Mais de 109 mil vítimas de tráfico humano identificadas em 2020

Nova Iorque - Mais de 109 mil vítimas de tráfico humano foram identificadas em todo o mundo no ano passado, das quais mais de 14 mil eram vítimas de trabalho escravo, segundo um relatório hoje apresentado em Washington.

O relatório sobre Tráfico Humano de 2021, hoje apresentado pelos Estados Unidos da América sobre 188 países, consultado pela agência Lusa, conclui que a pandemia de covid-19 criou condições para o aumento do tráfico humano e exploração sexual dos mais vulneráveis em todo o mundo.

Apesar dos números não corresponderem ao dados verdadeiros de vítimas de tráfico humano, mas sim a registos estatais, notaram-se diferentes tendências em diferentes zonas geográficas.

Em 2020 foram identificadas 109.216 vítimas de tráfico humano em todo o mundo, das quais cerca de 14.500 dizem respeito a trabalho escravo, segundo se pode ver num gráfico.

O número, porém, é menor do que as vítimas identificadas em 2019, cerca de 119.000, que se pode explicar pela redução de recursos na identificação de vítimas e no combate ao tráfico humano devido à pandemia de covid-19.

Com os governos a "desviarem recursos" para a recuperação da pandemia, segundo se lê no documento, as operações de combate ao tráfico foram interrompidas, o que possibilitou também aos traficantes a "adaptarem-se rapidamente para capitalizar vulnerabilidades expostas e exacerbadas pela pandemia".

As conclusões alertam também que sobreviventes de tráfico enfrentaram um risco ainda maior de voltarem a ser vítimas, "devido a dificuldades financeiras e emocionais durante a crise".

Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, sublinhou a mensagem de que "crises globais, como a pandemia de covid-19, mudanças climáticas e a discriminação têm um efeito desproporcional sobre os indivíduos já oprimidos por outras injustiças".

Segundo Blinken, o relatório pretende "melhorar esforços coletivos" para combater o tráfico humano em todo o mundo.

A directora do escritório responsável pela autoria do relatório, Kari Johnstone, sublinhou que a pandemia de covid-19 resultou num "ambiente ideal para o tráfico humano florescer e evoluir".

São realçados exemplos dos Estados Unidos, Reino Unido ou Uruguai, em que os proprietários de casas forçavam os inquilinos, geralmente mulheres, a relações sexuais quando o aluguel não podia ser pago.

Os autores descobriram também que "durante o confinamento, os traficantes na Amazónia do Brasil mudaram padrões" e, em vez de levar as crianças para os locais habituais onde eram vendidas, passaram a enviar as vítimas diretamente para "aposentos privados dos perpetradores ou locais específicos".

Na Índia e no Nepal, segundo o relatório norte-americano, meninas de áreas pobres ou rurais foram postas em casamentos forçados em troca de dinheiro. No Haiti, Níger e Mali, campos para pessoas deslocadas foram palco de "atos sexuais comerciais" forçados.

As famílias também tornaram-se vulneráveis ao tráfico, por exemplo na Birmânia, onde se registaram reduções drásticas dos rendimentos familiares.

Na região de Ásia Central e do Sul, que inclui países do Cazaquistão para o sul, até Índia e países insulares de Sri Lanka e Maldivas, foi identificado o maior número de vítimas de tráfico dos últimos sete anos: 45.060 vítimas de tráfico humano identificadas em 2020.

Na região de Ásia oriental e Pacífico, o número de vítimas identificadas em 2020 diminui consideravelmente, para 2.884 pessoas, uma diferença de 12 mil pessoas desde 2019.

África registou a identificação de 28.538 vítimas, apesar de o número representar uma redução de 14 mil pessoas desde 2019.

Já o Médio Oriente e países do norte da África cntabilizou-se 3.461 vítimas em 2020.

O número de vítimas identificadas aumentou de forma pronunciada na Europa, onde, no último ano, foram registadas 18.173 vítimas, o maior número desde 2014.

O hemisfério ocidental, que inclui a América do Norte e do Sul, teve 11.100 vítimas identificadas em 2020.

"Procuraremos usar nosso envolvimento durante todo o ano com governos, defensores e o sector privado para construir uma estratégia de combate ao tráfico mais eficaz, baseada na equidade", declarou o secretário de Estado, citado no relatório.

