Itália apela a G20 para evitar que afegãs sejam cidadãs de segunda

Roma - O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, apelou hoje, quinta-feira, aos países do G20 para fazerem "tudo o que estiver ao seu alcance" para defender os direitos das mulheres afegãs, que arriscam ser novamente "cidadãs de segunda classe" sob o regime talibã.

"Não devemos ter ilusões: as raparigas e mulheres afegãs estão prestes a perder a sua liberdade e dignidade, e a regressar à triste condição em que se encontravam há 20 anos", disse Mario Draghi, citado pela agência France-Presse.

"Arriscam-se a tornar-se novamente cidadãs de segunda classe, vítimas de violência e discriminação sistemáticas, simplesmente devido ao seu género", disse Draghi.

O apelo consta de uma mensagem do primeiro-ministro italiano à primeira conferência ministerial do G20 sobre os direitos da mulher, realizada hoje em Santa Margherita Ligure (Norte).

Draghi pediu aos países do G20 que procurem assegurar que as mulheres afegãs preservem "as suas liberdades fundamentais e os seus direitos básicos, em particular o direito à educação".

"Os progressos feitos nos últimos 20 anos devem ser preservados", defendeu Mario Draghi, cujo país preside actualmente ao G20.

A ministra da Igualdade de Oportunidades e da Família italiana, Elena Bonetti, que preside à reunião, disse que não se pode tolerar a privação dos direitos fundamentais, a violência e o abuso.

"Não podemos fechar os olhos e não o queremos fazer", afirmou Bonetti.

Os talibãs, que assumiram o poder em 15 de Agosto, têm tentado convencer os afegãos de que mudaram, dizendo que vão garantir os direitos das mulheres, "de acordo com os princípios do Islão", e que serão autorizadas a estudar e a trabalhar.

Mas muitos afegãos e representantes da comunidade internacional estão céticos em relação a tais promessas.

Durante o anterior regime talibã, entre 1996 e 2001, as mulheres eram proibidas de sair sem acompanhante masculino e de trabalhar, e as raparigas eram proibidas de ir à escola.

Mulheres acusadas de adultério foram chicoteadas e apedrejadas até à morte.

Desde a tomada de poder pelos talibãs, milhares de afegãos estão a tentar fugir do país antes da retirada das forças militares dos Estados Unidos e dos seus aliados, prevista para 31 de Agosto.

Segundo números divulgados pelos EUA na quarta-feira, 82.300 pessoas já tinham sido retiradas por forças ocidentais de Cabul desde o início da crise.

O Governo italiano indicou anteriormente que estava a organizar uma cimeira 'ad hoc' do G20 para "promover um debate aprofundado sobre o Afeganistão".

"Teremos de encontrar alianças e envolver todos os atores, principalmente os da região (...), além da China e da Rússia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, na terça-feira.

Di Maio anunciou a iniciativa no dia em que a crise no Afeganistão motivou uma cimeira extraordinária do G7, um fórum que não inclui a China ou a Rússia, cujo papel neste conflito, no entanto, é crucial.

"A Itália tomou a iniciativa de desenvolver a coordenação de um projecto no âmbito do G20, que permitirá um acompanhamento mais eficaz da evolução da situação", explicou Di Maio no parlamento.

O G20 reúne as 19 economias mais desenvolvidas do mundo, mais a União Europeia.

Além de Itália, integram o G20 Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Argentina, Brasil, Canadá, EUA, México, China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e Turquia.

Em conjunto, segundo a organização, os seus membros "representam mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio mundial e 60% da população do planeta".

"Não devemos ter ilusões: as raparigas e mulheres afegãs estão prestes a perder a sua liberdade e dignidade, e a regressar à triste condição em que se encontravam há 20 anos", disse Mario Draghi, citado pela agência France-Presse.

"Arriscam-se a tornar-se novamente cidadãs de segunda classe, vítimas de violência e discriminação sistemáticas, simplesmente devido ao seu género", disse Draghi.

O apelo consta de uma mensagem do primeiro-ministro italiano à primeira conferência ministerial do G20 sobre os direitos da mulher, realizada hoje em Santa Margherita Ligure (Norte).

Draghi pediu aos países do G20 que procurem assegurar que as mulheres afegãs preservem "as suas liberdades fundamentais e os seus direitos básicos, em particular o direito à educação".

"Os progressos feitos nos últimos 20 anos devem ser preservados", defendeu Mario Draghi, cujo país preside actualmente ao G20.

A ministra da Igualdade de Oportunidades e da Família italiana, Elena Bonetti, que preside à reunião, disse que não se pode tolerar a privação dos direitos fundamentais, a violência e o abuso.

"Não podemos fechar os olhos e não o queremos fazer", afirmou Bonetti.

Os talibãs, que assumiram o poder em 15 de Agosto, têm tentado convencer os afegãos de que mudaram, dizendo que vão garantir os direitos das mulheres, "de acordo com os princípios do Islão", e que serão autorizadas a estudar e a trabalhar.

Mas muitos afegãos e representantes da comunidade internacional estão céticos em relação a tais promessas.

Durante o anterior regime talibã, entre 1996 e 2001, as mulheres eram proibidas de sair sem acompanhante masculino e de trabalhar, e as raparigas eram proibidas de ir à escola.

Mulheres acusadas de adultério foram chicoteadas e apedrejadas até à morte.

Desde a tomada de poder pelos talibãs, milhares de afegãos estão a tentar fugir do país antes da retirada das forças militares dos Estados Unidos e dos seus aliados, prevista para 31 de Agosto.

Segundo números divulgados pelos EUA na quarta-feira, 82.300 pessoas já tinham sido retiradas por forças ocidentais de Cabul desde o início da crise.

O Governo italiano indicou anteriormente que estava a organizar uma cimeira 'ad hoc' do G20 para "promover um debate aprofundado sobre o Afeganistão".

"Teremos de encontrar alianças e envolver todos os atores, principalmente os da região (...), além da China e da Rússia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, na terça-feira.

Di Maio anunciou a iniciativa no dia em que a crise no Afeganistão motivou uma cimeira extraordinária do G7, um fórum que não inclui a China ou a Rússia, cujo papel neste conflito, no entanto, é crucial.

"A Itália tomou a iniciativa de desenvolver a coordenação de um projecto no âmbito do G20, que permitirá um acompanhamento mais eficaz da evolução da situação", explicou Di Maio no parlamento.

O G20 reúne as 19 economias mais desenvolvidas do mundo, mais a União Europeia.

Além de Itália, integram o G20 Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Argentina, Brasil, Canadá, EUA, México, China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e Turquia.

Em conjunto, segundo a organização, os seus membros "representam mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio mundial e 60% da população do planeta".