Portugal/Eleições: Presidente reeleito promete combate à pandemia e ao extremismo

  • Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal
Lisboa - Marcelo Rebelo de Sousa foi, por esmagadora maioria, o vencedor das eleições presidenciais, marcadas desta vez por uma pandemia que arrastou o país para uma crise económica e social.

No discurso de vitória, o Presidente reeleito vincou como principal missão o combate à pandemia, mas não esqueceu a luta contra "a radicalização e o extremismo".

Para o Presidente de todos os portugueses, é necessário "esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados".

Foi com 60,70 por cento dos votos que Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu a vitória naquela que foi a sua segunda candidatura à Presidência portuguesa. Apesar de uma abstenção recorde, o Presidente alcançou nestas eleições o primeiro lugar do pódio, sendo seguido por Ana Gomes, com 12,97 por cento dos votos, e André Ventura, com 11,90.

As primeiras palavras do discurso do vencedor foram dirigidas a todas as vítimas da pandemia de Covid-19 em Portugal.

“A 2 de Novembro, dia da evocação das vítimas da pandemia no Palácio de Belém, havia 2590 mortos. São agora 10469. Para eles, assim como para os mortos não Covid, destes quase 11 meses de provação, vai o meu, o nosso primeiro emocionado pensamento”, começou por dizer o Presidente reeleito.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a eleição de domingo comprova a “renovação da confiança no Presidente da República em funções”, dizendo sentir-se “profundamente honrado e agradecido”.

Mas o Chefe de Estado retirou outra conclusão dos resultados desta noite: que os portugueses querem um Presidente “que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social”.

 

“Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. Quem recebe o mandato tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses. Um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus. Que não seja um Presidente de facção”, disse Marcelo, numa aparente referência ao candidato de extrema-direita André Ventura.

Portugueses não querem “radicalização e extremismo”

O Presidente da República disse ter retirado duas mensagens “muito claras” dos resultados eleitorais desta noite. A primeira é que os portugueses “querem mais e melhor em proximidade, em convergência” e na gestão da pandemia.

A segunda é que deve “tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão, antes de novas eleições, daquilo que se concluiu dever ser revisto para ajustar situações como a vivida” nesta pandemia.

Ainda com base nos resultados, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os portugueses “não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades”, nem “uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política”.

Querem, antes, “uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma recuperação de emprego e rendimentos”, assim como o “combate à pobreza e à exclusão e um sistema político estável com governação forte, sustentável e credível”.

“Querem que a democracia constitucional responda aos dramas e angústias dos portugueses, mas uma democracia que respeite a Constituição, uma democracia democrática, não uma democracia iliberal, ou seja, não democrática”.

Marcelo quer “fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”.

Ainda no seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa relembrou que “dentro de três anos estaremos no meio século do 25 de Abril”, considerando inconcebível que se não possa dizer então que somos não só muito mais livres, mas também muito mais desenvolvidos, muito mais iguais, muito mais justos, muito mais solidários do que éramos no início da caminhada”.

Antes desses três anos, “temos de reencontrar o que perdemos na pandemia, refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”, defendeu o Presidente.

“Temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afectos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, tudo isto começa no combate à pandemia. “Se a pandemia durar mais e for mais profunda, tudo o resto que queremos tanto correrá pior e durará mais”, explicou. Por essa razão, o mais urgente do urgente chama-se agora combate à pandemia.

“Temos de fazer tudo o que de nós dependa, mas mesmo tudo, para travar e depois inverter um processo que está a pressionar em termos dramáticos as nossas estruturas de saúde”, acrescentou.

Presidente garante “solidariedade institucional total” com Governo

Para que este combate à pandemia seja sólido, Marcelo Rebelo de Sousa garante a sua “solidariedade institucional total com a Assembleia da República e o Governo, tentando envolver o maior número de partidos e parceiros económicos e sociais numa desejável conjugação colectiva”.

“Não deixa de ser uma desafiante ironia do destino que essa missão, que é minha, que é vossa, que é nossa, possa continuar a contar como Presidente reeleito, com alguém que pertence a um grupo de risco, simbolizando que estamos todos unidos, os mais novos e os menos novos”, declarou o vencedor destas eleições.

O resultado desta noite eleitoral não foi surpreendente, com todas as sondagens prévias a apontarem para a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. A maior dúvida residia entre os seguintes lugares do pódio.

A corrida foi renhida entre Ana Gomes e André Ventura, mas acabou por ser a candidata independente a conseguir a medalha de prata, com 12,97 por cento dos votos. O candidato do Chega foi escolhido por 11,90 por cento dos eleitores e, em vez de cumprir a promessa de demissão caso fosse ultrapassado por Ana Gomes, irá antes colocar ao partido a decisão sobre se quer ou não continuar com o projecto actual.

