Mentora da CDCA quer aposta na educação artística 

  • Companhia de Dança Contemporânea
Luanda – A investigadora Ana Clara Guerra Marques apontou, nesta segunda-feira, a aposta na educação artística como caminho para a elevação da qualidade, o reforço da divulgação e preservação da identidade cultural angolana.

Segundo a coreografa e mentora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA), que falava à ANGOP sobre a actualidade do mundo artístico nacional, assim como se dá educação cívica e patriótica nas escolas, também se deveria dar educação artística, não somente dirigido a crianças mas estender a toda a sociedade. “Um povo com acesso à cultura e à educação é um povo com futuro garantido”, reforçou.

Para a investigadora, tal como no passado (com as escolas médias de artes plásticas, dança e teatro), a qualidade faz-se com uma estratégia que começa por se lançar alicerces profundos para resultados sólidos e duradouros.

“É possível, mas não vai ser fácil pois, além de não existir uma estratégia para a formação artística, o nosso terreno social continua demasiado conservador e marcado por uma enorme falta de referências”, afiança a criadora.

Ana Clara Guerra Marques adianta que a falta de formação adequada continua a ser o maior problema e o maior entrave ao desenvolvimento das artes em Angola.

“Infelizmente, com o passar dos anos, o ensino artístico deixou de ser uma prioridade, quer pela atenção canalizada para outros sectores, quer pela falta de consciência relativamente à importância das artes para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Basta olharmos para a nossa realidade e para a fraca produção artística, para percebermos consequências como, por exemplo, a ténue presença da criação de autor ou a ausência de um movimento artístico consciente e intelectual, como existe na literatura ou nas artes plásticas, onde o progresso é visível (precisamente porque esta foi a única escola que se manteve activa com um ensino médio regular”, aponta a criadora.

Apesar da criação do Instituto Politécnico de Artes (Cearte) e o Instituto Superior de Artes, Ana Clara Guerra Marques diz que o país registou um recuo no domínio da formação artística, razão pela qual deve haver um plano estratégico transversal e delineado a três níveis (elementar, médio e superior), num exercício de cooperação entre os ministérios da Cultura, da Educação e do Ensino Superior.

Para a responsável, enquanto não for criado um subsistema para o ensino artístico na Lei de Bases da Educação e constituído um quadro docente competente para defender e sustentar o modelo certo, as dificuldades no mundo das artes em Angola continuarão a persistir.

“Não é com acções pontuais ou com estúdios privados sem controlo de qualidade que vamos evoluir. Também é urgente um trabalho de educação massivo que nunca foi feito durante todos estes anos”, reforça.

A educação artística da sociedade, adianta a professora de dança, é fundamental e deve ser concertada através de programas conjuntos entre os ministérios da Educação e da Cultura, tomando como parceiros para a implementação dos mesmos, os diversos agentes culturais.

De acordo com a docente, a dança, por exemplo, é uma área de saber académico e científico que exige uma formação rigorosa para aqueles que se querem tornar profissionais.

“Temos que parar de brincar aos bailarinos e aos coreógrafos, fazer-se passar por é crime! Tal como acontece na medicina, na arquitectura, na engenharia e em qualquer área profissional, só pode usar esta designação quem estudou para isso. Temos de estar atentos aos perigos e às consequências das prestações dos falsos profissionais, cujo número é crescente já com sequelas já à vista”, defende.

De contrário, avança, o país continuará a ter uma sociedade incapaz de comparar e detectar a qualidade e o valor artístico do que consome.

“Infelizmente, aquilo a que temos acesso é, geralmente, de baixa qualidade. Como resultado, verifica-se a enorme dificuldade em distinguir arte de entretenimento, artistas de fazedores, profissionais de amadores, já que não existe uma noção concreta ou até uma discussão sobre o conceito de arte. Também é fundamental que os promotores de espectáculos e os medias diversifiquem as suas ofertas e não promovam a mediocridade que, tantas vezes raia a obscenidade e a vulgaridade, pois dar visibilidade apenas a estes produtos apenas resulta em desinformação”, avança.

