Críticas do Ocidente visam "desviar atenção" dos seus problemas

Moscovo - A Rússia disse hoje que as críticas do Ocidente à detenção do líder da oposição russa, Alexei Navalny, "visam desviar a atenção" dos seus próprios problemas internos e da "crise do modelo liberal".

Os serviços prisionais russos (FSIN) detiveram, no domingo, o opositor russo Alexei Navalny à chegada a Moscovo, acusando-o de ter violado os termos de uma pena de prisão suspensa a que foi condenado em 2014 e que foi declarada ilegal pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Num comunicado, o FSIN informou que Navalny, que regressava à Rússia após vários meses em convalescença na Alemanha devido a um alegado envenenamento com um agente neurotóxico, "permanecerá detido até decisão do tribunal" sobre o seu caso.

"Claro, agora vemos como aproveitaram ontem [domingo] a notícia do regresso de Navalny à Federação Russa, recebendo-a com alegria, porque, aparentemente, permite que os políticos ocidentais pensem que podem desviar a atenção da crise mais profunda em que se encontra o modelo liberal de desenvolvimento", disse o ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov.

Na sua conferência de imprensa anual, o chefe da diplomacia russa afirmou que Moscovo "não está satisfeita com as tendências que vê no Ocidente, onde as elites procuram activamente inimigos externos para tentar alcançar os seus objectivos internos, e os encontram na Rússia, na China, no Irão, na Coreia do Norte, em Cuba ou na Venezuela".

"Defendo que não se deve procurar pretextos externos para justificar as próprias acções ou para desviar a atenção dos problemas internos", considerou Lavrov, referindo que, em vez disso, "devem ser encontradas formas de cooperação".

"A Rússia tenta cooperar e operar de forma construtiva no cenário internacional. Não queremos discutir com outros países, mas sim sentarmo-nos à mesa de negociações para discutir todas as soluções possíveis", frisou o ministro.

O chefe da diplomacia russa garantiu ainda que Moscovo "sempre esteve preparada" para a situação, desde logo quando a Rússia foi acusada de estar por detrás do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, em 2018, de ter interferido nas eleições norte-americanas de 2016, da queda do Avião MH17 no leste da Ucrânia em 2014, ou da tentativa de assassínio de Navalny.

"Nunca recebemos nenhuma prova. Tudo o que ouvimos dizer é que é 'altamente provável' e que apenas a Rússia teria motivos" para estar por detrás de tudo isto, alegou Lavrov.

"Não nos dão nada de concreto. Continuamos interessados em resolver todos os problemas por meio do diálogo, mas não queremos entrar numa porta que o Ocidente não quer abrir", concluiu o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

Navalny, principal figura da oposição ao Kremlin (Presidência russa), foi interpelado, no domingo, pela polícia à chegada ao aeroporto Cheremetievo de Moscovo, quando ia passar pelo controlo de passaportes, segundo testemunharam jornalistas da agência France-Presse (AFP) no local.

Os serviços prisionais russos adiantaram que Navalny, de 44 anos, "figura numa lista de pessoas procuradas desde 29 de Dezembro de 2020 por múltiplas violações do seu período probatório".

"Alexei foi detido sem que o motivo fosse explicado (...). Não me deixaram regressar para junto dele" após ter passado pelos serviços fronteiriços, afirmou, em declarações à AFP, a advogada do opositor, Olga Mikhailova.

Vários aliados e apoiantes de Navalny, incluindo o irmão do opositor, Oleg, foram também hoje detidos em Moscovo e em São Petersburgo.

O líder da oposição regressou à Rússia depois de quase cinco meses de tratamento médico na Alemanha, após ter sido envenenado com uma substância tóxica de uso militar, ato que, segundo o ativista, foi ordenado pelo Presidente russo, Vladimir Putin.

Em 20 de Agosto de 2020, Navalny sentiu-se mal e desmaiou durante um voo doméstico na Rússia, e foi transportado dois dias depois em coma para a Alemanha para ser tratado.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, assim como a Organização para a Proibição de Armas Químicas demonstraram que esteve exposto a um agente neurotóxico, do tipo Novichok, da era soviética.