Em quarto lugar nestas eleições ficou João Ferreira, o candidato apoiado pelo PCP, com 4,32 por cento dos votos, seguido por Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, com 3,95, por cento, Tiago Mayan (Iniciativa Liberal), com 3,22, e Vitorino Silva (independente), com 2,94.

No discurso de vitória, o Presidente reeleito vincou como principal missão o combate à pandemia, mas não esqueceu a luta contra "a radicalização e o extremismo".

Para o Presidente de todos os portugueses, é necessário "esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados".

Foi com 60,70 por cento dos votos que Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu a vitória naquela que foi a sua segunda candidatura à Presidência portuguesa. Apesar de uma abstenção recorde, o Presidente alcançou nestas eleições o primeiro lugar do pódio, sendo seguido por Ana Gomes, com 12,97 por cento dos votos, e André Ventura, com 11,90.

As primeiras palavras do discurso do vencedor foram dirigidas a todas as vítimas da pandemia de Covid-19 em Portugal.

“A 2 de Novembro, dia da evocação das vítimas da pandemia no Palácio de Belém, havia 2590 mortos. São agora 10469. Para eles, assim como para os mortos não Covid, destes quase 11 meses de provação, vai o meu, o nosso primeiro emocionado pensamento”, começou por dizer o Presidente reeleito.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a eleição de domingo comprova a “renovação da confiança no Presidente da República em funções”, dizendo sentir-se “profundamente honrado e agradecido”.

Mas o Chefe de Estado retirou outra conclusão dos resultados desta noite: que os portugueses querem um Presidente “que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social”.

 

“Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. Quem recebe o mandato tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses. Um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus. Que não seja um Presidente de facção”, disse Marcelo, numa aparente referência ao candidato de extrema-direita André Ventura.

Portugueses não querem “radicalização e extremismo”

O Presidente da República disse ter retirado duas mensagens “muito claras” dos resultados eleitorais desta noite. A primeira é que os portugueses “querem mais e melhor em proximidade, em convergência” e na gestão da pandemia.

A segunda é que deve “tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão, antes de novas eleições, daquilo que se concluiu dever ser revisto para ajustar situações como a vivida” nesta pandemia.

Ainda com base nos resultados, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os portugueses “não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades”, nem “uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política”.

Querem, antes, “uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma recuperação de emprego e rendimentos”, assim como o “combate à pobreza e à exclusão e um sistema político estável com governação forte, sustentável e credível”.

“Querem que a democracia constitucional responda aos dramas e angústias dos portugueses, mas uma democracia que respeite a Constituição, uma democracia democrática, não uma democracia iliberal, ou seja, não democrática”.

Marcelo quer “fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”.

Ainda no seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa relembrou que “dentro de três anos estaremos no meio século do 25 de Abril”, considerando inconcebível que se não possa dizer então que somos não só muito mais livres, mas também muito mais desenvolvidos, muito mais iguais, muito mais justos, muito mais solidários do que éramos no início da caminhada”.

Antes desses três anos, “temos de reencontrar o que perdemos na pandemia, refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”, defendeu o Presidente.

“Temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afectos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, tudo isto começa no combate à pandemia. “Se a pandemia durar mais e for mais profunda, tudo o resto que queremos tanto correrá pior e durará mais”, explicou. Por essa razão, o mais urgente do urgente chama-se agora combate à pandemia.

“Temos de fazer tudo o que de nós dependa, mas mesmo tudo, para travar e depois inverter um processo que está a pressionar em termos dramáticos as nossas estruturas de saúde”, acrescentou.

Presidente garante “solidariedade institucional total” com Governo

Para que este combate à pandemia seja sólido, Marcelo Rebelo de Sousa garante a sua “solidariedade institucional total com a Assembleia da República e o Governo, tentando envolver o maior número de partidos e parceiros económicos e sociais numa desejável conjugação colectiva”.

“Não deixa de ser uma desafiante ironia do destino que essa missão, que é minha, que é vossa, que é nossa, possa continuar a contar como Presidente reeleito, com alguém que pertence a um grupo de risco, simbolizando que estamos todos unidos, os mais novos e os menos novos”, declarou o vencedor destas eleições.

O resultado desta noite eleitoral não foi surpreendente, com todas as sondagens prévias a apontarem para a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. A maior dúvida residia entre os seguintes lugares do pódio.

A corrida foi renhida entre Ana Gomes e André Ventura, mas acabou por ser a candidata independente a conseguir a medalha de prata, com 12,97 por cento dos votos. O candidato do Chega foi escolhido por 11,90 por cento dos eleitores e, em vez de cumprir a promessa de demissão caso fosse ultrapassado por Ana Gomes, irá antes colocar ao partido a decisão sobre se quer ou não continuar com o projecto actual.

Em quarto lugar nestas eleições ficou João Ferreira, o candidato apoiado pelo PCP, com 4,32 por cento dos votos, seguido por Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, com 3,95, por cento, Tiago Mayan (Iniciativa Liberal), com 3,22, e Vitorino Silva (independente), com 2,94.