeiro Presidente da República de Angola. Contamos histórias e eles se interessam bastante, principalmente pelo seu lado de médico e poeta. Também falamos de Agostinho Neto humanitário, lado familiar, sobre toda história da sua família", reforça.

Não obstante essa particularidade, existem outras áreas que atraem a atenção dos estudantes, com destaque para a biblioteca, onde estão depositadas várias obras de "Manguxi", bem como o cyber com acesso livre às novas tecnologias. 

Face às restrições impostas pela Covid-19, o memorial viu cair significativamente o número de visitantes, que chegava a mais de 200, sobretudo crianças do ensino primário e secundário.

"Contamos histórias e eles interessam-se bastante, principalmente pelo seu lado de médico e poético. Também falamos de Agostinho Neto humanitário, lado familiar. Falamos sobre toda história da sua família, os que ainda se encontram vivos. Realizamos várias excursões com as escolas públicas e privadas, incentivando os alunos a visitarem o espaço", assevera.

As igrejas faziam parte de um grupo de maior frequência do memorial, com um número entre os 200 a 250 visitantes/dia, mas, devido ao contexto actual, os números são relativamente baixos. 

Com um total de 11 guias para atender a demanda, todas as visitas guiadas são divididas em grupos de 25 a 30 pessoas, para fluir melhor a informação.

Caso os grupos sejam de 200 pessoas, existe a disponibilidade de 4 guias.

Neste momento, decorre a recolha, da parte do centro de documentação da instituição, de documentos de Agostinho Neto espalhados pelo mundo, no sentido de se manter vivo o espírito do primeiro Presidente de Angola.

"O memorial não é apenas o espaço que acolhe os restos mortais de Agostinho Neto. Somos também um centro cultural. O memorial tem biblioteca, centro de documentação, anfiteatro, auditório com capacidade de 300 pessoas, onde são realizados espectáculos musicais, lançamento de livros, fora a imensidão desse jardim em que se pode fazer várias actividades", diz.

O local oferece espaços didácticos configurados em exposições fotográficas e artísticas, em forma de narrativa oral, transmitidas pelos guias, dando a possibilidade de diálogo com os visitantes e de encarnar proposições de Agostinho Neto, que defendia a abertura do diálogo e do debate de ideias.

Embora haja preocupação com a investigação e divulgação da vida e obra de Agostinho Neto, Marcelo Sebastião, chefe de departamento de Apoio à Investigação do Memorial, sublinha que o interesse de investigar sobre a importância do Memorial, enquanto instituição, é reduzido ou mesmo quase nulo, actualmente. 

"Esperamos que os estudantes e investigadores possam inserir o Memorial como objecto de estudo nas linhas de pesquisa em história, sociologia, literatura antropologia, psicologia, entre outras. O Memorial é a homenagem à altura de Manguxi, uma vez que pode ser visto numa perspectiva literária, antropológica, sociológica, político-estadista, histórica em que emergem as tradições e o rico imaginário cultural angolano", adianta.

No desígnio de se eternizar os feitos do primeiro Presidente de Angola, o memorial tem toda bibliografia de Agostinho Neto, documentos, incluindo textos e cartas, material fotográfico em formato digital, que podem ser consultados por visitantes, e sobre o percurso histórico do homem que proclamou, a 11 de Novembro de 1975, a independência nacional.

Segundo o administrador do Memorial, Francisco Makiesse, a dimensão internacional proporcionou a conquista do prémio "Agostinho Neto um projecto de investigação científica" para os africanos na diáspora, que conta com mais de duas centenas de participantes. 

A dimensão internacional proporcionou a conquista do prémio "Agostinho Neto um projecto de investigação científica" para os africanos na diáspora, que conta com mais de duas centenas de participantes.

O projecto para internacionalizar a vida e obra vai começar ainda este ano, que será de conexões de artes e letras de inclusão nacional e internacional.

Aproveitando todo o seu simbolismo, o Memorial António Agostinho Neto tem servido para albergar as cerimónias de investidura dos Presidentes da República, tal como ocorreu com José Eduardo dos Santos, em 2012, e João Lourenço, em 2017.

Anualmente, visitam as diferentes áreas deste emblemático edifício 27 mil pessoas.

A estudante do ISCED de Luanda Tatiana Patrícia de Morais reconhece que tudo o que sabe sobre Agostinho Neto conseguiu no Memorial, uma vez que existe um enorme acervo que pode remeter o público àquela época.

