ONU pede "acção política concertada" na disponibilização de vacinas

  • Sede da ONU em Nova Iorque
Nova Iorque - A alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, apelou hoje a uma "acção política concertada" na disponibilização de vacinas a todos e à definição de "um enquadramento" para a cobertura global de saúde.

Michelle Bachelet, que intervinha numa sessão virtual sobre liderança na saúde global, começou por assinalar que "a pandemia de covid-19 ensinou muito sobre o valor do investimento nos direitos humanos".

Por um lado, mostrou que, "em muitas regiões do mundo, os mais vulneráveis, incluindo os que pertencem a minorias étnicas e povos indígenas, têm mais probabilidades de morrer de covid-19 e sofreram os maiores impactos socioeconómicos", e, por outro lado, que "o impacto negativo poderá perdurar durante gerações", deixando "as pessoas pobres e vulneráveis reduzidas a ainda pior pobreza", ressalvou.

A alta-comissária das Nações Unidas considerou então que as desigualdades provocadas pela pandemia deixam "cada vez mais pessoas para trás", acabando por "privar a sociedade de um contributo pleno, prejudicando-nos a todos".

Essas desigualdades - "históricas dentro e entre países" - estão "agora a ser repetidas no âmbito da vacinação", apontou, instando a uma "ação política concertada para disponibilizar vacinas a todos, em todos os lugares".

Daí que a cobertura universal de saúde seja uma "prioridade fundamental", pois "as sociedades mais saudáveis permitirão um desenvolvimento sustentável", enquanto "maus resultados ao nível da saúde limitam as capacidades de se reforçar a resiliência", notou.

A responsável destacou, de seguida, a importância da Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente da meta 3.8, que "pede a cobertura universal de saúde", incluindo "protecção contra riscos financeiros, acesso a serviços de saúde essenciais e básicos, e acesso a medicamentos e vacinas essenciais e a um preço comportável".

Alertando para o facto de "mais de metade das pessoas vivas hoje terem pouco ou nenhum acesso a serviços de saúde fundamentais" e que, por isso, "há pessoas em muitos países que continuam a lutar simplesmente para sobreviver", Bachelet apontou a "discriminação", a "nacionalidade" e as "migrações" como "razões que explicam a falta de acesso a cuidados de saúde".

Bachelet disse que "56% da população rural mundial, a maior parte dessa população em África, tem falta de acesso a serviços de saúde em comparação com a população urbana", acrescentando que, "em 2013, a Organização Mundial de Saúde [OMS] estimou que 930 milhões de pessoas gastavam mais de 10% do rendimento do lar com despesas de saúde e 210 milhões gastam hoje mais de 23%, o que é um fardo enorme".

Por isso, a alta-comissária apela à definição de "um enquadramento para a saúde, com acesso a serviços para a reprodução sexual, a saúde mental, entre outros", pois, apesar de já haver "compromissos e deliberações", ainda "há uma necessidade urgente de vontade política".

"Antes da pandemia de covid-19, os direitos sociais e económicos eram muitas vezes negligenciados devido aos custos. Quando as consequências se tornaram evidentes, começaram a ver-se pacotes de estímulo para mitigar o impacto socioeconómico, ou seja, quando é preciso encontra-se o dinheiro necessário", argumentou.

Nesse sentido, Michelle Bachelet pede aos Estados-membros das Nações Unidas que haja "cooperação técnica", a fim de "partilharem experiências, conhecimento e garantirem o acesso a recursos que permitam garantir o direito à saúde em todos os lugares".

"A pandemia mostrou-nos que os cuidados de saúde e a protecção social são não só essenciais, mas permitem um enorme retorno ao evitar ainda mais dor económica", frisou, encorajando o bloco comunitário a "investir mais na área da saúde, internamente e no estrangeiro".

A alta-comissária apelou, por fim, a uma reflexão "sobre a institucionalização" nos sistemas de saúde para que estes contemplem, além dos idosos, a "saúde mental e dos deficientes", incluindo as pessoas de minorias étnicas e os migrantes.

"Encorajo-vos a salvaguardar o envolvimento de todas as partes interessadas, na conceção e implementação deste esforço. As pessoas têm de participar de modo pleno na definição de políticas que poderão afetar as suas vidas", concluiu.

Michelle Bachelet participou hoje numa sessão intitulada "Liderança na saúde global em direcção à promoção da cobertura universal de saúde 2030", inserida na conferência virtual sobre o reforço do papel da UE na saúde global, organizada no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.

Na sessão, participaram ainda o diretor regional para a Europa na OMS, Hans Kluge, o enviado especial da OMS para a Cobertura Universal de Saúde na Europa, Vytenis Povilas Andriukaitis, e a diretora executiva e fundadora da organização Women in Global Health, Roopa Dhatt.

