Biden desafia Turquia ao reconhecer o genocídio arménio

  • Presidente dos EUA Joe Biden discursa na 76ª  Sessão ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu neste sábado o massacre de arménios pelas forças otomanas como genocídio, um acto decisivo para os descendentes de centenas de milhares de mortos, que gerou protestos na Turquia.

Biden tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a usar a palavra genocídio no comunicado que a Casa Branca costuma emitir por ocasião do aniversário desse massacre, um dia depois de informar que o faria ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, procurando limitar a rejeição esperada do aliado na OTAN.

"Nós nos lembramos das vidas de todos aqueles que morreram no genocídio arménio da era otomana e nos comprometemos novamente a evitar que tal atrocidade aconteça novamente", declarou Biden.

“Lembramos para sempre estar vigilante contra a influência corrosiva do ódio em todas as suas formas”, acrescentou.

A declaração é uma grande vitória para a Arménia e a sua extensa diáspora. Desde 1965, países como Uruguai, França, Alemanha, Canadá e Rússia reconheceram o genocídio, mas os Estados Unidos nunca chegaram a esse extremo.

O presidente americano frisou: “Não o fazemos para culpar, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita”.

O mandatário turco, porém, rejeitou as declarações de Biden neste sábado.

"Não beneficia ninguém que os debates - que deveriam ser realizados por historiadores - sejam politizados por terceiros e se tornem um instrumento de ingerência no nosso país", criticou Erdogan numa mensagem ao patriarca arménio em Istambul.

"As palavras não podem mudar ou reescrever a história", postou no Twitter o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, momentos após a declaração de Biden. "Não vamos aceitar lições de ninguém sobre a nossa história."

Cavusoglu convocou o embaixador dos Estados Unidos, David Satterfield, neste sábado para expressar oseu descontentamento, observando que a decisão de Biden causou "uma ferida nas relações que será difícil de reparar", informou a agência de notícias estatal Anadolu.

Uma autoridade do governo americano afirmou que a intenção de Biden não era culpar a Turquia moderna, que chamou de "aliada chave da OTAN".

“A intenção da declaração - a intenção do presidente - é fazer isso de uma forma exemplar, focada nos méritos dos direitos humanos, e não por qualquer motivo além disso, inclusive para colocar culpa”, explicou o funcionário a jornalistas.

Estima-se que cerca de 1,5 milhões de arménios foram mortos entre 1915 e 1917 durante os últimos dias do Império Otomano, que suspeitava que a minoria cristã conspirava com o inimigo russo na Primeira Guerra Mundial.

A população arménia foi presa e deportada para o deserto da Síria, onde muitos foram baleados, envenenados ou morreram de doenças, segundo relatos de diplomatas estrangeiros da época.

A Turquia, que emergiu como uma república secular das cinzas do Império Otomano, reconhece que 300.000 arménios poderiam ter morrido, mas rejeita veementemente que tenha sido um genocídio, alegando que eles morreram em combate ou pela fome, assim como muitos turcos também morreram.

"A Turquia nunca vai reconhecer o genocídio. Isso nunca vai acontecer", disse Aram Bowen, de 33 anos, à AFP em uma manifestação de várias centenas de membros da comunidade armênia em Nova Iorque.

O reconhecimento de Biden é "o mais próximo que chegaremos do reconhecimento global", acrescentou.

O reconhecimento tem sido a principal prioridade para arménios e arménio-americanos, que pedem indemnizações, a restauração de propriedades pelo que chamam de 'Meds Yeghern', o Grande Crime, e mais apoio contra o vizinho Azerbaijão, com a ajuda da Turquia.

O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão disse que os comentários de Biden "distorcem os factos históricos sobre os eventos de 1915" e apoiou o apelo da Turquia para que as mortes sejam "estudadas por historiadores, não por políticos".

O Azerbaijão derrotou a Arménia no ano passado em uma guerra pela disputada região de Nagorno Karabakh, na qual Ancara apoiou o seu aliado Baku e deixou a Arménia traumatizada.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, agradeceu a Biden por seu "poderoso passo em direcção à justiça e seu inestimável apoio aos herdeiros das vítimas do genocídio armênio."

Ao contrário de seu antecessor, Donald Trump, Biden tem mantido distância de Erdogan, e a ligação ao líder turco para informá-lo do reconhecimento do genocídio foi a primeira conversa entre os dois lados desde que o democrata chegou à Casa Branca, há três meses.

De acordo com autoridades, os dois líderes concordaram em se reunir em Junho, paralelamente a uma cimeira da OTAN em Bruxelas.

Além das declarações, a Turquia não anunciou imediatamente nenhuma medida de retaliação, em contraste com as medidas furiosas que já havia tomado sobre as decisões ocidentais em relação ao reconhecimento do genocídio.

