ACNUR admite desastre humanitário no Afeganistão se falharem negociações

  • Sede da ONU em Nova Iorque
Nova Iorque - O ACNUR advertiu hoje para um eventual desastre humanitário no Afeganistão se falharem as conversações de paz em curso, quando milhares de deslocados procuram sobreviver à pandemia de covid-19 no meio de um inverno rigoroso.

Em declarações à agência noticiosa Associated Press (AP), no final de uma visita de quatro dias ao Afeganistão, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Fillipo Grandi, frisou que, se os combates prosseguirem, não haverá mais deslocados internos.

"Se este esforço de paz colapsar, então iremos assistir a um grande desastre humanitário no país, isso é certo. Espero bem que não", afirmou Grandi, admitindo não ver grandes progressos nas conversações de paz entre os negociadores do Governo afegão com dirigentes talibãs que decorrem no Qatar.

"Penso que necessitamos de estar prontos para tudo e necessitamos de estar prontos para mais questões humanitárias", acrescentou Grandi, aludindo ao aumento, nos últimos meses, da violência e do caos no Afeganistão.

Nesse sentido, o ACNUR apelou à comunidade internacional para continuar comprometida com o Afeganistão e exortou a um maior apoio financeiro para ajudar os deslocados afegãos na reunião de doadores marcada para a próxima semana em Genebra.

Segundo Grandi, a mensagem que pretende deixar na reunião de Genebra passa pelo facto de que os países devem estar preparados para dois cenários: um bom, para o qual é necessário investir no desenvolvimento, e outro, para o curto prazo, em que são precisos mais alimentos, água e assistência médica.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), além dos milhares de deslocados no próprio país, mais de 742.000 afegãos estão a regressar do Irão e do Paquistão desde o início do ano.

A maioria está a trabalhar nesses dois países para poder sustentar as famílias, tradicionalmente com muitos membros.

No entanto, com a falta de empregos e com a insegurança crescente, muitas vezes não é possível obter um salário regular para enviar parte dele para sustentar as famílias.

Tendo tal em conta, Grandi apelou a todas as partes para que se reduza a violência no país.

"[A violência] não gera confiança para o processo de paz que é necessário não só para os deslocados e refugiados, mas sobretudo para todo o povo afegão. Peço aos afegãos para terem paciência, mas tenho de dizer aos outros que se apressem e encontrem uma solução rapidamente porque tudo é urgente. Quarenta anos é muito tempo a sofrer", terminou.

 

Em declarações à agência noticiosa Associated Press (AP), no final de uma visita de quatro dias ao Afeganistão, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Fillipo Grandi, frisou que, se os combates prosseguirem, não haverá mais deslocados internos.

"Se este esforço de paz colapsar, então iremos assistir a um grande desastre humanitário no país, isso é certo. Espero bem que não", afirmou Grandi, admitindo não ver grandes progressos nas conversações de paz entre os negociadores do Governo afegão com dirigentes talibãs que decorrem no Qatar.

"Penso que necessitamos de estar prontos para tudo e necessitamos de estar prontos para mais questões humanitárias", acrescentou Grandi, aludindo ao aumento, nos últimos meses, da violência e do caos no Afeganistão.

Nesse sentido, o ACNUR apelou à comunidade internacional para continuar comprometida com o Afeganistão e exortou a um maior apoio financeiro para ajudar os deslocados afegãos na reunião de doadores marcada para a próxima semana em Genebra.

Segundo Grandi, a mensagem que pretende deixar na reunião de Genebra passa pelo facto de que os países devem estar preparados para dois cenários: um bom, para o qual é necessário investir no desenvolvimento, e outro, para o curto prazo, em que são precisos mais alimentos, água e assistência médica.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), além dos milhares de deslocados no próprio país, mais de 742.000 afegãos estão a regressar do Irão e do Paquistão desde o início do ano.

A maioria está a trabalhar nesses dois países para poder sustentar as famílias, tradicionalmente com muitos membros.

No entanto, com a falta de empregos e com a insegurança crescente, muitas vezes não é possível obter um salário regular para enviar parte dele para sustentar as famílias.

Tendo tal em conta, Grandi apelou a todas as partes para que se reduza a violência no país.

"[A violência] não gera confiança para o processo de paz que é necessário não só para os deslocados e refugiados, mas sobretudo para todo o povo afegão. Peço aos afegãos para terem paciência, mas tenho de dizer aos outros que se apressem e encontrem uma solução rapidamente porque tudo é urgente. Quarenta anos é muito tempo a sofrer", terminou.