Angola: 45 anos de afirmação cultural

  • Monumento histórico do Cemitério Nkulu Mbimbi na província do Zaire
  • Grupo Carnavalesco Kilamba
  • António Agostinho Neto, Primeiro Presidente da república de Angola
Luanda – Quando se fala em balanço dos 45 anos da independência nacional, a primeira sensação é revisitar o que marcou o país em termos políticos, económicos e sociais, mas há um sector fulcral que jamais deverá ser dissociado desta análise global: a Cultura.

(Por Venceslau Mateus, editor da Angop)

A cultura angolana, que se tornou numa importante bandeira do país além-fronteiras, após a conquista da independência nacional, no dia 11 de Novembro de 1975, nem sempre "mereceu" o seu verdadeiro valor, fundamentalmente da parte do regime colonial.

É sabido que Angola, detentora de uma vasta diversidade de povos, línguas e tradições, registou, contra a vontade dos povos autóctones, um forte processo de negação às suas origens. 

Face a esta realidade imposta pelas autoridades portuguesas, que "infringiram" uma ríspida política de oposição aos hábitos e costumes do povo, o país viveu dividido (em termos de extratificação social) por largas décadas, essencialmente com dois grupos distintos: os assimilados e os gentios.

Foi com esta estratégia que o regime português procurou dominar as várias comunidades angolanas, por via da imposição da cultura da negação entre filhos da mesma Pátria, pondo assimilados (da zona urbana) e gentios (do musseque) em extremos diametralmente opostos.

Foram, verdadeiramente, anos de luta e determinação para os angolanos conseguirem impor as suas matrizes étnicas e culturais, diante de um regime colonial que banalizou, fundamentalmente, a questão da promoção das línguas nacionais, levando o povo a complexos e estereótipos da sua própria cultura.  

Entretanto, também foi pela mesma cultura que muitos dos melhores filhos da Pátria (conhecidos e anónimos), tais como religiosos e políticos, criaram, de forma clandestina, verdadeiras "armas de arremesso" contra os propósitos das autoridades portuguesas.

Através da música, da poesia e do cinema, bem como de actividades religiosas clandestinas de movimentos messiânicos, que lutaram com hinos de forte intervenção patriótica (entoados em línguas nacionais), lançou-se um amplo movimento de contestação.

Quem não se lembra, a esse respeito, dos históricos escritos do "poeta maior", António Agostinho Neto, das canções de exaltação dos Ngola Ritmos e do Grupo Nzaji, da tenacidade de Kimpa Vita, Simão Toco, Gaspar de Almeida e Jesse Chiula Chipenda (só para citar alguns), que recorreram à cultura, às tradições e à espiritualidade para combater o regime português, ante um cenário de privações e cadeias?

De facto, a cultura angolana jogou papel preponderante no alcance e na materialização do sonho da liberdade e da promoção de Angola no Mundo, depois do 11 de Novembro, através do canto, da literatura, do cinema, da dança, das artes plásticas e outras manifestações artísticas. 

É inquestionável que a cultura tenha contribuído, decisivamente, não só para a conquista da independência, mas também para o reconhecimento internacional da Nação.

Na essência, Angola é um estado multi e transcultural, que abriga, desde a época colonial, diversas culturas, várias línguas, costumes e origens diferentes.

Uma das maiores matrizes do país é a sua diversidade linguística, sendo que estudiosos apontam para a existência de 42 idiomas regionais, além da língua oficial (português) sendo, neste particular, considerado uma excepção dentro do continente africano.

Embora as línguas nacionais sejam as línguas maternas da maioria da população, a Língua Portuguesa é o primeiro idioma de 30 por cento da população angolana, estimada em mais de 30 milhões. 

Foi neste particular da afirmação das línguas nativas que Angola sentiu os maiores obstáculos na época colonial, com resquícios que se arrastaram desde os primeiros anos de liberdade até aos dias actuais, exigindo, do Governo, a adopção de políticas mais eficazes de promoção dos idiomas locais.

Apesar das barreiras que ainda persistem na promoção da cultura, deve-se reconhecer que, em pouco menos de meio século de soberania, o país viu subir a sua cotação na arena internacional, e assiste, desde a década de 1970, a um amplo movimento cultural, nas mais diferentes modalidades artísticas.