Michelle Bachelet, que intervinha numa sessão virtual sobre liderança na saúde global, começou por assinalar que "a pandemia de covid-19 ensinou muito sobre o valor do investimento nos direitos humanos".

Por um lado, mostrou que, "em muitas regiões do mundo, os mais vulneráveis, incluindo os que pertencem a minorias étnicas e povos indígenas, têm mais probabilidades de morrer de covid-19 e sofreram os maiores impactos socioeconómicos", e, por outro lado, que "o impacto negativo poderá perdurar durante gerações", deixando "as pessoas pobres e vulneráveis reduzidas a ainda pior pobreza", ressalvou.

A alta-comissária das Nações Unidas considerou então que as desigualdades provocadas pela pandemia deixam "cada vez mais pessoas para trás", acabando por "privar a sociedade de um contributo pleno, prejudicando-nos a todos".

Essas desigualdades - "históricas dentro e entre países" - estão "agora a ser repetidas no âmbito da vacinação", apontou, instando a uma "ação política concertada para disponibilizar vacinas a todos, em todos os lugares".

Daí que a cobertura universal de saúde seja uma "prioridade fundamental", pois "as sociedades mais saudáveis permitirão um desenvolvimento sustentável", enquanto "maus resultados ao nível da saúde limitam as capacidades de se reforçar a resiliência", notou.

A responsável destacou, de seguida, a importância da Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente da meta 3.8, que "pede a cobertura universal de saúde", incluindo "protecção contra riscos financeiros, acesso a serviços de saúde essenciais e básicos, e acesso a medicamentos e vacinas essenciais e a um preço comportável".

Alertando para o facto de "mais de metade das pessoas vivas hoje terem pouco ou nenhum acesso a serviços de saúde fundamentais" e que, por isso, "há pessoas em muitos países que continuam a lutar simplesmente para sobreviver", Bachelet apontou a "discriminação", a "nacionalidade" e as "migrações" como "razões que explicam a falta de acesso a cuidados de saúde".

Bachelet disse que "56% da população rural mundial, a maior parte dessa população em África, tem falta de acesso a serviços de saúde em comparação com a população urbana", acrescentando que, "em 2013, a Organização Mundial de Saúde [OMS] estimou que 930 milhões de pessoas gastavam mais de 10% do rendimento do lar com despesas de saúde e 210 milhões gastam hoje mais de 23%, o que é um fardo enorme".

Por isso, a alta-comissária apela à definição de "um enquadramento para a saúde, com acesso a serviços para a reprodução sexual, a saúde mental, entre outros", pois, apesar de já haver "compromissos e deliberações", ainda "há uma necessidade urgente de vontade política".

"Antes da pandemia de covid-19, os direitos sociais e económicos eram muitas vezes negligenciados devido aos custos. Quando as consequências se tornaram evidentes, começaram a ver-se pacotes de estímulo para mitigar o impacto socioeconómico, ou seja, quando é preciso encontra-se o dinheiro necessário", argumentou.

Nesse sentido, Michelle Bachelet pede aos Estados-membros das Nações Unidas que haja "cooperação técnica", a fim de "partilharem experiências, conhecimento e garantirem o acesso a recursos que permitam garantir o direito à saúde em todos os lugares".

"A pandemia mostrou-nos que os cuidados de saúde e a protecção social são não só essenciais, mas permitem um enorme retorno ao evitar ainda mais dor económica", frisou, encorajando o bloco comunitário a "investir mais na área da saúde, internamente e no estrangeiro".

A alta-comissária apelou, por fim, a uma reflexão "sobre a institucionalização" nos sistemas de saúde para que estes contemplem, além dos idosos, a "saúde mental e dos deficientes", incluindo as pessoas de minorias étnicas e os migrantes.

"Encorajo-vos a salvaguardar o envolvimento de todas as partes interessadas, na conceção e implementação deste esforço. As pessoas têm de participar de modo pleno na definição de políticas que poderão afetar as suas vidas", concluiu.

Michelle Bachelet participou hoje numa sessão intitulada "Liderança na saúde global em direcção à promoção da cobertura universal de saúde 2030", inserida na conferência virtual sobre o reforço do papel da UE na saúde global, organizada no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.

Na sessão, participaram ainda o diretor regional para a Europa na OMS, Hans Kluge, o enviado especial da OMS para a Cobertura Universal de Saúde na Europa, Vytenis Povilas Andriukaitis, e a diretora executiva e fundadora da organização Women in Global Health, Roopa Dhatt.