PR francês reitera que a "prioridade actual não são as patentes" das vacinas

  • Presidente de França, Emmanuel Macron
Paris - O Presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou hoje que, no que se refere ao combate à pandemia, "a prioridade actual não são as patentes" das vacinas, instando os países anglo-saxónicos a "acabarem com a proibição de exportações".

"Hoje, não há uma única fábrica no mundo que não possa produzir doses (de vacinas) para países pobres por causa das patentes. A prioridade hoje não são as patentes - estaríamos a iludir-nos - é a produção", disse Macron.

O Presidente francês falava à entrada para o Palácio de Cristal, onde decorre hoje de manhã a reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), e onde, na sexta-feira à noite num jantar entre os líderes, o tema foi, precisamente, a suspensão das patentes das vacinas contra a covid-19.

À semelhança do que já tinha apontado na quinta-feira, Macron voltou a frisar que, no total das vacinas que foram produzidas na UE, cerca de 50% foram exportadas, enquanto nos Estados Unidos e no Reino Unido "100% do que foi produzido foi consumido pelo mercado doméstico".

"E, portanto, é preciso, antes, que os anglo-saxónicos parem com a proibição de exportações", sublinhou o chefe de Estado francês.

A suspensão das patentes das vacinas, disse Mácron, "é um bom debate", que se "inscreve no longo prazo" e que, portanto, "deve ser iniciado a partir agora", mas salientou que o levantamento destas patentes deve ser "circunscrito" e apenas ponderado nos casos onde a "propriedade intelectual bloqueia" o acesso das vacinas a países mais pobres.

Assinalando assim que, quando se diz que se vai "rasgar a propriedade intelectual", isso não "incita a recompensar a inovação", o Presidente francês deu o exemplo do que aconteceu com o levantamento da propriedade intelectual de antirretrovirais para tratar o vírus HIV.

"O exemplo que devemos tomar [em consideração] é precisamente o que fizemos durante a SIDA, quando criámos um quadro internacional para permitir o acesso dos antirretrovirais aos países mais pobres e levantámos a propriedade intelectual. É isso que devemos preparar para a vacina", apontou.

Reiterando assim que é "um falso debate" dizer que a urgência actual no combate à covid-19 é a liberalização das patentes, Macron voltou a afirmar que a urgência é "produzir mais e ter mais solidariedade".

"Caso queiramos pôr a carroça à frente dos bois, não irá funcionar. Devemos simplesmente reconhecer que a Europa, que foi muito criticada, tornou-se hoje num grande produtor de vacinas, e é sobretudo o continente mais aberto", sublinhou.

Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que apoiava a suspensão das patentes das vacinas contra a covid-19, uma proposta que tinha sido inicialmente avançada pela Índia e pela África do Sul na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda que políticos europeus como Macron se tenham mostrado disponíveis para debater a proposta, o governo alemão já se opôs à ideia, assinalando que "o factor limitativo na fabricação de vacinas é a capacidade de produção e os elevados padrões de qualidade, não as patentes".

"Hoje, não há uma única fábrica no mundo que não possa produzir doses (de vacinas) para países pobres por causa das patentes. A prioridade hoje não são as patentes - estaríamos a iludir-nos - é a produção", disse Macron.

O Presidente francês falava à entrada para o Palácio de Cristal, onde decorre hoje de manhã a reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), e onde, na sexta-feira à noite num jantar entre os líderes, o tema foi, precisamente, a suspensão das patentes das vacinas contra a covid-19.

À semelhança do que já tinha apontado na quinta-feira, Macron voltou a frisar que, no total das vacinas que foram produzidas na UE, cerca de 50% foram exportadas, enquanto nos Estados Unidos e no Reino Unido "100% do que foi produzido foi consumido pelo mercado doméstico".

"E, portanto, é preciso, antes, que os anglo-saxónicos parem com a proibição de exportações", sublinhou o chefe de Estado francês.

A suspensão das patentes das vacinas, disse Mácron, "é um bom debate", que se "inscreve no longo prazo" e que, portanto, "deve ser iniciado a partir agora", mas salientou que o levantamento destas patentes deve ser "circunscrito" e apenas ponderado nos casos onde a "propriedade intelectual bloqueia" o acesso das vacinas a países mais pobres.

Assinalando assim que, quando se diz que se vai "rasgar a propriedade intelectual", isso não "incita a recompensar a inovação", o Presidente francês deu o exemplo do que aconteceu com o levantamento da propriedade intelectual de antirretrovirais para tratar o vírus HIV.

"O exemplo que devemos tomar [em consideração] é precisamente o que fizemos durante a SIDA, quando criámos um quadro internacional para permitir o acesso dos antirretrovirais aos países mais pobres e levantámos a propriedade intelectual. É isso que devemos preparar para a vacina", apontou.

Reiterando assim que é "um falso debate" dizer que a urgência actual no combate à covid-19 é a liberalização das patentes, Macron voltou a afirmar que a urgência é "produzir mais e ter mais solidariedade".

"Caso queiramos pôr a carroça à frente dos bois, não irá funcionar. Devemos simplesmente reconhecer que a Europa, que foi muito criticada, tornou-se hoje num grande produtor de vacinas, e é sobretudo o continente mais aberto", sublinhou.

Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que apoiava a suspensão das patentes das vacinas contra a covid-19, uma proposta que tinha sido inicialmente avançada pela Índia e pela África do Sul na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda que políticos europeus como Macron se tenham mostrado disponíveis para debater a proposta, o governo alemão já se opôs à ideia, assinalando que "o factor limitativo na fabricação de vacinas é a capacidade de produção e os elevados padrões de qualidade, não as patentes".