Um dos grandes marcos da história do movimento cultural da então República Popular de Angola (actual República de Angola) foi, sem dúvidas, o 1º Festival Nacional de Cultura (FENACULT 89),  que reuniu dezenas de artistas e espectadores, em pleno período de intenso conflito armado.

Realizado no Estádio Nacional da Cidadela, na província de Luanda, o evento teve grande dimensão internacional, particularmente pela presença, pela primeira vez, após o exílio forçado na Europa, do músico Alberto Teta Lando, um dos mais aguardados do festival.

Outro ponto marcante ao longo dos últimos 45 anos foi a primeira manifestação popular ao ar livre, organizada por angolanos, em Março de 1978, ou seja, o chamado "Carnaval da Vitória".

A iniciativa surgiu de um veemente apelo lançado pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, aquando da proclamação da independência nacional, a 11 de Novembro de 1975, no sentido do retorno imediato às verdadeiras tradições e raízes do povo angolano.

Era um momento marcante de rompimento total com uma cultura imposta pelos colonizadores portugueses, numa festa popular que levou às ruas milhares de angolanos, eufóricos por expressar a sua própria forma de ser, de vestir, de cantar e de tocar, através da dança e do canto. 

Tratou-se de uma manifestação cultural inédita, que, entre outros propósitos, visava comemorar a expulsão de mercenários sul-africanos que invadiam Angola. Vem daí o termo Carnaval da Vitória.

Com esta mega e espontânea festa do povo, os grupos evocavam, através de canções, alegorias, bandeiras, danças e teatralização, essencialmente, o cenário de uma batalha vencida, lembrando a sua arte, os vários conflitos armados, os hábitos e costumes, a política, o luto e as suas cantigas.

Além destes dois eventos, outros acontecimentos importantes marcaram a história cultural do país ao longo dos seus 45 anos de liberdade, que serão assinalados a 11 de Novembro.

Instrumento de afirmação no período colonial e factor de união, a cultura angolana ganhou mais projecção internacional a partir dos anos 70, com o surgimento de nomes que se tornaram incontornáveis em África e noutros cantos do Mundo.

Inspirados pelos ganhos da liberdade, figuras ligadas às letras, artes plásticas e à música transformaram o imaginário numa luta pela afirmação dos angolanos, tornando o produto nacional apetecível.

Considerados "combatentes da linha da frente" na estratégia de promoção de Angola, figuras como Agostinho Neto, António Jacinto, José Luandino Vieira, Pepetela, Manuel Rui Monteiro, Vitex, Liceu Vieira Dias, Elias Dyakimuezu, Bonga, Alberto Teta Lando, entre outras, elevam, desde os primórdios da independência, a bandeira nacional a patamares internacionais.

Muitas destas referências motivaram a criação de cátedras em universidades europeias de renome.

Literatura   

No domínio da literatura, o nome de Agostinho Neto é tradicionalmente citado como a principal referência, embora Angola tenha produzido outros importantes escritores, que também se bateram pela liberdade e mostraram a Angola independente com escritos de elevada qualidade. 

Um dos mais notáveis marcos deste domínio foi a criação da União dos Escritores Angolanos, na senda de um importante movimento de artistas, entre os anos 70 e 80, embora a literatura de Angola tenha começado a afirmar-se ainda antes da independência nacional.

Música 

Usada durante a luta contra o colonialismo português, como meio de transmissão de mensagens, a música angolana continua a ser das principais referências culturais do país, fruto da projecção alcançada pelos seus executores ao longo dos 45 anos de independência.

Com vários nomes que marcaram as diversas décadas e gerações do cancioneiro nacional, o país teve em agrupamentos como os Ngola Ritmos (liderado por Liceu Vieira Dias), Duo Outro Negro, Kissanguela, Jovens do Prenda, Kiezos e África Ritmo, bem como os artistas individuais Bonga, Teta Lando e Waldemar Bastos, alguns dos pilares para mostrar a sua cultura no Mundo.

Numa miscelânea entre a nova e antiga geração, a música angolana é actualmente o porta-estandarte da imagem do país, suplantando em alguns aspectos o vector político, fruto da forte aposta dos seus agentes na internacionalização do produto musical.