As tensões com a Turquia aumentaram drasticamente nos últimos anos com a compra de um importante sistema de defesa aérea da Rússia - o principal adversário da OTAN - e as suas investidas contra combatentes curdos pró-americanos na Síria.

Biden tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a usar a palavra genocídio no comunicado que a Casa Branca costuma emitir por ocasião do aniversário desse massacre, um dia depois de informar que o faria ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, procurando limitar a rejeição esperada do aliado na OTAN.

"Nós nos lembramos das vidas de todos aqueles que morreram no genocídio arménio da era otomana e nos comprometemos novamente a evitar que tal atrocidade aconteça novamente", declarou Biden.

“Lembramos para sempre estar vigilante contra a influência corrosiva do ódio em todas as suas formas”, acrescentou.

A declaração é uma grande vitória para a Arménia e a sua extensa diáspora. Desde 1965, países como Uruguai, França, Alemanha, Canadá e Rússia reconheceram o genocídio, mas os Estados Unidos nunca chegaram a esse extremo.

O presidente americano frisou: “Não o fazemos para culpar, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita”.

O mandatário turco, porém, rejeitou as declarações de Biden neste sábado.

"Não beneficia ninguém que os debates - que deveriam ser realizados por historiadores - sejam politizados por terceiros e se tornem um instrumento de ingerência no nosso país", criticou Erdogan numa mensagem ao patriarca arménio em Istambul.

"As palavras não podem mudar ou reescrever a história", postou no Twitter o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, momentos após a declaração de Biden. "Não vamos aceitar lições de ninguém sobre a nossa história."

Cavusoglu convocou o embaixador dos Estados Unidos, David Satterfield, neste sábado para expressar oseu descontentamento, observando que a decisão de Biden causou "uma ferida nas relações que será difícil de reparar", informou a agência de notícias estatal Anadolu.

Uma autoridade do governo americano afirmou que a intenção de Biden não era culpar a Turquia moderna, que chamou de "aliada chave da OTAN".

“A intenção da declaração - a intenção do presidente - é fazer isso de uma forma exemplar, focada nos méritos dos direitos humanos, e não por qualquer motivo além disso, inclusive para colocar culpa”, explicou o funcionário a jornalistas.

Estima-se que cerca de 1,5 milhões de arménios foram mortos entre 1915 e 1917 durante os últimos dias do Império Otomano, que suspeitava que a minoria cristã conspirava com o inimigo russo na Primeira Guerra Mundial.

A população arménia foi presa e deportada para o deserto da Síria, onde muitos foram baleados, envenenados ou morreram de doenças, segundo relatos de diplomatas estrangeiros da época.

A Turquia, que emergiu como uma república secular das cinzas do Império Otomano, reconhece que 300.000 arménios poderiam ter morrido, mas rejeita veementemente que tenha sido um genocídio, alegando que eles morreram em combate ou pela fome, assim como muitos turcos também morreram.

"A Turquia nunca vai reconhecer o genocídio. Isso nunca vai acontecer", disse Aram Bowen, de 33 anos, à AFP em uma manifestação de várias centenas de membros da comunidade armênia em Nova Iorque.

O reconhecimento de Biden é "o mais próximo que chegaremos do reconhecimento global", acrescentou.

O reconhecimento tem sido a principal prioridade para arménios e arménio-americanos, que pedem indemnizações, a restauração de propriedades pelo que chamam de 'Meds Yeghern', o Grande Crime, e mais apoio contra o vizinho Azerbaijão, com a ajuda da Turquia.

O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão disse que os comentários de Biden "distorcem os factos históricos sobre os eventos de 1915" e apoiou o apelo da Turquia para que as mortes sejam "estudadas por historiadores, não por políticos".

O Azerbaijão derrotou a Arménia no ano passado em uma guerra pela disputada região de Nagorno Karabakh, na qual Ancara apoiou o seu aliado Baku e deixou a Arménia traumatizada.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, agradeceu a Biden por seu "poderoso passo em direcção à justiça e seu inestimável apoio aos herdeiros das vítimas do genocídio armênio."

Ao contrário de seu antecessor, Donald Trump, Biden tem mantido distância de Erdogan, e a ligação ao líder turco para informá-lo do reconhecimento do genocídio foi a primeira conversa entre os dois lados desde que o democrata chegou à Casa Branca, há três meses.

De acordo com autoridades, os dois líderes concordaram em se reunir em Junho, paralelamente a uma cimeira da OTAN em Bruxelas.

Além das declarações, a Turquia não anunciou imediatamente nenhuma medida de retaliação, em contraste com as medidas furiosas que já havia tomado sobre as decisões ocidentais em relação ao reconhecimento do genocídio.

As tensões com a Turquia aumentaram drasticamente nos últimos anos com a compra de um importante sistema de defesa aérea da Rússia - o principal adversário da OTAN - e as suas investidas contra combatentes curdos pró-americanos na Síria.