Conforme a especialista, o crescimento do país deve estender-se às artes, alargando-se os horizontes e se abrindo ao universal.

“A arte não se encurrala em fronteiras, nem em complexos, nem se condiciona a actos administrativos. A arte tem de ser partilhada, está no génio de cada um, no coração dos artistas e é livre”, frisa.

Ana Clara Guerra Marques adianta ser o momento para se mudar as mentalidades e abrir os horizontes. “É preciso mostrar, fazer, convidar, promover a qualidade, massificar a informação sobre o que é, realmente arte. Dar às pessoas a liberdade e a possibilidade de ver o mais possível para que eduquem o seu gosto, o seu sentido estético e a sua apreciação crítica. Promover e apoiar os que desenvolvem este trabalho em Angola e convidar companhias de dança africanas, europeias, americanas e de todo o mundo é fundamental”, defende.

A especialista afirma que uma sociedade que se feche produz artistas com uma visão estreita e limitada que apenas servem politicamente. “Se não educarmos o público ele nunca vai querer ir além das manifestações básicas a que nos habituaram durante estes anos todos”, assevera.

Relativamente ao mundo da dança em Angola, considera o actual cenário como “assustador”, que contraria todos os princípios do que é a dança enquanto arte e mesmo enquanto recreação.

“Os poucos profissionais sérios com experiência que temos no país vêm-se hoje quase impotentes perante a onda de banalidade e a falta de humildade que está na origem do recrudescimento da alguma qualidade que se havia conseguido. O futuro da dança em Angola só será brilhante com a alavanca de escolas que assumam uma formação profissional séria e profunda, uma escola enquanto lugar privilegiado de aprendizagem e intercâmbio, um viveiro artístico e um lugar onde se desenvolvessem capacidades e autonomias criativas e críticas”, assevera.

Aponta para a necessidade da existência de uma escola de conteúdos diversificados como principal estímulo à experimentação, à descoberta e à reflexão, que permita a oportunidade de evoluir através da partilha e do contacto com outras linguagens, com outras disciplinas artísticas e com outros espaços comunitários.

Segundo a coreografa e mentora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA), que falava à ANGOP sobre a actualidade do mundo artístico nacional, assim como se dá educação cívica e patriótica nas escolas, também se deveria dar educação artística, não somente dirigido a crianças mas estender a toda a sociedade. “Um povo com acesso à cultura e à educação é um povo com futuro garantido”, reforçou.

Para a investigadora, tal como no passado (com as escolas médias de artes plásticas, dança e teatro), a qualidade faz-se com uma estratégia que começa por se lançar alicerces profundos para resultados sólidos e duradouros.

“É possível, mas não vai ser fácil pois, além de não existir uma estratégia para a formação artística, o nosso terreno social continua demasiado conservador e marcado por uma enorme falta de referências”, afiança a criadora.

Ana Clara Guerra Marques adianta que a falta de formação adequada continua a ser o maior problema e o maior entrave ao desenvolvimento das artes em Angola.

“Infelizmente, com o passar dos anos, o ensino artístico deixou de ser uma prioridade, quer pela atenção canalizada para outros sectores, quer pela falta de consciência relativamente à importância das artes para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Basta olharmos para a nossa realidade e para a fraca produção artística, para percebermos consequências como, por exemplo, a ténue presença da criação de autor ou a ausência de um movimento artístico consciente e intelectual, como existe na literatura ou nas artes plásticas, onde o progresso é visível (precisamente porque esta foi a única escola que se manteve activa com um ensino médio regular”, aponta a criadora.

Apesar da criação do Instituto Politécnico de Artes (Cearte) e o Instituto Superior de Artes, Ana Clara Guerra Marques diz que o país registou um recuo no domínio da formação artística, razão pela qual deve haver um plano estratégico transversal e delineado a três níveis (elementar, médio e superior), num exercício de cooperação entre os ministérios da Cultura, da Educação e do Ensino Superior.