Com Bonga como uma das principais figuras, a música angolana ganhou espaço no Mundo, nas últimas três décadas, mercê do talento de vários artistas da velha e nova geração, entre os quais Paulo Flores, Eduardo Paim, Yuri da Cunha, Anselmo Ralph e Matias Damásio e outras referências.

Fruto do trabalho destes e de outros artistas, a kizomba, semba e o kuduro, por exemplo, ultrapassaram barreiras e deixaram, hoje, de ser somente de consumo interno.

Noutra direcção, Angola tem vindo a conquistar prémios e a entrar para a lista do património mundial, como se deu com a recente inscrição do Centro Histórico de Mbanza Kongo na lista da UNESCO.     

Bienal de Veneza marca artes plásticas

No domínio das artes plásticas, que tem em “Vitex” uma das suas principais figuras, Angola espantou o mundo com a conquista do Leão de Ouro na Bienal de Veneza, em 2013.

Presente no evento, pela primeira vez, o país espantou o mundo com um projecto "Luanda, Cidade Enciclopédica", tendo como foco, para além de obras de pintura, um conjunto de quadros fotográficos.

Isso obrigou a uma correria do público ao pavilhão angolano para ver de perto as bases que levaram a organização a atribuir o mais elevado de apetecível prémio.

Mbanza Kongo: o orgulho nacional

Joía da coroa cultural do país, a secular cidade de Mbanza Kongo, antiga capital do Reino do Kongo, tornou-se, em 2017, no orgulho de angolanos e da RD Congo, Congo Brazzaville e Gabão, com a sua inscrição na lista do património mundial da UNESCO.

Localizada no norte, o centro histórico de Mbanza Kongo tem uma área classificada que envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude e se estende por seis corredores. 

Inclui ruínas e espaços, entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Dividido em seis províncias que ocupavam parte das actuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

Leila Lopes: a beleza angolana no mundo

Se, no domínio das artes, diversos são os nomes que deram e dão o melhor de si em prol da afirmação de Angola, no mundo da moda o país deu o ar da sua graça com a eleição da jovem Leila Lopes como Miss Universo, em 2011, num dos mais expressivos ganhos dos últimos 20 anos.

Num concurso dominado maioritariamente por concorrentes dos países sul-americanos e da América do Norte, a angolana espalhou beleza, simpatia e inteligência, conquistando um grupo de jurado “rígido” em termos de critérios d classificação.

 

(Por Venceslau Mateus, editor da Angop)

A cultura angolana, que se tornou numa importante bandeira do país além-fronteiras, após a conquista da independência nacional, no dia 11 de Novembro de 1975, nem sempre "mereceu" o seu verdadeiro valor, fundamentalmente da parte do regime colonial.

É sabido que Angola, detentora de uma vasta diversidade de povos, línguas e tradições, registou, contra a vontade dos povos autóctones, um forte processo de negação às suas origens. 

Face a esta realidade imposta pelas autoridades portuguesas, que "infringiram" uma ríspida política de oposição aos hábitos e costumes do povo, o país viveu dividido (em termos de extratificação social) por largas décadas, essencialmente com dois grupos distintos: os assimilados e os gentios.

Foi com esta estratégia que o regime português procurou dominar as várias comunidades angolanas, por via da imposição da cultura da negação entre filhos da mesma Pátria, pondo assimilados (da zona urbana) e gentios (do musseque) em extremos diametralmente opostos.

Foram, verdadeiramente, anos de luta e determinação para os angolanos conseguirem impor as suas matrizes étnicas e culturais, diante de um regime colonial que banalizou, fundamentalmente, a questão da promoção das línguas nacionais, levando o povo a complexos e estereótipos da sua própria cultura.  

Entretanto, também foi pela mesma cultura que muitos dos melhores filhos da Pátria (conhecidos e anónimos), tais como religiosos e políticos, criaram, de forma clandestina, verdadeiras "armas de arremesso" contra os propósitos das autoridades portuguesas.

Através da música, da poesia e do cinema, bem como de actividades religiosas clandestinas de movimentos messiânicos, que lutaram com hinos de forte intervenção patriótica (entoados em línguas nacionais), lançou-se um amplo movimento de contestação.