A instituição preserva parte importante da história de Angola, que servirá de bússola orientadora para as novas gerações. "É importante que as pessoas saibam a história do memorial, principalmente para passar para as próximas gerações", reconhece a estudante.

O memorial constitui parte essencial do modo como Angola recorda e comemora a vida e obra do Poeta Maior, do Estadista, do Médico e do Humanista, sendo, por isso, um espaço aberto para todos, intelectuais e não só, ou seja, um lugar de reencontro com Agostinho Neto.

Por Vissolela Cunha

Rodeado de grande dimensão e simbolismo, o espaço construído em homenagem ao fundador da Nação, António Agostinho Neto, conserva e promove o pensamento de uma das personalidades que melhor abraçou a angolanidade, como político, médico, poeta e libertador.

A infra-estrutura, inaugurada em 2012, depois de 30 anos do lançamento da primeira pedra, a 17 Setembros de 1982, "imortaliza" uma das maiores personalidades do país, conservando um acervo importante sobre a vida e obra do primeiro Presidente de Angola.

Localizado na Nova Marginal de Luanda, zona nobre da capital do país, o Memorial Dr. António Agostinho Neto tem uma torre de 120m de altura e está inserido num espaço arquitectónico de linhas simples e modernas. 

No seu interior, oferece, como poucos outros espaços, uma narrativa da história da luta de libertação nacional, especificamente de uma das suas mais proeminentes figuras: Agostinho Neto.

Com uma área de 18 hectares, tem um bloco central que comporta o sarcófago onde repousam os restos mortais de Neto, museu, galeria de exposições, salas multiuso, administração, biblioteca/videoteca, biblioteca multimédia, centro de documentação, lojas e um hall adjacente à tribuna presidencial exterior.
  
A infra-estrutura, em forma de foguetão, aponta para o céu, elevando Agostinho Neto e a sua memória acima da Nação, tendo entre os símbolos identitários um elefante que representa a natureza, prestando homenagem a Neto.

Desenhada por uma empresa russa, congrega exposições temáticas e monografias de artistas consagrados e emergentes do país, apresentadas em galerias.

A infra-estrutura constitui um dos pontos mais altos e icónicos da capital angolana, entre a zona da Chicala e a Casa das Leis: o Parlamento angolano. 

No seu interior, gravados nas paredes, os visitantes são levados a conhecer a história de Agostinho Neto, através dos poemas e principais discursos, enquanto no centro e principal atracção das visitas está o sarcófago, lugar que acolhe o corpo embalsamado de António Agostinho Neto. 

Apresenta ao público grande acervo pessoal do fundador da Nação, como livros e fotos que contam detalhes da sua vida e obra, além da sala de metas para o seu governo, maquetes, vestes, imagens e ainda uma reconstrução da biblioteca pessoal de António Agostinho Neto.

A secção maior do MAAM, o seu museu, é dedicada a estes quatro temas normalmente associados a Neto: o poeta, o curador, o libertador e o estadista. 

Segundo o chefe do departamento do sarcófago, mediação e acção cultural, Rigoberto Fialho, esse é um dos propósitos que norteia a nova geração, uma vez que os estudantes procuram saber mais sobre a vida e obra do primeiro Presidente da República de Angola.  


 
Rigoberto Fialho entende o ambiente restritivo de Angola não como uma questão estrutural, mas sim como um dilema em torno de uma dualidade específica: por um lado abrir o monumento a quem queira visitar, numa cidade com cerca de 7 milhões de habitantes.  
 
"Esse é um dos propósitos que norteia a nova geração, pois os estudantes procuram saber mais sobre a vida e obra do primeiro Presidente da República de Angola. Contamos histórias e eles se interessam bastante, principalmente pelo seu lado de médico e poeta. Também falamos de Agostinho Neto humanitário, lado familiar, sobre toda história da sua família", reforça.

Não obstante essa particularidade, existem outras áreas que atraem a atenção dos estudantes, com destaque para a biblioteca, onde estão depositadas várias obras de "Manguxi", bem como o cyber com acesso livre às novas tecnologias. 

Face às restrições impostas pela Covid-19, o memorial viu cair significativamente o número de visitantes, que chegava a mais de 200, sobretudo crianças do ensino primário e secundário.

