Angola/Turquia: Nova era na cooperação

  • Bandeiras de Angola e da Turquia
Luanda - Angola e Turquia vão incrementar a sua cooperação bilateral, com a assinatura de importantes acordos em diferentes domínios, no quadro da primeira visita de Estado do Presidente João Lourenço, a esse país euro-asiático.

Por: Elias Tumba, Jornalista da Angop

A deslocação do Chefe de Estado angolano à cidade de Ankara, capital da Turquia, ocorre numa altura em que Angola procura consolidar o programa de diversificação da sua economia e melhorar o ambiente de negócios, processos para os quais espera contar com investidores turcos.

A Turquia é um país que se afirma em áreas estratégicas, quer na Europa, como na Ásia, sendo referência, por exemplo, na produção e exportação, em grande escala, de farinha de trigo, produto em que Angola ainda apresenta défice.

Em concreto, as autoridades dos dois Estados esperam aproveitar a visita de João Lourenço e de uma importante delegação governamental, a decorrer de 27 a 28 do corrente mês, para rever o quadro da cooperação e identificar novas áreas para eventuais parcerias estratégicas.

Angola e a Turquia perspectivam a celebração e implementação de novos instrumentos jurídicos, a fim de darem impulso às parcerias já existentes, por via do incremento do investimento privado, com os olhos no aumento da produção nos respectivos países.

Durante a visita, autoridades dos dois países vão assinar cerca de uma dezena de acordos, em variados domínios, com destaque para o militar, comércio, economia, recursos minerais, além de aspectos consulares e diplomáticos, como avançou, em nota, os órgãos auxiliares do Presidente da República de Angola.

É expectável, igualmente, que nesta visita de João Lourenço estejam sobre a mesa os temas da captação do investimento privado turco e, particularmente, da ligação aérea entre as cidades de Luanda e Ankara, processo cujas negociações já estão em fase avançada.

Em Junho último, responsáveis turcos manifestaram, em Luanda, o desejo da Turkish Airlines iniciar voos regulares para a capital angolana, o que, a ser materializado, poderá constituir uma significativa alavanca para o reforço dos investimentos e da balança comercial.

A Turkish Airlines está em negociações com o Ministério dos Transportes e outras autoridades angolanas, no sentido da realização de dois voos semanais, de acordo com o seu director regional para África, Alp Yavuzeser.

Segundo o responsável, que visitou recentemente Luanda, as duas frequências representam a primeira fase dos negócios projectados pela companhia para Angola, sublinhando que esta ligação aérea “constitui-se numa plataforma de conexão de Angola a 120 países”.

Outro domínio em que Angola e a Turquia se propõem dar enfase, no quadro da visita de Estado do Presidente João Lourenço, tem a ver com a eliminação de vistos em passaportes de serviço, diplomáticos e especiais, aspecto chave para a entrada e saída de investidores e turistas dos dois Estados e para o reforço da balança comercial.

O reforço da cooperação bilateral no domínio do comércio é outra nota saliente da visita presidencial, que conta com a participação de dezenas de empresários, sendo um momento propício para Angola apresentar as suas potencialidades e iniciativas tendentes a melhorar, progressivamente, o ambiente de negócios.

Trocas comerciais

A esse respeito, o secretário de Estado angolano do Comércio, Amadeu Leitão Nunes, afirmou, recentemente, em Luanda, que as trocas comerciais entre Angola e a Turquia ainda são consideradas "incipientes", apesar das potencialidades existentes.

Salientou serem necessárias mais acções, para aumentar o volume de negócios e diversificar, gradualmente, a base de produtos de importação e exportação.

Actualmente, Angola exporta para a Turquia carvão vegetal, madeira, combustíveis minerais, obras de madeira e aço, em quantidades não especificadas, anualmente.

Em sentido contrário, importa daquele país bens alimentares, malte, amidos, féculas, glúten de trigo, caldeiras, máquinas, aparelhos, instrumentos mecanizados, gesso, cal, cimento e produtos da indústria de moagem.

“Angola tem outras valências para oferecer àquele país, como recursos naturais, extensas áreas de solos férteis, potentes fontes de energia hídrica, estabilidade política, além da rede de infra-estruturas de transporte e logística”, disse, na altura, Amadeu Leitão Nunes.

Também recentemente, o embaixador da Turquia em Angola, Alp Ay, enfatizou sobre a importância do sector de Energia e Águas no desenvolvimento económico de Angola, e disse haver grande interesse dos investidores turcos na exploração deste domínio.

O diplomata realçou que a nível de organização, da capacidade técnica e financeira, as empresas turcas já deram provas, nos vários países africanos onde operam, e gostaria, doravante, que as mesmas possam actuar também em Angola. 

