Israel/Eleições: Quartas legislativas em dois anos e bloqueio pode persistir

Jerusalém - Os israelitas escolhem terça-feira, 23, os seus deputados, pela quarta vez em menos de dois anos, e mais uma vez as sondagens não prevêem resultados indicando um caminho claro para uma maioria que traga estabilidade ao país.

A campanha, condicionada pela pandemia de covid-19, foi feita sobretudo por videoconferência e nas redes sociais e dominada pela intensa campanha de vacinação contra o novo coronavírus, bem como pela competição entre os grupos pró e anti Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro cessante.

Vários analistas concordam que a mais longa crise política em Israel, ajudada pelo julgamento em curso de Netanyahu por corrupção, tem esbatido as diferenças ideológicas e acentuado o aspecto de referendo do escrutínio em relação ao chefe do Governo mais perene do Estado hebreu.

As sondagens atribuem ao seu partido, o Likud (direita), entre 27 e 30 lugares dos 120 do Knesset (parlamento), em primeiro lugar, mas sem votos suficientes juntamente com os seus aliados para conseguir a maioria (61 deputados) necessária para formar um governo.

"A Pfizer ocupou o lugar da anexação", disse à agência France Presse a analista política israelita Dahlia Scheindlin, sublinhando o ênfase colocado pelo primeiro-ministro cessante na vasta campanha de vacinação anti-covid no país graças a um acordo com a farmacêutica norte-americana.

Israel obteve o fornecimento rápido de vacinas Pfizer-BioNTech em troca de dados biomédicos sobre o efeito da vacinação na população e já imunizou mais de metade dos seus cerca de nove milhões de cidadãos.

Desta vez, Netanyahu não pode apostar na proximidade com o ocupante da Casa Branca para a reeleição, como fez nos anteriores escrutínios.

Donald Trump, o "melhor amigo" que o Estado hebreu alguma vez teve, foi substituído pelo Presidente Joe Biden, cuja administração procura manter grande distância face às novas eleições.

No "vale tudo" eleitoral e depois de campanhas em que hostilizou os cidadãos árabes israelitas, cerca de 20% da população, Netanyahu liderou desta vez uma campanha de sedução e prometeu vencer a "guerra" contra "a criminalidade" nas cidades árabes do país.

E já tem representantes da minoria a admitir colaborar com ele no combate à violência, como o líder do movimento islâmico Ra'am, Mansur Abbas. O grupo abandonou a coligação de quatro partidos árabes, a Lista Unida, que nas últimas eleições conquistou um número recorde de assentos no parlamento, 15, o terceiro melhor resultado no escrutínio.

Nas três últimas legislativas em Israel, em abril e Setembro de 2019 e Março de 2020, Benjamin Netanyahu enfrentou principalmente um e o mesmo rival, o ex-chefe das Forças Armadas e líder da coligação centrista Azul e Branco, Benny Gantz.

Após três duelos sem vencedor, os dois formaram em Maio de 2020 um Governo de união para enfrentar a pandemia, que caiu em Dezembro.

Actualmente a coligação Azul e Branco luta por votos suficientes para entrar no parlamento e Netanyahu tem como principais adversários o líder da oposição Yair Lapid, do centrista Yesh Atid, e dois candidatos de direita: Gideon Saar, ex-Likud, que formou o partido Nova Esperança, e o líder do partido de extrema-direita Yamina, Naftali Bennett.

De acordo com as sondagens, nem os partidos pró-Netanyahu (Likud e partidos religiosos), nem os partidos anti-Netanyahu (esquerda, centro, uma parte da direita) conseguirão o apoio suficiente para formar um governo.

Naftali Bennett, que não se posicionou, poderá permitir um desempate ou os israelitas terão de voltar às urnas pela quinta vez ainda este ano.

O presidente do centro de investigação Israel Democracy Institute, Yohanan Plesner, admite que a possibilidade de uma "quinta eleição (...) não é muito alta", mas existe.

"Não é inconcebível que Netanyahu continue a liderar um governo transitório até uma quinta campanha", disse Plesner numa recente conferência de imprensa virtual, referindo-se a cenários pós-eleitorais no Estado hebreu.

O analista assinala que o país já está há dois anos quase paralisado. "Praticamente nenhuma legislação. Sem orçamento. Sem reformas. (...) A tomada de decisões foi suspensa", adianta.

Plesner também atribui às "fraquezas" do sistema eleitoral israelita, ao facto de o país não ter uma constituição, a dificuldade de formar um governo.

O sistema totalmente proporcional israelita favorece a pluralidade da representação política ao aumentar as hipóteses dos pequenos partidos de estarem no Knesset, mas a multitude de partidos torna quase impossível que um deles obtenha a maioria absoluta e as negociações para as inevitáveis coligações costumam ser complicadas.

"Os israelitas estão extremamente cépticos em relação a estas eleições que podem terminar num novo impasse político", nota Yohana Plesner, evocando um "cansaço eleitoral".