Quem não se lembra, a esse respeito, dos históricos escritos do "poeta maior", António Agostinho Neto, das canções de exaltação dos Ngola Ritmos e do Grupo Nzaji, da tenacidade de Kimpa Vita, Simão Toco, Gaspar de Almeida e Jesse Chiula Chipenda (só para citar alguns), que recorreram à cultura, às tradições e à espiritualidade para combater o regime português, ante um cenário de privações e cadeias?

De facto, a cultura angolana jogou papel preponderante no alcance e na materialização do sonho da liberdade e da promoção de Angola no Mundo, depois do 11 de Novembro, através do canto, da literatura, do cinema, da dança, das artes plásticas e outras manifestações artísticas. 

É inquestionável que a cultura tenha contribuído, decisivamente, não só para a conquista da independência, mas também para o reconhecimento internacional da Nação.

Na essência, Angola é um estado multi e transcultural, que abriga, desde a época colonial, diversas culturas, várias línguas, costumes e origens diferentes.

Uma das maiores matrizes do país é a sua diversidade linguística, sendo que estudiosos apontam para a existência de 42 idiomas regionais, além da língua oficial (português) sendo, neste particular, considerado uma excepção dentro do continente africano.

Embora as línguas nacionais sejam as línguas maternas da maioria da população, a Língua Portuguesa é o primeiro idioma de 30 por cento da população angolana, estimada em mais de 30 milhões. 

Foi neste particular da afirmação das línguas nativas que Angola sentiu os maiores obstáculos na época colonial, com resquícios que se arrastaram desde os primeiros anos de liberdade até aos dias actuais, exigindo, do Governo, a adopção de políticas mais eficazes de promoção dos idiomas locais.

Apesar das barreiras que ainda persistem na promoção da cultura, deve-se reconhecer que, em pouco menos de meio século de soberania, o país viu subir a sua cotação na arena internacional, e assiste, desde a década de 1970, a um amplo movimento cultural, nas mais diferentes modalidades artísticas.

Um dos grandes marcos da história do movimento cultural da então República Popular de Angola (actual República de Angola) foi, sem dúvidas, o 1º Festival Nacional de Cultura (FENACULT 89),  que reuniu dezenas de artistas e espectadores, em pleno período de intenso conflito armado.

Realizado no Estádio Nacional da Cidadela, na província de Luanda, o evento teve grande dimensão internacional, particularmente pela presença, pela primeira vez, após o exílio forçado na Europa, do músico Alberto Teta Lando, um dos mais aguardados do festival.

Outro ponto marcante ao longo dos últimos 45 anos foi a primeira manifestação popular ao ar livre, organizada por angolanos, em Março de 1978, ou seja, o chamado "Carnaval da Vitória".

A iniciativa surgiu de um veemente apelo lançado pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, aquando da proclamação da independência nacional, a 11 de Novembro de 1975, no sentido do retorno imediato às verdadeiras tradições e raízes do povo angolano.

Era um momento marcante de rompimento total com uma cultura imposta pelos colonizadores portugueses, numa festa popular que levou às ruas milhares de angolanos, eufóricos por expressar a sua própria forma de ser, de vestir, de cantar e de tocar, através da dança e do canto. 

Tratou-se de uma manifestação cultural inédita, que, entre outros propósitos, visava comemorar a expulsão de mercenários sul-africanos que invadiam Angola. Vem daí o termo Carnaval da Vitória.

Com esta mega e espontânea festa do povo, os grupos evocavam, através de canções, alegorias, bandeiras, danças e teatralização, essencialmente, o cenário de uma batalha vencida, lembrando a sua arte, os vários conflitos armados, os hábitos e costumes, a política, o luto e as suas cantigas.

Além destes dois eventos, outros acontecimentos importantes marcaram a história cultural do país ao longo dos seus 45 anos de liberdade, que serão assinalados a 11 de Novembro.

Instrumento de afirmação no período colonial e factor de união, a cultura angolana ganhou mais projecção internacional a partir dos anos 70, com o surgimento de nomes que se tornaram incontornáveis em África e noutros cantos do Mundo.

Inspirados pelos ganhos da liberdade, figuras ligadas às letras, artes plásticas e à música transformaram o imaginário numa luta pela afirmação dos angolanos, tornando o produto nacional apetecível.