Para a responsável, enquanto não for criado um subsistema para o ensino artístico na Lei de Bases da Educação e constituído um quadro docente competente para defender e sustentar o modelo certo, as dificuldades no mundo das artes em Angola continuarão a persistir.

“Não é com acções pontuais ou com estúdios privados sem controlo de qualidade que vamos evoluir. Também é urgente um trabalho de educação massivo que nunca foi feito durante todos estes anos”, reforça.

A educação artística da sociedade, adianta a professora de dança, é fundamental e deve ser concertada através de programas conjuntos entre os ministérios da Educação e da Cultura, tomando como parceiros para a implementação dos mesmos, os diversos agentes culturais.

De acordo com a docente, a dança, por exemplo, é uma área de saber académico e científico que exige uma formação rigorosa para aqueles que se querem tornar profissionais.

“Temos que parar de brincar aos bailarinos e aos coreógrafos, fazer-se passar por é crime! Tal como acontece na medicina, na arquitectura, na engenharia e em qualquer área profissional, só pode usar esta designação quem estudou para isso. Temos de estar atentos aos perigos e às consequências das prestações dos falsos profissionais, cujo número é crescente já com sequelas já à vista”, defende.

De contrário, avança, o país continuará a ter uma sociedade incapaz de comparar e detectar a qualidade e o valor artístico do que consome.

“Infelizmente, aquilo a que temos acesso é, geralmente, de baixa qualidade. Como resultado, verifica-se a enorme dificuldade em distinguir arte de entretenimento, artistas de fazedores, profissionais de amadores, já que não existe uma noção concreta ou até uma discussão sobre o conceito de arte. Também é fundamental que os promotores de espectáculos e os medias diversifiquem as suas ofertas e não promovam a mediocridade que, tantas vezes raia a obscenidade e a vulgaridade, pois dar visibilidade apenas a estes produtos apenas resulta em desinformação”, avança.

Conforme a especialista, o crescimento do país deve estender-se às artes, alargando-se os horizontes e se abrindo ao universal.

“A arte não se encurrala em fronteiras, nem em complexos, nem se condiciona a actos administrativos. A arte tem de ser partilhada, está no génio de cada um, no coração dos artistas e é livre”, frisa.

Ana Clara Guerra Marques adianta ser o momento para se mudar as mentalidades e abrir os horizontes. “É preciso mostrar, fazer, convidar, promover a qualidade, massificar a informação sobre o que é, realmente arte. Dar às pessoas a liberdade e a possibilidade de ver o mais possível para que eduquem o seu gosto, o seu sentido estético e a sua apreciação crítica. Promover e apoiar os que desenvolvem este trabalho em Angola e convidar companhias de dança africanas, europeias, americanas e de todo o mundo é fundamental”, defende.

A especialista afirma que uma sociedade que se feche produz artistas com uma visão estreita e limitada que apenas servem politicamente. “Se não educarmos o público ele nunca vai querer ir além das manifestações básicas a que nos habituaram durante estes anos todos”, assevera.

Relativamente ao mundo da dança em Angola, considera o actual cenário como “assustador”, que contraria todos os princípios do que é a dança enquanto arte e mesmo enquanto recreação.

“Os poucos profissionais sérios com experiência que temos no país vêm-se hoje quase impotentes perante a onda de banalidade e a falta de humildade que está na origem do recrudescimento da alguma qualidade que se havia conseguido. O futuro da dança em Angola só será brilhante com a alavanca de escolas que assumam uma formação profissional séria e profunda, uma escola enquanto lugar privilegiado de aprendizagem e intercâmbio, um viveiro artístico e um lugar onde se desenvolvessem capacidades e autonomias criativas e críticas”, assevera.

Aponta para a necessidade da existência de uma escola de conteúdos diversificados como principal estímulo à experimentação, à descoberta e à reflexão, que permita a oportunidade de evoluir através da partilha e do contacto com outras linguagens, com outras disciplinas artísticas e com outros espaços comunitários.