"Contamos histórias e eles interessam-se bastante, principalmente pelo seu lado de médico e poético. Também falamos de Agostinho Neto humanitário, lado familiar. Falamos sobre toda história da sua família, os que ainda se encontram vivos. Realizamos várias excursões com as escolas públicas e privadas, incentivando os alunos a visitarem o espaço", assevera.

As igrejas faziam parte de um grupo de maior frequência do memorial, com um número entre os 200 a 250 visitantes/dia, mas, devido ao contexto actual, os números são relativamente baixos. 

Com um total de 11 guias para atender a demanda, todas as visitas guiadas são divididas em grupos de 25 a 30 pessoas, para fluir melhor a informação.

Caso os grupos sejam de 200 pessoas, existe a disponibilidade de 4 guias.

Neste momento, decorre a recolha, da parte do centro de documentação da instituição, de documentos de Agostinho Neto espalhados pelo mundo, no sentido de se manter vivo o espírito do primeiro Presidente de Angola.

"O memorial não é apenas o espaço que acolhe os restos mortais de Agostinho Neto. Somos também um centro cultural. O memorial tem biblioteca, centro de documentação, anfiteatro, auditório com capacidade de 300 pessoas, onde são realizados espectáculos musicais, lançamento de livros, fora a imensidão desse jardim em que se pode fazer várias actividades", diz.

O local oferece espaços didácticos configurados em exposições fotográficas e artísticas, em forma de narrativa oral, transmitidas pelos guias, dando a possibilidade de diálogo com os visitantes e de encarnar proposições de Agostinho Neto, que defendia a abertura do diálogo e do debate de ideias.

Embora haja preocupação com a investigação e divulgação da vida e obra de Agostinho Neto, Marcelo Sebastião, chefe de departamento de Apoio à Investigação do Memorial, sublinha que o interesse de investigar sobre a importância do Memorial, enquanto instituição, é reduzido ou mesmo quase nulo, actualmente. 

"Esperamos que os estudantes e investigadores possam inserir o Memorial como objecto de estudo nas linhas de pesquisa em história, sociologia, literatura antropologia, psicologia, entre outras. O Memorial é a homenagem à altura de Manguxi, uma vez que pode ser visto numa perspectiva literária, antropológica, sociológica, político-estadista, histórica em que emergem as tradições e o rico imaginário cultural angolano", adianta.

No desígnio de se eternizar os feitos do primeiro Presidente de Angola, o memorial tem toda bibliografia de Agostinho Neto, documentos, incluindo textos e cartas, material fotográfico em formato digital, que podem ser consultados por visitantes, e sobre o percurso histórico do homem que proclamou, a 11 de Novembro de 1975, a independência nacional.

Segundo o administrador do Memorial, Francisco Makiesse, a dimensão internacional proporcionou a conquista do prémio "Agostinho Neto um projecto de investigação científica" para os africanos na diáspora, que conta com mais de duas centenas de participantes. 

A dimensão internacional proporcionou a conquista do prémio "Agostinho Neto um projecto de investigação científica" para os africanos na diáspora, que conta com mais de duas centenas de participantes.

O projecto para internacionalizar a vida e obra vai começar ainda este ano, que será de conexões de artes e letras de inclusão nacional e internacional.

Aproveitando todo o seu simbolismo, o Memorial António Agostinho Neto tem servido para albergar as cerimónias de investidura dos Presidentes da República, tal como ocorreu com José Eduardo dos Santos, em 2012, e João Lourenço, em 2017.

Anualmente, visitam as diferentes áreas deste emblemático edifício 27 mil pessoas.

A estudante do ISCED de Luanda Tatiana Patrícia de Morais reconhece que tudo o que sabe sobre Agostinho Neto conseguiu no Memorial, uma vez que existe um enorme acervo que pode remeter o público àquela época.

A instituição preserva parte importante da história de Angola, que servirá de bússola orientadora para as novas gerações. "É importante que as pessoas saibam a história do memorial, principalmente para passar para as próximas gerações", reconhece a estudante.

O memorial constitui parte essencial do modo como Angola recorda e comemora a vida e obra do Poeta Maior, do Estadista, do Médico e do Humanista, sendo, por isso, um espaço aberto para todos, intelectuais e não só, ou seja, um lugar de reencontro com Agostinho Neto.