Assegurou, a esse respeito, que os bancos de financiamento da Turquia estão disponíveis, para apoiar o financiamento dos projectos, por via de empresas turcas que, efectivamente, venham a ter a oportunidade de trabalhar em solo angolano.

As relações entre Angola e a Turquia ainda não estão no nível desejado, considerou, e mostrou-se esperançado de que a cooperação poderá conhecer novos rumos em breve.

Dados referentes ao período de 2006 a 2020, indicam que empresas turcas empregaram 22,55 milhões de USD, em 16 projectos implantados nas províncias de Luanda e Uíge, nos domínios da indústria, comércio, educação e construção civil, permitindo a criação de 123 postos de trabalho, de acordo com números apresentados, recentemente, pela AIPEX.

Segundo as autoridades turcas, há também interesse de cooperarem com Angola na agricultura e pescas, sectores em que os angolanos têm grande potencial.

De acordo com o Presidente da Câmara de Comércio Angola/Turquia, Fernando Celô, a linha de acção da instituição é a diplomacia económica, enquanto o ministro da Indústria e Comércio de Angola, Victor Fernandes, diz haver disponibilidade para estreitar relações.

O governante angolano afirmou, recentemente, em Luanda, que há disponibilidade, através da indústria e do comércio, por serem duas áreas em que Angola reconhece na Turquia um parceiro credível, com capacidade e "know how" capazes de ajudar os angolanos.

No essencial, a Turquia quer incrementar a balança comercial com Angola, situada, em 2016, em cerca de USD 134 milhões, para USD mil milhões, conforme dados avançados, recentemente, pelo ministro das Alfândegas e Comércio daquele país, Bulent Tufencki.

O sector dos serviços tem um peso considerável na economia daquele país, sendo, também, de realçar o papel relevante da indústria transformadora turca. A nível industrial, destacam-se os sectores alimentar e têxtil, a indústria automóvel, os eletrodomésticos e as máquinas, além de existirem consideráveis reservas de recursos minerais.

Por isso, reputa-se de grande importância a deslocação do Presidente João Lourenço e delegação que o acompanha a Ankara, onde estão agendados contactos com empresários turcos interessados em investir em Angola.

O Chefe de Estado angolano, que deixou Luanda, hoje. segunda-feira, vai à Turquia em resposta a um convite do seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os dois Estados têm relações diplomáticas desde 1980 e cooperam, com regularidade, em áreas como o comércio, agricultura, educação, cultura, defesa, justiça e desporto.

Por: Elias Tumba, Jornalista da Angop

A deslocação do Chefe de Estado angolano à cidade de Ankara, capital da Turquia, ocorre numa altura em que Angola procura consolidar o programa de diversificação da sua economia e melhorar o ambiente de negócios, processos para os quais espera contar com investidores turcos.

A Turquia é um país que se afirma em áreas estratégicas, quer na Europa, como na Ásia, sendo referência, por exemplo, na produção e exportação, em grande escala, de farinha de trigo, produto em que Angola ainda apresenta défice.

Em concreto, as autoridades dos dois Estados esperam aproveitar a visita de João Lourenço e de uma importante delegação governamental, a decorrer de 27 a 28 do corrente mês, para rever o quadro da cooperação e identificar novas áreas para eventuais parcerias estratégicas.

Angola e a Turquia perspectivam a celebração e implementação de novos instrumentos jurídicos, a fim de darem impulso às parcerias já existentes, por via do incremento do investimento privado, com os olhos no aumento da produção nos respectivos países.

Durante a visita, autoridades dos dois países vão assinar cerca de uma dezena de acordos, em variados domínios, com destaque para o militar, comércio, economia, recursos minerais, além de aspectos consulares e diplomáticos, como avançou, em nota, os órgãos auxiliares do Presidente da República de Angola.

É expectável, igualmente, que nesta visita de João Lourenço estejam sobre a mesa os temas da captação do investimento privado turco e, particularmente, da ligação aérea entre as cidades de Luanda e Ankara, processo cujas negociações já estão em fase avançada.

Em Junho último, responsáveis turcos manifestaram, em Luanda, o desejo da Turkish Airlines iniciar voos regulares para a capital angolana, o que, a ser materializado, poderá constituir uma significativa alavanca para o reforço dos investimentos e da balança comercial.

A Turkish Airlines está em negociações com o Ministério dos Transportes e outras autoridades angolanas, no sentido da realização de dois voos semanais, de acordo com o seu director regional para África, Alp Yavuzeser.

Segundo o responsável, que visitou recentemente Luanda, as duas frequências representam a primeira fase dos negócios projectados pela companhia para Angola, sublinhando que esta ligação aérea “constitui-se numa plataforma de conexão de Angola a 120 países”.