Também é uma incógnita a taxa de participação dos cerca de 6,5 milhões de eleitores israelitas chamados às urnas no próximo dia 23.

A campanha, condicionada pela pandemia de covid-19, foi feita sobretudo por videoconferência e nas redes sociais e dominada pela intensa campanha de vacinação contra o novo coronavírus, bem como pela competição entre os grupos pró e anti Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro cessante.

Vários analistas concordam que a mais longa crise política em Israel, ajudada pelo julgamento em curso de Netanyahu por corrupção, tem esbatido as diferenças ideológicas e acentuado o aspecto de referendo do escrutínio em relação ao chefe do Governo mais perene do Estado hebreu.

As sondagens atribuem ao seu partido, o Likud (direita), entre 27 e 30 lugares dos 120 do Knesset (parlamento), em primeiro lugar, mas sem votos suficientes juntamente com os seus aliados para conseguir a maioria (61 deputados) necessária para formar um governo.

"A Pfizer ocupou o lugar da anexação", disse à agência France Presse a analista política israelita Dahlia Scheindlin, sublinhando o ênfase colocado pelo primeiro-ministro cessante na vasta campanha de vacinação anti-covid no país graças a um acordo com a farmacêutica norte-americana.

Israel obteve o fornecimento rápido de vacinas Pfizer-BioNTech em troca de dados biomédicos sobre o efeito da vacinação na população e já imunizou mais de metade dos seus cerca de nove milhões de cidadãos.

Desta vez, Netanyahu não pode apostar na proximidade com o ocupante da Casa Branca para a reeleição, como fez nos anteriores escrutínios.

Donald Trump, o "melhor amigo" que o Estado hebreu alguma vez teve, foi substituído pelo Presidente Joe Biden, cuja administração procura manter grande distância face às novas eleições.

No "vale tudo" eleitoral e depois de campanhas em que hostilizou os cidadãos árabes israelitas, cerca de 20% da população, Netanyahu liderou desta vez uma campanha de sedução e prometeu vencer a "guerra" contra "a criminalidade" nas cidades árabes do país.

E já tem representantes da minoria a admitir colaborar com ele no combate à violência, como o líder do movimento islâmico Ra'am, Mansur Abbas. O grupo abandonou a coligação de quatro partidos árabes, a Lista Unida, que nas últimas eleições conquistou um número recorde de assentos no parlamento, 15, o terceiro melhor resultado no escrutínio.

Nas três últimas legislativas em Israel, em abril e Setembro de 2019 e Março de 2020, Benjamin Netanyahu enfrentou principalmente um e o mesmo rival, o ex-chefe das Forças Armadas e líder da coligação centrista Azul e Branco, Benny Gantz.

Após três duelos sem vencedor, os dois formaram em Maio de 2020 um Governo de união para enfrentar a pandemia, que caiu em Dezembro.

Actualmente a coligação Azul e Branco luta por votos suficientes para entrar no parlamento e Netanyahu tem como principais adversários o líder da oposição Yair Lapid, do centrista Yesh Atid, e dois candidatos de direita: Gideon Saar, ex-Likud, que formou o partido Nova Esperança, e o líder do partido de extrema-direita Yamina, Naftali Bennett.

De acordo com as sondagens, nem os partidos pró-Netanyahu (Likud e partidos religiosos), nem os partidos anti-Netanyahu (esquerda, centro, uma parte da direita) conseguirão o apoio suficiente para formar um governo.

Naftali Bennett, que não se posicionou, poderá permitir um desempate ou os israelitas terão de voltar às urnas pela quinta vez ainda este ano.

O presidente do centro de investigação Israel Democracy Institute, Yohanan Plesner, admite que a possibilidade de uma "quinta eleição (...) não é muito alta", mas existe.

"Não é inconcebível que Netanyahu continue a liderar um governo transitório até uma quinta campanha", disse Plesner numa recente conferência de imprensa virtual, referindo-se a cenários pós-eleitorais no Estado hebreu.

O analista assinala que o país já está há dois anos quase paralisado. "Praticamente nenhuma legislação. Sem orçamento. Sem reformas. (...) A tomada de decisões foi suspensa", adianta.

Plesner também atribui às "fraquezas" do sistema eleitoral israelita, ao facto de o país não ter uma constituição, a dificuldade de formar um governo.

O sistema totalmente proporcional israelita favorece a pluralidade da representação política ao aumentar as hipóteses dos pequenos partidos de estarem no Knesset, mas a multitude de partidos torna quase impossível que um deles obtenha a maioria absoluta e as negociações para as inevitáveis coligações costumam ser complicadas.

"Os israelitas estão extremamente cépticos em relação a estas eleições que podem terminar num novo impasse político", nota Yohana Plesner, evocando um "cansaço eleitoral".

Também é uma incógnita a taxa de participação dos cerca de 6,5 milhões de eleitores israelitas chamados às urnas no próximo dia 23.