"Isso deve incluir o reconhecimento do nosso papel como perpetradores de violência e desumanização de pessoas, e devemos trabalhar para corrigir esses erros do passado", acrescentou Antony Blinken.

O relatório sobre Tráfico Humano de 2021, hoje apresentado pelos Estados Unidos da América sobre 188 países, consultado pela agência Lusa, conclui que a pandemia de covid-19 criou condições para o aumento do tráfico humano e exploração sexual dos mais vulneráveis em todo o mundo.

Apesar dos números não corresponderem ao dados verdadeiros de vítimas de tráfico humano, mas sim a registos estatais, notaram-se diferentes tendências em diferentes zonas geográficas.

Em 2020 foram identificadas 109.216 vítimas de tráfico humano em todo o mundo, das quais cerca de 14.500 dizem respeito a trabalho escravo, segundo se pode ver num gráfico.

O número, porém, é menor do que as vítimas identificadas em 2019, cerca de 119.000, que se pode explicar pela redução de recursos na identificação de vítimas e no combate ao tráfico humano devido à pandemia de covid-19.

Com os governos a "desviarem recursos" para a recuperação da pandemia, segundo se lê no documento, as operações de combate ao tráfico foram interrompidas, o que possibilitou também aos traficantes a "adaptarem-se rapidamente para capitalizar vulnerabilidades expostas e exacerbadas pela pandemia".

As conclusões alertam também que sobreviventes de tráfico enfrentaram um risco ainda maior de voltarem a ser vítimas, "devido a dificuldades financeiras e emocionais durante a crise".

Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, sublinhou a mensagem de que "crises globais, como a pandemia de covid-19, mudanças climáticas e a discriminação têm um efeito desproporcional sobre os indivíduos já oprimidos por outras injustiças".

Segundo Blinken, o relatório pretende "melhorar esforços coletivos" para combater o tráfico humano em todo o mundo.

A directora do escritório responsável pela autoria do relatório, Kari Johnstone, sublinhou que a pandemia de covid-19 resultou num "ambiente ideal para o tráfico humano florescer e evoluir".

São realçados exemplos dos Estados Unidos, Reino Unido ou Uruguai, em que os proprietários de casas forçavam os inquilinos, geralmente mulheres, a relações sexuais quando o aluguel não podia ser pago.

Os autores descobriram também que "durante o confinamento, os traficantes na Amazónia do Brasil mudaram padrões" e, em vez de levar as crianças para os locais habituais onde eram vendidas, passaram a enviar as vítimas diretamente para "aposentos privados dos perpetradores ou locais específicos".

Na Índia e no Nepal, segundo o relatório norte-americano, meninas de áreas pobres ou rurais foram postas em casamentos forçados em troca de dinheiro. No Haiti, Níger e Mali, campos para pessoas deslocadas foram palco de "atos sexuais comerciais" forçados.

As famílias também tornaram-se vulneráveis ao tráfico, por exemplo na Birmânia, onde se registaram reduções drásticas dos rendimentos familiares.

Na região de Ásia Central e do Sul, que inclui países do Cazaquistão para o sul, até Índia e países insulares de Sri Lanka e Maldivas, foi identificado o maior número de vítimas de tráfico dos últimos sete anos: 45.060 vítimas de tráfico humano identificadas em 2020.

Na região de Ásia oriental e Pacífico, o número de vítimas identificadas em 2020 diminui consideravelmente, para 2.884 pessoas, uma diferença de 12 mil pessoas desde 2019.

África registou a identificação de 28.538 vítimas, apesar de o número representar uma redução de 14 mil pessoas desde 2019.

Já o Médio Oriente e países do norte da África cntabilizou-se 3.461 vítimas em 2020.

O número de vítimas identificadas aumentou de forma pronunciada na Europa, onde, no último ano, foram registadas 18.173 vítimas, o maior número desde 2014.

O hemisfério ocidental, que inclui a América do Norte e do Sul, teve 11.100 vítimas identificadas em 2020.

"Procuraremos usar nosso envolvimento durante todo o ano com governos, defensores e o sector privado para construir uma estratégia de combate ao tráfico mais eficaz, baseada na equidade", declarou o secretário de Estado, citado no relatório.

"Isso deve incluir o reconhecimento do nosso papel como perpetradores de violência e desumanização de pessoas, e devemos trabalhar para corrigir esses erros do passado", acrescentou Antony Blinken.