Funcionário de Xinjiang acusa Pompeo de minar relações China-EUA

  • Mike Pompeo, Secretário de Estado Norte Americano
Pequim - Um funcionário da região de Xinjiang, no extremo oeste da China, acusou hoje o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, de tentar minar as relações de Pequim com a nova administração norte-americana.

Xu Guixiang, porta-voz do Partido Comunista em Xinjiang, referiu, numa conferência de imprensa, as declarações de Pompeo, que acusou a China da prática de genocídio dos chineses da etnia muçulmana uigur.

"Porque é que ele está a fazer este espetáculo, esta farsa, que constitui a mentira do século", questionou Xu.

"Ele quer plantar minas terrestres e criar obstáculos para o diálogo com o próximo governo dos EUA", afirmou.

Desde 2016, a China colocou mais de um milhão de uigures e membros de outras minorias predominantemente muçulmanas em prisões e campos de doutrinação, que Pequim classifica como centros de treino vocacional, segundo organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Antigos detidos dizem ter sido submetidos a tortura, esterilização e doutrinação política, além de trabalho forçado, como parte de uma campanha de assimilação étnica.

Documentos governamentais a que a imprensa internacional teve acesso revelaram a extensão da campanha, mas a China negou quaisquer abusos e disse que as medidas tomadas são necessárias para combater o terrorismo e o separatismo.

O Governo de Joe Biden está a formular as suas políticas em relação à China, país que muitos analistas consideram constituir o maior desafio geopolítico dos EUA.

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reiterou, no seu primeiro dia de mandato, que acreditava que um genocídio está a ser cometido contra as minorias étnicas em Xinjiang, sinalizando que Biden planeia manter algumas das posições duras do ex-presidente Donald Trump contra Pequim.

Ao longo de duas horas, Xu e outros representantes de Xinjiang, incluindo um imã e ex-estagiários dos centros, negaram a ocorrência de esterilização e trabalhos forçados ou restrições à prática religiosa.

Sem referirem Biden ou Trump, os representantes focaram-se em Pompeo.

Xu considerou-o "histérico", um "rato" e o "pior secretário de Estado da História".

Pompeo disse que uma das principais razões para a designação de genocídio foi o controlo de natalidade forçado da população uigur, que a agência noticiosa Associated Press documentou no ano passado, bem como o investigador Adrian Zenz.

Outro motivo que citou foi o trabalho forçado. Repórteres da AP descobriram que os trabalhadores uigures da OFILM, um fornecedor da gigante norte-americana Apple, a cerca de 3.200 quilómetros de Xinjiang, na cidade oriental de Nanchang, não tinham permissão para deixar o complexo fabril livremente e só podiam sair em raras viagens, sempre acompanhados.

Na conferência de imprensa, Yusupjan Yasinjan, apresentado como ex-funcionário da OFILM, disse que assinou um contrato para trabalhar na empresa.

Descreveu as condições de trabalho como boas, com refeições halal, salários amplos e acomodações gratuitas.

Yasinjan não respondeu directamente se tinha permissão para deixar o complexo da fábrica livremente. As autoridades não permitiram que os repórteres fizessem perguntas complementares.

Anayat repetiu declarações do governo de que os campos foram fechados e todos os alunos se "formaram".

No entanto, imagens de satélite e entrevistas a ex-residentes de Xinjiang indicam que o vasto aparato de detenção da região permanece activo.

Embora alguns detidos tenham sido libertados, outros foram condenados a longas penas de prisão ou forçados a trabalhar em fábricas, segundo parentes no Cazaquistão e na Turquia.

Ex-residentes que fugiram de Xinjiang dizem que os seus familiares que ainda estão na região cortaram o contacto com eles por medo.

Anayat disse que aqueles que partiram não puderam entrar em contacto com os seus parentes porque marcaram os números de telefone incorretamente ou se juntaram a grupos separatistas. Em certos casos, disse, foi porque os parentes foram detidos por suspeitas de actividades criminosas.

Xu Guixiang, porta-voz do Partido Comunista em Xinjiang, referiu, numa conferência de imprensa, as declarações de Pompeo, que acusou a China da prática de genocídio dos chineses da etnia muçulmana uigur.

"Porque é que ele está a fazer este espetáculo, esta farsa, que constitui a mentira do século", questionou Xu.

"Ele quer plantar minas terrestres e criar obstáculos para o diálogo com o próximo governo dos EUA", afirmou.

Desde 2016, a China colocou mais de um milhão de uigures e membros de outras minorias predominantemente muçulmanas em prisões e campos de doutrinação, que Pequim classifica como centros de treino vocacional, segundo organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Antigos detidos dizem ter sido submetidos a tortura, esterilização e doutrinação política, além de trabalho forçado, como parte de uma campanha de assimilação étnica.

Documentos governamentais a que a imprensa internacional teve acesso revelaram a extensão da campanha, mas a China negou quaisquer abusos e disse que as medidas tomadas são necessárias para combater o terrorismo e o separatismo.

O Governo de Joe Biden está a formular as suas políticas em relação à China, país que muitos analistas consideram constituir o maior desafio geopolítico dos EUA.

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reiterou, no seu primeiro dia de mandato, que acreditava que um genocídio está a ser cometido contra as minorias étnicas em Xinjiang, sinalizando que Biden planeia manter algumas das posições duras do ex-presidente Donald Trump contra Pequim.

Ao longo de duas horas, Xu e outros representantes de Xinjiang, incluindo um imã e ex-estagiários dos centros, negaram a ocorrência de esterilização e trabalhos forçados ou restrições à prática religiosa.

Sem referirem Biden ou Trump, os representantes focaram-se em Pompeo.

Xu considerou-o "histérico", um "rato" e o "pior secretário de Estado da História".

Pompeo disse que uma das principais razões para a designação de genocídio foi o controlo de natalidade forçado da população uigur, que a agência noticiosa Associated Press documentou no ano passado, bem como o investigador Adrian Zenz.

Outro motivo que citou foi o trabalho forçado. Repórteres da AP descobriram que os trabalhadores uigures da OFILM, um fornecedor da gigante norte-americana Apple, a cerca de 3.200 quilómetros de Xinjiang, na cidade oriental de Nanchang, não tinham permissão para deixar o complexo fabril livremente e só podiam sair em raras viagens, sempre acompanhados.

Na conferência de imprensa, Yusupjan Yasinjan, apresentado como ex-funcionário da OFILM, disse que assinou um contrato para trabalhar na empresa.

Descreveu as condições de trabalho como boas, com refeições halal, salários amplos e acomodações gratuitas.

Yasinjan não respondeu directamente se tinha permissão para deixar o complexo da fábrica livremente. As autoridades não permitiram que os repórteres fizessem perguntas complementares.

Anayat repetiu declarações do governo de que os campos foram fechados e todos os alunos se "formaram".

No entanto, imagens de satélite e entrevistas a ex-residentes de Xinjiang indicam que o vasto aparato de detenção da região permanece activo.

Embora alguns detidos tenham sido libertados, outros foram condenados a longas penas de prisão ou forçados a trabalhar em fábricas, segundo parentes no Cazaquistão e na Turquia.

Ex-residentes que fugiram de Xinjiang dizem que os seus familiares que ainda estão na região cortaram o contacto com eles por medo.

Anayat disse que aqueles que partiram não puderam entrar em contacto com os seus parentes porque marcaram os números de telefone incorretamente ou se juntaram a grupos separatistas. Em certos casos, disse, foi porque os parentes foram detidos por suspeitas de actividades criminosas.