Qatar diz que talibãs mostraram pragmatismo e devem ser julgados pelas suas acções

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Qatar-Os talibã tem mostrado "pragmatismo" e devem ser julgados por suas acções como "governantes de facto" do Afeganistão, disse à AFP uma ministra do Qatar, país que ainda não reconhece o novo governo de Kaboul.

Numa entrevista exclusiva que concedeu segunda-feira, 06, ao órgão de informação francesa e divulgada nesta quarta-feira, 08, a ministra-adjunta e porta-voz dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Lolwah al-Khater, exortou a comunidade internacional a permanecer construtiva na sua gestão da crise, acreditando que cabe aos afegãos decidirem o seu futuro.

"Os talibãs mostraram uma boa dose de pragmatismo", disse a ministra-adjunta.

"Vamos aproveitar as oportunidades que se apresentam e (...) colocar as nossas emoções de lado", acrescentou.

O Qatar tornou-se um país central nesta crise, desempenhando um papel de mediador neutro e influente.

Em particular, o país saudou as negociações concluídas em 2020 entre os Estados Unidos do ex-Presidente Donald Trump e os talibãs, assim como entre o grupo extremista e a oposição afegã.

Nos últimos dias, o Qatar apelou para que os talibãs respeitem os pedidos do Ocidente, incluindo o respeito pelos direitos das mulheres e a possibilidade de os afegãos deixarem o país livremente.

Lolwah al-Khater, uma figura pública proeminente no emirado, incluindo em outras questões importantes como a gestão da crise do novo coronavírus, desta vez insistiu na necessidade de a comunidade internacional aceitar as acções concretas dos talibãs, dizendo que os considera legítimos.

"Eles são os governantes de facto, não há dúvida sobre isso", disse.

"Não estamos a pressionar por um reconhecimento diplomático do novo regime" e "não vamos parar de discutir" se não cumprirem todas as suas promessas, declarou.

Na terça-feira, os talibãs anunciaram os principais ministros que compõem o seu Governo chefiado por Mohammad Hassan Akhund, um amigo próximo de Mullah Omar, o fundador do grupo.

Washington declarou, então, que queria "julgar os talibãs pelas suas acções, não pelas suas palavras", mas está preocupado com "as afiliações e origens de alguns desses indivíduos".

O reconhecimento do regime "é claramente um instrumento que pode ser utilizado não só por nós, mas pela comunidade internacional", assegurou a ministra-adjunta do Qatar, apelando para "uma abordagem muito racional, e não emocional, de forma a evidenciar [aos talibãs] o benefício em discutir (...) e as consequências "que poderão sofrer se se recusassem a fazê-lo.

"Este caminho do meio é a nossa recomendação aos nossos parceiros", repetiu, após os chefes da diplomacia alemã, holandesa, britânica, italiana e norte-americana terem estado em Doha no espaço de oito dias, revelando o papel fulcral deste país nesta questão.

Como prova da boa vontade dos talibãs, Al-Khater citou o facto de o grupo extremista não ter se oposto à saída do país de mais de 120.000 pessoas e que alguns ministérios estão a funcionar normalmente, incluindo saúde.

"O povo do Afeganistão deve poder, como todos os outros, ter uma palavra a dizer. Dizer que os talibãs devem responder à comunidade internacional não significa que [que esta] controle o futuro" do país e do seu povo, sublinhou a ministra-adjunta.

Após quase duas décadas de presença de forças militares norte-americanas e da NATO, os talibãs tomaram o poder em Cabul a 15 de Agosto, culminando uma rápida ofensiva que os levou a controlar as capitais de 33 das 34 províncias afegãs em apenas dez dias.

Desde então, os combatentes islamitas radicais asseguraram em várias ocasiões a intenção de formar um Governo islâmico "inclusivo", que represente todas as tribos e etnias do Afeganistão.

 

Numa entrevista exclusiva que concedeu segunda-feira, 06, ao órgão de informação francesa e divulgada nesta quarta-feira, 08, a ministra-adjunta e porta-voz dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Lolwah al-Khater, exortou a comunidade internacional a permanecer construtiva na sua gestão da crise, acreditando que cabe aos afegãos decidirem o seu futuro.

"Os talibãs mostraram uma boa dose de pragmatismo", disse a ministra-adjunta.

"Vamos aproveitar as oportunidades que se apresentam e (...) colocar as nossas emoções de lado", acrescentou.

O Qatar tornou-se um país central nesta crise, desempenhando um papel de mediador neutro e influente.

Em particular, o país saudou as negociações concluídas em 2020 entre os Estados Unidos do ex-Presidente Donald Trump e os talibãs, assim como entre o grupo extremista e a oposição afegã.

Nos últimos dias, o Qatar apelou para que os talibãs respeitem os pedidos do Ocidente, incluindo o respeito pelos direitos das mulheres e a possibilidade de os afegãos deixarem o país livremente.

Lolwah al-Khater, uma figura pública proeminente no emirado, incluindo em outras questões importantes como a gestão da crise do novo coronavírus, desta vez insistiu na necessidade de a comunidade internacional aceitar as acções concretas dos talibãs, dizendo que os considera legítimos.

"Eles são os governantes de facto, não há dúvida sobre isso", disse.

"Não estamos a pressionar por um reconhecimento diplomático do novo regime" e "não vamos parar de discutir" se não cumprirem todas as suas promessas, declarou.

Na terça-feira, os talibãs anunciaram os principais ministros que compõem o seu Governo chefiado por Mohammad Hassan Akhund, um amigo próximo de Mullah Omar, o fundador do grupo.

Washington declarou, então, que queria "julgar os talibãs pelas suas acções, não pelas suas palavras", mas está preocupado com "as afiliações e origens de alguns desses indivíduos".

O reconhecimento do regime "é claramente um instrumento que pode ser utilizado não só por nós, mas pela comunidade internacional", assegurou a ministra-adjunta do Qatar, apelando para "uma abordagem muito racional, e não emocional, de forma a evidenciar [aos talibãs] o benefício em discutir (...) e as consequências "que poderão sofrer se se recusassem a fazê-lo.

"Este caminho do meio é a nossa recomendação aos nossos parceiros", repetiu, após os chefes da diplomacia alemã, holandesa, britânica, italiana e norte-americana terem estado em Doha no espaço de oito dias, revelando o papel fulcral deste país nesta questão.

Como prova da boa vontade dos talibãs, Al-Khater citou o facto de o grupo extremista não ter se oposto à saída do país de mais de 120.000 pessoas e que alguns ministérios estão a funcionar normalmente, incluindo saúde.

"O povo do Afeganistão deve poder, como todos os outros, ter uma palavra a dizer. Dizer que os talibãs devem responder à comunidade internacional não significa que [que esta] controle o futuro" do país e do seu povo, sublinhou a ministra-adjunta.

Após quase duas décadas de presença de forças militares norte-americanas e da NATO, os talibãs tomaram o poder em Cabul a 15 de Agosto, culminando uma rápida ofensiva que os levou a controlar as capitais de 33 das 34 províncias afegãs em apenas dez dias.

Desde então, os combatentes islamitas radicais asseguraram em várias ocasiões a intenção de formar um Governo islâmico "inclusivo", que represente todas as tribos e etnias do Afeganistão.