Erdogan apela à União Europeia para que haja diálogo

Ancara - O presidente turco, Recep Erdogan, apelou hoje à União Europeia (UE) para que haja diálogo, num momento de escalada das tensões no Mediterrâneo oriental, onde prolongou a missão de um navio de exploração de gás.

A Turquia prolongou hoje até 29 de Novembro a missão do navio Oruc Reis numa zona marítima que o país disputa com a Grécia, com vista à descoberta de reservas de gás.

A presença deste navio suscita há vários meses tensões com a UE, que renovou este mês, por um ano, as sanções contra Ancara e ameaça endurecê-las.

Entre as medidas adotadas estão restrições à emissão de vistos e congelamento de bens de pessoas ligadas à exploração de gás na zona contestada do Mediterrâneo.

"Esperamos da UE que cumpra as suas promessas, que não nos discrimine ou, pelo menos, que não se torne um instrumento para criar inimizades contra o nosso país", declarou Erdogan numa alocução transmitida por vídeo no congresso do seu partido, o AKP.

"Não nos vemos noutro lugar que não na Europa. Queremos construir o nosso futuro juntamente com a Europa. Queremos uma cooperação mais forte com os nossos amigos e aliados", afirmou.

"Acreditamos que não temos nenhum problema com um país ou uma instituição que não possa ser resolvido pela via política, diplomática ou pelo diálogo", disse ainda.

Os dirigentes da União Europeia adiaram a discussão sobre novas sanções contra a Turquia para a cimeira agendada para o início de dezembro.

Erdogan apelou ao boicote dos produtos franceses depois do apoio expresso pelo presidente Emmanuel Mácron ao direito à caricatura, em nome da liberdade de expressão, na sequência da decapitação, a 16 de outubro, de um professor francês que tinha mostrado caricaturas de Maomé aos seus alunos.

No mesmo discurso, Erdogan declarou que a Turquia queria "utilizar ativamente as suas relações de aliança antigas e estreitas com os Estados Unidos para encontrar uma solução para os problemas regionais e mundiais".