Kiezos: 55 anos ao serviço da música

  • Muzongue da tradicão Com Os Kiezos
Luanda – O agrupamento Os Kiezos, um dos mais emblemáticos da música popular e urbana angolana, assinalou, nesta quarta-feira, 55 anos.

A história do conjunto começou no bairro Marçal, mais precisamente na zona do Kapolo Boxi, nos anos 60, quando Domingos António Miguel da Silva “Kituxe” reuniu um grupo de quatro jovens com propensão natural para a música e criou um grupo anónimo.

Este grupo, que animava as noites do Bairro Marçal, extraía, no início dos anos 60, sons de instrumentos artesanais, até à altiraem que cresceu e tomou forma.

Em 1963, Kituxe convida Tininho e, logo depois, Aristófanes Rosa Coelho, Adolfo Coelho (dikanza e voz), jovem que assistia, com frequência, aos ensaios do referido grupo.

Na sequência, Adolfo Coelho solicitou os préstimos de Anselmo de Sousa Arcanjo, Marito, uma figura que marca, de forma definitiva, a história do conjunto Os Kiezos.

A designação Kiezos surgiu em 1965, no ambiente de uma festa na B3, rua luandense do Bairro Nelito Soares, convívio para o qual os músicos que iriam formar mais tarde Os Kiezos não tinham sido convidados.

Reza a história que os "intrusos" animaram de tal forma a festa, que se levantou a poeira do quintal, em consequência da frenética animação.

“Iezo” é uma palavra em língua kimbundu, que, traduzida para português, é sinónimo de vassoura. Kiezos, nome que perdura até hoje, é plural de “iezo”, ou seja, vassouras.

De 1964 a 1965, situa-se a data provável da primeira formação do grupo, entendido como constituição musical com alguma seriedade criativa e solidez artística.

Os Kiezos apresentaram-se no seu primeiro grande espectáculo em 1969, no Ngola Cine, e, em 1970, gravam o primeiro disco, na Voz de Angola, actual Rádio Nacional de Angola.

Nesta altura entram para o grupo o percussionista e vocal Juventino Anselmo de Sousa Arcanjo, Vate Costa e Fausto Lemos, o último notabilizou-se como um dos vocalistas principais do grupo, pela interpretação e composição do tema “Mbaku Kavalé”.

Nos anos 80, com Tony do Fumo, o conjunto ganha notoriedade com as canções "Nguami Ku Soba", "Kiezu jabu", "Monami Messene" e outras.

Já na década de 90, com Zecax ao comando, atinge o apogeu, com temas de antologia como "Maximbombo", "Chapada", "Boleia" e outros.

O período áureo dos Kiezos foi os anos 70, com o vocalista Vate Costa, que ajudou a produzir e gravar os temas "Za Boba", "Muá Pangu", "Milhorró", entre outros sucessos.

Os Kiezos tocaram temas como "za boba", "muá pangu", "milhorró”, "nguami Ku soba", "kiezu jabu", "monami messene", “kuxingue ngamba”, ”Candonga”, “Comboio”, “Princesa Rita”, “Jingololo”, “Tristezas não Pagam Dívidas”.

O grupo teve como expoentes máximos o percussionista António Miguel da Silva (Kituxi), o vocalista Adolfo Coelho e o guitarrista Anselmo de Sousa Arcanjo (Marito).

Este último foi considerado um dos mais talentosos solistas do país nos anos 70 e 80, na mesma época em que pontificava o guitarrista Zé Keno, de Os Jovens do Prenda.

Inspirados pela rítmica dos “Negoleiros do Ritmo”, “Musangola”, “Dimbangola”, “Gingas” e “Ngola ritmos”, de Liceu Vieira Dias, formações musicais mais famosas da época, Os Kiezos foram construindo uma importante e singular trajectória musical, baseada numa construção rítmica e estilística.

Os Kiezos dão um grande salto na carreira quando, convidados pelo locutor Joffre Rocha, participam, em 1965, na gravação de um anúncio publicitário da empresa cervejeira Nocal.

Embora a marca do nome permaneça intemporal, o conjunto Os Kiezos foi sofrendo várias metamorfoses ao longo da sua existência. A nova geração inclui os seguintes instrumentistas: Manuel Claudino, voz, Mister Kim, voz, Hidelbrando Cunha, guitarra solo, Gegé faria, guitarra contra-solo, Zeca Tyrilene, guitarra ritmo, Dulce Trindade, baixo eléctrico, Tony Samba, teclas, João Diloba, bateria, e Habana Maior, tumbas.