Chile elege redactores da futura Constituição

Santiago - Mais de 14 milhões de chilenos são chamados às urnas neste sábado e domingo para eleger entre 1.373 candidatos os 155 que irão redigir uma nova Constituição que vai substituir aquela herdada do Governo de Augusto Pinochet.

Embora o dia tenha começado com um baixo fluxo de eleitores, a partir do meio-dia houve uma grande mobilização de eleitores nas principais cidades do país, que expressaram as suas expectativas sobre um processo que se inicia visando deixar um longo período de convulsão social numa sociedade desigual e fragmentada.

"Esperamos conseguir um bom grupo humano que trabalhe para todos", disse Silvia Navarrete, uma economista de 35 anos, à AFP depois de votar com sua filha nos braços.

Com todas as medidas de saúde impostas pela pandemia, as assembleias de voto abriram às 8h00 e vão fechar às 18h00.

"Espero que tenhamos uma Constituição que reúna a alma do nosso país", disse o presidente conservador, Sebastián Piñera, após votar em Santiago.

A nova Constituição deverá ser concluída num prazo de nove meses, prorrogável apenas uma vez por mais três meses, e em 2022 deverá ser aprovada ou rejeitada em referendo com voto obrigatório.

Essa eleição, fruto do plebiscito de 25 de Outubro de 2020 - quando quase 80% dos chilenos aprovaram a mudança da Constituição herdada do Governo de Augusto Pinochet por meio de uma Convenção Constitucional composta apenas por membros eleitos por voto popular - procura canalizar o descontentamento e a frustração de uma sociedade que vê na antiga Carta Magna a base que beneficia uma elite económica e política com um Estado débil em educação, saúde e habitação.

"O Chile tem agora a possibilidade de fazer uma segunda transição (política), que demorou três décadas, devido a uma tendência muito forte de manter o status quo do sistema partidário", comentou à AFP Marcelo Mella, cientista político da Universidade de Santiago.

O processo também marcará a primeira vez no mundo que uma Constituição será escrita por constituintes eleitos de forma paritária, em igual número de homens e mulheres, e fará história ao reservar 17 cadeiras para os 10 povos originários do país.

Entre os 19 milhões de habitantes, 95% apoiam o reconhecimento constitucional dos indígenas, segundo levantamento do Centro de Estudos Interculturais e Indígenas (CIIR), 55% optariam por um Estado Multicultural e 16% por um Estado Plurinacional, este último um dos principais objectivos apontados pelos candidatos mapuches consultados pela AFP.

Cada eleitor votará em quatro cargos. Além de um constituinte, votará para prefeito, vereador e, pela primeira vez, para um governador regional, outro sinal de que uma sociedade mais participativa está a ser procurada num dos poucos países da OCDE que não elegia autoridades regionais.

Com esta eleição, o Chile inicia um processo constituinte sem precedentes que vai até o próximo ano e que provoca esperança, mas também medo entre a população.

O Chile chega a esta megaeleição num contexto de optimismo devido ao boom do preço do cobre, principal produto de exportação chileno.

O país tem a maior renda per capita da América Latina e é o terceiro com mais bilionários da região, embora também seja um dos mais desiguais.

Numa sociedade em que a classe trabalhadora e mesmo a classe média alta vivem com alto nível de endividamento, há baixa satisfação com a qualidade de vida, segundo levantamento da consultoria Cadem.

A pandemia atingiu duramente o país - com mais de 1,2 milhões casos e quase 30.000 mortes por covid-19. Actualmente, porém, regista progressiva queda de contágios, óbitos e ocupação hospitalar, e mais de 48,5% da população-alvo (de 15,2 milhões de habitantes) já recebeu as duas doses da vacina.

Embora o dia tenha começado com um baixo fluxo de eleitores, a partir do meio-dia houve uma grande mobilização de eleitores nas principais cidades do país, que expressaram as suas expectativas sobre um processo que se inicia visando deixar um longo período de convulsão social numa sociedade desigual e fragmentada.

"Esperamos conseguir um bom grupo humano que trabalhe para todos", disse Silvia Navarrete, uma economista de 35 anos, à AFP depois de votar com sua filha nos braços.

Com todas as medidas de saúde impostas pela pandemia, as assembleias de voto abriram às 8h00 e vão fechar às 18h00.

"Espero que tenhamos uma Constituição que reúna a alma do nosso país", disse o presidente conservador, Sebastián Piñera, após votar em Santiago.

A nova Constituição deverá ser concluída num prazo de nove meses, prorrogável apenas uma vez por mais três meses, e em 2022 deverá ser aprovada ou rejeitada em referendo com voto obrigatório.

Essa eleição, fruto do plebiscito de 25 de Outubro de 2020 - quando quase 80% dos chilenos aprovaram a mudança da Constituição herdada do Governo de Augusto Pinochet por meio de uma Convenção Constitucional composta apenas por membros eleitos por voto popular - procura canalizar o descontentamento e a frustração de uma sociedade que vê na antiga Carta Magna a base que beneficia uma elite económica e política com um Estado débil em educação, saúde e habitação.

"O Chile tem agora a possibilidade de fazer uma segunda transição (política), que demorou três décadas, devido a uma tendência muito forte de manter o status quo do sistema partidário", comentou à AFP Marcelo Mella, cientista político da Universidade de Santiago.

O processo também marcará a primeira vez no mundo que uma Constituição será escrita por constituintes eleitos de forma paritária, em igual número de homens e mulheres, e fará história ao reservar 17 cadeiras para os 10 povos originários do país.

Entre os 19 milhões de habitantes, 95% apoiam o reconhecimento constitucional dos indígenas, segundo levantamento do Centro de Estudos Interculturais e Indígenas (CIIR), 55% optariam por um Estado Multicultural e 16% por um Estado Plurinacional, este último um dos principais objectivos apontados pelos candidatos mapuches consultados pela AFP.

Cada eleitor votará em quatro cargos. Além de um constituinte, votará para prefeito, vereador e, pela primeira vez, para um governador regional, outro sinal de que uma sociedade mais participativa está a ser procurada num dos poucos países da OCDE que não elegia autoridades regionais.

Com esta eleição, o Chile inicia um processo constituinte sem precedentes que vai até o próximo ano e que provoca esperança, mas também medo entre a população.

O Chile chega a esta megaeleição num contexto de optimismo devido ao boom do preço do cobre, principal produto de exportação chileno.

O país tem a maior renda per capita da América Latina e é o terceiro com mais bilionários da região, embora também seja um dos mais desiguais.

Numa sociedade em que a classe trabalhadora e mesmo a classe média alta vivem com alto nível de endividamento, há baixa satisfação com a qualidade de vida, segundo levantamento da consultoria Cadem.

A pandemia atingiu duramente o país - com mais de 1,2 milhões casos e quase 30.000 mortes por covid-19. Actualmente, porém, regista progressiva queda de contágios, óbitos e ocupação hospitalar, e mais de 48,5% da população-alvo (de 15,2 milhões de habitantes) já recebeu as duas doses da vacina.