Myanmar: Dezenas de monges budistas protestam contra junta militar

Mandalay - Dezenas de monges budistas pró-democracia concentraram-se hoje na segunda maior cidade de Myanmar (antiga Birmânia), Mandalay, para protestar contra o golpe de Estado militar ocorrido em Fevereiro passado naquele país asiático, segundo relataram as agências internacionais.

O protesto ocorre por ocasião do 14.º aniversário da chamada 'Revolução Açafrão', numa referência à cor das vestes dos monges que lideraram, em Setembro de 2007, protestos pró-democracia no território birmanês.

Na altura, os protestos, constituídos sobretudo por marchas pacíficas, foram violentamente reprimidos pela junta militar que detinha então o poder.

Mais de uma década depois, e após um interregno democrático, Myanmar encontra-se novamente num clima de crise desde o golpe de Estado militar de 1 de Fevereiro deste ano, que derrubou o governo liderado por Aung San Suu Kyi.

O exército de Myanmar justificou o golpe de Estado com supostas fraudes eleitorais durante as legislativas de novembro de 2020, cujo resultado deu a vitória à Liga Nacional para a Democracia, força política liderada por Aung San Suu Kyi.

Desde então, Myanmar encontra-se numa situação de caos, com a economia paralisada e palco de manifestações e distúrbios fortemente reprimidos pelas forças militares e pela polícia birmanesa.

Segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP), a repressão da oposição birmanesa fez mais de 1.100 mortos (civis) e cerca de 8.400 pessoas foram detidas arbitrariamente.

Historicamente em Myanmar, país de maioria budista, os monges são vistos como uma autoridade moral superior, assumindo um papel importante junto das comunidades e, por vezes, expressando uma forte oposição contra os regimes militares.

O golpe militar de Fevereiro suscitou divisões no seio da comunidade monástica birmanesa, com alguns religiosos proeminentes a darem o seu apoio aos generais da junta militar, enquanto outros monges colocaram-se ao lado da oposição e dos protestos pró-democracia.
"Os monges que amam a verdade estão do lado do povo", disse um dos organizadores da manifestação que hoje decorreu em Mandalay, reconhecida como a capital religiosa do país.

Munidos de faixas e bandeiras, os monges entoaram frases de ordem a apelar à libertação dos presos políticos, nomeadamente dos elementos do partido de Aung San Suu Kyi.

"Devemos correr riscos [...] para protestar, porque podemos ser presos ou abatidos a qualquer momento. Já não estamos seguros nos nossos mosteiros", afirmou, em declarações à agência France-Presse (AFP), um monge de 35 anos que participava no protesto.

Nos últimos meses, as forças militares e a polícia birmanesa chegaram a disparar balas reais, além do recurso a gás lacrimogéneo, balas de borracha e granadas de choque, para reprimir as manifestações pró-democracia realizadas no país.

 

O protesto ocorre por ocasião do 14.º aniversário da chamada 'Revolução Açafrão', numa referência à cor das vestes dos monges que lideraram, em Setembro de 2007, protestos pró-democracia no território birmanês.

Na altura, os protestos, constituídos sobretudo por marchas pacíficas, foram violentamente reprimidos pela junta militar que detinha então o poder.

Mais de uma década depois, e após um interregno democrático, Myanmar encontra-se novamente num clima de crise desde o golpe de Estado militar de 1 de Fevereiro deste ano, que derrubou o governo liderado por Aung San Suu Kyi.

O exército de Myanmar justificou o golpe de Estado com supostas fraudes eleitorais durante as legislativas de novembro de 2020, cujo resultado deu a vitória à Liga Nacional para a Democracia, força política liderada por Aung San Suu Kyi.

Desde então, Myanmar encontra-se numa situação de caos, com a economia paralisada e palco de manifestações e distúrbios fortemente reprimidos pelas forças militares e pela polícia birmanesa.

Segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP), a repressão da oposição birmanesa fez mais de 1.100 mortos (civis) e cerca de 8.400 pessoas foram detidas arbitrariamente.

Historicamente em Myanmar, país de maioria budista, os monges são vistos como uma autoridade moral superior, assumindo um papel importante junto das comunidades e, por vezes, expressando uma forte oposição contra os regimes militares.

O golpe militar de Fevereiro suscitou divisões no seio da comunidade monástica birmanesa, com alguns religiosos proeminentes a darem o seu apoio aos generais da junta militar, enquanto outros monges colocaram-se ao lado da oposição e dos protestos pró-democracia.
"Os monges que amam a verdade estão do lado do povo", disse um dos organizadores da manifestação que hoje decorreu em Mandalay, reconhecida como a capital religiosa do país.

Munidos de faixas e bandeiras, os monges entoaram frases de ordem a apelar à libertação dos presos políticos, nomeadamente dos elementos do partido de Aung San Suu Kyi.

"Devemos correr riscos [...] para protestar, porque podemos ser presos ou abatidos a qualquer momento. Já não estamos seguros nos nossos mosteiros", afirmou, em declarações à agência France-Presse (AFP), um monge de 35 anos que participava no protesto.

Nos últimos meses, as forças militares e a polícia birmanesa chegaram a disparar balas reais, além do recurso a gás lacrimogéneo, balas de borracha e granadas de choque, para reprimir as manifestações pró-democracia realizadas no país.