As autoridades russas têm rejeitado todas as acusações de envolvimento no envenenamento.

 

Os serviços prisionais russos (FSIN) detiveram, no domingo, o opositor russo Alexei Navalny à chegada a Moscovo, acusando-o de ter violado os termos de uma pena de prisão suspensa a que foi condenado em 2014 e que foi declarada ilegal pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Num comunicado, o FSIN informou que Navalny, que regressava à Rússia após vários meses em convalescença na Alemanha devido a um alegado envenenamento com um agente neurotóxico, "permanecerá detido até decisão do tribunal" sobre o seu caso.

"Claro, agora vemos como aproveitaram ontem [domingo] a notícia do regresso de Navalny à Federação Russa, recebendo-a com alegria, porque, aparentemente, permite que os políticos ocidentais pensem que podem desviar a atenção da crise mais profunda em que se encontra o modelo liberal de desenvolvimento", disse o ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov.

Na sua conferência de imprensa anual, o chefe da diplomacia russa afirmou que Moscovo "não está satisfeita com as tendências que vê no Ocidente, onde as elites procuram activamente inimigos externos para tentar alcançar os seus objectivos internos, e os encontram na Rússia, na China, no Irão, na Coreia do Norte, em Cuba ou na Venezuela".

"Defendo que não se deve procurar pretextos externos para justificar as próprias acções ou para desviar a atenção dos problemas internos", considerou Lavrov, referindo que, em vez disso, "devem ser encontradas formas de cooperação".

"A Rússia tenta cooperar e operar de forma construtiva no cenário internacional. Não queremos discutir com outros países, mas sim sentarmo-nos à mesa de negociações para discutir todas as soluções possíveis", frisou o ministro.

O chefe da diplomacia russa garantiu ainda que Moscovo "sempre esteve preparada" para a situação, desde logo quando a Rússia foi acusada de estar por detrás do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, em 2018, de ter interferido nas eleições norte-americanas de 2016, da queda do Avião MH17 no leste da Ucrânia em 2014, ou da tentativa de assassínio de Navalny.

"Nunca recebemos nenhuma prova. Tudo o que ouvimos dizer é que é 'altamente provável' e que apenas a Rússia teria motivos" para estar por detrás de tudo isto, alegou Lavrov.

"Não nos dão nada de concreto. Continuamos interessados em resolver todos os problemas por meio do diálogo, mas não queremos entrar numa porta que o Ocidente não quer abrir", concluiu o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

Navalny, principal figura da oposição ao Kremlin (Presidência russa), foi interpelado, no domingo, pela polícia à chegada ao aeroporto Cheremetievo de Moscovo, quando ia passar pelo controlo de passaportes, segundo testemunharam jornalistas da agência France-Presse (AFP) no local.

Os serviços prisionais russos adiantaram que Navalny, de 44 anos, "figura numa lista de pessoas procuradas desde 29 de Dezembro de 2020 por múltiplas violações do seu período probatório".

"Alexei foi detido sem que o motivo fosse explicado (...). Não me deixaram regressar para junto dele" após ter passado pelos serviços fronteiriços, afirmou, em declarações à AFP, a advogada do opositor, Olga Mikhailova.

Vários aliados e apoiantes de Navalny, incluindo o irmão do opositor, Oleg, foram também hoje detidos em Moscovo e em São Petersburgo.

O líder da oposição regressou à Rússia depois de quase cinco meses de tratamento médico na Alemanha, após ter sido envenenado com uma substância tóxica de uso militar, ato que, segundo o ativista, foi ordenado pelo Presidente russo, Vladimir Putin.

Em 20 de Agosto de 2020, Navalny sentiu-se mal e desmaiou durante um voo doméstico na Rússia, e foi transportado dois dias depois em coma para a Alemanha para ser tratado.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, assim como a Organização para a Proibição de Armas Químicas demonstraram que esteve exposto a um agente neurotóxico, do tipo Novichok, da era soviética.

As autoridades russas têm rejeitado todas as acusações de envolvimento no envenenamento.