Considerados "combatentes da linha da frente" na estratégia de promoção de Angola, figuras como Agostinho Neto, António Jacinto, José Luandino Vieira, Pepetela, Manuel Rui Monteiro, Vitex, Liceu Vieira Dias, Elias Dyakimuezu, Bonga, Alberto Teta Lando, entre outras, elevam, desde os primórdios da independência, a bandeira nacional a patamares internacionais.

Muitas destas referências motivaram a criação de cátedras em universidades europeias de renome.

Literatura   

No domínio da literatura, o nome de Agostinho Neto é tradicionalmente citado como a principal referência, embora Angola tenha produzido outros importantes escritores, que também se bateram pela liberdade e mostraram a Angola independente com escritos de elevada qualidade. 

Um dos mais notáveis marcos deste domínio foi a criação da União dos Escritores Angolanos, na senda de um importante movimento de artistas, entre os anos 70 e 80, embora a literatura de Angola tenha começado a afirmar-se ainda antes da independência nacional.

Música 

Usada durante a luta contra o colonialismo português, como meio de transmissão de mensagens, a música angolana continua a ser das principais referências culturais do país, fruto da projecção alcançada pelos seus executores ao longo dos 45 anos de independência.

Com vários nomes que marcaram as diversas décadas e gerações do cancioneiro nacional, o país teve em agrupamentos como os Ngola Ritmos (liderado por Liceu Vieira Dias), Duo Outro Negro, Kissanguela, Jovens do Prenda, Kiezos e África Ritmo, bem como os artistas individuais Bonga, Teta Lando e Waldemar Bastos, alguns dos pilares para mostrar a sua cultura no Mundo.

Numa miscelânea entre a nova e antiga geração, a música angolana é actualmente o porta-estandarte da imagem do país, suplantando em alguns aspectos o vector político, fruto da forte aposta dos seus agentes na internacionalização do produto musical.

Com Bonga como uma das principais figuras, a música angolana ganhou espaço no Mundo, nas últimas três décadas, mercê do talento de vários artistas da velha e nova geração, entre os quais Paulo Flores, Eduardo Paim, Yuri da Cunha, Anselmo Ralph e Matias Damásio e outras referências.

Fruto do trabalho destes e de outros artistas, a kizomba, semba e o kuduro, por exemplo, ultrapassaram barreiras e deixaram, hoje, de ser somente de consumo interno.

Noutra direcção, Angola tem vindo a conquistar prémios e a entrar para a lista do património mundial, como se deu com a recente inscrição do Centro Histórico de Mbanza Kongo na lista da UNESCO.     

Bienal de Veneza marca artes plásticas

No domínio das artes plásticas, que tem em “Vitex” uma das suas principais figuras, Angola espantou o mundo com a conquista do Leão de Ouro na Bienal de Veneza, em 2013.

Presente no evento, pela primeira vez, o país espantou o mundo com um projecto "Luanda, Cidade Enciclopédica", tendo como foco, para além de obras de pintura, um conjunto de quadros fotográficos.

Isso obrigou a uma correria do público ao pavilhão angolano para ver de perto as bases que levaram a organização a atribuir o mais elevado de apetecível prémio.

Mbanza Kongo: o orgulho nacional

Joía da coroa cultural do país, a secular cidade de Mbanza Kongo, antiga capital do Reino do Kongo, tornou-se, em 2017, no orgulho de angolanos e da RD Congo, Congo Brazzaville e Gabão, com a sua inscrição na lista do património mundial da UNESCO.

Localizada no norte, o centro histórico de Mbanza Kongo tem uma área classificada que envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude e se estende por seis corredores. 

Inclui ruínas e espaços, entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Dividido em seis províncias que ocupavam parte das actuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

Leila Lopes: a beleza angolana no mundo

Se, no domínio das artes, diversos são os nomes que deram e dão o melhor de si em prol da afirmação de Angola, no mundo da moda o país deu o ar da sua graça com a eleição da jovem Leila Lopes como Miss Universo, em 2011, num dos mais expressivos ganhos dos últimos 20 anos.

Num concurso dominado maioritariamente por concorrentes dos países sul-americanos e da América do Norte, a angolana espalhou beleza, simpatia e inteligência, conquistando um grupo de jurado “rígido” em termos de critérios d classificação.