Outro domínio em que Angola e a Turquia se propõem dar enfase, no quadro da visita de Estado do Presidente João Lourenço, tem a ver com a eliminação de vistos em passaportes de serviço, diplomáticos e especiais, aspecto chave para a entrada e saída de investidores e turistas dos dois Estados e para o reforço da balança comercial.

O reforço da cooperação bilateral no domínio do comércio é outra nota saliente da visita presidencial, que conta com a participação de dezenas de empresários, sendo um momento propício para Angola apresentar as suas potencialidades e iniciativas tendentes a melhorar, progressivamente, o ambiente de negócios.

Trocas comerciais

A esse respeito, o secretário de Estado angolano do Comércio, Amadeu Leitão Nunes, afirmou, recentemente, em Luanda, que as trocas comerciais entre Angola e a Turquia ainda são consideradas "incipientes", apesar das potencialidades existentes.

Salientou serem necessárias mais acções, para aumentar o volume de negócios e diversificar, gradualmente, a base de produtos de importação e exportação.

Actualmente, Angola exporta para a Turquia carvão vegetal, madeira, combustíveis minerais, obras de madeira e aço, em quantidades não especificadas, anualmente.

Em sentido contrário, importa daquele país bens alimentares, malte, amidos, féculas, glúten de trigo, caldeiras, máquinas, aparelhos, instrumentos mecanizados, gesso, cal, cimento e produtos da indústria de moagem.

“Angola tem outras valências para oferecer àquele país, como recursos naturais, extensas áreas de solos férteis, potentes fontes de energia hídrica, estabilidade política, além da rede de infra-estruturas de transporte e logística”, disse, na altura, Amadeu Leitão Nunes.

Também recentemente, o embaixador da Turquia em Angola, Alp Ay, enfatizou sobre a importância do sector de Energia e Águas no desenvolvimento económico de Angola, e disse haver grande interesse dos investidores turcos na exploração deste domínio.

O diplomata realçou que a nível de organização, da capacidade técnica e financeira, as empresas turcas já deram provas, nos vários países africanos onde operam, e gostaria, doravante, que as mesmas possam actuar também em Angola. 

Assegurou, a esse respeito, que os bancos de financiamento da Turquia estão disponíveis, para apoiar o financiamento dos projectos, por via de empresas turcas que, efectivamente, venham a ter a oportunidade de trabalhar em solo angolano.

As relações entre Angola e a Turquia ainda não estão no nível desejado, considerou, e mostrou-se esperançado de que a cooperação poderá conhecer novos rumos em breve.

Dados referentes ao período de 2006 a 2020, indicam que empresas turcas empregaram 22,55 milhões de USD, em 16 projectos implantados nas províncias de Luanda e Uíge, nos domínios da indústria, comércio, educação e construção civil, permitindo a criação de 123 postos de trabalho, de acordo com números apresentados, recentemente, pela AIPEX.

Segundo as autoridades turcas, há também interesse de cooperarem com Angola na agricultura e pescas, sectores em que os angolanos têm grande potencial.

De acordo com o Presidente da Câmara de Comércio Angola/Turquia, Fernando Celô, a linha de acção da instituição é a diplomacia económica, enquanto o ministro da Indústria e Comércio de Angola, Victor Fernandes, diz haver disponibilidade para estreitar relações.

O governante angolano afirmou, recentemente, em Luanda, que há disponibilidade, através da indústria e do comércio, por serem duas áreas em que Angola reconhece na Turquia um parceiro credível, com capacidade e "know how" capazes de ajudar os angolanos.

No essencial, a Turquia quer incrementar a balança comercial com Angola, situada, em 2016, em cerca de USD 134 milhões, para USD mil milhões, conforme dados avançados, recentemente, pelo ministro das Alfândegas e Comércio daquele país, Bulent Tufencki.

O sector dos serviços tem um peso considerável na economia daquele país, sendo, também, de realçar o papel relevante da indústria transformadora turca. A nível industrial, destacam-se os sectores alimentar e têxtil, a indústria automóvel, os eletrodomésticos e as máquinas, além de existirem consideráveis reservas de recursos minerais.

Por isso, reputa-se de grande importância a deslocação do Presidente João Lourenço e delegação que o acompanha a Ankara, onde estão agendados contactos com empresários turcos interessados em investir em Angola.

O Chefe de Estado angolano, que deixou Luanda, hoje. segunda-feira, vai à Turquia em resposta a um convite do seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os dois Estados têm relações diplomáticas desde 1980 e cooperam, com regularidade, em áreas como o comércio, agricultura, educação, cultura, defesa, justiça e desporto.